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domingo, 13 de janeiro de 2013

Arola

Um dos restaurantes que mais tínhamos curiosidade em experimentar fez-nos deixar o "eixo Príncipe Real-Rato-Marquês de Pombal" e rumar a Sintra, mais precisamente ao Penha Longa Hotel & Golf Resort. Neste cenário fantástico, na misteriosa serra de Sintra, localiza-se o restaurante Arola. 

(imagem do site)

Haverá melhor cenário para o "jantar de despedida" de um dos nossos bloggers que decidiu aventurar-se por novas paragens? Talvez... se em vez de jantar tivesse sido almoço, ou se estivéssemos no Verão e fosse dia até mais tarde, de certeza aproveitaríamos muito melhor a paisagem.

Para quem não sabe, o restaurante Arola é dirigido pelo prestigiado chef catalão Sergi Arola, conhecido por ser um dos discípulos favoritos de Ferran Adriá (de acordo com o próprio Ferran Adriá) e pelas suas duas estrelas Michelin (alcançadas no seu restaurante em Madrid). Sergi Arola possui 5 restaurantes, sendo o Arola o seu primeiro restaurante fora de Espanha.

Introduções à parte, lá fomos nós cheios de expectativas. 

Chegar ao resort é fácil, mas encontrar o restaurante não é. Após passarmos a entrada, não existem indicações claras... ou pelo menos nós não vimos. Depois de andarmos ligeiramente perdidos, no meio do verde e do escuro, optámos por nos dirigir à recepção do hotel. Felizmente, o restaurante não é longe, situando-se num edifício anexo ao principal... deixámos o carro e fizemos o resto do percurso a pé, aguentando o clima característico da serra de Sintra. 

(imagem do site - o Arola localiza-se no edifício que está no centro da imagem, em baixo)

A decoração do restaurante correspondeu as nossas expectativas oferecendo um ambiente calmo, muito elegante e ao mesmo tempo descontraído, que respira glamour e bem estar. A cor predominante é o branco, com uns apontamentos de luz colorida. Destacam-se a enorme e reconhecida garrafeira e a bonita vista para o campo de golfe e para a serra de Sintra. Tudo convida a uma refeição sem pressas, ao convívio e à partilha (a partilha era o conceito inicial deste restaurante, mas, de acordo com  Sergi Arola numa entrevista à Time Out, o mesmo não tem sido bem percebido pelo público português). No que a nós diz respeito, viva a partilha... de experiências e de comida.

(imagem daqui)

Optámos, mais uma vez, pelo menu de degustação, escolhendo o Arola Classic (que, no mínimo, tem de ser escolhido por duas pessoas). Sendo o restaurante dirigido por um chef espanhol, o menu apresenta, como seria de esperar, claras influências dos nuestros hermanos, quer na forma de cozinhar os alimentos, quer nos ingredientes. 

Antes de entrarmos na refeição, um apontamento para os entretens de boca... foram servidos na mesa um cesto com pão torrado, tomates-cereja e alhos (inteiros) e uma garrafa de azeite. A ideia é esfregar o alho  no pão, colocar o tomate (de preferência cortado) por cima, temperar com um pouco de sal e pimenta e regar com azeite. A ideia é boa, até fantástica... para fazer em casa - se calhar somos um pouco esquisitos, é verdade, mas ficar com o cheiro de alho nas mãos não nos pareceu uma boa opção.

O menu de degustação começou com quatro entradas para partilhar...

Beringela assada na brasa, temperada com azeite, redução de vinagre balsâmico e pinhões.
Entre nós, f. foi o único que gostou desta entrada, pelo seu contraste de sabores... para os restantes, tanto o sabor como a textura eram estranhos e pouco agradáveis.

Lascas de porco ibérico com maçã, pistácios e queijo parmesão.
Uma leve e fresca combinação de sabores fez com que esta entrada fosse, por nós, eleita como a melhor das quatro. Quem é fã de enchidos sabe que há poucas coisas melhores que porco preto ibérico e estas fatias confirmaram-no. A maçã deu a doçura ao prato, o parmesão o tempero e os pistácios a textura.

Batatas bravas, com molho de tomate picante e aioli.
As batatas bravas são um dos pratos tradicionalmente servidos como tapas. Para explicar, as batatas bravas são normalmente batatas fritas envoltas num molho de azeite, malagueta,  pimentão doce e vinagre, sendo, por vezes, acompanhadas por um aioli de azeite e alho (não verificámos a receita "mais tradicional", mas é mais ou menos isto). São "bravas" por serem picantes. Nesta entrada, o picante não era muito, o que tornou os sabores bastante mais equilibrados e adaptados aos nossos paladares, tornando a típica tapa espanhola bastante mais apetecível.

Calamares com aioli.
Esta entrada também não foi do agrado de todos, pois o sabor "a frito" sobrepôs-se, por vezes, a tudo o resto. Em alguns pedaços, os calamares estavam cortados demasiado finos, pelo que o seu sabor era praticamente anulado pelo sabor da "massa frita". Pelo lado positivo, nos melhores pedaços, sentia-se o sabor pretendido, com uma textura estaladiça irresistível. O molho talvez pudesse ser um pouco mais forte.

Os pratos principais foram dois, igualmente saborosos, mas pouco memoráveis.

Fideuà com bacalhau salteado e coentros frescos.
O fideuà é uma variação da famosa paella espanhola. As principais diferenças são a substituição do arroz por massa e a utilização exclusiva de peixe e marisco como ingredientes. O prato tinha um excelente textura e tempero, mas não surpreende, porque não deixa de ser uma "massada de marisco" (ainda que muito bem confeccionada). Para quem já provou este prato em Espanha, em qualquer café de esquina, a comparação é inevitável e o prato do Arola não se distingue assim tanto. Destaca-se o bacalhau (fresco) que estava no ponto.

Entrecôte de vitela, com "bombetas" de tomate cherry e texturas de milho.
A carne estava tenra e saborosa e as texturas de milho (puré e pequenas tiras fritas) trazem alguma graça ao prato. Porém, à semelhança do prato anterior, apesar de extremamente bem confeccionado, não surpreendeu.

Para terminar foi servida uma copa catalana com creme de bolacha e sorbet de laranja, esta sim, merecedora de um grande elogio. Esta mistura que, à partida, pode parecer inusitada ou até enjoativa, revelou-se inesperada, sendo uma sobremesa doce e refrescante ao mesmo tempo. Sem dúvida, final perfeito para o jantar.

Como já referimos, a garrafeira do Arola é extensa, reconhecida e (muito) cara... talvez por isso seja apresentada às mesas num iPad. A ideia é gira, mas a escolha do vinho acaba por se tornar mais demorada uma vez que todos os vinhos contêm uma pequena descrição que se acaba por ler. Optámos por um Marquês de Borba (branco) de 2011. Era fresco, mas nada mais do que isso, não sendo uma boa relação qualidade-preço.

Quanto ao atendimento, nada de extraordinário a referir... sem nenhuma falha a assinalar e sempre com o nível de atenção e simpatia que se espera de um restaurante como o Arola. O serviço teria suplantado as expectativas, caso nos tivessem sugerido um vinho para acompanhar o menu de degustação, especialmente tendo em consideração a extensa carta de vinhos (mas é verdade que nós também não perguntámos).

O Arola merece a visita por toda paisagem idílica envolvente e por todo o ambiente do próprio espaço. A comida é boa, muito bem confeccionada, mas não surpreendente. Mais uma vez, no que à comida diz respeito, as expectativas foram superiores à realidade, mas nada de grave.
Recomendamos a ida durante o dia, com luz natural, para que possam tirar todo o partido do cenário da serra (provavelmente voltaremos nesta condição) e relembramos que deverão reservar o devido espaço para a sobremesa.

data da visita: 01.setembro.2012
preço por pessoa: 29 € (com o desconto dois por um)

Restaurante Arola
Penha Longa Hotel Spa & Golf Resort
Estrada da Lagoa Azul, Sintra

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Rubro Avenida

"Eh pá, tenho uns amigos por cá, conheces algum sítio onde os possa levar a jantar?"

E invariavelmente, entre as primeiras sugestões para jantares com amigos, lá surge o restaurante Rubro, neste caso o Rubro Avenida, pois o do Campo Pequeno não conheço.

(imagem daqui)

O Rubro é um daqueles restaurantes onde podemos ir sozinhos, a dois ou em grupo e é certo e sabido que é sempre uma aposta ganha. Bom serviço, boa comida e inseridos num ambiente e conceito, cuja ideia central consiste na partilha de refeições. Atenção, não considero o Rubro uma destas tabernas que existem actualmente, já descritas anteriormente (ver Taberna Ideal e 1300 Taberna), cuja ideia central, também consiste na partilha de refeições. O Rubro tem algo de diferente, talvez pelas influências espanholas que existem na maioria dos pratos ou as iguarias francesas disponíveis no seu menu, mas de facto é diferente. Que fique claro, não é melhor, nem pior, apenas diferente.

(imagem daqui)

Quanto ao espaço, o Rubro é amplo e com uma entrada de luz natural igualmente grande. À noite, se não fosse a luz forte que incide sobre cada mesa, certamente que o seu ambiente seria mais soturno, pois o tom escuro das paredes e o seu mobiliário rústico, favorecem este tipo de ambientes.

O serviço é rápido, não afectando com isso a qualidade das refeições, pois estas, apesar dos seus ingredientes, são pratos de confecção relativamente rápida. Admito que a simpatia não é o ponto mais forte do serviço, mas caramba, são profissionais e isto é muito importante. Avisarem-nos que os ingredientes de uma das nossas escolhas não estavam em condições, é algo simples e não é mais do que cumprir com a sua função e responsabilidade, mas quantas vezes não vivemos situações opostas?... Adicionalmente, quando na carta temos algumas dúvidas sobre algum prato, explicam detalhadamente como este é preparado e consoante o nosso gosto, qual será a melhor opção para experimentar ingrediente a) ou b). Contudo,  nem tudo é perfeito...

Já tive a oportunidade de ir mais do que uma vez ao Rubro e entre os principais petiscos, destaco os Revueltos de Farinheira e o Foie Gras. O Foie Gras está presente em alguns pratos, mas se querem um conselho, comam-no simples. O Foie Gras disponível no Rubro é excelente, não é como uma imitação barata, como tantas vezes se vê aí à venda. Os Revueltos de Farinheira são a versão castelhana dos nossos Ovos Mexidos com Farineira, sendo que os do Rubro têm a Farinheira espalhada de modo mais uniforme, nuns ovos mexidos mal passados e com isto mais moles e gulosos.

Existem outras opções, como o Chèvre na Chapa com Azeite de Alecrim, cujo contraste de sabores é excelente, a alternar entre o sabor forte do Queijo, a gordura deste com o Azeite e o sabor suave do Alecrim. O cogumelo Portobello com Presunto e Ovo de Codorniz, também é uma opção interessante, devido ao ovo estrelado que é óptimo. Como complemento, para tornar a refeição menos pesada, sugiro a excelente Salada Verde, composta por Rúcula, Queijo Brie, Maçã Verde, Emulsão de Mostarda e Mel. Tem uma combinação excelente de sabores, pois estes são correctamente doseados, de modo a que nenhum sabor se sobreponha ao outro, conseguindo mesmo assim, um prato fresco e leve. Para doces, sugiro um Crème Brûlée de Pêra, muito suave e saboroso, mas que dispensava o galicismo do seu nome. Leite Creme Queimado de Pêra, serviria perfeitamente...

Para acompanhar esta refeição, bebi um Alvarinho 2010 a copo, que na ardósia que servia de menu informava ser da colheita 2009. Não sou enólogo, mas entre 2000 e 2010, há a ideia corrente de que os vinhos foram bons nos anos ímpares. Não sei se é verdade, mas já tenho constatado esta diferença e o facto é que este Alvarinho não era mau, mas em comparação com outros que bebi da colheita 2009, 2007 e 2005, não era excepcional. Em todo o caso, o problema não está aí, mas sim no seguinte: se o Alvarinho disponível para beber a copo é de 2010, a ardósia devia ter esta informação!

Para terminar, o melhor de tudo foi o preço! Não quero fazer publicidade à revista Time Out, o seu conteúdo nem sempre interessa muito, mas os vales 2por1 compensam. Duas pessoas, e à excepção do foie gras que não tinham, pagaram apenas 26,90 €! Compensa e muito...

data da visita: algures em Setembro de 2012
preço por pessoa: 13,50 € (com o desconto dois por um)

Restaurante Rubro Avenida
Rua Rodrigues Sampaio, nº 35