Mostrar mensagens com a etiqueta cozinha de autor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cozinha de autor. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Can the Can

Num almoço de empresa fui visitar o novíssimo Can The Can.

(imagem daqui)

Extremamente bem localizado, na Ala Nascente do Terreiro do Paço, este restaurante tem o conceito de "comida enlatada gourmet" - ou seja, apresentam pratos gourmet baseados na tradição das conservas portuguesas.

Uma marca muito bem construída à volta do simples conceito de "enlatados", que desenha bem a história do restaurante e que culmina numa decoração original do espaço - dois andares, pé direito muito alto e muitas aplicações de latas por toda a decoração.

Assim que chegámos foi-nos servido o couvert, composto muito simplesmente por azeitonas, pão e azeite com vinagre balsâmico. Sendo um almoço com muita gente, naturalmente teremos causado alguma azáfama ao serviço de sala e de cozinha, mas este até foi rápido tendo em conta a quantidade de pessoas na nossa mesa. Fomos inclusivamente atendidos pelo dono da casa, que foi cortês e atencioso mas, infelizmente, nem sempre simpático, havendo até um episódio de um comentário bastante desnecessário a uma das senhoras à mesa que me vou escusar a detalhar aqui.

Apesar da oferta em conservas, acabei por não resistir em pedir um Hamburguer em Bolo do Caco para a refeição, pois já era tarde e a fome apertava. Para além disso, ao analisar a lista, pareceu-me também uma melhor opção em termos de preço, o que explica o facto de ter sido a escolha de muitos de nós. O hamburguer veio acompanhado de batata frita servida num púcaro (que é engraçado embora já não seja original), e molhos de maionese e de mostarda de frutos vermelhos, que eram muito bons. O bolo do caco era bom (se bem que eu nunca tinha experimentado, portanto não sei comparar com o original), mas o hamburguer, apesar de ser de dimensão adequada, estava demasiado passado, tornando a carne muito seca. Valeu a imperial fresquinha que acompanhou a refeição. Sem apetite para mais, terminei com uma simples bica.

Parecendo um almoço extremamente simples, e, apesar de sermos muitos e de haver um ou outro que decidiu beber um copo de vinho (garanto que não foi a opção da maioria da mesa, que se decidiu por refrigerantes ou imperiais), e sendo que ninguém pediu sobremesa, o preço de 17,50€ por pessoa é - como dizer? - absurdo. Ainda se a qualidade da refeição o justificasse, mas, infelizmente, nem é esse o caso.

Enfim, uma experiência vale sempre por si só, mas fiquei com a certeza que o Can The Can não passa de um restaurante para turistas, aqueles que os locais normalmente recomendam evitar por serem extremamente caros. Aliás, se dúvidas houvesse que este restaurante foi concebido só para turistas, basta visitar o site, que apresenta primeiro a língua inglesa e só depois a portuguesa. Não que haja algum mal em conceber um spot exclusivamente turístico, mas o restaurante continua a ser em Lisboa e deve tentar encontrar um equilíbrio entre esse objectivo e o enquadramento local - não se pode desvalorizar a opinião local, até porque cá por Portugal também já temos internet e até utilizamos muito sites como o TripAdvisor.

Uma nota final para a agenda musical que o restaurante tem, com noites de fado, que poderão fazer a visita valer a pena.

data da visita: 05.abril.2013
preço por pessoa: 17,50 €

Can the Can Lisboa
Terreiro do Paço, 82/83, Lisboa
http://canthecanlisboa.com/

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Avenue by Porsche Design

Felizmente tenho tido a sorte de ter alguns almoços empresariais que me têm proporcionado visitar restaurantes diferentes e alargar as minhas experiências a este nível. Desta vez, fomos até ao Avenue, um restaurante muito recente que abriu na Avenida da Liberdade, mas que recebeu um comentário promissor por parte da Time Out Lisboa. 

(imagem daqui)

O restaurante está num 1º andar, tem uma decoração sóbria e elegante, sobre o preto. À chegada, um ligeiro impacto pela ausência de outros clientes no restaurante - para além da nossa mesa, havia apenas mais duas, o que dá sempre um mau pressentimento. Porém, tivemos a sorte de ficar na sala privada, o que beneficiou em muito esta experiência. O serviço foi rápido e atencioso a todos os níveis, sem se tornar intrusivo.

Para o almoço o Avenue oferece um menu executivo que inclui entrada, prato, sobremesa e bebida, escolhidos de uma pequena carta com 3 ou 4 opções para cada um destes itens. 

Para entrada (e porque não resisto a um bom ovo), escolhi o ovo escalfado com lascas de presunto e molho holandês. O ovo estava no ponto perfeito, nem demasiado cozinhado nem demasiado cru, e o molho também ficou muito bem neste prato. 

Para prato principal, decidi-me pelo lombinho de pescada sobre açorda de ovas e espargos, para o qual só tenho uma palavra - divinal. O peixe estava suculento, e a açorda com um óptimo equilíbrio de sabores que evitaram a sensação de enfartamento que esta iguaria costuma causar. 

Para finalizar, optei pelo gelado de bolacha com espuma de leite condensado e crumble. Em toda a refeição, a sobremesa foi a única peça do puzzle que não se destacou. Não sendo má (não era), não foi surpreendente, ao contrário dos outros dois pratos. O gelado era um bocadinho enjoativo e a espuma de leite condensado não ajudou. O crumble, por sua vez, revelou ser a salvação, pois estava extremamente crocante e saboroso. 

Recomendo vivamente esta experiência, especialmente aproveitando este menu de almoço, cujo preço é bastante vantajoso tendo em conta a oferta variada, o facto de ser um menu completo e, last but not least, a excelente qualidade da confecção, que nos oferece uma refeição de topo e que poderá alegrar o dia de trabalho!

data da visita: 20.fevereiro.2013
preço por pessoa: 19,50 €

Avenue by Porsche Design
Av. Liberdade, 129-B, Lisboa
http://www.avenue.pt/

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Castas e Pratos | Peso da Régua

Em andanças pelo interior do nosso Portugal, tive a oportunidade de conhecer alguns restaurantes cujas experiências tinham de ser partilhadas no "do chefe ao chef". São várias as razões para partilhar estas experiências, desde o momento vivido num fantástico restaurante de beira da estrada, até ao mais sofisticado espaço que poderia encontrar. Porém, há dois factores que quando somados constituem um denominador comum a estas experiências, a saber, o seu espaço único e a qualidade da sua comida. 

 
(ver imagem aqui)

A primeira experiência a ser aqui partilhada foi vivida no "Castas e Pratos", um restaurante situado em Peso da Régua e que, merecidamente, está presente em todos os guias gastronómicos de relevo, incluindo o último "Boa Cama, Boa Mesa 2013". Este restaurante destaca-se logo pelo seu espaço, resultado de um excelente aproveitamento e restauro de um antigo barracão da estação de comboios local. Decoração sofisticada e intimista, existe logo à entrada com um wine-bar, composto por uma mesa grande de (pareceu-me...) carvalho e com as suas paredes a revelarem uma garrafeira fantástica, não estivéssemos nós em pleno Douro Vinhateiro.

(ver imagem aqui)

Tendo tido a oportunidade de acompanhar uma comensal (a.) que aprecia o requinte da boa culinária, posso afirmar que a refeição foi quase perfeita. Um ou outro pormenor menos bem conseguido, descritos adiante, mas nada que pusesse em causa a qualidade superior dos pratos aqui confeccionados. Relativamente à nossa refeição, saltámos as entradas e, directamente, nos pratos principais a. experimentou um Salmão Gratinado com Queijo Chèvre e Espinafres em Azeite e Alho. A posta era de proporções consideráveis, porém, demasiado passada para o gosto de a. Já noutra experiência que partilhei, foi referida a questão do peixe vir bem ou mal passado, sendo que então o peixe estava mal passado. Volto a colocar a questão, se para algumas carnes nos questionam se a queremos bem ou mal passada, há alguma razão para a mesma questão não ser colocada em relação aos peixes? Enfim, voltando à refeição, os espinafres poderiam ter um sabor mais intenso, sendo que, talvez isto tenha sido propositado, de modo a combinar o seu sabor com o da rodela de chèvre que derretia ao longo do prato. Por fim, os olhos também comem e a apresentação deste prato estava muito boa.

O prato que eu provei foi um Medalhão de Bacalhau com Esmagado de Batata, Couve-Galega e Broa. O medalhão tinha uma boa proporção e era de uma qualidade excelente, com as lascas a separarem-se com um ligeiro toque do talher. O tempero estava excelente e a confecção muito boa, porém, se o bacalhau  estivesse um pouco menos seco estaria mais ao meu gosto. O sabor do azeite absorvido na broa e a couve-galega eram dignos de um parágrafo à parte, mas tenho a certeza que a paciência para o ler não seria muita.

Relativamente à sobremesa, talvez este seja o aspecto a trabalhar melhor no restaurante. A Maçã Caramelizada com Gelado de Leite Condensado e Crocante Folhado que a. experimentou não cumpriu, de todo, as expectativas geradas. O crocante e o folhado estavam demasiado compactos e maçudos para assim serem chamados, enquanto a maçã estava demasiado doce, faltando-lhe a sua a acidez característica. A minha Delícia de Ovos Moles com Gelado de Vinagre Balsâmico tinha como principal motivo de interesse o gelado, mas se este era de vinagre balsâmico, admito que não me apercebi. Parecia-me apenas um (bom) gelado de nata ligeiramente ácido. Já o doce de ovos era excelente, aquele sabor excessivamente doce que misteriosamente não se torna enjoativo, porém, o que estava lá a fazer um marshmallow?

A acompanhar esta refeição, cada um bebeu um vinho (a copo), com a. a experimentar um suave e frutado Flor das Tecedeiras (2010), enquanto que eu experimentei um intenso Quinta da Deserta (2010). Não conhecíamos qualquer um destes excelentes vinhos, que dificilmente encontramos em Lisboa. Enfim, há coisas que só se encontram mesmo nas suas regiões de origem, sendo o vinho uma delas. Garanto que não é apenas pelas belas paisagens que vale a pena vir à região vinhateira do Douro...

Por fim, uma breve nota para o serviço, cujo atendimento foi profissional e discreto, bem como, para o valor desta refeição, que se ficou sensivelmente pelos 69 euros. Por uma refeição composta por dois pratos principais, duas sobremesas e bebidas, quase todos num nível entre o bom e o muito bom, a relação qualidade-preço parece-me claramente satisfatória.

data da visita: 19.março.2013
preço por pessoa: 35 €

Restaurante Castas e Pratos
Rua José Vasques Osório
  Peso da Régua

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Largo

Uns dias antes do Natal não resistimos em gastar o último dos nossos cartões 2por1 da Time Out e fomos até ao restaurante Largo.

(imagem do site)

O Largo fica ao lado do Teatro São Carlos, num espaço antigo, onde antigamente se situavam os antigos claustros do Convento da Igreja dos Mártires. Mais do que um excelente trabalho de restauração, todo o espaço foi convertido num restaurante amplo e moderno, cuja decoração é sóbria e com muito bom gosto. Numa das paredes existe um aquário com medusas, iluminado a LED colorido, que traz um excelente pormenor à decoração. É um restaurante em que se conjuga o design com aspectos da construção original  como as clássicas abóbadas de pedra.

(imagem do site)

Ao analisar a carta percebe-se que o Largo é um restaurante que, apesar do seu posicionamento de preços elevados, permite uma opção mais "económica" através da escolha de um menu de entrada e prato principal, escolhidos entre os vários disponíveis. Ao invés dos típicos menus de degustação, que normalmente não admitem escolhas ou trocas de pratos, ou dos menus "à escolha do chef", que são surpresa, este tipo de menus é bastante mais simples, mas, ao mesmo tempo, mais adequado à realidade da restauração portuguesa.

Claro que tanta flexibilidade resultou numa maior demora para decidirmos sobre o que queríamos jantar, mas aqui notou-se logo a boa qualidade do serviço, pela simpatia e profissionalismo demonstrados pelos empregados junto de uma mesa indecisa.

Assim, depois de muito pensar, g. escolheu como entrada Trio de Peixes, composto por Robalo, Salmão Curado e Tártaro de Carapau. Esta entrada de influência oriental é fresca e é uma óptima forma de iniciar uma refeição, uma vez que os três peixes são servidos crus, o que é uma surpresa muito agradável, em especial, o tártaro de carapau (que normalmente não é servido cru)d. e j., foram incapazes de resistir às Trouxas de Chêvre com Tomate, Mel e Alfaces, o que foi uma excelente decisão. As trouxas, feitas com uma massa muito fina e estaladiça, estavam tentadoras e a já conhecida ligação entre o queijo chévre com tomate e mel como seria de esperar, equilibrada e deliciosa. Infelizmente, nem tudo foi excelente no capítulo das entradas e o muito ansiado Soufflé de Lavagante e Espargos Verdes com Bisque, escolhido por f. revelou-se uma desilusão. Um soufflé é um desafio para qualquer cozinheiro, pois, com os melhores ingredientes ou com as sobras do dia anterior, é possível fazer um grande prato ou uma grande papa. Neste caso, o sabor era bom, porém a consistência não foi a melhor, uma vez que o interior do soufflé parecia, demasiado, uma sopa.

Nos pratos principais, j. experimentou um Bife do Lombo Charolês com molho Queijo de Azeitão sobre Espinafres. Só o nome já nos deixa com água na boca. A carne estava tenra e bem temperada, ainda um pouco mais mal passada que o pedido. O molho era forte (é só mesmo para quem gosta muito de queijo, que é o caso de j.), mas não se sobrepunha ao sabor da carne, sendo, talvez, este o aspecto que mais beneficiou o prato. Os espinafres, simples, salteados, desenjoavam, sendo um acompanhamento adequado.
d. escolheu um Cachaço do Porco Ibérico com Migas de Batata-Doce e Espinafre, tendo algumas dúvidas sobre se gostava desta peça de carne. Porém, as migas de batata-doce e espinafre é que a levaram a decidir por este prato. Estava muito bem confeccionado, a carne estava muito tenra e as migas com os sabores da batata-doce e do espinafre muito bem equilibrados. O problema desta peça de carne está na sua gordura, o que leva d. a pensar duas vezes sobre se voltava a repetir o prato.
O Risotto de Sapateira com Camarão Salteado foi a escolha de g. que surpreendeu pelo positiva. Por norma g. não pede Risottos por os considerar enjoativo e demasiado fortes, mas este prato, apesar de o intenso sabor a marisco, estava muito equilibrado não sendo difícil terminar o prato. O Camarão salteado estava no ponto certo, sendo o acompanhamento ideal para este risotto.
f. resolveu optar por experimentalismos e escolheu um prato de carne de Veado, pois nunca tinha provado. A carne estava mal passada como f. gosta, muito bem temperada e o seu sabor assemelhava-se à de vaca, porém a sua consistência era totalmente diferente e perceptível à vista. Não era certamente o pedaço de carne mais tenro que havia na mesa, mas era consistente e muito bom, algo a repetir para tirar quaisquer dúvidas que ainda existam.

A carta de sobremesas, apesar de mais curta, também não permitiu uma escolha simples... à excepção de f., que escolheu o seu adorado Pudim Abade Priscos, feito da maneira correcta, ou seja, com banha de porco. Esta sobremesa não é consensual, porém f. considera-a, simplesmente, divinal e, neste caso, o pudim estava melhor do que alguns que provou no Minho (de onde este doce é proveniente). Para terminar a sua refeição, e conhecendo o seu gosto por chocolate, g. não teve dificuldade em optar pela Mousse de Chocolate a Zero Graus, com Creme de Avelã. Esta sobremesa, tal como o nome indica, é uma mousse de chocolate, suave e deliciosa servida a uma temperatura muito baixa (mas não é um gelado), com um muito saboroso creme de avelã, criando a combinação perfeita para fechar a refeição. d. e j. optaram pelo Gratinado de Maçã e Creme de Baunilha, uma sobremesa "simples mas eficaz", com um bom equilíbrio entre o estaladiço crumble de maçã e a textura suave do creme, que, apesar de não surpreender, encerrou bem a refeição. 

Para acompanhar, escolhemos o vinho da casa a copo, um tinto do lote Miguel Castro e Silva (chef do restaurante). Bom e intenso, sem ser agressivo. A carta de vinhos pareceu-nos um tanto ou quanto curta... Uma nota negativa, mais uma vez, para a questão da água. O Largo é mais um dos restaurantes que optou por vender água da torneira filtrada, em garrafas de marca Largo, sem oferecer a opção de escolha entre esta água e a água mineral engarrafada. Enfim, é uma estratégia comercial, mas 6,80 € por duas garrafas de água é abusivo e uma opção que nos custa a compreender. Definitivamente, temos que passar a perguntar qual o tipo de água que nos vão servir, porque já começámos a perceber que se não o fizermos, ninguém nos vai dizer...

Para terminar, a experiência foi muito positiva, sendo o Largo um restaurante que marcamos como uma sugestão para quem procura uma refeição num ambiente de classe, com um bom serviço e muito boa comida.

data da visita: 21.dez.2012
preço por pessoa: 23,70 € (com o desconto dois por um)
preço por pessoa: 42,70 € (sem o desconto dois por um)

Restaurante Largo
Rua Serpa Pinto, 10, Lisboa

domingo, 13 de janeiro de 2013

Arola

Um dos restaurantes que mais tínhamos curiosidade em experimentar fez-nos deixar o "eixo Príncipe Real-Rato-Marquês de Pombal" e rumar a Sintra, mais precisamente ao Penha Longa Hotel & Golf Resort. Neste cenário fantástico, na misteriosa serra de Sintra, localiza-se o restaurante Arola. 

(imagem do site)

Haverá melhor cenário para o "jantar de despedida" de um dos nossos bloggers que decidiu aventurar-se por novas paragens? Talvez... se em vez de jantar tivesse sido almoço, ou se estivéssemos no Verão e fosse dia até mais tarde, de certeza aproveitaríamos muito melhor a paisagem.

Para quem não sabe, o restaurante Arola é dirigido pelo prestigiado chef catalão Sergi Arola, conhecido por ser um dos discípulos favoritos de Ferran Adriá (de acordo com o próprio Ferran Adriá) e pelas suas duas estrelas Michelin (alcançadas no seu restaurante em Madrid). Sergi Arola possui 5 restaurantes, sendo o Arola o seu primeiro restaurante fora de Espanha.

Introduções à parte, lá fomos nós cheios de expectativas. 

Chegar ao resort é fácil, mas encontrar o restaurante não é. Após passarmos a entrada, não existem indicações claras... ou pelo menos nós não vimos. Depois de andarmos ligeiramente perdidos, no meio do verde e do escuro, optámos por nos dirigir à recepção do hotel. Felizmente, o restaurante não é longe, situando-se num edifício anexo ao principal... deixámos o carro e fizemos o resto do percurso a pé, aguentando o clima característico da serra de Sintra. 

(imagem do site - o Arola localiza-se no edifício que está no centro da imagem, em baixo)

A decoração do restaurante correspondeu as nossas expectativas oferecendo um ambiente calmo, muito elegante e ao mesmo tempo descontraído, que respira glamour e bem estar. A cor predominante é o branco, com uns apontamentos de luz colorida. Destacam-se a enorme e reconhecida garrafeira e a bonita vista para o campo de golfe e para a serra de Sintra. Tudo convida a uma refeição sem pressas, ao convívio e à partilha (a partilha era o conceito inicial deste restaurante, mas, de acordo com  Sergi Arola numa entrevista à Time Out, o mesmo não tem sido bem percebido pelo público português). No que a nós diz respeito, viva a partilha... de experiências e de comida.

(imagem daqui)

Optámos, mais uma vez, pelo menu de degustação, escolhendo o Arola Classic (que, no mínimo, tem de ser escolhido por duas pessoas). Sendo o restaurante dirigido por um chef espanhol, o menu apresenta, como seria de esperar, claras influências dos nuestros hermanos, quer na forma de cozinhar os alimentos, quer nos ingredientes. 

Antes de entrarmos na refeição, um apontamento para os entretens de boca... foram servidos na mesa um cesto com pão torrado, tomates-cereja e alhos (inteiros) e uma garrafa de azeite. A ideia é esfregar o alho  no pão, colocar o tomate (de preferência cortado) por cima, temperar com um pouco de sal e pimenta e regar com azeite. A ideia é boa, até fantástica... para fazer em casa - se calhar somos um pouco esquisitos, é verdade, mas ficar com o cheiro de alho nas mãos não nos pareceu uma boa opção.

O menu de degustação começou com quatro entradas para partilhar...

Beringela assada na brasa, temperada com azeite, redução de vinagre balsâmico e pinhões.
Entre nós, f. foi o único que gostou desta entrada, pelo seu contraste de sabores... para os restantes, tanto o sabor como a textura eram estranhos e pouco agradáveis.

Lascas de porco ibérico com maçã, pistácios e queijo parmesão.
Uma leve e fresca combinação de sabores fez com que esta entrada fosse, por nós, eleita como a melhor das quatro. Quem é fã de enchidos sabe que há poucas coisas melhores que porco preto ibérico e estas fatias confirmaram-no. A maçã deu a doçura ao prato, o parmesão o tempero e os pistácios a textura.

Batatas bravas, com molho de tomate picante e aioli.
As batatas bravas são um dos pratos tradicionalmente servidos como tapas. Para explicar, as batatas bravas são normalmente batatas fritas envoltas num molho de azeite, malagueta,  pimentão doce e vinagre, sendo, por vezes, acompanhadas por um aioli de azeite e alho (não verificámos a receita "mais tradicional", mas é mais ou menos isto). São "bravas" por serem picantes. Nesta entrada, o picante não era muito, o que tornou os sabores bastante mais equilibrados e adaptados aos nossos paladares, tornando a típica tapa espanhola bastante mais apetecível.

Calamares com aioli.
Esta entrada também não foi do agrado de todos, pois o sabor "a frito" sobrepôs-se, por vezes, a tudo o resto. Em alguns pedaços, os calamares estavam cortados demasiado finos, pelo que o seu sabor era praticamente anulado pelo sabor da "massa frita". Pelo lado positivo, nos melhores pedaços, sentia-se o sabor pretendido, com uma textura estaladiça irresistível. O molho talvez pudesse ser um pouco mais forte.

Os pratos principais foram dois, igualmente saborosos, mas pouco memoráveis.

Fideuà com bacalhau salteado e coentros frescos.
O fideuà é uma variação da famosa paella espanhola. As principais diferenças são a substituição do arroz por massa e a utilização exclusiva de peixe e marisco como ingredientes. O prato tinha um excelente textura e tempero, mas não surpreende, porque não deixa de ser uma "massada de marisco" (ainda que muito bem confeccionada). Para quem já provou este prato em Espanha, em qualquer café de esquina, a comparação é inevitável e o prato do Arola não se distingue assim tanto. Destaca-se o bacalhau (fresco) que estava no ponto.

Entrecôte de vitela, com "bombetas" de tomate cherry e texturas de milho.
A carne estava tenra e saborosa e as texturas de milho (puré e pequenas tiras fritas) trazem alguma graça ao prato. Porém, à semelhança do prato anterior, apesar de extremamente bem confeccionado, não surpreendeu.

Para terminar foi servida uma copa catalana com creme de bolacha e sorbet de laranja, esta sim, merecedora de um grande elogio. Esta mistura que, à partida, pode parecer inusitada ou até enjoativa, revelou-se inesperada, sendo uma sobremesa doce e refrescante ao mesmo tempo. Sem dúvida, final perfeito para o jantar.

Como já referimos, a garrafeira do Arola é extensa, reconhecida e (muito) cara... talvez por isso seja apresentada às mesas num iPad. A ideia é gira, mas a escolha do vinho acaba por se tornar mais demorada uma vez que todos os vinhos contêm uma pequena descrição que se acaba por ler. Optámos por um Marquês de Borba (branco) de 2011. Era fresco, mas nada mais do que isso, não sendo uma boa relação qualidade-preço.

Quanto ao atendimento, nada de extraordinário a referir... sem nenhuma falha a assinalar e sempre com o nível de atenção e simpatia que se espera de um restaurante como o Arola. O serviço teria suplantado as expectativas, caso nos tivessem sugerido um vinho para acompanhar o menu de degustação, especialmente tendo em consideração a extensa carta de vinhos (mas é verdade que nós também não perguntámos).

O Arola merece a visita por toda paisagem idílica envolvente e por todo o ambiente do próprio espaço. A comida é boa, muito bem confeccionada, mas não surpreendente. Mais uma vez, no que à comida diz respeito, as expectativas foram superiores à realidade, mas nada de grave.
Recomendamos a ida durante o dia, com luz natural, para que possam tirar todo o partido do cenário da serra (provavelmente voltaremos nesta condição) e relembramos que deverão reservar o devido espaço para a sobremesa.

data da visita: 01.setembro.2012
preço por pessoa: 29 € (com o desconto dois por um)

Restaurante Arola
Penha Longa Hotel Spa & Golf Resort
Estrada da Lagoa Azul, Sintra

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Assinatura

Em jeito de inconfidência, entre nós, no do chefe ao chef, costumamos dizer que existe em Lisboa um eixo gastronómico principal. É o chamado "eixo Príncipe Real – Rato – Marquês de Pombal", pois, nas imediações deste trajecto, situam-se alguns dos melhores restaurantes de Lisboa. 

(imagem do site)

O Assinatura tem fama de ser um dos melhores restaurantes da cidade e coincidência das coincidências, está localizado bem no centro deste percurso. Assim sendo, não nos restava outra hipótese senão ir conhecer o restaurante do Chef Henrique Mouro e verificar se este espaço e gastronomia se enquadravam na qualidade de alguns dos outros restaurantes desta zona da cidade.

Enquanto espaço, o Assinatura é sóbrio e elegante. As cores predominantes são o vermelho e o branco, as mesas são grandes e as cadeiras confortáveis. Ao fundo da sala, uma enorme fotografia de importantes símbolos lisboetas domina o ambiente e do tecto pende um enorme lustre. O ambiente é agradável, ainda que um pouco vazio… as paredes são desprovidas de qualquer decoração, e não existem outros apontamentos decorativos além dos já referidos. Talvez queiram que as pessoas se concentrem unicamente na comida, sem distracções.

(imagem do site)

Em contraste, ou não, o serviço foi atencioso, profissional e sem falhas, sendo a equipa composta por empregados jovens e descontraídos, que nos explicaram “entre dois dedos de conversa” todos os pratos que nos foram servidos, o que, neste caso, assumiu uma importância maior devido ao menu que escolhemos. Sem dúvida que se o serviço fosse mais formal, dado o tipo de restaurante que o Assinatura é, nos iriamos sentir muito menos à vontade.

Quando nos sentámos, reparámos que num dos cantos da sala, por cima da escada que desce para o piso de baixo, existe uma mesa no tecto (presa no tecto, de pernas para o ar), reflectida num espelho. Este pormenor, diferente e original, contrasta com a sobriedade do resto do espaço. Seria esta mais uma pista para o conceito do restaurante? Tradicional, mas diferente?

Uma nota para a sala do piso inferior… tem apenas uma mesa, para 15 pessoas, com vista directa para a cozinha aberta, onde é possível ter um contacto mais directo com os Chefs e observar o trabalho de backstage.

Optámos, como quase sempre, pelo menu de degustação, na sua versão de 5 pratos. Ficamos nas mãos do Chef, uma vez que, neste menu, os pratos são "surpresa" até chegarem à mesa (é apenas garantido que não há limitações ou intolerâncias alimentares por parte de alguém – no nosso caso existe uma, pelo que um dos pratos foi “à medida”). Como o menu não está descrito em nenhum local, não nos é fácil recordar todos os pormenores, mas vamos tentar…

Em primeiro lugar, um amuse bouche diferente: flor de courgette frita recheada com caviar de beringela e bacalhau desfiado, num creme de tomate. À partida pensámos que seria uma mistura difícil de combinar, mas a verdade é que os sabores ligavam-se perfeitamente. Começamos então com uma terrina de raia alhada, muito macia e com um molho fantástico.

Nos pratos principais, foi-nos servido polvo em vinho tinto, sardinha em xerém de bivalves e plumas de porco preto com feijoada de caracóis e puré de feijão (o feijão foi substituído por puré de grão num dos pratos, a nosso pedido). Todos os pratos eram saborosos, deixando a vontade de comer mais e mais. Talvez devessem repensar a questão da sardinha devido às espinhas. Sim, todos sabemos que a sardinha é um peixe mais que tradicional, português e que tem espinhas que se comem, mas num prato destes, não foi do nosso agrado.

A sobremesa era uma combinação de alperce, em leite-creme e em gelado, com um estaladiço de caramelo. Foi uma boa forma de terminar a refeição. O equilíbrio entre a acidez do alperce nas suas várias texturas e o doce dos restantes ingredientes estava perfeito.

O vinho que acompanhou a refeição foi o Conde D’Ervideira Branco, Reserva, 2011. Um alentejano branco fresco e suave.

No geral, o nosso sentimento sobre a refeição foi semelhante ao que sentimos sobre o espaço. Pratos sóbrios e elegantes na apresentação, mas demasiado seguros e conservadores. A verdade é: o que importa no Assinatura é a qualidade dos ingredientes e a complementaridade dos seus diferentes sabores. O objectivo é manter e realçar o sabor natural dos produtos (de acordo com o site). Estes pontos são indiscutíveis. A qualidade é evidente, os sabores são verdadeiros, a confecção é perfeita e a apresentação é cuidada ao pormenor.

As questões que se põem são:
Quantas pessoas estão dispostas a pagar um preço elevado por uma experiência gastronómica que, apesar de ter uma qualidade superior, é segura e não nos transporta para fora da nossa zona de conforto?
Quantas pessoas estão dispostas a pagar o mesmo preço elevado para repetir uma experiência gastronómica, que sendo consistente, é pouco surpreendente?

Enfim, não sabemos, mas sabemos neste contexto em que vivemos é difícil pagar 50 € / 60 € (por pessoa) por um jantar.

Recordamos que nas experiências gastronómicas é tudo muito subjectivo, o que algumas pessoas podem amar, outras podem odiar. Neste caso, amámos, mas estávamos à espera de algo diferente… não necessariamente melhor, mas, definitivamente, mais memorável.

Numa perfeita contradição de sentimentos, recomendamos o Assinatura, mas provavelmente não voltaremos.

data da visita: 26.julho.2012
preço por pessoa: 34,90 € (com o desconto dois por um)
preço por pessoa: 62,40 € (sem o desconto dois por um)

Restaurante Assinatura
Rua do Vale Pereiro, nº 19 
(na esquina com a Rua Alexandre Herculano)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pedro e o Lobo

Em mais um jantar do chefe ao chef comigo, f., j. e d. reunidos para um belo serão de amena cavaqueira desfrutando de um bom jantar escolhemos um restaurante que todos queríamos visitar: Pedro e o Lobo.

(imagem do site)

Eu gosto do nome do restaurante (até porque gosto da sinfonia do Sr. Prokofiev) e só por isso já o queria experimentar.

Fui o primeiro a chegar e fui logo abordado por uma empregada (responsável de sala?) que me perguntou se eu tinha reserva e se poderia guardar o meu casaco. Como cheguei primeiro fui convidado a esperar no bar acompanhado por uma bebida. Até aqui tudo bem e como eu acho que deve ser. Quando os restantes bloggers chegaram fomos acompanhados à mesa, do outro lado da sala do restaurante, para iniciarmos a nossa experiência. A decoração revela muito bom gosto, sendo simples e sofisticada (mais um ponto a favor).

Depois de uma olhadela à carta, optámos pelo menu de degustação, o que já vem sendo hábito para os nossos encontros. O menu começou bastante bem, com um amuse bouche que cumpriu o seu objectivo: entreteve a boca. Esta entrada foi leve, fresca e fácil de gostar.

De seguida um prato original, que nos surpreendeu quer pela mistura quer pela forma como foi confeccionado e apresentado: ovo verde, alho francês e pipoca de salsa, uma ideia original e muito bem concretizada (gostámos da utilização das pipocas).

Após o primeiro prato foi servida uma Terrina de Porco, com maionese de aipo, confit de rábano e maçã osmotizada. Este prato foi, provavelmente, o melhor dos pratos principais.

O prato seguinte foi um Pargo de Linha, concentrado dos seus sucos, mandioca, tapioca e funcho do mar, o que se concretizou numa grande mistura e gerou um conjunto de caras a espelhar um “o que é isto?”. Reconhecemos que mandioca é um alimento difícil de preparar, pois, apesar de muito nutritivo, não tem um grande sabor,  mas, na nossa opinião, esta mistura é um pouco estranha e poderia ser trabalhada.

Por último foi servido Rabo de Boi Meloso com salsifi glaceado e rúcula, que tal como o nome indica estava bastante meloso, tornando-se um pouco enjoativo e pesado.

Para terminar, foi servida uma pré-sobremesa e o momento alto da noite: a sobremesa! Para quem não é muito guloso está feito! Mas para quem é (como eu), fica muito contente: mousse e sablé de chocolate, caramelo e doce de leite!

(ver foto aqui)

A mousse de chocolate é espessa e forte, mas não enjoa porque a quantidade não o permite. No ponto! 

O jantar foi acompanhado por um Cartuxa 2009, tinto, a copo, cerveja, um cocktail (Lovely Jubbely) e água.

Ficam duas notas:
O serviço é cinco estrelas com empregados simpáticos e atenciosos, no entanto, o tempo de espera entre os pratos foi excessivo, ao ponto de um dos empregados pedir desculpa pelo tempo que o prato estava a demorar.
Na generalidade os pratos são bons, mas não foram fantásticos, sendo que alguns deles são mesmo estranhos, quer pelo sabor quer pela consistência da comida.

Ou a nossa expectativa era muito alta, ou o menu de degustação não esteve à altura. É diversificado, tal como deve ser, mas nenhum prato ficou na memória como sendo fantástico e como sendo um must do em Lisboa, e, sinceramente, eu pensava que iria encontrar um prato que me iria arrematar! É de louvar a novidade e a diversidade oferecida, mas “faltou-lhe um bocadinho assim”…

De qualquer forma, a experiência tem um saldo positivo, e congratulamos o Pedro e o Lobo pela sua existência e pela experiência que oferece a quem o visita.

data da visita: 04.maio.2012
preço por pessoa: 29,84 € (com o dois por um)
preço por pessoa: 52,49 € (sem o dois por um)

Pedro e o Lobo
Rua do Salitre, 169, Lisboa

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Al Mahara, Hotel Burj Al Arab | Dubai

No do chefe ao chef temos partilhado as nossas experiências pelos restaurantes deste país, e essencialmente de Lisboa por razões geográficas, porém nada nos inibe de publicarmos as nossas experiências no estrangeiro. Cada um dos bloggers do do chefe ao chef já teve a oportunidade de ter experiências gastronómicas muito interessantes no estrangeiro, até ao momento não as partilhámos por dois motivos: mero acaso e mero acaso. Há bons restaurantes no estrangeiro? Claro que sim. Há algum motivo para não as publicarmos? Até ao momento não. Sabemos que para quem nos segue, provavelmente é mais difícil ir a um restaurante no Brasil, Índia, ou até Espanha, do que em Lisboa, ou no Alentejo, mas o que vale para nós é a partilha de uma experiência (boa ou má). Além de que o conhecimento não tem limites...

Posto isto, ironicamente, a primeira experiência beyond borders que partilhamos não foi vivida por nenhum de nós. Um casal amigo foi ao Dubai e assim que regressaram e nos contaram a experiência única que viveram num restaurante excepcionalmente diferente, escreveram, a nosso pedido, o texto que segue.

Desde já, o do chefe ao chef agradece à p. e ao l. a disponibilidade, interesse e qualidade deste post.

"Sendo o Dubai um destino só por si, significando luxo, exuberância, e riqueza, não poderíamos deixar de visitar o único hotel de 7 estrelas no mundo no qual se encontra o tão peculiar restaurante “subaquático”, Al Mahara. 


O lobby do hotel, deixava já antever a magnífica experiência que poderíamos vir a ter. Tudo o que se fala deste hotel, acreditem, não é exagero!

Subimos ao primeiro andar e na recepção do restaurante, demos o número da nossa reserva (indispensável para entrada no perímetro do hotel), e fomos encaminhados para um elevador, descendo como se estivemos a entrar num submarino.


Fomos conduzidos para a sala de jantar, por um túnel, sendo a primeira impressão soberba. Uma sala de jantar com poucas mesas, bastante espaçosa, e um aquário gigante no meio.


Ficámos numa mesa excelente, mesmo junto ao aquário, como num verdadeiro ambiente submarino. Nos primeiros minutos limitámo-nos a disfrutar daquele ambiente único e fascinante, e só depois nos concentramos na refeição.

A nossa reserva foi feita com menu (entrada, prato principal e sobremesa) já definido pelo restaurante, pelo que nos foi apresentada a seguinte carta: 

Entradas
Yellow Fin Tuna Mosaic, Pomegranate Cous Cous, Mango and Snow Peas
Or
Foie Gras Celeriac Terrine, Granny Smith Apple, “Pain Perdu”
 

Pratos Principais
Seared Australian Lamb Loin, Sauce Neapolitan, Quinoa Roulade, Ratatouille tart
Or
Atlantic Wild Turbot, Snow Pea Purée, Porcini Chutney Pinot Noir Tarragon Sauce
 

Sobremesas
Tropical Fruits, Served with a Choice of Ice Cream or Sorbet
Or
Burj Al Arab Chocolate Sphere
 

Claro que tínhamos de experimentar tudo, por isso escolhemos, cada um, um prato diferente.

Pedimos um cocktail com champanhe, vodka e framboesas, ao mesmo tempo que saboreávamos uma variedade de pães únicos, como pão de tomate, e um género de croissant em forma de brioche, com queijo creme e manteigas várias.

Mansur Memarian, premiado com a almejada estrela Michelin, o chef du cuisine, não defraudou nenhuma das nossas expectativas, antes pelo contrário. Deixou-nos de “boca aberta” com a espectacular mistura de sabores, fabulosa qualidade dos alimentos e a maravilhosa apresentação. 

Antes da refeição o chef presenteou-nos com um prato muito especial, que nos abriu e muito o apetite para o jantar. Um cocktail de camarão, com vieiras em molho de limão, e um lombinho de perca com maçã aos cubinhos, muito bem confeccionado, e apetitoso.


Mosaico de atum, com cous cous, rebentos de ervilha e molho de manga. O contraste do molho de manga com o cous cous era agradável, o atum de excelente qualidade com um sabor soberbo.


Terrina de foie gras, com maçã e “pain perdu”. Dada a diversidade de sabores, esta entrada foi surpreendente e bastante agradável. 

Pregado do Atlântico, com puré de ervilhas, chutney de cogumelos e molho pinot noir e estragão. Peixe de excelente qualidade e cozinhado na perfeição, muito bem regado pelas misturas de paladares dos acompanhamentos.


Lombo de cordeiro australiano grelhado, molho napolitano, quinoa e ratatouille. De salientar a excelente qualidade da carne, muitíssimo tenra e de óptima qualidade. Apesar do pouco tempero, quando embebida no molho, o lombo ficava com um sabor perfeito, e bastante apurado ao conjugar com o ratatouille.


Frutos tropicais com sorvete. Apesar de não muito original, esta sobremesa primou pela delicadeza dos frutos maduros com o sorvete de tangerina.


Esfera de chocalate Burj Al Arab. Uma verdadeira surpresa. Quando colocada na mesa, seria uma bola cor tijolo, com pequenos montes de compota com folhas de ouro em cima, à volta. O empregado colocou o prato e pediu para olha-mos para o mesmo, enquanto derramava sobre a esfera, chocolate quente. A esfera começou a derreter e surgiu dentro dela a sobremesa, um género de mistura de mousses de diferentes chocolates. Com um bom paladar toda aquela mistura, e o encanto do prato, agradou-nos muito.


A refeição foi acompanhada por um vinho tinto Australiano, encorpado, que não ficou mal com o peixe, mas ligou melhor com o prato de carne. No final, o café servido com muito glamour, foi acompanhado com pequeninos bolinhos deliciosos. 

Serviço atencioso, sem ser maçador, e extremamente simpático. Apenas um detalhe, tivemos que pedir a carta de vinhos uma segunda vez, porque não trouxeram da primeira. Aqui a única falha a apontar. 

Em resumo, ambiente excelente, refeição excelente, serviço bom, valeu cada euro que gastámos...
... sem dúvida uma experiência 7 estrelas."

autores: p. e l.

data da visita: 16.janeiro.2012
preço por pessoa: 165 €

Al Mahara, Hotel Burj Al Arab – Dubai