quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

The Decadente Restaurante & Bar

Enquanto estávamos a discutir qual seria o nosso próximo restaurante a visitar, j. trouxe à discussão a ideia de visitarmos o "The Decadente" com dois argumentos muito pesados: boas referências de amigos e o desconto da TimeOut! Ora, em tempo de crise não convém desperdiçar este tipo de “oportunidades”, por isso, aliámos a curiosidade em conhecer um novo e badalado espaço de Lisboa, com a possibilidade de “poupar” uns trocos.

(ver imagem aqui)

O restaurante está inserido no hostel  "The Independente", um espaço com um conceito muito bem-vindo a Lisboa, localizado numa zona “prime" da capital, mesmo em frente ao miradouro S. Pedro de Alcântara. Este é daqueles prédios que, quando cruzamos, não conseguimos evitar olhar e passar indiferentes, tem um certo charme que encanta e apetece entrar! Quando entramos, deparamo-nos com um lobby retro-pop-chic, que aumenta a expectativa para o espaço do restaurante. Para chegarmos à sala do restaurante, passamos pelo pequeno bar e atravessamos um corredor que nos transporta para um bar vintage no coração da Europa.

A sala do restaurante está decorada com elementos de uma casa portuguesa rústica combinada com uma garrafeira, mas transitando por uma mercearia antiga. Gostámos do pormenor dos pratos “da avó” nas prateleiras na parede, do balcão da mercearia, como mesa de apoio aos empregados, bem como a balança antiga no centro do restaurante. A decoração é simples e com bom gosto. O espaço é agradável, acolhedor e apetece ficar.

(ver imagem aqui)

No entanto, o fascínio do lugar pode-se perder se tivermos demasiado tempo para o admirar… sem comida. É verdade que quando chegámos a sala estava cheia, e aceitamos que escolhemos pratos que exigem algum tempo a confeccionar, mas esperámos cerca de 45 minutos entre as entradas e o prato principal, um aspecto que confiamos não ser recorrente, para bem do restaurante, mas que não nos agradou.

O serviço, na generalidade é bom, com empregados simpáticos, jovens, descontraídos e atenciosos. Cometeram uma pequena falha que corrigiram sem hesitar e sem desculpas baratas, o que revela orientação para o cliente, um factor chave num restaurante novo na cidade. Importa ainda referir a existência de empregados que não sendo de origem lusófona se esforçaram por falar Português, apesar de terem de recorrer à língua Inglesa para se expressar mais rapidamente, o que até deu um colorido internacional à noite!

O que provámos...

O Q' Houver (todos) - Pão de Mafra com manteiga d'ervas. É a prova de que as fórmulas mais simples são também as que trazem sucesso. Nada a acrescentar aqui senão dizer que o pão era óptimo e a manteiga também. O nome, embora uma piada já mais que conhecida, não deixa de ser genial para colocar na ementa! O couvert tem de ser pedido, o que não costuma ser habitual, sendo que a dose servida para quatro nos pareceu pequena.

Salada de Inverno (g.) - Uma mistura de folhas de rúcula, raddichio e chicória sob abóbora assada com especiarias e cogumelos portobello, salpicadas com crumble de castanhas. Uma mistura de sabores inteligente, uma vez que o sabor quente da abóbora, cruzou muito bem com os cogumelos e a mistura dos verdes temperados com um vinagrete balsâmico.

The Pica-Pau (f.) - Uma entrada que se pode dividir em dois momentos, ambos na mesma travessa. O primeiro era composto por pedaços de picanha duros e com "nervos", o segundo com carne de melhor qualidade e que fazia jus ao nome picanha. A carne estava cortada em pequenos pedaços (como se quer no pica-pau), mas não mal-passada o suficiente (como se exige para a picanha). Salvou-se o tempero de alho e tomilho e, principalmente, o pão molhado no suave molho de mostarda antiga. O sabor da mostarda estava presente, sem contudo ser demasiado intenso, enfim, excelente.

Morcela & Chutney (d. / j.) - Basicamente adoramos enchidos, por isso esta entrada tinha que ser pedida. Quatro rodelas de morcela de cominhos grelhada com chutney de cebola-roxa e maçã verde com especiarias, acompanhada de mais umas fatias do delicioso pão de Mafra. Estava óptima e recomendamos a todos os que apreciem este enchido!

Secretos (f.) - O excesso de tempero na carne, antigamente, servia para disfarçar a sua fraca qualidade (quando não a sua má conservação), no caso deste prato, serviu para estragar uma carne de excelente qualidade e confecção. A carne estava tenra e suculenta, com as características únicas do porco preto a sobressaírem, porém, o excesso de limão tornou-a tão azeda que lhe retirou qualquer sabor. O acompanhamento deste prato eram umas migas de grelos e farinheira que estavam soberbas! Os grelos davam-lhe um sabor intenso q.b., com a farinheira a sobressair, numa mistura perfeita com o pão empapado.

O Melhor Bife do Miradouro (j.) - O melhor bife do Miradouro? Talvez seja verdade... mas parece-me que nem todas as pessoas concordariam com esta frase se lhes servissem um bife exactamente igual ao que me foi servido. Estamos a falar de um bife de picanha alto, que, por regra se quer suculento e mal passado. O meu não estava, e não foi porque pedi, porque essa questão não me foi colocada. Por regra, gosto da carne mais bem passada por isso gostei do bife que me foi servido, mas tenho a certeza que qualquer um dos meus "colegas de blog" mandaria o bife de volta para a cozinha. Não sei se normalmente o bife é servido bem passado, mas se for, acho que deveria ser repensado. Um dos acompanhamentos do bife é um ovo cozido (em longa cozedura a 65º C) que estava fantástico. Este tipo de cozedura faz com que o ovo cozido não fique duro, apenas mais espesso, o que o torna bastante suave. O bife é ainda acompanhado de batatas caseiras com molho e salada.

Bacalhau Confitado Com Mel & Amêndoas (d. / g.) - Lombo de bacalhau em longa cozedura a 56º C com mel e amêndoas, acompanhado de batata brava e espinafres salteados. Talvez tenha sido este o prato que fez demorar o nosso pedido, mas quero pensar que foi apenas um percalço na cozinha. Mas há que confessar - mesmo que tenha sido esta a razão da demora, valeu bem a pena a "seca". O bacalhau estava num ponto de cozedura perto da perfeição - as lascas saíam sozinhas ao mais ligeiro toque dos talheres. Embora se possa achar que mel e amêndoas não combinam com bacalhau, este prato vem provar o contrário - a mistura é algo inesperada, mas muito boa, não fica demasiado doce porque não há nenhum exagero na dose de mel. Os espinafres e as batatas são os acompanhamentos que fazem sentido, e, embora os espinafres estivessem no ponto, as batatas estavam um pouquinho duras.

De Seia Para Lisboa (d. / j.) - Esta sobremesa é um cheesecake de queijo cremoso da serra com gelatina de tomate... tínhamos que provar! Confesso que não sabemos bem o que pensar. A ideia geral que fica é a de uma boa sobremesa, mas ao mesmo tempo uma estranha combinação de sabores. Os sabores podiam ser mais equilibrados, pois o creme é salgado, a gelatina de tomate não é muito doce e a base do cheesecake é mesmo muito doce. A experimentar, sim. A repetir, não sabemos, talvez tenhamos de provar outra vez.

Brownie da Tia Lisa (g.) - Para quem gosta muito de chocolate, um brownie fecha sempre bem a refeição. Este pequeno brownie de chocolate Valrhona com praliné de amêndoas & nozes e pérolas crocantes, ganhava na intensidade de sabor o que não tinha em tamanho. De facto, é muito doce, mas como é pequeno, não é enjoativo, diria mesmo que termina no momento certo.

Vinho (f. e d./g.) - Foram experimentados dois vinhos, ambos a copo. f. bebeu um Quinta da Fata, áspero de sabor e cheiro intenso, como um Dão deve ser. O outro vinho foi um Montado (Alentejano), suave como qualquer alentejano costuma ser e um bom acompanhamento para o bacalhau.
O "The Decadente" serve vinho a copo, uma tendência cada vez mais visível nos restaurantes hoje em dia, e nunca será demais referir que muitos outros deveriam fazer o mesmo. Proporciona aos clientes uma maior variedade de escolha (pois cada um pode escolher o seu vinho) e não acreditamos que traga prejuízo aos empresários...
Outro pormenor simples mas feliz - servem um jarro água com gelo à mesa assim que as pessoas se sentam. Água da torneira. Sem pretensões de tentar cobrar preços exorbitantes por água da rede, como outros tentaram (sem sucesso, claro). É oferta da casa. Uma oferta que não pesa nos custos e ao mesmo tempo melhora o good will junto do cliente. Só lhes fica bem. Muito bem.

Preço e Considerações Finais
O preço final foi bastante simpático, até porque aproveitámos, uma vez mais, uma das promoções 2por1 da TimeOut! (o que seria de nós sem estas promoções?).

É uma excelente relação qualidade/ambiente/nível de serviço/preço, e é certamente um restaurante a repetir! Tendo em conta que fazem menus de almoço por 10 €, talvez seja uma boa ideia visitá-lo durante o dia!

Ficámos, também, curiosos em visitar o hostel, o "The Independente", e com vontade de fazer turismo dentro da nossa própria cidade!

data da visita: 13.fevereiro.2012
preço por pessoa:  13,65 €
(sem desconto TimeOut, teria sido 24 €)

The Decadente Restaurante&Bar
Rua São Pedro de Alcântara, 81, Lisboa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

DiCasa

Um dos restaurantes que mais frequentava há uns anos atrás e que gostava muito era o “DiCasa”. Este fim-de-semana decidi voltar para relembrar as pizzas de massa fina com ingredientes frescos que tanto gostava!

Para sábado à noite, este restaurante é muito popular, e recomendo reservar mesa, caso contrário correm o risco de esperar algum tempo para conseguirem um lugar.
Como já conheço a dinâmica do restaurante, tínhamos mesa reservada e quando chegámos somente aguardámos um ou dois minutos, o que apreciei bastante (quantas vezes mesmo com mesas marcadas temos que esperar dez minutos ou mais?).

O espaço do restaurante é muito agradável (a decoração é muito simpática), e, numa noite tão fria como aquela, a temperatura lá dentro era muito acolhedora! O serviço foi prestado com simpatia, rapidez (dentro do possível… estou a falar de um sábado à noite com restaurante cheio) e sem erros, o que pesa muito a favor deste restaurante.

Assim que nos sentámos, encontrámos na mesa Grissinis, que podemos comer para entreter enquanto não vêm os empregados com os menus, ou mesmo enquanto escolhemos o que vamos pedir.
Para entrada pedimos o típico pão de alho – massa das pizzas (muito fina) no forno com alho, regado com azeite e alecrim, e Bruschettas – na minha opinião trazia demasiado tomate.. e a mistura de tomate cherry com tomate normal aos quadrados (demasiado grandes) tira um pouco do brilho a esta entrada.
As entradas foram boas, mas não foram espectaculares, principalmente as Bruschettas, que poderiam ser diferentes na sua confecção e apresentação.

Quanto aos pratos principais pedimos duas pizzas Funghi, uma Calzone, e uma Lasagna.

A minha tara por cogumelos já é conhecida, como tal, naturalmente uma das pizzas Funghi era para mim.
As pizzas têm massa muito fina e estaladiça, tipo papel, e no meu caso, era acompanhada com molho de tomate, basílico, queijo mozzarella e cogumelos frescos (muito importante! Cogumelhos frescos!). A pizza estava boa, no entanto admito que faltava um pouco mais de molho de tomate para ser perfeita. De qualquer forma, os cogumelos que estiveram pouco tempo no forno, com o seu sabor fresco e suave, fazem desta pizza uma das minhas favoritas.

Para beber, uma sangria de espumante.. Doce, leve e fácil de beber.

Para sobremesa, algo que se revelou uma surpresa muito agradável! Mousse de chocolate branco com topping de morango. A mousse de chocolate branco, doce (mas não enjoativa) e suave, com pedaços de chocolate branco no meio da mousse, e com o contraste do sabor intenso do topping de morango, fazem a combinação perfeita para fechar a refeição.

Em resumo, se querem um restaurante onde o serviço é bom, com comida italiana saborosa, pagando um preço simpático, este restaurante é sem dúvida uma óptima opção!

data da visita: 04.Fevereiro.2012
preço por pessoa: 18 €

DiCasa
LISBOA / INFANTE SANTO
Avenida Infante Santo, nº 13
1350-175 Lisboa
Telefone: 213 941 388
http://www.dicasa.pt/

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Porto de Santa Maria - o Clássico do Guincho

Guincho, Domingo soalheiro de Verão. Um dos primeiros Domingos livres de afazeres extra-familiares, depois de um considerável esforço que se reflectiu na vida pessoal. Qual a melhor forma de o celebrar? Num impulso, experimentar um dos clássicos da Linha: o Restaurante Porto de Santa Maria.

(imagem do facebook)

O Restaurante
Para quem não conhece, o Porto de Santa Maria é um dos mais antigos e conceituados restaurantes de peixe e marisco do Guincho, frequentado pelas elites económicas e políticas de Lisboa, além de uma abastada comunidade estrangeira com residência semi-permanente no nosso país. Um restaurante situado à beira-mar, com a serra por trás, soalheiro e longe dos olhares indiscretos de Lisboa, perfeito para um almoço semanal de negócios, de acordos políticos, ou um simples almoço de família.

Uma decoração simples e sóbria, com alguns motivos marinhos e locais, complementa a ampla estrutura de madeira deste restaurante, toda ela pintada de branco. A sua localização, estrutura e cor combinadas, dão a este espaço uma luminosidade única, ao mesmo tempo que emanam uma harmonia difícil de explicar num restaurante tão movimentado.

(imagem do facebook)

O atendimento é de um profissionalismo difícil de igualar. Cordialidade, sugestão do melhor peixe do dia, dois dedos de conversa com os clientes, mas, principalmente, o know-how necessário para cortar e empratar impecavelmente um peixe assado.

Não nos equivoquemos, o Porto de Santa Maria não é acessível a todas as bolsas, especialmente em momentos difíceis como estes que o país atravessa. Para quem não faz parte do "público-alvo" deste restaurante, a visita a este espaço a expensas próprias, tem de ser feita num momento pessoal único, para ser aproveitado ao máximo e para que a conta não pese tanto na consciência. Por este motivo, posso apenas relatar uma única refeição. 

A Refeição...

Ameijoas à Bulhão Pato - Sei que já anteriormente descrevi esta entrada (ver relato aqui), mas restaurantes diferentes, posts diferentes. Frescas, grandes, bem cozidas e bem temperadas, com o tacho ainda quente à frente, esta entrada é quase obrigatória. É certo que há muitas outras entradas neste restaurante e até mais sofisticadas na sua confecção e apresentação, mas este prato é um clássico da gastronomia portuguesa. Era impossível não a experimentar e as expectativas não ficaram defraudadas. Adicionalmente, foram bem servidas.

Robalo no Pão - Um dos pratos mais exclusivos da cozinha portuguesa é o peixe assado no sal, normalmente robalo ou dourada. O restaurante Porto de Santa Maria não só tem fama de ter um dos melhores peixes ao sal de Portugal, como também serve um "prato gémeo" difícil de encontrar noutros locais. Este prato é o peixe no pão, que basicamente é um peixe inteiro, completamente coberto de massa de pão, ficando assim com uma espécie de isolamento a assar sobre si mesmo. O tempero do peixe é inexistente, pois ele tempera-se a ele próprio no decorrer da sua confecção e garanto que não fica insosso. Depois de retirada do peixe, a massa de pão serve como acompanhamento, tendo esta um sabor ligeiramente salgado proveniente do robalo. Optou-se por um robalo de proporções consideráveis, com um aspecto fresquíssimo, suficiente não para dois, mas para três. Enfim, uma experiência difícil de igualar.

(imagem do facebook)

Melão - Sim, num restaurante com sobremesas como Pudim Abade Priscos, Toucinho do Céu, ou gelados Santini, numa noite de Verão e após dois pratos muito bem servidos, foi uma fatia de melão que comemos. Sei que o melão serve-se como entrada e não como sobremesa, mas numa noite quente de Verão, após uma refeição farta, um melão fresco, sumarento e doce, terminou de forma brilhante esta refeição.

Vinho - Um bom Alvarinho (colheita 2007) acompanha sempre bem e de forma acessível um prato de peixe, ou de marisco. Fresco e com um sabor ligeiramente áspero como um vinho verde deve ser, tem também a vantagem de ser leve. É, por norma, um vinho muito bom, nunca defraudando as expectativas de quem o experimenta e com a vantagem de ser mais barato que congéneres maduros. Sabendo que a minha companhia não bebe, tive a oportunidade de saborear um vinho de uma excelente casta, de uma excelente colheita e praticamente só para mim. O que poderia pedir mais?

Preço e Considerações Finais
Tendo este jantar sido já há algum tempo, não consigo precisar quanto custou ao certo. Para duas pessoas, esta refeição rondou os 100 € - 120 €. Há restaurantes mais baratos em Portugal? Certamente. Mas também existem restaurantes mais caros, porém, sem a ementa invejável e muito bem confeccionada do Porto de Santa Maria, complementada com uma localização espectacular e um serviço excelente.

data da visita: algures num Verão
preço por pessoa: 50 € - 60 €

Restaurante Porto de Santa Maria
Estrada do Guincho, Cascais
www.portosantamaria.com

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A Tasca do Zé

Aqui há dias desafiaram-me: "Vamos ali experimentar uma das tascas do Pragal. Aquilo está sempre cheio de gente, não pode ser mau." Ao que eu pensei "a Redentora também está sempre cheia, e não se pode dizer que seja por causa da qualidade da comida." Relutante, aceitei. E lá fui num almoço domingueiro de família à Tasca do Zé.

(foto do Google Street View)
A Tasca do Zé tem uma pequena esplanada "amarquisada", e o grelhador de carvão na rua, como tantas outras por esse país fora. Para entrarmos, temos de atravessar o fumo da grelha e alguma confusão de pessoas que ora estão na sua mesa, ora trocam dois dedos de conversa com o senhor que gere a grelha.
Lá dentro, um espaço pequeno com demasiadas mesas para tão pouca área. As mesas são corridas, encostadas a uma das paredes da sala. Num canto, à janela, e bem perto de uma das mesas, uma gaiola no chão com um papagaio que, felizmente, não nos brindou com o seu "cantar" durante o almoço.

"Apanhámos" uma das senhoras que estava a servir, que andava a correr de um lado para o outro, para lhe perguntarmos onde nos podíamos sentar. Lá nos indicaram uma mesa, e acabámos por ficar colocados praticamente ao lado de um casal que já lá estava. Não é algo assim tão estranho, afinal há já um ou outro restaurante que até se intitulam de gourmet que já fazem o mesmo. Aproximou-se da mesa a empregada que nos perguntou o que queríamos, ao que perguntámos "o que é que há?", uma vez que ninguém nos entregou nenhuma lista. A ementa do dia é ditada de cabeça: "Há salmão, peixe-espada e douradas do mar, tudo grelhado na brasa. É acompanhado com saladinha e batata cozida. O menu inclui pão, bebida e sobremesa." Acabei não resistir e pedi a carta. Responderam-me que não havia (afinal do que é que eu estava à espera?). E eu insisti "Mas se não tem carta como é que eu sei o preço do menu?" A empregada chamou a dona do restaurante (supus eu que se tratava da dona) para nos indicar o preço. Percebemos que o preço foi feito na hora. Foi um momento de análise cuja sentença ditou 10€/pessoa.
Ok, se calhar não vou a tascas suficientes, mas penso que a transparência nos preços é algo que deve estar presente independentemente do tipo de restaurante. Estarei enganada? Se bem me lembro, até a Redentora tem uma lista para apresentar aos clientes!! Não protestámos. Era domingo e não havia espírito para reclamações. E o preço sentenciado nem era assim tão mau, pelo cada um pediu o seu peixe e aguardámos.

Em menos de nada, os pratos aterraram à nossa frente. Duas postas de salmão, um peixe espada e uma dourada do mar, acabadinhas de sair do carvão, com um aspecto delicioso.
Numa palavra: maravilhoso. A frescura do peixe - inquestionável. Parecia que tinha saído directamente da rede dos pescadores da Costa para a brasa da Tasca do Zé. Apenas temperado com sal grosso, uma receita de uma simplicidade incrível, uma aposta certeira. Os acompanhamentos, clássicos, como devem ser, as batatinhas cozidas e a salada mista.

Este foi um típico episódio de "não negue à partida uma ciência que desconhece." Na verdade a minha experiência em tascas até então tinha sido A Redentora. Qualquer um que tenha passado a juventude em Almada conhece A Redentora. Em poucas palavras, é um clássico local para, a muito baixo custo, comer qualquer coisa e beber muita coisa, antes de se ir para outros pontos nocturnos. Daí ficar um pouco receosa de entrar numa tasca, mas de facto, a Tasca do Zé está sempre cheia, e há uma razão para isso. Afinal, quem resiste a um peixinho grelhado de grande qualidade por um preço tão amigável?

data da visita: novembro.2011
preço por pessoa: 10 €

A Tasca do Zé
Rua Direita, 40, Pragal - Almada 
(junto à esquadra PSP)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Yakuza - Um "samurai" do sushi?

Nota Prévia
A publicação deste post foi propositadamente adiada para não coincidir com o momento difícil que o Chef Olivier estava a viver no seu restaurante Guilty, cuja experiência partilhada neste blog (ver post aqui) não foi a melhor. A experiência no Yakuza que ocorreu no "pico" mediático do já referido momento difícil, também não foi fantástica, pelo que em nome de toda a equipa do chefe ao chef, gostaria de esclarecer que nada nos move contra o Chef Olivier. Nada nos move, também, a seu favor, sendo o mesmo aplicado a qualquer restaurante, ou Chef. Recordo que o objectivo deste blog consiste em partilhar as nossas experiências gastronómicas. Nada ganhamos com isto e não pretendemos fazer concorrência a qualquer outro espaço semelhante.

d., j. e eu fomos felizes e contentes ao restaurante Yakuza, expectantes por provar o famoso sushi do chef Agnaldo Ferreira, cuja passagem no Estado Líquido ainda hoje é uma referência em Portugal. Não posso comentar este período aúreo de Agnaldo Ferreira, pois não o vivi, mas posso comentar o seu actual momento no Yakuza.

Espaço
Vamos por partes, o Yakuza ocupa hoje o mesmo espaço do Olivier Avenida, sendo apenas o seu prolongamento. O espaço foi adaptado ao Yakuza com uma decoração sofisticada e um Aquário de água salgada fabuloso que o diferencia, porém, e sabendo que esta opinião é muito subjectiva, o restaurante parece não ter uma identidade própria. Não há nada que o identifique como Yakuza, nem à entrada (que pode ser confusa), nem nos adereços do restaurante, que têm a inscrição do Olivier Avenida. Compreende-se que em momentos de crise e usando uma linguagem empresarial existam sinergias de custos e recursos entre divisões do mesmo grupo, mas convenhamos que entrar no Olivier Avenida para nos irmos sentar no Yakuza não ajuda muito o brand name.

(ver imagem aqui)

A falta de alguém que receba os clientes num restaurante que se posiciona como de alto nível, é no mínimo estranho, mas ter de pedir ao sushiman que chame alguém para nos indicar uma mesa que por acaso até estava reservada, já me parece ser um sinal de falta de organização.
A falta de simpatia no atendimento é algo com que eu posso viver, mas não gosto que me impinjam menus de degustação antes mesmo de me trazerem a carta, e que numa mesa de três pessoas só entreguem um menu. Isto é falta de profissionalismo.
A juntar a isto, uma mesa de vidro lascada é algo a ter em atenção, pois alguém pode cortar-se ou, na melhor das hipóteses, estragar uma peça de roupa.
Por fim, os membros deste blog gostariam que o Yakuza revisse a sua interpretação e aplicação das leis anti-tabágicas nos espaços públicos.

Refeição
Agnaldo Ferreira não desilude, o sushi é a sério. Com a massificação de restaurantes de sushi em Lisboa, a qualidade e frescura do peixe nem sempre é a melhor, porém Agnaldo não cede neste princípio e apresenta pratos com peixe de excelente qualidade. A confecção do sashimi e das diferentes peças de sushi confirmam os seus créditos, sendo bom o sabor dos Uramakis e dos Hossomakis, mas não tão tradicionais como no antigo Aya. Os Nigirizushi destacaram-se como sendo as melhores peças do sushi tradicional. O único reparo que faço, com o qual d. não concorda, é o tamanho destas peças que julgo não serem muito generosas. O mesmo não posso dizer do sashimi, cujo corte é elegante e bem proporcionado. 

Contudo, no sushi/sashimi tradicional, desde que o peixe seja de qualidade e os chefs saibam o que andam a fazer, torna-se difícil a alguém diferenciar-se da concorrência, visto tratar-se de uma gastronomia limitada nos ingredientes e rígida nos processos. O mesmo não se pode dizer noutros pratos, nos quais os conhecimentos e práticas estão lá, mas a criatividade é deixada à solta. O Tártaro de Atum para entrada foi o prato em que Agnaldo fez a diferença, seja na sua apresentação, seja na combinação de sabores, com as ovas pretas a darem um toque ácido sensacional. Será injusto não mencionar o couvert de Hossomakis tempura, pois a combinação de sabores era boa e equilibrada, i.e., conseguia sentir-se o sabor das duas técnicas, sem que uma se sobrepusesse à outra. O mesmo se verificou no Hossomaki com cebola confitada que eu adorei devido ao "confronto" de sabores. O Ceviche dividiu opiniões, comigo a não apreciar o seu excessivo sabor a vinagre, enquanto d. e j. gostaram

Não tendo provado qualquer sobremesa, relato apenas a opinião de quem me acompanhou. As opiniões foram ligeiramente divididas, com j. a considerar o cheesecake de banana enjoativo, enquanto que para d. a sobremesa foi salva pelo gelado de frutos silvestres que cortava bem o sabor.

Por fim, a bebida que acompanhou esta refeição foi água. Sim, não foi sake pois não estava "nessa onda" e não foi chá verde pois o Yakuza não tinha. Num restaurante de comida japonesa não existir chá verde é como numa tasca não haver bagaço e minis, mas pronto, avance-se... agora sugerirem chá de saqueta!? Estão a brincar com os clientes? Bem sei que o Yakuza é o espaço ideal para a presunção e exibicionismo de alguns, mas ofereçam isto a um japonês e verão como ele irá reagir. Queriam perder credibilidade? Conseguiram.

Preço
Aproximadamente 70 € para três pessoas que comeram uma boa e bem servida refeição de sushi. Face à qualidade e quantidade da refeição, aceita-se, apesar de ser puxado para as carteiras da esmiufrada classe média portuguesa. É um preço demasiado elevado por tudo o resto que aqui foi descrito.

Conclusão
Existe o Yakuza e existe uma estrela que brilhou, mas que hoje está ofuscada. Agnaldo Ferreira é capaz de ser muito superior ao actual Yakuza. Aliás, é certamente o seu nome que o sustenta, mas regressar ao Yakuza por sua causa não está certamente nos meus planos. Lisboa está repleta de espaços, como por exemplo o SushiCafé Avenida, ou o Origami no Príncipe Real, que se destacam pela sua qualidade, ou inovação/fusão, sem terem as falhas que o Yakuza apresentou. Quero acreditar que Olivier da Costa, o empresário, com a garra e empreendorismo que o caracterizam, há-de ultrapassar facilmente estes problemas, mas até lá...

data da visita: 12.dezembro.2011
preço por pessoa: 24 € 

Restaurante Yakuza
Tivoli Jardim
Rua César Machado, 7/9, Lisboa
www.restauranteyakuza.com