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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Grelha Peixe | Cabanas de Tavira

Na típica romaria a terras do Sul, desta feita, por Cabanas de Tavira, voltei a visitar aquele que deve ser o restaurante mais famoso da vila de Cabanas de Tavira - O Grelha Peixe.

Um restaurante simples, típico de uma aldeia de pescadores, decorado com motivos de pesca e com uma boa esplanada (a quem interesse, aceitam que se traga o cão, desde que se peça para reservar uma das mesas junto ao passeio, para que o animal possa ficar pelo lado de fora).

Foi um simples jantar em família, onde todos optámos pelos grelhados - douradas, chocos e um mix de peixes (espadarte, atum e salmão). De referir que os peixes foram todos confeccionados no ponto certo - não estava demasiado seco, nem crú, como por vezes acontece. Tive, no entanto, a certeza de que o atum cozinhado não é para mim - depois de provar atum no sushi, acho que dificilmente vou conseguir voltar a comer atum que não seja cru (a diferença de textura e sabor é mesmo grande). 
As doses são muito bem servidas, por isso recomendo que levem convosco algum apetite. Normalmente os peixes vêm acompanhados de batata cozida e salada. Porém, não levem pressa para vos acompanhar, pois, por se tratarem de grelhados, demoram sempre um pouco a servir.
De referir que para beber, acompanhámos com um branco da casa, bom, mas nada de extraordinário. 
Um ponto a melhorar é claramente o das sobremesas, onde apenas têm aquela carta típica com gelados da Olá e aqueles doces com ar demasiado pré-fabricado. Não lhes fazia mal terem uma ou duas sobremesas caseiras que sejam excepcionais, seriam a cereja no topo do bolo. 

Cabanas de Tavira, embora pequena, tem ainda bastante oferta de restauração para a sua dimensão, mas muita dela está altamente orientada para os turistas ingleses, oferecendo fish&chips e fast food em vários locais. Para apreciadores de boa comida portuguesa, simples, bem servida e bem confeccionada (e não muito cara), recomendo vivamente a visita a'O Grelha Peixe.

data da visita: 11.julho.2012
preço por pessoa: 19,30 €

O Grelha Peixe
 Rua Comandante Henrique Tenreiro, 41
Cabanas de Tavira
(não tem site, deixamos o link no TripAdvisor)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Lisboa Restaurant Week - Tertúlia do Paço

Sem perder mais uma edição da Lisboa Restaurant Week (LRW), decidimos experimentar o Tertúlia do Paço. Este restaurante sempre seguiu o do chefe ao chef, pelo menos no Facebook, tendo sugerido, nesta rede social, que os visitássemos a propósito deste evento. Como a curiosidade falou mais alto, lá fomos nós em mais uma expedição gastronómica que agora partilhamos.

Desenganem-se os que (como alguns de nós) pensam que este restaurante fica no Terreiro do Paço - fica sim, algures,  entre Telheiras e o Lumiar. Situado num bairro típico desta zona de Lisboa, i.e., prédios de habitação com áreas consideráveis, espaço para estacionamento, árvores e parques infantis q.b. e um comércio local insípido, o Tertúlia do Paço oferece uma pequena entrada coberta com um toldo (um estilo que nos faz lembrar os restaurantes franceses).

(foto daqui)

Lá dentro, destaca-se à entrada, o enorme aquário de marisco vivo, com a sala de refeições ao fundo do restaurante. À média luz, uma sala de tamanho razoável, com uma decoração que se pretende clássica, mobiliário e soalho em madeira e alguns detalhes em dourado. A vista para as barreiras de som do Eixo Norte-Sul não é estonteante, mas o Tertúlia do Paço é um restaurante e não o miradouro de São Pedro de Alcântara. A música ambiente também não era, de certeza, a que mais se adequava aos nossos gostos pessoais.

(foto daqui)

O facto de apenas duas mesas estarem ocupadas (além da nossa), e também o silêncio, por momentos sepulcral, que se fazia sentir não tornou o ambiente de todo descontraído. A impressão de que não podíamos falar para além do volume do sussurro é algo desconfortável. O ambiente ajudou a que um atendimento que se pretendia atencioso, por vezes, se tornasse intrusivo. Talvez com mais mesas por servir, o atendimento prestado pelos empregados (trajados com um colete e laço excessivamente formais) pudesse ser mais discreto e algumas falhas que se verificaram passassem despercebidas, como, por exemplo, a hesitação sobre a ordem em que se serviram os pratos, ou, o uso excessivo de diminutivos. Certamente que com meia casa ocupada não nos teria sido possível ouvir a conversa vinda da cozinha (desenquadrada do estilo do restaurante).

O menu, como é habitual neste evento, foi criado especialmente para a LRW e tem opções limitadas (menu completo aqui), no entanto, no Tertúlia do Paço até nos pareceram bastante adequadas e apelativas.

Para entrada, todos escolhemos os Cogumelos Frescos Recheados com Presunto e Queijo Gratinado. Eram bons, mas nada de especial... no geral, tinham um sabor pouco apurado. O que os tornava bons era, mesmo, o facto de todos gostarmos muito de cogumelos.

Nos pratos principais, embora por acaso, escolhemos opções diferentes...

d. experimentou os Filetes de Polvo com Migas de Feijão Frade, e gostou muito. O polvo estava extremamente macio e bem confeccionado. As migas, apesar de boas e de serem um acompanhamento que ligava bastante bem com o polvo, tinham dois "senãos" - pedras de sal pelo meio, o que não facilitou a degustação (não eram muitas, mas existiam), e a quantidade, que devia ser ligeiramente menor (o feijão enche muito).

g. pediu o Medalhão de Cherne com Molho de Camarão e Batata Dourada. O prato era saboroso, estando o cherne macio e o molho de camarão com um sabor apurado. No entanto, não houve nada de novo nem original neste prato, ficando a sensação que podia ser facilmente replicado em casa.

j. escolheu o Lombinho de Porco Preto à Bulhão Pato e não se arrependeu. O sabor era bom, a carne macia, as ameijoas sem areia e os acompanhamentos adequados e bem confeccionados. A única questão a apontar, é mesmo a quantidade de molho, que, por ser bastante, tornava o prato pesado.

f. decidiu-se pelo Tornedó à Terra e Mar (com Cogumelos Frescos e Camarões). Destacou-se a carne, que era de boa qualidade e bem confeccionada (mal passada como se esperava, ainda que não tão mal passada como f. gosta). Os acompanhamentos, por outro lado, não estavam à altura da carne servida. O folhado e o esparregado não pareciam home made e os cogumelos não pareciam frescos.

Para sobremesa...

j. e g. provaram o Apfelstrudel, o Gelado de Baunilha e a Canela. Estava à altura das expectativas. Talvez não tenha sido o melhor Apfelstrudel que já comemos, mas era bom.

d. e f. optaram por O Pudim de Maracujá... que, na verdade, não era mais do que uma tira de pudim (com uma textura de pudim instantâneo indiscutível) regado com um molho de maracujá. Podemos dizer que o molho era interessante... quanto ao pudim, não há muito mais a acrescentar.

O Tertúlia do Paço tem aspectos positivos e negativos, uns, obviamente, mais importantes que outros.

Em primeiro lugar, no geral, a comida é boa, o que é um ponto fundamental. É verdade que a qualidade de alguns acompanhamentos dos pratos principais foi discutível, mas compreendemos que pode resultar da ideia partilhada por alguns restaurantes de que a qualidade pode ser diminuída em eventos tipo LRW, uma vez que os preços são mais reduzidos. Damos o benefício da dúvida a um normal período de funcionamento, e por isso consideramos a comida um aspecto positivo.

Por outro lado, consideramos que o restaurante está desenquadrado... no ambiente, no serviço e no preço, ou, melhor dizendo, na conjugação de todos estes factores. Num bairro residencial como aquele onde o Tertúlia do Paço está localizado, as pessoas procuram um ambiente descontraído, onde podem apreciar boa comida, uma saborosa Sapateira ou um suculento Bife na Pedra, na companhia da família ou amigos, a um preço acessível. Temos dúvidas se o ambiente formal é "a praia" do Tertúlia do Paço. Os empregados estarão assim tão à vontade para o tipo de serviço que pretendem prestar? Os pratos estarão todos ao nível do tipo de cozinha que pretendem servir? A decoração do restaurante é coerente no seu conjunto? Focando-nos no aspecto preço, e tendo em conta que na Lisboa Restaurant Week os menus são mais acessíveis, 31 € / pessoa (bebidas não incluídas no menu LRW) não será um valor demasiado dispendioso?

Sem querermos pretender ser algo que não somos, na nossa opinião, talvez o Tertúlia do Paço pudesse apostar num "downgrading", que é como quem diz - apostar naquilo em que são bons (qualidade da comida), e deixarem-se de formalismos excessivos e acessórios.

Não valerá a pena repensarem o que são e o que podem ser, ao invés do que sonhavam ser?  

data da visita: 17.maio.2012
preço por pessoa: 31 € (LRW)

Tertúlia do Paço
Rua Fernando Lopes Graça, 13 A, Lisboa

domingo, 1 de abril de 2012

Baía do Peixe

Já há algum tempo um amigo tinha-me desafiado a conhecer o Baía do Peixe, um restaurante novo situado em plena baía de Cascais. Estava reticente, pois o Baía de Peixe não é um simples restaurante de peixe, mas sim um espaço cuja principal oferta consiste num conceito mais associado a churrasqueiras brasileiras e até a "pizzarias" (as aspas não estão à toa...), ou seja, o rodízio. Admito que fiquei reticente... Afinal, como é que pode haver tanto peixe fresco disponível para suportar um rodízio de peixe?

Os meus receios eram infundados, no Baía do Peixe o peixe é realmente fresco e bem confeccionado, grelhado no carvão como só em Portugal se sabe fazer. O rodízio é composto por cinco peixes diferentes que podem variar consoante a época do ano. Neste caso, Pregado, Robalo, Salmão, Dourada e Lulas (este último um molusco marinho), sendo possível repetir até não se poder mais. Por vezes, e porque o Baía do Peixe tem por regra servir apenas peixe fresco, algum dos peixes mencionados pode não estar disponível. As porções servidas não são grandes, porém, o objectivo é permitir que os clientes provem todos os tipos de peixe, o que, com postas maiores, não seria possível. O rodízio é acompanhado, como não podia deixar de ser, por batatas assadas com casca com um molho de azeite e oregãos e por uma salada completa.

Garanto que ao terceiro peixe já estamos cheios o suficientes para não comer os outros dois que faltam. A verdade é que neste tipo de refeição, o pecado da gula e a curiosidade em saborear os outros peixes falam mais alto. É mesmo de gula que se trata, pois os peixes estão bem grelhados, sem ficarem secos nem com crostas. Para os interessados, ao almoço, existe um mini-rodízio composto por três tipos de peixe. Para os amantes de marisco está para breve um rodízio de marisco. Para quem quiser apenas um prato de peixe específico, a opção também está disponível.

Passando à experiência que tive no Baía do Peixe, destaco o Pregado, pois foi para mim o melhor dos que provei. Estava óptimo, com a posta fresquíssima, suculenta e sem as referidas crostas. O tempero estava óptimo, com sal q.b., sem que houvessem aquelas pedras que por vezes trincamos violentamente. As Lulas estavam, também, muito boas... são grelhadas com manteiga, o que lhes conferia um sabor agradável. O Robalo era talvez o peixe que estava mais seco contudo o sabor estava óptimo. O Salmão não é um peixe que aprecie muito (excepto cru para o sushi), por isso foi-me um pouco indiferente, porém, as restantes pessoas com quem jantava afirmaram que estava excelente. Acho que não havia Dourada, ou, se havia, não me apercebi se estava a ser servida, pois como tinha repetido alguns peixes estava satisfeito e sem capacidade para comer mais. Antes do rodízio foi ainda servida uma sopa de peixe, que me soube bem, mesmo não sendo grande apreciador de sopas.

(fotos daqui)

Devo referir que a minha passagem pelo Baía do Peixe foi num jantar de aniversário, ou seja, um grande grupo, o que normalmente faz com que as doses não sejam bem servidas ou que o serviço não seja tão eficiente. Se em relação à refeição nada há a apontar no que diz respeito ao serviço também não. Muito profissional, composto, em parte, por empregados da "velha guarda" daquela zona turística que sabem servir bem. O espaço é, também, adequado para este tipo de convívios, pois é amplo o suficiente para albergar dois ou três grupos. Da mesma forma, é um restaurante apropriado para uma refeição a dois ou em família. De referir, também, que o restaurante está situado sobre a baía de Cascais o que lhe proporciona uma vista fantástica.

Por fim, o preço. Para aqueles que querem uma refeição agradável, num restaurante que sirva bem e com uma vista convidativa, o preço a pagar neste restaurante é acessível. Tendo em consideração a qualidade e o tipo de oferta de que estamos a falar, bem como a localização, cerca de 14 €, por pessoa, pelo rodízio, não me parece caro. A juntar a isto, entradas, sobremesa e bebidas... cerca de 20 € por uma refeição completa, onde podemos comer todo o peixe que nos apetecer... convenhamos, é acessível.

data da visita: 30.março.2012
preço por pessoa:  19 € (menu grupo)

Baía do Peixe
Avenida D. Carlos I, n.º 6, Cascais

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Porto de Santa Maria - o Clássico do Guincho

Guincho, Domingo soalheiro de Verão. Um dos primeiros Domingos livres de afazeres extra-familiares, depois de um considerável esforço que se reflectiu na vida pessoal. Qual a melhor forma de o celebrar? Num impulso, experimentar um dos clássicos da Linha: o Restaurante Porto de Santa Maria.

(imagem do facebook)

O Restaurante
Para quem não conhece, o Porto de Santa Maria é um dos mais antigos e conceituados restaurantes de peixe e marisco do Guincho, frequentado pelas elites económicas e políticas de Lisboa, além de uma abastada comunidade estrangeira com residência semi-permanente no nosso país. Um restaurante situado à beira-mar, com a serra por trás, soalheiro e longe dos olhares indiscretos de Lisboa, perfeito para um almoço semanal de negócios, de acordos políticos, ou um simples almoço de família.

Uma decoração simples e sóbria, com alguns motivos marinhos e locais, complementa a ampla estrutura de madeira deste restaurante, toda ela pintada de branco. A sua localização, estrutura e cor combinadas, dão a este espaço uma luminosidade única, ao mesmo tempo que emanam uma harmonia difícil de explicar num restaurante tão movimentado.

(imagem do facebook)

O atendimento é de um profissionalismo difícil de igualar. Cordialidade, sugestão do melhor peixe do dia, dois dedos de conversa com os clientes, mas, principalmente, o know-how necessário para cortar e empratar impecavelmente um peixe assado.

Não nos equivoquemos, o Porto de Santa Maria não é acessível a todas as bolsas, especialmente em momentos difíceis como estes que o país atravessa. Para quem não faz parte do "público-alvo" deste restaurante, a visita a este espaço a expensas próprias, tem de ser feita num momento pessoal único, para ser aproveitado ao máximo e para que a conta não pese tanto na consciência. Por este motivo, posso apenas relatar uma única refeição. 

A Refeição...

Ameijoas à Bulhão Pato - Sei que já anteriormente descrevi esta entrada (ver relato aqui), mas restaurantes diferentes, posts diferentes. Frescas, grandes, bem cozidas e bem temperadas, com o tacho ainda quente à frente, esta entrada é quase obrigatória. É certo que há muitas outras entradas neste restaurante e até mais sofisticadas na sua confecção e apresentação, mas este prato é um clássico da gastronomia portuguesa. Era impossível não a experimentar e as expectativas não ficaram defraudadas. Adicionalmente, foram bem servidas.

Robalo no Pão - Um dos pratos mais exclusivos da cozinha portuguesa é o peixe assado no sal, normalmente robalo ou dourada. O restaurante Porto de Santa Maria não só tem fama de ter um dos melhores peixes ao sal de Portugal, como também serve um "prato gémeo" difícil de encontrar noutros locais. Este prato é o peixe no pão, que basicamente é um peixe inteiro, completamente coberto de massa de pão, ficando assim com uma espécie de isolamento a assar sobre si mesmo. O tempero do peixe é inexistente, pois ele tempera-se a ele próprio no decorrer da sua confecção e garanto que não fica insosso. Depois de retirada do peixe, a massa de pão serve como acompanhamento, tendo esta um sabor ligeiramente salgado proveniente do robalo. Optou-se por um robalo de proporções consideráveis, com um aspecto fresquíssimo, suficiente não para dois, mas para três. Enfim, uma experiência difícil de igualar.

(imagem do facebook)

Melão - Sim, num restaurante com sobremesas como Pudim Abade Priscos, Toucinho do Céu, ou gelados Santini, numa noite de Verão e após dois pratos muito bem servidos, foi uma fatia de melão que comemos. Sei que o melão serve-se como entrada e não como sobremesa, mas numa noite quente de Verão, após uma refeição farta, um melão fresco, sumarento e doce, terminou de forma brilhante esta refeição.

Vinho - Um bom Alvarinho (colheita 2007) acompanha sempre bem e de forma acessível um prato de peixe, ou de marisco. Fresco e com um sabor ligeiramente áspero como um vinho verde deve ser, tem também a vantagem de ser leve. É, por norma, um vinho muito bom, nunca defraudando as expectativas de quem o experimenta e com a vantagem de ser mais barato que congéneres maduros. Sabendo que a minha companhia não bebe, tive a oportunidade de saborear um vinho de uma excelente casta, de uma excelente colheita e praticamente só para mim. O que poderia pedir mais?

Preço e Considerações Finais
Tendo este jantar sido já há algum tempo, não consigo precisar quanto custou ao certo. Para duas pessoas, esta refeição rondou os 100 € - 120 €. Há restaurantes mais baratos em Portugal? Certamente. Mas também existem restaurantes mais caros, porém, sem a ementa invejável e muito bem confeccionada do Porto de Santa Maria, complementada com uma localização espectacular e um serviço excelente.

data da visita: algures num Verão
preço por pessoa: 50 € - 60 €

Restaurante Porto de Santa Maria
Estrada do Guincho, Cascais
www.portosantamaria.com

domingo, 11 de setembro de 2011

Clube de Vela

"Uma refeição ria adentro..."

Se me é permitido, acrescento que a refeição no Restaurante Clube de Vela, normalmente é excelente.

Este espaço, é certamente um dos melhores e mais agradáveis restaurantes de peixe e marisco do distrito de Aveiro, porém não me recordo de o ver no guia Michelin (ok, já sabemos que tipo de estabelecimentos constam neste famoso guia...), ou noutros guias nacionais. Por exemplo, no guia "Boa Cama, Boa Mesa 2011" do Expresso/Escape, o Clube de Vela teimosamente não aparece... Em parte, a ausência de uma comunicação consistente e coerente sobre o que o Clube de Vela pretende ser enquanto restaurante, pode justificar esta situação. Não adianta ter um restaurante localizado à beira Ria de Aveiro, com uma fachada típica da zona (casas às riscas) e uma decoração tradicional, porém ao mesmo tempo utilizarem-se toalhas de papel. É uma mensagem contraditória que o restaurante transmite e que os críticos profissionais não deixam passar. Outros problemas de comunicação têm de ser resolvidos, tais como, a inexistência de um site em condições, ou um perfil no facebook que serve apenas para jogos online.

(foto daqui)

Feita esta crítica, que eu espero que seja interpretada como construtiva, pois o restaurante é mesmo muito bom, passemos ao que realmente importa: a qualidade das refeições e do serviço prestado.

Atendimento
Uma combinação muito agradável da hospitalidade e bonomia local, com profissionalismo à prova de erros. Já fui a este restaurante em fins-de-semana soalheiros e mesmo com o espaço "à pinha", o serviço foi rápido e eficaz, nunca se tendo verificado qualquer pressa ou esquecimento dos pedidos por parte dos empregados. A natural simpatia dos empregados, vem sempre acompanhada de uma atitude pró-activa em servir bem os clientes, com dicas simples, como "este vinho acompanha melhor este prato", ou o "carapau não nos saiu muito fresco hoje na lota". Atenção que nem sempre o vinho sugerido era o mais caro, ou com maior margem para o restaurante, foi simplesmente saber servir bem. A apresentação dos pratos de peixe é simples, pois os acompanhamentos não requerem grandes cuidados. Uma boa batata cozida (para quem gosta), feijão verde e cenoura, sempre com ar de que foram colhidos há instantes, sendo a sua disposição no prato igualmente simples. Complicar para quê?

Descrevo algumas das refeições servidas no Clube de Vela...

Amêijoas à Bulhão Pato
Ok, neste restaurante eu sou um pouco limitado no que diz respeito às entradas, pois como sempre Amêijoas à Bulhão Pato. Simplesmente adoro esta entrada. Não há muito a dizer, ameijoas brancas sempre frescas, bem confeccionadas e servidas em doses consideráveis. Vale bem a pena o preço que se paga por esta entrada, principalmente se a mesma for partilhada por duas ou mais pessoas.

Peixe Grelhado - Robalo ou Peixe Espada Preto
Os pratos de peixe servidos neste restaurante têm como apanágio servirem sempre peixes grandes e frescos. Os robalos são pescados, não criados em tanques. O peixe espada preto, para quem gosta de postas da barriga, pode estar descansado. Nem todos gostam de comer estas postas mais gordas, mas para quem gosta, aconselho-as vivamente. Outro aspecto importante consiste na inexistência de crostas de escamas carbonizadas, há quem as aprecie, mas eu não, pois sabem apenas a queimado.

Arroz de Marisco/Tamboril - É um arroz a sério. Boa quantidade e variedade de marisco, sempre fresco e no caso das gambas, com um tamanho bastante considerável, não ficando muito atrás dos lagostins disponíveis. O tempero é bom, pois respeita o sabor do marisco, não está cheio de pimenta, ou sal, conforme é moda em alguns estabelecimentos. Uma dose para duas pessoas, dá para três, quase quatro dependendo daquilo que os convivas comerem.O arroz de tamboril não difere muito do de marisco, porém inclui uma ou duas gambas e muito tamboril. O tamboril é fresco, "rijinho", do melhor que pode existir.

Espetada de Gambas/Lulas - são dois pratos diferentes, porém semelhantes. As espetadas são grelhadas no carvão e excelentemente acompanhadas de pimentos, tomates e cebola. As espetadas são por vezes duas em tamanho médio, ou mais normalmente, uma espetada gigante. Acreditem que a visão deste prato é de pura gula...

Enguias Fritas - apenas provei este prato uma vez e não sendo grande apreciador de fritos, aconselho-o para quem gosta de enguias. Ficam tão rijas, que se podem comem à mão, como batatas fritas. Quem aprecia este prato diz que são enguias a sério.

Sardinha Assada - que raio de restaurante tradicional de peixe não tem sardinhas? Aos apreciadores deste peixe (que não é certamente o meu caso), podem ficar descansados, pois o peixe está lá, fresco e gordinho e com aquele cheiro nauseabundo típico. A minha mãe gaba muito as sardinhas deste restaurante.

Linguado Grelhado - não incluí este peixe na descrição anterior, pois tenho uma relação complicada com este espécime. Peixe é normalmente um prato um pouco mais caro, ok. O que não compreendo é o preço absurdo que se paga por um linguado, quando na minha opinião há outros peixes muito melhores (robalo, tamboril, cherne, peixe-espada, pescada e até o carapau!!!!!) e pior, supostamente é comido com molho de manteiga, nós que somos um país de azeite... Faço referência a este prato, pois o meu gosto não é exemplo para os outros e há quem goste e muito deste peixe.

Ovos Moles e Derivados - para sobremesa e para quem não é de Aveiro, não vale a pena inventar. Ovos "bombas calóricas" Moles, Fios de Ovos e Encharcada são talvez os melhores representantes da doçaria regional, sendo que este último nunca provei neste estabelecimento, pois acho o doce em si muito enjoativo. Como é um doce típico da zona, fica a recomendação para quem nunca o provou.

Vinhos - Curiosamente, o Alvarinho foi o vinho que sempre acompanhou as minhas refeições neste restaurante. É uma escolha talvez um pouco limitada, especialmente quando a carta de verdes e brancos (maduros) é relativamente extensa, mas este vinho é bom, fresco e acessível, para além de ser muito refrescante. Relativamente à carta de vinhos, de acordo com o Escape.pt, este restaurante disponibiliza mais de cem referências, por isso a minha sugestão neste aspecto pode ser mesmo muito limitada.

Preço - Das diferentes vezes que fui a este restaurante, apenas por duas ocasiões desembolsei o dinheiro para a "dolorosa", sendo que nessas vezes não bebi vinho, pois ia a conduzir, quem me acompanhava não bebia e os brancos com garrafas pequenas não me convenceram. Assim, o valor das refeições ficou pelos 15-20€. Reforço que não houve vinho, as ameijoas foram divididas e eu não comi sobremesa, o que contribuiu para que o preço por pessoa fosse menor.

Considerações Finais - Como foi descrito, este restaurante tem falhas básicas de comunicação, porém nada que afecte o essencial do que deve ser um bom restaurante. Apenas não lhe permite ter o destaque a que naturalmente teria direito. Talvez não precise, pois num fim-de-semana de sol, é normal estar cheio, o que significa que a fama local é sustentável, pois é assegurada pelo serviço prestado. Óptimo espaço para se ir almoçar com a família num fim-de-semana, ou num dia de semana, quando se está de férias, perfeito para um almoço a dois...

data da visita: várias
preço por pessoa: 15 € - 25 €

Restaurante Clube de Vela
Avenida José Estêvão, Costa Nova
Gafanha da Encarnação

área do restaurante no site do Clube de Vela da Costa Nova: