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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

490 Taberna | Setúbal

Nem só de peixe fresco e de choco frito se faz a oferta gastronómica da cidade de Setúbal. A uns meros cinquenta quilómetros da capital existe um restaurante que faz parte dos meus sítios de eleição.

O restaurante
Situado em plena Avenida Luísa Todi o 490 Taberna possui uma esplanada de dimensão generosa e uma sala acolhedora, mas de dimensão reduzida. No interior o ar rústico de uma taberna recuperada. Mesas com tampo de pedra e cadeiras de madeira compõem a decoração.
(foto retirada do Facebook)
A ementa
A ementa tem, para mim, três grandes elementos: petiscos, pratos e vinhos. A minha escolha recai sempre pela combinação petiscos + vinhos. Diria que os pratos também serão boas opções onde sobressaem os bifes.
No que diz respeito aos petiscos, todos são de eleição. Esqueçamos dietas e alimentação saudável. Cedamos ao pecado da gula. Croquetes de alheira, ovos mexidos com farinheira, chouriço de porco preto assado com compota de pimento, amêijoas à bulhão pato. Tudo petiscos que compõem uma oferta variada. Se sentir que não foi suficiente para saciar a fome, nada como pedir um prego. A carne tenra é servida em fatias de pão da região sem côdea.
Não me esqueci da terceira componente que referi atrás: os vinhos. O foco recai sobre o alentejo. Marcas não tão conhecidas podem requerer que se peça um conselho. Dados os petiscos, os tintos serão sempre uma óptima opção.
Sobremesa? São capazes de ter. Nunca pedi.
Croquetes de Alheira (foto retirada do Facebook)
O serviço
Equipa jovem e simpática. Sempre disponíveis para aconselhar e para servir da melhor forma. Espere sempre um gesto de delicadeza de quem gosta do que faz e sabe receber.

Veredicto
Bem sei que existem muitas tabernas e tascas. Espaços que tentam recuperar memórias antigas que outrora eram dominantes. Naturalmente existem espaços que prefiro ao invés de outros. No entanto, depois de ter visitado vários, não tenho reservas em dizer que a 490 Taberna é um dos melhores restaurantes deste tipo que conheço. A visitar sem dúvidas.

preço por pessoa: 20€

490 Taberna
Avenida Luísa Todi 490, Setúbal

domingo, 21 de agosto de 2016

A Tasca do Celso

Como tantos, fugimos de Lisboa nesta silly season. De volta das terras quentes do Algarve, passamos pela pitoresca Vila Nova de Milfontes, com rumo à Tasca do Celso.

O restaurante
Chegámos cedo, ainda toda a equipa estava a aproveitar os últimos momentos antes da hora do lodo para um cigarro à porta. A entrada pequena não deixa adivinhar a dimensão do restaurante. Lá dentro, duas salas (que tenhamos visto), uma de decoração mais moderna e colorida, e outra mais rústica e acolhedora.
A ementa
Escrita à mão em duas lousas, a ementa divide-se entre os pratos e os petiscos. Hesitantes entre tantas opções para provar e o facto de sermos só dois, fomos bem aconselhados e optámos por duas entradas e um prato para partilhar.
Começámos pelos clássicos ovos mexidos com espargos, que trazem uma ou outra rodela de linguiça para apurar o sabor. Os ovos no ponto, os espargos de certeza selvagens, nada a apontar.
De seguida, os percebes. Andava há que tempos para provar, parece impossível que só agora tenha conseguido. Passado o momento inicial de "como raio é que isto se come?", foi difícil conter-me para não ficar com todos só para mim. Que sabor a mar incrível! Servidos simplesmente cozidos, vieram quentes para a mesa. dv prefere-os frios, eu cá gostei muito assim, mas há claramente que experimentar mais vezes.
Como prato, optámos por uma açorda de camarão, que vem com a tradicional gema de ovo que é batida à nossa frente na mesa.  Uma vez mais, nada a apontar - tempero no ponto, camarões (descascados como se quer) com fartura, e nós deliciados.
Para sobremesa, fomos para um leite creme queimado na hora e um cheesecake com muitos frutos vermelhos, ambos também muito bem confeccionados.
O serviço
A equipa é muito jovem - não se deixe enganar pelo ar de "miúdos" a aproveitar as férias para ganhar uns trocos. Mesmo que seja esse o caso, são muito profissionais, simpáticos e eficientes.

Veredicto
É, sem dúvida, um local a não perder. A qualidade da comida é muito boa e a visita vale a pena. Não espere encontrar nenhuma pechincha - o nível de preço é próximo dos de Lisboa.
Nós chegámos cedo e rapidamente nos apercebemos que é muito ajuizado reservar mesa, porque a procura é elevada e pode ser difícil haver mesa.

preço por pessoa: 25€

A Tasca do Celso 
Rua dos Aviadores, Vila Nova de Milfontes

terça-feira, 21 de junho de 2016

Forninho Saloio

O Forninho Saloio está no meu Top 5 de restaurantes em Lisboa. É daquelas jóias escondidas onde se levam os amigos que queremos por perto. Ser um habitué tem as suas vantagens. O tratamento VIP faz-me sempre sentir em casa. Cheguei a frequentar praticamente diariamente e assim continuaria se não tivesse mudado de emprego.

O restaurante
Escondido numa pequena travessa junto à Rua de Santa Marta, chegados à porta, podem duvidar das minhas palavras. Será o Forninho tudo o que eu digo? É. Ao almoço, sobretudo durante a semana, após às 13h00 existe fila de espera. Há que ter paciência e tempo para esperar.
As duas salas do restaurante são apertadas. Como espaço popular que é, o barulho dos comensais pode ser demasiado. Um preço a pagar pelos muitos grupos de amigos que ali se juntam e pela má acústica de um espaço construído sem os cuidados do presente.

A ementa
A ementa é formada por pratos fixos e uma vasta selecção diária onde se destacam os grelhados de peixe ou de carne. Tudo o que comi é de excelente qualidade. Sejam os bifes de atum ou de espadarte ou as tirinhas de porco preto. Batata frita à mão, comida saborosa e sem outra pretensão que não a de servir bem quem lá come.
A carta de vinhos é uma surpresa para o tipo de restaurante. Com boas referências de gama baixa ou média, eu prefiro ficar-me pela imperial. Sempre bem tirada. Gelada e que acompanha na perfeição as carnes grelhadas com mestria.
Se as doses generosas do Forninho ainda deixarem espaço para a sobremesa, é escolher de olhos fechados. A tarte de gila e pinhão é deliciosa. Mas a selecção de outras tartes e doces de taça é extensa, e vale a pena provar as várias opções.

O serviço
O serviço pode ser caótico. Apesar de eficaz e simpático, é muitas vezes condicionado pelo espaço apertado do restaurante e pela azáfama de clientes que entram e saem. A mim não me incomoda. Conheço bem todos os empregados e sou, por isso, mais tolerante. Acredito que quem procure um serviço mais profissional se possa sentir desagradado.

Veredicto
Em Lisboa é dos melhores restaurantes ao nível da relação qualidade/preço. A comida é excelente e com um preço que começa a ser raro no presente. A ir sem reservas.

preço por pessoa: 10€

Forninho Saloio
Travessa das Parreiras, 39, Lisboa

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Velhos Tempos Taberna | Braga

Viajar em trabalho permite-nos descobrir locais únicos. Quem habita nos sítios conhece os recantos secretos onde se levam apenas os amigos ou quem se quer impressionar. Depois de uma longa viagem de carro até Braga e terminada a reunião eis que o anfitrião nos diz: "Vou levar-vos ali a um sítio."
Esta afirmação vinda de alguém natural de Braga só pode significar que iremos descobrir um recanto de amigos. Onde as conversas fazem esquecer o tempo e a comida acompanhada do vinho, que se quer tinto, é a cereja em cima do bolo.
O Velhos Tempos Taberna diz tudo no seu nome e na porta. A madeira que se combina com a pedra transporta-nos para os tempos onde o minimalismo era coisa de gente moderna e sem gosto. No Velhos Tempos Taberna a decoração é de coisas velhas do tempo, não do desgaste. Daquelas coisas que a avó tem lá por casa e que pintam de laivos de memória alguns momentos que permanecem.

O restaurante
O espaço é intricado. Com escadas e várias salas ligadas entre si, é com se entrássemos num labirinto. À mesa, as generosas doses fazem-se destacar por entre a decoração de velharias e coisas típicas das casas dos avós. Esqueça-se por momentos os tectos altos e a mobília de linhas rectas. Abracemos as madeiras escuras e toscas que combinam na perfeição com os grandes móveis - louceiros e armários - e com a média luz que ilumina o espaço. Tivemos o privilégio de ficar na sala mais recatada do restaurante onde apenas mais duas mesas faziam companhia à nossa.
A ementa
A ementa combina os pratos do dia e Os pratos. Esqueçamos os do dia que estão ali para quem tem pressa. Nós não temos. Estamos em trabalho. Pois então, diga-nos lá o que tem para impressionar estes lisboetas esfomeados.
Ah ele é isso? Então venha de lá de entrada uns rissóis de camarão feitos de massa de pastel de massa tenra. Que delícia. O pão que é massudo e denso acompanha em beleza as azeitonas. Mas esperem, tenho ali uma alheira de caça que vão gostar. E gostámos. Muito.
Entradas - Pão, Azeitas e Alheira
Agora que o estômago já acamou que venha o rei da refeição. Rojões. Temos direito a tudo. Tripas enfarinhadas, papas de sarrabulho. Tudo serviço em doses mais que generosas como apenas alguém que gosta de impressionar faz. Algum reparo? Nem pensar! Tudo óptimo.

Rojões à Minhota (inclui tripas enfarinhadas)
Ainda há espaço? Ora pois bem, para acompanhar o café, que venha um pudim de abade de priscos que é caseiro. O melhor que já comi. Denso, de sabor intenso e rico. Não fosse o colesterol e os diabetes e ainda hoje estaria a comer fatias dele.
O vinho é uma peça chave para equilibrar tudo isto. Escolhemos de olhos fechados e confiámos na recomendação: jarro de vinho tinto da casa. Lá está. Vinho recheado em touriga nacional e tinta roriz tal as notas de frutos vermelhos. Não há madeira, mas as notas de especiarias foram muito bem com o que foi consumido.

O serviço
O serviço é impecável. Preocupado e disponível. Não foi possível avaliar a rapidez porque fomos sem pressa, mas a solicitude é digna de referência. Nada a apontar.

Veredicto
Sempre que voltar a Braga farei para ir ao Velhos Tempos Taberna. O restaurante é daquelas pérolas que surpreendem e deixam saudade.A qualidade é muito boa e os preços mais que justificados. Numa refeição que combine entradas, prato, sobremesa e vinho estaremos a falar de um valor que se situa entre os 20 e os 25 euros. A ir, sem dúvida.

preço por pessoa: entre os 20 € e os 25 €

Velhos Tempos Taberna
Rua do Carmo, 7, Braga

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sabores de Monsaraz | Monsaraz

Passámos novamente pelo Sabores de Monsaraz e não resistimos em dar-lhe novo destaque.

O restaurante
No que parece ser uma casinha tradicional da vila de Monsaraz, encontramos um restaurante de cozinha aberta para a sala de refeições, onde é possível assistir ao reboliço da chegada, confecção e saída de todos os pedidos. Se ficar à janela, ou na esplanada, poderá apreciar a vista.
Do lado de lá do balcão, as duas cozinheiras que podiam ser as nossas avós - um pouco rezinzas, mas com umas mãos de ouro. Do lado de cá, a equipa de sala, atenciosa e disponível para nos explicar todas as ofertas disponíveis na carta para esse dia.

Entrada

Sala de refeições

Vista
A carta
Com uma oferta tradicional alentejana, é difícil escolher por entre os pratos apresentados. Deixem-se guiar pelo que vos apetecer, certamente que não irá desiludir.
Neste dia, começámos pelo couvert de pão alentejano e azeitonas (clássicos e sempre bons), e uma salada de queijo fresco com agrião que nos ofereceu sabores frescos e leves como entrada.
Para o prato principal, optámos pelos (mais-que) famosos Medalhões de Porco Preto com Cebolinhas, sendo que pedimos que o acompanhamento fossem batatas fritas. A carne, fantástica, a desfazer-se ao toque do talher; as batatas, fritas em azeite, mais caseiras não poderiam ser. Acompanhámos com um Monsaraz tinto - não sabendo dar notas detalhadas sobre vinho, digo apenas que acompanhou muito bem.
Não resistimos às sobremesas, que nos esperam em cima do balcão e nos observam mal entramos na sala. Um bolo de bolacha tradicional, com aquele sabor que só as coisas feitas em casa costumam ter.

Medalhões de Porco Preto com Cebolinhas (acompanhado de batata frita)

Podem ver a carta completa aqui.

Relação qualidade/preço
Muito equilibrada. As doses são generosas, pelo que é preciso ter em atenção este ponto quando se faz o pedido (deitar fora comida tão boa é feio!). A nossa opção passou por tentarmos um equilíbrio que nos permitisse experimentar entradas, prato e sobremesa, e ficámos mesmo muito bem servidos.

Veredicto
A não perder, sem dúvida. Merece até uma visita propositada à vila de Monsaraz - porém, aconselhamos fortemente a reserva prévia.  O restaurante é muito procurado, com boas críticas no TripAdvisor, e são recusadas mesas caso as reservas já tenham lotado a sala.


preço por pessoa: 20 €

Sabores de Monsaraz
Largo de S. Bartolomeu, Monsaraz
www.saboresdemonsaraz.com | facebook

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Pastelaria Conventual - Pão de Rala | Évora

À procura de um local para o pequeno almoço, aceitámos a recomendação do Trip Advisor e visitámos a Pastelaria Conventual, em Évora, que, apesar de não ser um restaurante, merece uma nota de especial destaque.

O espaço
Num ambiente típico de uma casa de chá, a Pastelaria Conventual situa-se num pequeno largo que, apesar de estar dentro da muralha da cidade, está afastado do bulício da praça do Giraldo.
Lá dentro, mesas espaçosas de madeira escura, decoração com objectos do campo e fotografias das celebridades com a Dona Ercília, responsável pela montra de doces de aspecto irresistível que nos complica as escolhas para o pequeno-almoço. Cá fora, uma pequena esplanada que permite receber mais clientes em dias de clima ameno como os que encontrámos.

Entrada

O que nos oferece
O Pão de Rala, o doce conventual que dá o nome à casa, é a estrela, como seria de esperar. Na montra é possível também encontrar muitos mais doces do tipo conventual e também típicos da gastronomia alentejana.
No meu caso, por preferir salgados aos doces pela manhã, pedi uma simples torrada de pão alentejano e um galão, que, embora simples, me souberam à casa da avó.
No final, não resisti a provar o famoso Pão de Rala, que no fundo é um pão recheado com fios de ovos, amêndoa (e talvez gila, não sei bem). Doce, muito doce, mas a massa que envolve este recheio tem um sabor neutro que equilibra os sabores e eu, que normalmente não gosto de doces conventuais, gostei muito deste Pão de Rala. Sucesso garantido como um bom souvenir de Évora!

Montra

O serviço
Familiar, muito simpático e muito eficiente. A conjugação perfeita!

Veredicto
Claramente, paragem obrigatória numa visita a Évora! De certeza que não vai conseguir resistir àquela montra.

preço por pessoa: entre 5 € e os 10 € (peq. almoço)
pão de rala: 25 € / kg

Pastelaria Conventual - Pão de Rala
Rua do Cicioso, 47, Évora

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Taverna dos Conjurados | Vila Viçosa

Conhecido de há vários anos. Daqueles que quando reencontramos dizemos: "Estás na mesma! Não envelheces". Aninhado junto ao Paço Ducal, em Vila Viçosa, o Taverna dos Conjurados é daquelas casas que se mantém fiel aos seus princípios: simpatia no atendimento, comida de excelência, ambiente tranquilo.
A fórmula de sucesso mantém-se e a comida tradicional alentejana continua a pautar os manjares que encontramos no restaurante.

O restaurante
Localizado numa antiga cavalariça, a sala do restaurante apresenta uma decoração sóbria, onde a traça antiga se destaca. Uma nota especial para os WC que exibem lavatórios em pedra maciça que são muito raros no país. Com iluminação artificial e morna, o ambiente é tranquilo, dando espaço para conversas demoradas e para uma degustação pormenorizada das iguarias escolhidas para a refeição.

Sala de refeições

A carta
Gastronomia alentejana. Sabores clássicos. Sopas, Peixe e Carne. Alguma caça. Pratos por encomenda que nos convidam aos banquetes em frente da lareira da casa de família. Começar pelas entradas é entrar pelo mundo de queijos e de enchidos que combinados com o pão alentejano abrem o apetite para as açordas ou sopas tradicionais. No peixe realça-se o bacalhau e o cação. As estrelas estão na carne. Migas ou borrego são algumas das sugestões que podem ser encontradas no menu. Escolha à vontade. Desta vez optei pela combinação da mostra de enchidos de porco preto para entrada e para as costeletinhas de borrego. Tudo divinal. Como sobremesa um toucinho do céu para culminar o pecado em beleza. Não há dieta que resista.
No que diz respeito aos vinhos a abordagem é diferente da clássica. A recomendação recai num tinto ou num branco que são os eleitos pelo anfitrião. Pode ser consumido em jarros que vão desde os 0,25lts até ao 1lt. O tinto é sublime. Uma edição produzida apenas para o restaurante. Se ainda assim for céptico a esta abordagem existe uma oferta mais selectiva mas onde o preço é naturalmente mais elevado.

Costeletinhas de Borrego

O serviço
O serviço é muito bom. Sereno e que convida à exploração. Tudo leva o seu tempo. A honestidade e a transparência são fruto da certeza da qualidade que é servida. A cada momento é explicado o que se tem pela frente, não deixando espaço para que hajam dúvidas em relação ao que é servido. Arrisco até que num dia nos sentemos e se diga: escolha, eu confio em si.

Veredicto
O Taverna dos Conjurados é uma das referências do alentejo. Para conseguir mesa recomendo vivamente que se efectue reserva. O restaurante combina uma óptima carta com um serviço dedicado e um nível de preços que está perfeitamente ajustado. Uma refeição completa e que inclui vinho cifra-se em cerca de 25 euros por pessoa. Seja num passeio ou numa ida propositada para conhecer, o Taverna dos Conjurados é um dos restaurantes portugueses que merecem uma visita.

preço por pessoa: entre 20 € e os 25 €

Taverna dos Conjurados
Largo 25 de Abril, 12, Vila Viçosa

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Taberna Rua das Flores

Mais uma taberna em Lisboa... desta vez, a Taberna da Rua das Flores, situada na dita rua. Devido ao letreiro que tem à porta, à primeira vista, pode passar por uma mercearia. Esta taberna, das muitas que agora existem pela cidade, é aquela cujo espaço (talvez) mais se aproxima das antigas e originais tabernas.


O seu espaço exíguo, estreito, soturno (pelo menos à noite), com uma decoração e mobiliário mais do que rústicos, remete-nos para o antigamente, onde almas penadas bebem o seu copo de vinho tinto enquanto pesticam umas petingas ou uns peixinhos da horta. É um restaurante carregado de nostalgia e romantismo, de uma Lisboa que já não existe, mas que, com melhores condições, se tenta reavivar. Atenção, este esforço retro, sendo louvável, pode tornar-se inconveniente para o cliente mais desprevenido, não se aceitam reservas de mesa e o único meio de pagamento disponível é o dinheiro.

(imagem do facebook)

Sobre a comida (a ementa escrita numa ardósia pode mudar diariamente, de acordo com os ingredientes do dia) a Taberna da Rua das Flores serve, principalmente, petiscos. Pratos de rápida, mas excelente, confecção. Alguns exemplos são as Lamejinhas à Bulhão Pato, os Fígados de Aves com Maçã Verde e a Trouxa de Alheira com Ovo Cremoso, que tive a oportunidade de experimentar.

Sucintamente, e para quem não conhece, as Lamejinhas são semelhantes às Ameijoas, apenas menores e menos saborosas, porém, neste prato em particular, o molho, estava excelente o que obrigou a que se pedisse mais um ou dois cestos de pão. Os Fígados de Aves foram o meu petisco exclusivo, pois quem me acompanhava não aprecia o que de mais rústico e saboroso a natureza nos oferece. Melhor para mim, pois aquele sabor do fígado, ligeiramente mal passado (ok, talvez não seja a coisa mais segura...), equilibrado com a acidez da maçã verde, foi a combinação perfeita. Por fim, a Trouxa de Alheira com Ovo Cremoso foi o "peso pesado" da refeição, uma autêntica e saborosa dose de calorias, onde o forte sabor da Alheira foi suavizado pela gema cremosa do ovo.
Ainda no capítulo da comida, para desenjoar, destaca-se a dose de Romeu e Julieta. Não, não se tratava de um gelado de uma qualquer marca, mas sim de queijo de ovelha meio curado acompanhado de marmelada caseira. O queijo era muito bom, sem dúvida, sendo um daqueles queijos que mais facilmente encontramos nas cidades mais pequenas e não em Lisboa. A marmelada também era boa, parecendo genuinamente caseira... não vou entrar em grandes comentários pois não tenho conhecimentos suficientes para tal.

Quanto às bebidas, foi pedida uma Limonada, simples, boa e com um sabor autêntico (nada a ver com as limonadas industriais que se encontram por aí) e experimentado o vinho branco da casa. Não há grandes mistérios, era fresco e leve como se espera de um vinho de mesa que acompanha petiscos. Não era um Colares ou um Sauvignon Blanc, mas cumpriu com competência a sua função, especialmente se considerarmos que estava uma noite agradável que pedia uma bebida fresca. Já li algures que a Taberna da Rua das Flores serve uma cerveja artesanal chamada "Sovina". Há que confirmar esta informação numa próxima visita.

O serviço é ligeiramente atabalhoado, porém sempre simpático e prestável, além de rápido a servir. Assim, no que diz respeito à relação qualidade/serviço/preço, um valor de, aproximadamente, 40 euros para duas pessoas, por três excelentes petiscos, sobremesas, mais bebidas (com dois jarros de vinho) e cafés, parece-me aceitável nos dias de hoje.

Em jeito de recomendação final, a Taberna da Rua das Flores é uma excelente opção a ter em conta para aqueles jantares de grupos pequenos em que o objectivo é partilhar e provar um pouco dos vários petiscos pedidos.

...

Este texto descreve a minha primeira visita à Taberna da Rua das Flores, em Abril de 2013, e foi partilhado, sensivelmente, há um ano atrás. Desde aí, este espaço tornou-se um dos meus restaurantes favoritos onde já fui por diversas vezes.

Já tive a oportunidade de experimentar muitos e diferentes petiscos, e recomendo, se tiverem a sorte de os encontrar na ementa: salada desfeita de bacalhau (bacalhau desfiado, puré de grão, cebola e pimentos - infelizmente só comi este prato uma vez, mas é memorável), lagartos de porco preto (tiras de porco preto grelhadas com cebola e salsa - simples, mas delicioso), queijo de cabra panado (3 "rodelas" de queijo de cabra de sabor bastante forte acompanhadas por compotas doces e salada - este é um prato que está muitas vezes presente na ementa e que, desde que provei, é sempre escolhido) e massa japonesa com choco (massa japonesa, choco, tinta de choco, cebola e salsa - provei este prato na minha última visita à Taberna da Rua das Flores há cerca de duas semanas... nunca o tinha encontrado na ementa, mas espero que por lá se mantenha).

(os nomes não são, exactamente, estes, mas fica a ideia geral do prato)

Referi, anteriormente, que iria provar a cerveja artesanal "Sovina" numa próxima visita. Pois bem, entretanto provei e, posteriormente, comprei numa loja retro da moda duas “Sovinas” de diferentes sabores (versão litrosa), pois de facto é um produto muito interessante. Não estando ainda ao nível de uma cerveja trapista belga, é um produto realmente diferente no panorama cervejeiro nacional. Não tendo experimentado a “preta”, todas as suas diferentes versões caracterizam-se por serem leves e delicadas, com um ligeiro sabor amargo/doce, dependendo do tipo de cerveja escolhido. Um ponto a melhorar? O facto de “morrer” muito rapidamente, sendo que o facto de ser uma cerveja artesanal não é desculpa.

Continuo a recomendar a Taberna da Rua das Flores, por tudo o que já descrevi, mas, agora, também, pela consistência… ao longo das várias visitas a qualidade é constante e as expectativas alcançadas.

preço por pessoa: entre os 20 € e os 25 €

Taberna da Rua das Flores
Rua das Flores, 103, Lisboa

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cá-Te-Espero | Santo Tirso

" - Ai estão no Norte e querem ir a um sítio tradicional?" - questionou um dos meus pares.
" - Sim..." - respondeu o outro, já com receio do que aí poderia vir.
" - Então vamos ao "Cá-Te-Espero" que já vão ver." - retorquiu o primeiro com um sorriso malicioso.

(ver imagem aqui)

Com uma forte probabilidade deste diálogo ter sido aligeirado, a verdade é que algo de impressionante nos esperava no "Cá-Te-Espero", um restaurante ultra-tradicional de Santo Tirso. Situado à beira da N-105, actual Av. da Boavista, em Rebordões, Sto. Tirso, o "Cá-Te-Espero" é um espaço muito frequentado pela população local, sempre com boas casas, mesmo a meio da semana. É daqueles sítios em que a família toda vai jantar ou então, os patrões (empresários?) locais juntam-se para discutir o último negócio do mês.

O restaurante está situado numa cave com um pé direito baixo, que combinado com uma casa cheia, proporciona um ambiente barulhento, mas sempre animado. Óbvio que para esta animação, contribuem a decoração do espaço, entre o rústico e o muito familiar, pois o espaço assemelha-se às salas de jantar das casas antigas daquela zona. O serviço também contribui para este ambiente descontraído, pois neste espaço dispensam-se certo tipo de formalismos.

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(ver imagem aqui)

Mas o que realmente faz a fama do "Cá-Te-Espero" não é o seu espaço e natural simpatia do seu serviço, mas sim o que ali se serve. No "Cá-Te-Espero", o menu eventualmente pode auxiliar a escolha da comida, mas quem lá trabalha é quem indica o que naquele momento compensa ser servido, consoante a quantidade de pessoas à mesa. Falar numa refeição para duas ou três pessoas é inútil, pois apenas as entradas fariam o jantar de muitas pessoas. 

Não tendo sido escolhida qualquer entrada, foram servidas à mesa um Pernil de Porco gigante, bem cozido e muito saboroso, acompanhado por uma Morcela que fez as delícias de quem a provou, bem como, de um Chouriço de Sangue fantástico. Para além do Pernil, uma tigelinha de Favas com Chouriço, que pelo aspecto, para quem aprecia favas, deveriam ser óptimas. Também foi servido um prato de Rojões à Minhota, que acabaram comigo de tão deliciosos que eram. Por fim, para além de um Queijo de Cabra Curado que cumpriu a sua tarefa, havia um Presunto com Melão óptimo. As fatias eram finas e com a tira de gordura necessária para lhe dar sabor, sem que com isso o Presunto fosse uma daquelas coisas todas gordurosas que por aí se vendem actualmente. O Melão, mesmo fora de época, era fresco e doce, o que naquele ambiente abafado, caiu mesmo bem.

Quanto ao prato principal, não sei como, mas ainda consegui arranjar espaço para um Cabrito Assado no forno, com Legumes e Batata. A acompanhar um Arroz no forno, servido numa terrina própria de barro, mas que eu pessoalmente não apreciei, pois achei-o demasiado seco. O que importa destacar é o Cabrito, que normalmente é apelidado de "a vergonha da cozinheira", por causa da quantidade de ossos que ficam no prato e da pouca carne que se come, mas este não era certamente o caso. Bons pedaços de carne, suculenta, com um sabor intenso e diferente de tudo o que estamos habituados, mesmo quando comparado ao Borrego, estava excelente. Os acompanhamentos estavam também bons, em particular a batata, mas ao contrário do que, por vezes, sucedeu nestas voltas que dei pelo Norte de Portugal, desta vez, os acompanhamentos não eram melhores que o prato principal.

Quanto às sobremesas, que me recorde, ninguém teve coragem de as experimentar, mas dizem que o Leite Creme Queimado é qualquer coisa... Fica para uma próxima, bem como, um vinho tinto local para acompanhar a refeição, ao invés do espumante tinto que nos garantiram que seria a melhor opção. 

No que diz respeito ao preço, quero acreditar naquilo que diversas fontes indicam, que o preço médio por pessoa é de 15€, o que convenhamos, fazendo a relação quantidade/qualidade/preço, é uma excelente relação. 

data da visita: 20.março.2013
preço por pessoa: 15 €

Restaurante Cá-Te-Espero
Av. Boavista, 113, Rebordões
Santo Tirso

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Astória | Braga

Nas minhas andanças pelo norte de Portugal, fui parar àquela que para mim é a região com melhor gastronomia do país: o Minho. Infelizmente, nós, bloggers de "do chefe ao chef" não temos como dar ao Minho a atenção que esta região merece, motivo pelo qual, partilho este pequeno momento no restaurante "A Astoria".

Entre afazeres profissionais, foi no "A Astória" que fiz uma breve pausa para o almoço, mas quem me dera a mim poder almoçar assim mais vezes. O "A Astória" está bem localizada, na praça central de Braga, cidade ainda vibrante, num país cada vez mais paralisado. O seu espaço consiste num open space amplo de dois pisos, com uma excelente montra de garrafas de vinhos nacionais e estrangeiros, para além de outras bebidas, decoração simples e moderna, "encaixada" numa infraestrutura de pedras de granito maciças. Com bom tempo, a refeição no telhado, com vista para o centro de Braga, deve ser agradável.

A refeição foi relativamente simples, pois o tempo era escasso, além de não gostar de comer muito em dias de trabalho (recordar post da "Pastelaria Versailles"). Assim, o couvert fez de entrada, sendo composto por um patê de Atum fabuloso e um Azeite com Vinagre Balsâmico viciante. Como prato principal, optou-se pelo prato do dia, o afamado Bacalhau à Braga. O bacalhau que nos foi servido tinha proporções consideráveis (já comi bifes menores), estava muito bem confeccionado, nada seco e bem temperado, com as lascas a saírem na perfeição. A acompanhar o bacalhau uma cebolada q.b., que fez as minhas delícias, pois adoro uma boa cebolada. Para beber, fiquei-me por uma água do Luso, engarrafada em 2013, fresca e leve, só como uma água mineral pode ser...

O serviço apesar de simpático, pareceu-me um pouco lento, inclusive para pagar. Gostaria de testar o serviço ao jantar, mas tal não será possível, pelo que aguardo feedbacks dos nossos leitores a este propósito.

No que diz respeito ao preço da refeição, não tenho como entrar em grandes detalhes. Aparentemente estávamos numa promoção do Bacalhau à Braga, daí que o custo final foi aproximadamente de 15 €. Em dias normais ou ao jantar, certamente o preço será superior. 

data da visita: 20.março.2013
preço por pessoa: 15 €

Restaurante A Astoria
Praça da República, Braga
 www.facebook.com/AAstoria

domingo, 25 de novembro de 2012

Pastelaria Versailles

A Versailles é uma daquelas grandes e elegantes pastelarias/cafés/restaurantes, que durante décadas marcaram o ritmo social das grandes cidades europeias, à nossa escala, Lisboa e Porto. A evolução dos tempos fez com que em Portugal, alguns destes estabelecimentos fechassem, mas outros, como a Versailles não só resistiram, como ficaram mais fortes. E ainda bem que assim foi. A beleza da sua decoração estilo Arte Nova, os seus mármores, a classe e bom estado das suas madeiras nobres, o seu relógio ao centro de um móvel (clássico, muito clássico) de exposição de bebidas e um balcão comprido que expõem uma oferta de doces de pastelaria tentadores, tudo isto encontra-se disponível a qualquer um que lá queira entrar. Seria uma pena, que este património da cidade de Lisboa se perdesse num qualquer estabelecimento de fast food.
Para aqueles que como eu, ainda não aderiram ao tupperware ao almoço (veremos em 2013...) e por acaso trabalham em Lisboa, na zona do Saldanha, a Versailles pode não ser uma opção diária, mas é certamente uma opção a considerar. É certo que na Versailles não existem menus de almoço a 5 €, com sacrifício das margens de lucro e principalmente para a qualidade das refeições, pelo que a opção diária por este estabelecimento, obriga a uma situação financeira cómoda. Para mim, não há grandes problemas, pois sou parcimonioso nos meus almoços. Uma sopa/sandes, uma água 0,33cl e (ah malucooo!) um salgado/pastel e pronto, fico satisfeito para o resto da tarde.

Assim, com esta rotina e proximidade do meu trabalho à Versailles, resolvi aplicar nesta famosa pastelaria de Lisboa os meus hábitos alimentares diários e partilhar mais esta experiência.

À hora de almoço, a Versailles costuma estar entre a meia-casa e casa cheia, pelo menos no que diz respeito às mesas. O seu público-alvo são as pessoas que trabalham naquela zona, desde os bancários lá do sítio, aos consultores seniores das proximidades e até presidentes de bancos ou juízes mais mediáticos. Ao balcão, encontram-se aqueles que apenas se querem despachar ao almoço, sem contudo comer mal. Qualquer um destes clientes é sempre servido de forma rápida, simpática q.b. e com alguns pormenores que diferenciam este estabelecimento de outros. Por exemplo, quantas vezes vos foi servido num pires à parte, um garfo próprio para comer um croquete ou uma colher de café para comer um pastel de nata?

Por falar em croquete, este salgado é um ícone da Versailles. Segundo eles, é feito da melhor carne de lombo de vitela. Não sei se é verdade, mas na gíria diplomática costuma-se dizer que existe uma forma de fazer diplomacia, é a chamada "diplomacia do croquete". Posso-vos garantir que se nesta forma de diplomacia, se servissem os croquetes da Versailles, Portugal não teria metade dos problemas que tem na "frente" europeia. Eu não sou grande apreciador de croquetes, mas os da Versailles são muito bons. São normalmente maiores que os da concorrência, a carne é uma massa suave e uniforme, bem temperada e sempre servidos quentes.

Mas não é só pelos croquetes que a Versailles é famosa, a sua pastelaria é muito afamada, em particular os eclairs, cuja visão ao balcão deve ser muito tentadora para os mais gulosos. Experimentei o de café, por pensar que seria o menos doce. Comparado a outros eclairs, acredito que não seja doce, mas para o meu gosto, pareceu-me um bocado, contudo, a sua massa era boa e como os olhos também comem, tinha um óptimo aspecto. Por sua vez, o seu pastel de nata é óptimo. Uma massa folhada delicada e um creme suave e doce (sem ser enjoativo) óptimo. Poderia-vos falar da sopa, mas sopa é sopa e não vi grande diferença para as servidas em qualquer café do país.

Não poderia terminar este post, sem falar das refeições servidas nesta pastelaria. São um pouco caras para o dia-a-dia, porém, pelo que pude ver são muito bem servidas, têm um óptimo aspecto e os ingredientes parecem ter uma qualidade condizente com o nome que vem no prato. Aquela feijoada à transmontana ainda me faz salivar, mesmo sabendo que por motivos de saúde não deveria sequer olhar para ela...

preço: 4,00 € - 5,00 € (almoço à f.)

Pastelaria Versailles
Av. da República, nº 15-A, Lisboa

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Grelha Peixe | Cabanas de Tavira

Na típica romaria a terras do Sul, desta feita, por Cabanas de Tavira, voltei a visitar aquele que deve ser o restaurante mais famoso da vila de Cabanas de Tavira - O Grelha Peixe.

Um restaurante simples, típico de uma aldeia de pescadores, decorado com motivos de pesca e com uma boa esplanada (a quem interesse, aceitam que se traga o cão, desde que se peça para reservar uma das mesas junto ao passeio, para que o animal possa ficar pelo lado de fora).

Foi um simples jantar em família, onde todos optámos pelos grelhados - douradas, chocos e um mix de peixes (espadarte, atum e salmão). De referir que os peixes foram todos confeccionados no ponto certo - não estava demasiado seco, nem crú, como por vezes acontece. Tive, no entanto, a certeza de que o atum cozinhado não é para mim - depois de provar atum no sushi, acho que dificilmente vou conseguir voltar a comer atum que não seja cru (a diferença de textura e sabor é mesmo grande). 
As doses são muito bem servidas, por isso recomendo que levem convosco algum apetite. Normalmente os peixes vêm acompanhados de batata cozida e salada. Porém, não levem pressa para vos acompanhar, pois, por se tratarem de grelhados, demoram sempre um pouco a servir.
De referir que para beber, acompanhámos com um branco da casa, bom, mas nada de extraordinário. 
Um ponto a melhorar é claramente o das sobremesas, onde apenas têm aquela carta típica com gelados da Olá e aqueles doces com ar demasiado pré-fabricado. Não lhes fazia mal terem uma ou duas sobremesas caseiras que sejam excepcionais, seriam a cereja no topo do bolo. 

Cabanas de Tavira, embora pequena, tem ainda bastante oferta de restauração para a sua dimensão, mas muita dela está altamente orientada para os turistas ingleses, oferecendo fish&chips e fast food em vários locais. Para apreciadores de boa comida portuguesa, simples, bem servida e bem confeccionada (e não muito cara), recomendo vivamente a visita a'O Grelha Peixe.

data da visita: 11.julho.2012
preço por pessoa: 19,30 €

O Grelha Peixe
 Rua Comandante Henrique Tenreiro, 41
Cabanas de Tavira
(não tem site, deixamos o link no TripAdvisor)

sábado, 14 de julho de 2012

Casa Vidal | Águeda

Numa breve incursão pelo (ainda) próspero distrito de Aveiro, do chefe ao chef teve a oportunidade de conhecer um daqueles restaurantes tipicamente familiares perdidos no meio do nada, mas que todos conhecem. O restaurante em causa é o Casa Vidal e o motivo pelo qual todas as pessoas nesta região o conhecem é o seu afamado Leitão. Tão afamada é esta casa, que ainda hoje é referido o facto histórico de em 1996 terem servido três Leitões, num banquete, à Sua Majestade a Rainha Isabel II. Para uma casa situada em Aguada de Cima, Águeda, é certamente um motivo de orgulho, mas principalmente uma excelente forma de obter publicidade boa e gratuita. Porém, uma mensagem tem que ter um suporte e dizer que se serviu Leitão à Rainha de Inglaterra não me diz muito. Importante é que o Leitão lá servido seja realmente bom e não sendo eu um fanático por este prato, tipo de sair da A1 e parar na Mealhada para o provar, fiquei rendido ao que por lá se serve.

(ver imagem aqui)

Antes de passar ao prato principal, no que diz respeito ao espaço e serviço da Casa Vidal não há muito a descrever. Interior simples, sem motivos decorativos por aí além, à excepção de um painel de azulejos cujo tema está relacionado com a prática de assar Leitões e por alguma razão as janelas tapadas, eis o Casa Vidal. De realçar que estão a realizar obras à entrada e que a casa de banho (sim, a casa de banho!) tem uma decoração mais moderna, pelo que é expectável que, com o tempo, haja alguma alteração neste aspecto. Para ser franco, julgo não haver grande necessidade para tal, pois quem vai à Casa Vidal apenas quer comer um bom Leitão. Quanto ao serviço, não há muito a acrescentar, simpático e eficaz. Quando já se sabe ao que a clientela vai, não é preciso dispender tempo com muitas explicações. Reforço, é para comer Leitão que lá se vai. 

Quanto ao tal Leitão, não há muito a dizer, excepto que é realmente excelente. Pele tostada, quase tipo crosta, carne mole, muito suculenta e bem temperada. Sente-se o sabor de citrinos (talvez limão), alguma erva aromática, sal e talvez uma pequena pitada de pimenta. Consigo descrever o que o meu paladar sentiu, mas sem grandes certezas, pois um dos segredos da Casa Vidal a assar Leitões é o seu tempero, o outro é o seu tempo de assadura. Antes do Leitão ser posto realmente a assar no espeto, dão-lhe algumas voltas rápidas, de modo a que a pele frite, tornando-a uma verdadeira crosta e assim isolando o resto do corpo. O Leitão estará assim a assar sobre si mesmo, não sendo necessário muito tempero. A ser verdade, não sei, não percebo muito de assar Leitões, seja como for, o resultado é muito bom. Relativamente aos acompanhamentos, nada há a dizer, batata frita, salada e laranjas, o que conta é o Leitão. A Casa Vidal destaca-se por servir vinhos espumantes da região para acompanhar o prato principal. Pela primeira vez provei vinho espumante Tinto, neste caso o da casa, e apesar de o achar muito doce, não acompanhava mal o Leitão. 

Por fim e em jeito de conclusão, é uma óptima opção local, a um preço simpático (15 € - 20 € por pessoa) e onde se pode provar um prato mais do que tradicional e extremamente bem confeccionado. Ao preço indicado é preciso ter em consideração que se juntou ao Leitão o tal vinho espumante tinto, água, sobremesas e cafés. Parece-me um preço perfeitamente acessível para se comer o melhor Leitão da zona.

data da visita: 10.julho.2012
preço por pessoa: 20 €

Casa Vidal
Rua das Almas, Almas Areosa
Aguada de Cima, Águeda

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Porto de Santa Maria - o Clássico do Guincho

Guincho, Domingo soalheiro de Verão. Um dos primeiros Domingos livres de afazeres extra-familiares, depois de um considerável esforço que se reflectiu na vida pessoal. Qual a melhor forma de o celebrar? Num impulso, experimentar um dos clássicos da Linha: o Restaurante Porto de Santa Maria.

(imagem do facebook)

O Restaurante
Para quem não conhece, o Porto de Santa Maria é um dos mais antigos e conceituados restaurantes de peixe e marisco do Guincho, frequentado pelas elites económicas e políticas de Lisboa, além de uma abastada comunidade estrangeira com residência semi-permanente no nosso país. Um restaurante situado à beira-mar, com a serra por trás, soalheiro e longe dos olhares indiscretos de Lisboa, perfeito para um almoço semanal de negócios, de acordos políticos, ou um simples almoço de família.

Uma decoração simples e sóbria, com alguns motivos marinhos e locais, complementa a ampla estrutura de madeira deste restaurante, toda ela pintada de branco. A sua localização, estrutura e cor combinadas, dão a este espaço uma luminosidade única, ao mesmo tempo que emanam uma harmonia difícil de explicar num restaurante tão movimentado.

(imagem do facebook)

O atendimento é de um profissionalismo difícil de igualar. Cordialidade, sugestão do melhor peixe do dia, dois dedos de conversa com os clientes, mas, principalmente, o know-how necessário para cortar e empratar impecavelmente um peixe assado.

Não nos equivoquemos, o Porto de Santa Maria não é acessível a todas as bolsas, especialmente em momentos difíceis como estes que o país atravessa. Para quem não faz parte do "público-alvo" deste restaurante, a visita a este espaço a expensas próprias, tem de ser feita num momento pessoal único, para ser aproveitado ao máximo e para que a conta não pese tanto na consciência. Por este motivo, posso apenas relatar uma única refeição. 

A Refeição...

Ameijoas à Bulhão Pato - Sei que já anteriormente descrevi esta entrada (ver relato aqui), mas restaurantes diferentes, posts diferentes. Frescas, grandes, bem cozidas e bem temperadas, com o tacho ainda quente à frente, esta entrada é quase obrigatória. É certo que há muitas outras entradas neste restaurante e até mais sofisticadas na sua confecção e apresentação, mas este prato é um clássico da gastronomia portuguesa. Era impossível não a experimentar e as expectativas não ficaram defraudadas. Adicionalmente, foram bem servidas.

Robalo no Pão - Um dos pratos mais exclusivos da cozinha portuguesa é o peixe assado no sal, normalmente robalo ou dourada. O restaurante Porto de Santa Maria não só tem fama de ter um dos melhores peixes ao sal de Portugal, como também serve um "prato gémeo" difícil de encontrar noutros locais. Este prato é o peixe no pão, que basicamente é um peixe inteiro, completamente coberto de massa de pão, ficando assim com uma espécie de isolamento a assar sobre si mesmo. O tempero do peixe é inexistente, pois ele tempera-se a ele próprio no decorrer da sua confecção e garanto que não fica insosso. Depois de retirada do peixe, a massa de pão serve como acompanhamento, tendo esta um sabor ligeiramente salgado proveniente do robalo. Optou-se por um robalo de proporções consideráveis, com um aspecto fresquíssimo, suficiente não para dois, mas para três. Enfim, uma experiência difícil de igualar.

(imagem do facebook)

Melão - Sim, num restaurante com sobremesas como Pudim Abade Priscos, Toucinho do Céu, ou gelados Santini, numa noite de Verão e após dois pratos muito bem servidos, foi uma fatia de melão que comemos. Sei que o melão serve-se como entrada e não como sobremesa, mas numa noite quente de Verão, após uma refeição farta, um melão fresco, sumarento e doce, terminou de forma brilhante esta refeição.

Vinho - Um bom Alvarinho (colheita 2007) acompanha sempre bem e de forma acessível um prato de peixe, ou de marisco. Fresco e com um sabor ligeiramente áspero como um vinho verde deve ser, tem também a vantagem de ser leve. É, por norma, um vinho muito bom, nunca defraudando as expectativas de quem o experimenta e com a vantagem de ser mais barato que congéneres maduros. Sabendo que a minha companhia não bebe, tive a oportunidade de saborear um vinho de uma excelente casta, de uma excelente colheita e praticamente só para mim. O que poderia pedir mais?

Preço e Considerações Finais
Tendo este jantar sido já há algum tempo, não consigo precisar quanto custou ao certo. Para duas pessoas, esta refeição rondou os 100 € - 120 €. Há restaurantes mais baratos em Portugal? Certamente. Mas também existem restaurantes mais caros, porém, sem a ementa invejável e muito bem confeccionada do Porto de Santa Maria, complementada com uma localização espectacular e um serviço excelente.

data da visita: algures num Verão
preço por pessoa: 50 € - 60 €

Restaurante Porto de Santa Maria
Estrada do Guincho, Cascais
www.portosantamaria.com

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A Tasca do Zé

Aqui há dias desafiaram-me: "Vamos ali experimentar uma das tascas do Pragal. Aquilo está sempre cheio de gente, não pode ser mau." Ao que eu pensei "a Redentora também está sempre cheia, e não se pode dizer que seja por causa da qualidade da comida." Relutante, aceitei. E lá fui num almoço domingueiro de família à Tasca do Zé.

(foto do Google Street View)
A Tasca do Zé tem uma pequena esplanada "amarquisada", e o grelhador de carvão na rua, como tantas outras por esse país fora. Para entrarmos, temos de atravessar o fumo da grelha e alguma confusão de pessoas que ora estão na sua mesa, ora trocam dois dedos de conversa com o senhor que gere a grelha.
Lá dentro, um espaço pequeno com demasiadas mesas para tão pouca área. As mesas são corridas, encostadas a uma das paredes da sala. Num canto, à janela, e bem perto de uma das mesas, uma gaiola no chão com um papagaio que, felizmente, não nos brindou com o seu "cantar" durante o almoço.

"Apanhámos" uma das senhoras que estava a servir, que andava a correr de um lado para o outro, para lhe perguntarmos onde nos podíamos sentar. Lá nos indicaram uma mesa, e acabámos por ficar colocados praticamente ao lado de um casal que já lá estava. Não é algo assim tão estranho, afinal há já um ou outro restaurante que até se intitulam de gourmet que já fazem o mesmo. Aproximou-se da mesa a empregada que nos perguntou o que queríamos, ao que perguntámos "o que é que há?", uma vez que ninguém nos entregou nenhuma lista. A ementa do dia é ditada de cabeça: "Há salmão, peixe-espada e douradas do mar, tudo grelhado na brasa. É acompanhado com saladinha e batata cozida. O menu inclui pão, bebida e sobremesa." Acabei não resistir e pedi a carta. Responderam-me que não havia (afinal do que é que eu estava à espera?). E eu insisti "Mas se não tem carta como é que eu sei o preço do menu?" A empregada chamou a dona do restaurante (supus eu que se tratava da dona) para nos indicar o preço. Percebemos que o preço foi feito na hora. Foi um momento de análise cuja sentença ditou 10€/pessoa.
Ok, se calhar não vou a tascas suficientes, mas penso que a transparência nos preços é algo que deve estar presente independentemente do tipo de restaurante. Estarei enganada? Se bem me lembro, até a Redentora tem uma lista para apresentar aos clientes!! Não protestámos. Era domingo e não havia espírito para reclamações. E o preço sentenciado nem era assim tão mau, pelo cada um pediu o seu peixe e aguardámos.

Em menos de nada, os pratos aterraram à nossa frente. Duas postas de salmão, um peixe espada e uma dourada do mar, acabadinhas de sair do carvão, com um aspecto delicioso.
Numa palavra: maravilhoso. A frescura do peixe - inquestionável. Parecia que tinha saído directamente da rede dos pescadores da Costa para a brasa da Tasca do Zé. Apenas temperado com sal grosso, uma receita de uma simplicidade incrível, uma aposta certeira. Os acompanhamentos, clássicos, como devem ser, as batatinhas cozidas e a salada mista.

Este foi um típico episódio de "não negue à partida uma ciência que desconhece." Na verdade a minha experiência em tascas até então tinha sido A Redentora. Qualquer um que tenha passado a juventude em Almada conhece A Redentora. Em poucas palavras, é um clássico local para, a muito baixo custo, comer qualquer coisa e beber muita coisa, antes de se ir para outros pontos nocturnos. Daí ficar um pouco receosa de entrar numa tasca, mas de facto, a Tasca do Zé está sempre cheia, e há uma razão para isso. Afinal, quem resiste a um peixinho grelhado de grande qualidade por um preço tão amigável?

data da visita: novembro.2011
preço por pessoa: 10 €

A Tasca do Zé
Rua Direita, 40, Pragal - Almada 
(junto à esquadra PSP)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Forno da Cidade

Visitei “O Forno da Cidade” num jantar com um grupo de amigos. Um deles já tinha ouvido falar muito bem deste restaurante, e, constantemente, sugeria que fossemos experimentar “the new place in town”.

O estabelecimento é (tal como o próprio restaurante refere) uma mistura de cafetaria com pastelaria com padaria com garrafeira com restaurante, enfim, tudo junto num só espaço. Este conceito de fusão (de tudo em um) leva a que estejamos a jantar mesmo ao lado de vitrinas cheias de bolos e a ouvir a máquina do café a fazer os seus ruidosos sons de moer os grãos de café.
Pessoalmente prefiro conceitos mais claros. Se pretendo ir a um café vou a um café, se me apetece ir a uma padaria vou a uma padaria e quando quero disfrutar de uma refeição num restaurante vou a um restaurante. Tenho de admitir que não sou grande fã de ter tudo junto num só espaço (apesar de gostar de todos individualmente!).

Sendo a especialidade da casa Leitão, essa foi naturalmente a escolha mais popular entre o grupo, também foram escolhidos outros pratos como ripas de porco ou bife à princesa, e todos os pratos estavam muito bem servidos e com bom aspecto, mas este post vai focar-se no leitão.

Confesso que não sou o maior fã de leitão, portanto posso não atribuir o devido valor ao prato que nos foi servido, mas na generalidade estava bom. A carne de leitão estava tenra, bem cozinhada, e claro, o molho, de alho bem forte, era bastante bom. A acompanhar o leitão vinham batatas fritas arroz e salada (sem nada de novo), mas completava bem o prato oferecido.
Para beber optámos por sangria branca, que estava bastante boa (para mal dos pecados dos condutores).

O serviço foi bom, com o staff bastante atencioso e simpático, oferecendo um ambiente muito descontraído e informal, o que é normal num restaurante de bairro.

Se estiverem por Odivelas, este restaurante é uma boa opção, uma vez que na generalidade a experiência foi positiva, come-se bem, com um bom serviço e é barato. Mas não posso dizer que me deslocaria de propósito de Lisboa a Odivelas para ir a este restaurante.
data da visita: 14.outubro.2011
preço por pessoa: 14,61 €

Forno da Cidade
Av. Amália Rodrigues, 5

domingo, 30 de outubro de 2011

Sabores de Monsaraz | Alentejo Profundo III

E eis que esta série termina, mas com um grande final! O objectivo deste curto roteiro gastronómico, foi o de mostrar o que se faz nas mais pequenas terras alentejanas. Mostrou-se o que se faz de bom e de mau, o que está a ser aproveitado e desperdiçado e o quanto a nossa carteira é valorizada. Mais do que mostrar isto ou aquilo, espero ter aguçado a curiosidade das pessoas que leram estes posts, para conhecerem melhor esta gastronomia. Posso apenas dizer que em localidades como Arraiolos, Monsaraz e Estremoz há restaurantes fabulosos, mas, não sendo possível escrever sobre todos, escolho o melhor entre os melhores: o Sabores de Monsaraz.

Este relato do Sabores de Monsaraz "peca" por lá ter ido apenas uma vez e pela variedade dos pratos provados ter sido escassa. A "virtude" é que em apenas uma visita a este restaurante fiquei absolutamente fascinado por este espaço, pelo seu serviço peculiar e pela elevada qualidade das refeições.

Espaço e Serviço

Situado na vila medieval de Monsaraz, a vista deste restaurante é qualquer coisa de fabulosa. A planície alentejana domina, com os seus sobreiros, vilas compostas por pequenas casas brancas e a enorme albufeira do Alqueva. O espaço poderia ser maior, porém a sua dimensão traz-lhe algo de acolhedor e típico, sendo que as suas paredes de xisto (aviso que geologia não é o meu forte...) dão-lhe um ar rústico e tradicional. O facto da cozinha estar à vista, ou pelo menos parte dela, torna o ambiente caseiro, com tudo o que de positivo este termo possa ter. Para quem tem crianças, no exterior do restaurante, há um pequeno parque situado estrategicamente à vista dos pais mais ciosos. O serviço, esse, é único, pois quem atende é quem cozinha e quando lá fui eram duas senhoras que poderiam ser as nossas mães/avós, naturalmente simpáticas e bem dispostas com os clientes. Isto retira profissionalismo? Não, pois o servir bem não é necessariamente ter um empregado a dizer que as nossas escolhas são excelentes, ou a demonstrar técnicas fabulosas para abrir uma garrafa de vinho.

(foto daqui)

Couvert - Ok, mais uma vez escrevo sobre o queijo fabuloso de um restaurante alentejano... Era óptimo e isso é o que interessa. Queijo de ovelha amanteigado, com um sabor intenso, mas equilibrado, que acompanhado com um bom pedaço de pão era uma maravilha.

Melão com Presunto Pata Negra - Se a descrição do que foi provado nesta refeição é limitada, tal se deve ao facto de as entradas e pratos principais terem sido iguais para todos. Não fomos todos obrigados a comer a mesma comida, as escolhas é que foram coincidentes. Quanto a esta entrada, a combinação do sabor doce e fresco do melão, com um presunto fora de série, resultou muito bem. O presunto Pata Negra difere dos outros presuntos, da mesma forma que a carne de porco preto difere da carne de porco "normal". A consistência é diferente, sendo um presunto, talvez, mais duro. O sabor é mais intenso devido à maior presença de gordura do que nos outros presuntos, porém não o torna tão seco e salgado.

Medalhões de Porco Preto com Cebolinhas - Divinal! Medalhões de porco preto confeccionados em azeite e vinho tinto, com cebolinhas para intensificar o sabor. Umas batatas assadas para acompanhar esta carne tenra, saborosa, com aquela gordura q.b. que dá um gosto especial a tudo e temos um prato óptimo. Há algo que consiga ser mais tradicional do que isto? Carne de porco da região, confeccionada num azeite e vinhos regionais, que provavelmente eram excelentes a julgar pelo sabor que deram ao prato. Mais importante do ser tradicional, é o facto de ser simples! Há pratos que valem pela qualidade da combinação de vários ingredientes, muitas vezes à partida antagónicos e que com chefs menos experientes dão mal resultado. Não é o caso deste prato, pois os seus ingredientes não são muitos, mas são de elevada qualidade e complementam-se uns aos outros, permitindo contudo que a carne seja dominante. Uma nota apenas, este prato não está no menu do site do restaurante, contudo devo referir que fui lá há ano e meio.

Encharcada - Não fui eu que comi, pois já estava "a abarrotar", mas quem a experimentou disse que estava óptima.

Monsaraz Premium (Tinto), 2008 - Um peso pesado para acompanhar uma comida "leve". Um sabor intensíssimo, forte, que foi feito para acompanhar comidas de sabor intenso. Tê-lo provado numa noite quente de Verão não terá sido a melhor opção, mas o prato principal exigia um vinho destes. O sabor era tão marcante, que passado ano e meio, ainda consigo recordá-lo! A descrição deste vinho refere que tem elementos com aroma a café, cacau e frutos negros, o que pode explicar o sabor intenso. A refeição foi certamente bem acompanhada e acomodada por este vinho.

Preço - Como já referi, não fui eu quem pagou a conta, contudo posso calcular que por pessoa tenha sido considerável. Os diferentes sites da especialidade indicam um preço médio de 25 €, o que aceito tendo em conta as escolhas que se fizerem. Esta refeição que descrevi, talvez tenha ficado por 35 €, já dividindo o valor do vinho pelas pessoas. Para uma melhor percepção do preço, aconselho a consulta ao site deste restaurante, cujo menu indica os preços das refeições.

data da visita: ago.2010
preço por pessoa: 35 € (aprox.)

Sabores de Monsaraz
Largo de S. Bartolomeu
7200-175 Monsaraz
www.saboresdemonsaraz.com

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Adega da Lua | Alentejo Profundo II

Do chefe ao chef, na pessoa deste vosso humilde autor, continua neste relato que se segue, a partilhar as suas experiências gastronómicas nos restaurantes das pequenas localidades alentejanas. Desta feita, fui até Cuba (distrito de Beja, por favor, não confundir com outras paragens), mais precisamente ao restaurante "Adega da Lua".

Antes demais, a ida a este restaurante foi um acaso, pois o meu alvo estava entre duas opções completamente distintas na forma de apresentar a cozinha alentejana, a saber, os restaurantes "Buraco da Zorra" e "A Varanda", ambos no concelho do Alvito. Um porque estava fechado, o outro porque os preços praticados eram demasiado elevados e a menção no Guia Michelin, pelos vistos, subiu à cabeça dos seus proprietários fizeram com que a minha opção recaísse por fazer uma breve (mas muito bonita) viagem até ao concelho vizinho de Cuba. Chegado ao restaurante, com o estômago colado às costas, a primeira coisa que pensei foi que a ida a este restaurante ia ser "juntar a fome à vontade de comer". Enganei-me logo na entrada...

Queijo de Ovelha
Enquanto no restaurante "A Cave" havia um queijinho de ovelha e cabra fabuloso, neste restaurante serviram como entrada um queijo de ovelha, que de tradicional tinha o nome, pois parecia um qualquer queijo comprado no supermercado. Acho incompreensível como um restaurante situado em pleno Alentejo, tão reputado na críticas como sendo um espaço defensor da cozinha tradicional, não é capaz de apresentar um queijo de ovelha em condições. Um Palhais comprado no supermercado teria cumprido melhor. Foi servido frio (?!), o que lhe retira sabor e lhe confere uma textura mais rígida entre o granulado e o farinhento. O coalhar do queijo, que é o que dá origem ao sabor e textura do mesmo, tinha sido "assassinado", mas vivo também não teria muita qualidade. O sabor que lhe restava era demasiado áspero, não era forte, era apenas áspero! Quem me acompanhava, não partilhou da minha opinião, porém, reconheceu que aquele queijo poderia ser melhor.

Secretos e Plumas de Porco Preto
A primeira conclusão que eu retiro ao escrever esta parte deste texto, é que algo de estranho se passa no restaurante "Adega da Lua". Em nenhum site, forum ou blog que fale deste restaurante, vejo estes pratos mencionados no menu. Vejo coisas apetitosas como lagartos/bochechas/medalhões de porco preto (que não lhes pus a vista em cima na carta do restaurante) e outras como costeletas de novilho, bife do lombo, migas alentejanas, etc, mas nada de secretos/plumas de porco preto. Não é que preferisse comer medalhões de porco preto, mas as minhas expectativas iniciais poderiam sair defraudadas. A expectativa criada ao cliente e a sua confirmação (quando não superação), é essencial para qualquer restaurante que queira ter um bom nome.

Mas passando para os secretos por mim comidos e as plumas comidas pela minha agradável companhia, posso dizer que ambos os pratos se dividiam em duas partes, completamente antagónicas. As plumas e os secretos não foram escolhidos à toa, pois estávamos no calor do Alentejo e peixe fresco não faz sentido procurar nestas paragens, então uma boa carne grelhada é o que convém. Sendo de porco preto, convém ainda mais. Tanto os secretos, como as plumas, estavam muitíssimo bem confeccionados. Esta é a primeira parte de ambos os pratos, ou seja, carne grelhada, sem ser demasiado seca, mantendo-a suculenta e no caso dos secretos, com aquele "farrapinho" de gordura que sabe mesmo bem. O tempero da carne estava no ponto, salgada q.b., com um toque amargo do carvão, como se exige a qualquer carne grelhada desta forma, contudo sentia-se aquele sabor característico do porco preto.

A segunda parte do prato foi trágica. Eu não aceito que num restaurante que se diz tão tradicional, que é capaz de servir uma carne tão bem confeccionada, não haja um acompanhamento digno desse nome. Um acompanhamento na maioria das vezes faz metade do prato! Como é possível servirem como acompanhamento de uma carne fabulosa, um arroz agulha simples e solto, com umas batatas fritas e uma salada banal, que qualquer mortal faz em casa, em vez de servirem umas migas?! Em vez de uma salada carregada de cenoura que anula o sabor da alface e do tomate, porque não uma tigelinha com gaspacho alentejano? Em vez de batata frita, uma batata assada não ficaria melhor? Mas já que o acompanhamento era do mais banal, ao menos que o confeccionassem de forma subliminar, mas não, até um cozinheiro mediano/medíocre teria feito igual.

Melão
Apesar da desilusão com o acompanhamento do prato principal, a verdade é que não sobrou nada no meu, pois eu estava com muita fome. Por este motivo, mais o calor abrasador que se sentia, não houve grande vontade de comer um doce como sobremesa, cingindo-me apenas a uma fatia de melão. Comer fruta num restaurante à partida não costuma ser uma má experiência, mas com melões é como o povo diz: "só depois de abertos". Este era muito bom, pois era doce, suave e fresco.

Vinho
Estava muito calor e era eu quem ia a conduzir, por isso e estando eu no Alentejo profundo, resolvi arriscar e pedi um jarro pequeno de vinho branco da casa. Asseguraram-me que o vinho era das vinhas daquela zona e resolvi arriscar. Em boa hora o fiz, pois era um jarro bem servido (muito bom o pormenor do jarro de barro), o vinho era bom e cumpriu sem mácula a sua função, que por acaso era difícil. Não pensem que para um vinho, acomodar uma refeição, agradar um palato e refrescar quem o bebe é fácil. Este fê-lo e com a vantagem de ser barato. Contudo, um pouco mais fresco não teria sido má ideia.

Outros Pratos
Não tendo provado, apenas posso sugerir alguns pratos que pelo nome cativaram a minha atenção e que estavam mesmo no menu: bife do lombo com pimenta preta/grelhado com alho, costeletas de novilho, carne de porco à alentejana. Quanto aos peixes, sugiro o bacalhau assado... Caramba, é impossível em pleno interior alentejano servir ameijoazinhas à Bulhão Pato, cataplana de marisco, ou bife de atum, com a mesma frescura que se encontra num restaurante à beira-mar! Fica o alerta.

Espaço e Serviço
Por fora uma casa alentejana típica, que respeita a traça tradicional daquela zona do país. Por dentro, um espaço realmente interessante, com uma presença preponderante da madeira rústica na estrutura interna do edifício, bem como da tijoleira. Um balcão de madeira que combina bem com os elementos referidos anteriormente e um mobiliário também em estilo rústico (q.b. digamos), com a decoração a ser simples, também enquadrada neste tema. Em suma, um bom ambiente, apesar da tradicional televisão (nesta foto, pois actualmente julgo ser um LCD), mas que se compreende, pois nas terras mais pequenas os restaurantes têm uma função de convívio muito mais importante do que os das cidades. Isto vê-se pelos empregados, que tiveram sempre uma postura correcta e simpática connosco, mas de amizade com clientes locais.

(foto daqui)

Preço
Barato, tudo o que comemos e bebemos, mais duas garrafas de água, ficaram por cerca de 25 €. Nos dias que correm, não sendo um prato-do-dia, é acessível.

Conclusão
Não foi das melhores experiências, mas a ter uma avaliação de 0 a 10, teria um 6, pois a carne estava realmente boa e o vinho tinha uma excelente relação qualidade/preço. A repetir? Não sei, talvez preferisse experimentar outro restaurante, desta feita no Alvito, pois em Cuba não haverá certamente muitas mais opções. Porém, sei que algures em Monsaraz há uma excelente opção...

data da visita: 10.set.2011
preço por pessoa: 12,50 €

Adega da Lua
Travessa das Francas, 1
Cuba (Beja)