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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

490 Taberna | Setúbal

Nem só de peixe fresco e de choco frito se faz a oferta gastronómica da cidade de Setúbal. A uns meros cinquenta quilómetros da capital existe um restaurante que faz parte dos meus sítios de eleição.

O restaurante
Situado em plena Avenida Luísa Todi o 490 Taberna possui uma esplanada de dimensão generosa e uma sala acolhedora, mas de dimensão reduzida. No interior o ar rústico de uma taberna recuperada. Mesas com tampo de pedra e cadeiras de madeira compõem a decoração.
(foto retirada do Facebook)
A ementa
A ementa tem, para mim, três grandes elementos: petiscos, pratos e vinhos. A minha escolha recai sempre pela combinação petiscos + vinhos. Diria que os pratos também serão boas opções onde sobressaem os bifes.
No que diz respeito aos petiscos, todos são de eleição. Esqueçamos dietas e alimentação saudável. Cedamos ao pecado da gula. Croquetes de alheira, ovos mexidos com farinheira, chouriço de porco preto assado com compota de pimento, amêijoas à bulhão pato. Tudo petiscos que compõem uma oferta variada. Se sentir que não foi suficiente para saciar a fome, nada como pedir um prego. A carne tenra é servida em fatias de pão da região sem côdea.
Não me esqueci da terceira componente que referi atrás: os vinhos. O foco recai sobre o alentejo. Marcas não tão conhecidas podem requerer que se peça um conselho. Dados os petiscos, os tintos serão sempre uma óptima opção.
Sobremesa? São capazes de ter. Nunca pedi.
Croquetes de Alheira (foto retirada do Facebook)
O serviço
Equipa jovem e simpática. Sempre disponíveis para aconselhar e para servir da melhor forma. Espere sempre um gesto de delicadeza de quem gosta do que faz e sabe receber.

Veredicto
Bem sei que existem muitas tabernas e tascas. Espaços que tentam recuperar memórias antigas que outrora eram dominantes. Naturalmente existem espaços que prefiro ao invés de outros. No entanto, depois de ter visitado vários, não tenho reservas em dizer que a 490 Taberna é um dos melhores restaurantes deste tipo que conheço. A visitar sem dúvidas.

preço por pessoa: 20€

490 Taberna
Avenida Luísa Todi 490, Setúbal

domingo, 21 de agosto de 2016

A Tasca do Celso

Como tantos, fugimos de Lisboa nesta silly season. De volta das terras quentes do Algarve, passamos pela pitoresca Vila Nova de Milfontes, com rumo à Tasca do Celso.

O restaurante
Chegámos cedo, ainda toda a equipa estava a aproveitar os últimos momentos antes da hora do lodo para um cigarro à porta. A entrada pequena não deixa adivinhar a dimensão do restaurante. Lá dentro, duas salas (que tenhamos visto), uma de decoração mais moderna e colorida, e outra mais rústica e acolhedora.
A ementa
Escrita à mão em duas lousas, a ementa divide-se entre os pratos e os petiscos. Hesitantes entre tantas opções para provar e o facto de sermos só dois, fomos bem aconselhados e optámos por duas entradas e um prato para partilhar.
Começámos pelos clássicos ovos mexidos com espargos, que trazem uma ou outra rodela de linguiça para apurar o sabor. Os ovos no ponto, os espargos de certeza selvagens, nada a apontar.
De seguida, os percebes. Andava há que tempos para provar, parece impossível que só agora tenha conseguido. Passado o momento inicial de "como raio é que isto se come?", foi difícil conter-me para não ficar com todos só para mim. Que sabor a mar incrível! Servidos simplesmente cozidos, vieram quentes para a mesa. dv prefere-os frios, eu cá gostei muito assim, mas há claramente que experimentar mais vezes.
Como prato, optámos por uma açorda de camarão, que vem com a tradicional gema de ovo que é batida à nossa frente na mesa.  Uma vez mais, nada a apontar - tempero no ponto, camarões (descascados como se quer) com fartura, e nós deliciados.
Para sobremesa, fomos para um leite creme queimado na hora e um cheesecake com muitos frutos vermelhos, ambos também muito bem confeccionados.
O serviço
A equipa é muito jovem - não se deixe enganar pelo ar de "miúdos" a aproveitar as férias para ganhar uns trocos. Mesmo que seja esse o caso, são muito profissionais, simpáticos e eficientes.

Veredicto
É, sem dúvida, um local a não perder. A qualidade da comida é muito boa e a visita vale a pena. Não espere encontrar nenhuma pechincha - o nível de preço é próximo dos de Lisboa.
Nós chegámos cedo e rapidamente nos apercebemos que é muito ajuizado reservar mesa, porque a procura é elevada e pode ser difícil haver mesa.

preço por pessoa: 25€

A Tasca do Celso 
Rua dos Aviadores, Vila Nova de Milfontes

terça-feira, 21 de junho de 2016

Forninho Saloio

O Forninho Saloio está no meu Top 5 de restaurantes em Lisboa. É daquelas jóias escondidas onde se levam os amigos que queremos por perto. Ser um habitué tem as suas vantagens. O tratamento VIP faz-me sempre sentir em casa. Cheguei a frequentar praticamente diariamente e assim continuaria se não tivesse mudado de emprego.

O restaurante
Escondido numa pequena travessa junto à Rua de Santa Marta, chegados à porta, podem duvidar das minhas palavras. Será o Forninho tudo o que eu digo? É. Ao almoço, sobretudo durante a semana, após às 13h00 existe fila de espera. Há que ter paciência e tempo para esperar.
As duas salas do restaurante são apertadas. Como espaço popular que é, o barulho dos comensais pode ser demasiado. Um preço a pagar pelos muitos grupos de amigos que ali se juntam e pela má acústica de um espaço construído sem os cuidados do presente.

A ementa
A ementa é formada por pratos fixos e uma vasta selecção diária onde se destacam os grelhados de peixe ou de carne. Tudo o que comi é de excelente qualidade. Sejam os bifes de atum ou de espadarte ou as tirinhas de porco preto. Batata frita à mão, comida saborosa e sem outra pretensão que não a de servir bem quem lá come.
A carta de vinhos é uma surpresa para o tipo de restaurante. Com boas referências de gama baixa ou média, eu prefiro ficar-me pela imperial. Sempre bem tirada. Gelada e que acompanha na perfeição as carnes grelhadas com mestria.
Se as doses generosas do Forninho ainda deixarem espaço para a sobremesa, é escolher de olhos fechados. A tarte de gila e pinhão é deliciosa. Mas a selecção de outras tartes e doces de taça é extensa, e vale a pena provar as várias opções.

O serviço
O serviço pode ser caótico. Apesar de eficaz e simpático, é muitas vezes condicionado pelo espaço apertado do restaurante e pela azáfama de clientes que entram e saem. A mim não me incomoda. Conheço bem todos os empregados e sou, por isso, mais tolerante. Acredito que quem procure um serviço mais profissional se possa sentir desagradado.

Veredicto
Em Lisboa é dos melhores restaurantes ao nível da relação qualidade/preço. A comida é excelente e com um preço que começa a ser raro no presente. A ir sem reservas.

preço por pessoa: 10€

Forninho Saloio
Travessa das Parreiras, 39, Lisboa

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sabores de Monsaraz | Monsaraz

Passámos novamente pelo Sabores de Monsaraz e não resistimos em dar-lhe novo destaque.

O restaurante
No que parece ser uma casinha tradicional da vila de Monsaraz, encontramos um restaurante de cozinha aberta para a sala de refeições, onde é possível assistir ao reboliço da chegada, confecção e saída de todos os pedidos. Se ficar à janela, ou na esplanada, poderá apreciar a vista.
Do lado de lá do balcão, as duas cozinheiras que podiam ser as nossas avós - um pouco rezinzas, mas com umas mãos de ouro. Do lado de cá, a equipa de sala, atenciosa e disponível para nos explicar todas as ofertas disponíveis na carta para esse dia.

Entrada

Sala de refeições

Vista
A carta
Com uma oferta tradicional alentejana, é difícil escolher por entre os pratos apresentados. Deixem-se guiar pelo que vos apetecer, certamente que não irá desiludir.
Neste dia, começámos pelo couvert de pão alentejano e azeitonas (clássicos e sempre bons), e uma salada de queijo fresco com agrião que nos ofereceu sabores frescos e leves como entrada.
Para o prato principal, optámos pelos (mais-que) famosos Medalhões de Porco Preto com Cebolinhas, sendo que pedimos que o acompanhamento fossem batatas fritas. A carne, fantástica, a desfazer-se ao toque do talher; as batatas, fritas em azeite, mais caseiras não poderiam ser. Acompanhámos com um Monsaraz tinto - não sabendo dar notas detalhadas sobre vinho, digo apenas que acompanhou muito bem.
Não resistimos às sobremesas, que nos esperam em cima do balcão e nos observam mal entramos na sala. Um bolo de bolacha tradicional, com aquele sabor que só as coisas feitas em casa costumam ter.

Medalhões de Porco Preto com Cebolinhas (acompanhado de batata frita)

Podem ver a carta completa aqui.

Relação qualidade/preço
Muito equilibrada. As doses são generosas, pelo que é preciso ter em atenção este ponto quando se faz o pedido (deitar fora comida tão boa é feio!). A nossa opção passou por tentarmos um equilíbrio que nos permitisse experimentar entradas, prato e sobremesa, e ficámos mesmo muito bem servidos.

Veredicto
A não perder, sem dúvida. Merece até uma visita propositada à vila de Monsaraz - porém, aconselhamos fortemente a reserva prévia.  O restaurante é muito procurado, com boas críticas no TripAdvisor, e são recusadas mesas caso as reservas já tenham lotado a sala.


preço por pessoa: 20 €

Sabores de Monsaraz
Largo de S. Bartolomeu, Monsaraz
www.saboresdemonsaraz.com | facebook

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Pastelaria Conventual - Pão de Rala | Évora

À procura de um local para o pequeno almoço, aceitámos a recomendação do Trip Advisor e visitámos a Pastelaria Conventual, em Évora, que, apesar de não ser um restaurante, merece uma nota de especial destaque.

O espaço
Num ambiente típico de uma casa de chá, a Pastelaria Conventual situa-se num pequeno largo que, apesar de estar dentro da muralha da cidade, está afastado do bulício da praça do Giraldo.
Lá dentro, mesas espaçosas de madeira escura, decoração com objectos do campo e fotografias das celebridades com a Dona Ercília, responsável pela montra de doces de aspecto irresistível que nos complica as escolhas para o pequeno-almoço. Cá fora, uma pequena esplanada que permite receber mais clientes em dias de clima ameno como os que encontrámos.

Entrada

O que nos oferece
O Pão de Rala, o doce conventual que dá o nome à casa, é a estrela, como seria de esperar. Na montra é possível também encontrar muitos mais doces do tipo conventual e também típicos da gastronomia alentejana.
No meu caso, por preferir salgados aos doces pela manhã, pedi uma simples torrada de pão alentejano e um galão, que, embora simples, me souberam à casa da avó.
No final, não resisti a provar o famoso Pão de Rala, que no fundo é um pão recheado com fios de ovos, amêndoa (e talvez gila, não sei bem). Doce, muito doce, mas a massa que envolve este recheio tem um sabor neutro que equilibra os sabores e eu, que normalmente não gosto de doces conventuais, gostei muito deste Pão de Rala. Sucesso garantido como um bom souvenir de Évora!

Montra

O serviço
Familiar, muito simpático e muito eficiente. A conjugação perfeita!

Veredicto
Claramente, paragem obrigatória numa visita a Évora! De certeza que não vai conseguir resistir àquela montra.

preço por pessoa: entre 5 € e os 10 € (peq. almoço)
pão de rala: 25 € / kg

Pastelaria Conventual - Pão de Rala
Rua do Cicioso, 47, Évora

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Taverna dos Conjurados | Vila Viçosa

Conhecido de há vários anos. Daqueles que quando reencontramos dizemos: "Estás na mesma! Não envelheces". Aninhado junto ao Paço Ducal, em Vila Viçosa, o Taverna dos Conjurados é daquelas casas que se mantém fiel aos seus princípios: simpatia no atendimento, comida de excelência, ambiente tranquilo.
A fórmula de sucesso mantém-se e a comida tradicional alentejana continua a pautar os manjares que encontramos no restaurante.

O restaurante
Localizado numa antiga cavalariça, a sala do restaurante apresenta uma decoração sóbria, onde a traça antiga se destaca. Uma nota especial para os WC que exibem lavatórios em pedra maciça que são muito raros no país. Com iluminação artificial e morna, o ambiente é tranquilo, dando espaço para conversas demoradas e para uma degustação pormenorizada das iguarias escolhidas para a refeição.

Sala de refeições

A carta
Gastronomia alentejana. Sabores clássicos. Sopas, Peixe e Carne. Alguma caça. Pratos por encomenda que nos convidam aos banquetes em frente da lareira da casa de família. Começar pelas entradas é entrar pelo mundo de queijos e de enchidos que combinados com o pão alentejano abrem o apetite para as açordas ou sopas tradicionais. No peixe realça-se o bacalhau e o cação. As estrelas estão na carne. Migas ou borrego são algumas das sugestões que podem ser encontradas no menu. Escolha à vontade. Desta vez optei pela combinação da mostra de enchidos de porco preto para entrada e para as costeletinhas de borrego. Tudo divinal. Como sobremesa um toucinho do céu para culminar o pecado em beleza. Não há dieta que resista.
No que diz respeito aos vinhos a abordagem é diferente da clássica. A recomendação recai num tinto ou num branco que são os eleitos pelo anfitrião. Pode ser consumido em jarros que vão desde os 0,25lts até ao 1lt. O tinto é sublime. Uma edição produzida apenas para o restaurante. Se ainda assim for céptico a esta abordagem existe uma oferta mais selectiva mas onde o preço é naturalmente mais elevado.

Costeletinhas de Borrego

O serviço
O serviço é muito bom. Sereno e que convida à exploração. Tudo leva o seu tempo. A honestidade e a transparência são fruto da certeza da qualidade que é servida. A cada momento é explicado o que se tem pela frente, não deixando espaço para que hajam dúvidas em relação ao que é servido. Arrisco até que num dia nos sentemos e se diga: escolha, eu confio em si.

Veredicto
O Taverna dos Conjurados é uma das referências do alentejo. Para conseguir mesa recomendo vivamente que se efectue reserva. O restaurante combina uma óptima carta com um serviço dedicado e um nível de preços que está perfeitamente ajustado. Uma refeição completa e que inclui vinho cifra-se em cerca de 25 euros por pessoa. Seja num passeio ou numa ida propositada para conhecer, o Taverna dos Conjurados é um dos restaurantes portugueses que merecem uma visita.

preço por pessoa: entre 20 € e os 25 €

Taverna dos Conjurados
Largo 25 de Abril, 12, Vila Viçosa

domingo, 5 de abril de 2015

Chouriçaria da Praça | Évora

Évora está diferente. Reinventou-se. Vibra. O fim-de-semana da Páscoa trouxe uma invasão turística à capital de distrito alentejana. Percorrer as ruas da cidade com a brisa quente de verão que perfumou a primavera foi o tónico perfeito para conhecer uma das novidades que Évora tem para descobrir, a Chouriçaria da Praça.

O restaurante
Localizado na Praça 1º de Maio, em frente ao mercado, o restaurante faz-se anunciar com uma pequena esplanada e um cartaz à porta que nos confessa quais as sugestões do dia. Lá dentro descobrimos que o minimalismo também combina com a planície alentejana. O Chouriçaria é de gente jovem, onde trabalha gente jovem, mas é frequentado por todos: novos, menos novos, portugueses, estrangeiros. É democrático.
A decoração é sóbria e fresca, juvenil. Bem iluminado, combina as linhas rectas da mobília com os tectos arqueados e alvos da arquitectura tradicional.

Sala do restaurante

A carta
Diversidade é um eufemismo para a multiplicidade de opções da carta do Chouriçaria. Tostas, bifes, petiscos, saltadas. Tudo é possível. Entrámos com a esperança de comer os muito bem reputados pães com chouriço de porco preto ou de farinheira. Estavam esgotados.
Gorada a expectativa, enveredámos pelos petiscos. O pão alentejano acompanhado pelo azeite aromatizado com orégãos, azeitonas com alho, ovos mexidos com farinheira de porco preto, tábua de queijo com compota de tomate. Tudo 5 estrelas. Bem servido, bem confeccionado. Com espaço ainda para mais, pedimos o chouriço de porco pretos assado e as batatas maltesas (até aqui totalmente desconhecidas). A qualidade manteve-se.
A oferta de vinhos deixa a desejar. Embora existam opções a copo ou em garrafa, a filosofia do restaurante permite claramente a evolução deste aspecto. O tinto servido a copo está longe da qualidade da comida.

Tábua de queijo com compota de tomate | Ovos mexidos com farinheira de porco preto

O serviço
Com uma simpatia e uma disponibilidade totais, todos os empregados foram impecáveis. Mesmo quando desafiados com perguntas mais complicadas responderam de forma descomplexada. Jovens e com dinâmica, contrariam a frase que está escrita por cima do relógio parado e que nos diz para não termos pressa.

Veredicto
Descobrir o Chouriçaria na Praça foi uma agradável surpresa. Longe do reboliço da Praça do Giraldo, o restaurante é uma alternativa mais que aconselhável para os restaurantes tradicionais e que permitem ter contacto com os sabores alentejanos sem a carga da tradição, muitas vezes demasiado pesada para um jantar, como foi o caso. Os preços são mais que justos para a qualidade das propostas. Cada petisco ronda os 4 a 7 euros. Sempre que se proporcionar uma ida a Évora, o Chouriçaria estará na minha lista de locais a revisitar. A ir. Definitivamente.

preço por pessoa: entre os 10 € e os 15 €

Chouriçaria da Praça
Praça 1º de Maio, 27, Évora

terça-feira, 31 de março de 2015

Restaurante Gonçalo's

O restaurante
Localizado junto à Avenida de Berna, quem passar à porta ficará com a impressão que o Gonçalo's é um café/pastelaria. Localizada ao fundo, a sala de refeições serve de espaço espartano para repastos que fazem inveja ao tempo medieval. Com uma sala simples mas bem iluminada, o muito ruído que se faz sentir é sinónimo de almoços de colegas que partilham ali as suas peripécias laborais ou então o futuro do país que se mistura com o rescaldo futebolístico do fim-de-semana.

A carta
A carta é curta e as estrelas são os pratos do dia que contam sempre com doses generosas de boa comida. Sou habitué no Gonçalo's e sempre que o visito divido-me entre a Posta de Vitela ou o Entrecote à Cortador. Ambas as doses são mais que suficientes para duas pessoas. A carne, tenra e muito bem temperada, é a rainha de um almoço que apenas deixa espaço para o café.
Se o objectivo for comer algo mais leve, os restantes pratos do dia oferecem soluções como os filetes ou as febras. A minha recomendação é ir para provar os nacos de carne sobre os quais recaem sempre as minhas escolhas. Para comer os outros pratos só mesmo se estiver de dieta. Apesar de nunca ter provado as outras ofertas gastronómicas, acredito que a qualidade se mantenha.

Relação qualidade/preço
A relação qualidade/preço é surpreendente. Uma Posta de Vitela é um naco de carne que alimenta duas pessoas tranquilamente e que vem acompanhada de uma travessa com esparregado, arroz branco e batatas fritas (caseiras) que são um regalo e pelo qual se paga 12€. Vinhos nunca explorei. Fiquei-me sempre pela imperial que combina bem com a densidade da carne e convida ao refresco do palato saturado pela quantidade da carne ingerida.

Veredicto
O Gonçalo's é um restaurante simples, de serviço simpático e eficaz, que faz parte do mapa diário dos lisboetas que trabalham nas imediações da Avenida de Berna.
O estacionamento, apesar de pago, fica numa zona verde e é fácil de conseguir.
Deve-se chegar cedo. O número de mesas é reduzido e quem chegar após às 12h30 arrisca-se a esperar um bom bocado.
Para quem gostar de carne e se quiser gastar pouco, o Gonçalo's é o restaurante a visitar.

preço por pessoa: 10€

Restaurante Gonçalo's
Rua Tenente Espanca 36-B, Lisboa


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Bombordo | Aveiro


Adenda

Em agosto.2014:

Recebemos um e-mail por parte da nova gerência do Bombordo que nos informa que, actualmente, este restaurante em Aveiro tem cozinha e staff renovados, a par com uma remodelação do espaço. Informa também que a nova gerência não se revê "na atitude descrita e praticada pela antiga gerência."
Se tivermos oportunidade, faremos uma nova visita ao renovado Bombordo.
Caso algum dos leitores passe por lá, agradecemos que nos deixe a sua opinião.

Em julho.2013:

Normalmente escrevemos relatos das nossas visitas com princípio, meio e fim... mas esta é uma história diferente...

Em Aveiro com a família, à procura de um restaurante com esplanada onde pudéssemos estar com o cão, encontrámos o Bombordo, na Praça do Mercado do Peixe.
Sentámo-nos, ainda antes das 13h00, esperámos uns 5 minutos pela ementa, outros 10 para que viessem recolher o pedido e lá pedimos 5 doses do prato do dia (filetes de pescada), porque precisávamos que a refeição não demorasse muito tempo. Entendemos a demora inicial porque o empregado que nos calhou era claramente um estudante a ocupar o tempo de férias com um trabalhito de verão e não nos preocupámos mais. Meia hora depois, o empregado regressa à nossa mesa, para dizer que, lamentavelmente, os filetes de pescada já tinham acabado. À nossa volta, nenhuma mesa tinha filetes e não vimos sair uma dose dos ditos durante todo o tempo que lá estivemos. Em seguida,  à pergunta "então e agora o que é que têm que seja rápido de sair?", a resposta (depois de ir verificar com a cozinha) foi "carne assada". Relembro que estávamos em Aveiro, junto ao mercado do Peixe. Desistimos, pagámos as bebibas (porque já as tínhamos bebido) e fomos em busca de uma qualquer outra alternativa... o que às 13h45 não se adivinhava fácil.

Em casa fui espreitar o Trip Advisor onde verifiquei que existiam vários relatos de situações semelhantes ou igualmente más. Pena que nem sempre haja tempo para ir à internet antes de escolher um restaurante.

Para o Bombordo em Aveiro fica um aviso... escolham outro!

data da visita: 21.julho.2013

O Bombordo
Praça do Mercado do Peixe, Aveiro

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Doce Infusão | Aveiro

No seguimento do relato sobre o restaurante Bombordo, merece uma referência muito positiva, a casa de chá que nos salvou o almoço...

Pois claro que às quase 14h00 de um dia de sol todos os restaurantes da baixa de Aveiro com esplanada estavam mais do que cheios.

Depois de umas voltas, lá encontrámos a Doce Infusão que servia umas tostas e umas saladas. O serviço destacou-se, de imediato, pela simpatia do empregado - também ele estudante a ocupar o tempo de férias, mas com toda uma outra atitude positiva perante o trabalho e os clientes. Explicámos-lhe antecipadamente o episódio anterior e porque já estávamos a ficar sem tempo, pedimos o favor de acelerarem o nosso pedido.
E assim foi... um serviço impecável e rápido, dentro das possibilidades porque afinal a casa é pequena, com (ainda) alguma variedade dentro dos almoços rápidos. Tanto as saladas como as tostas que pedimos e o wrap que ainda veio para o lanche, estavam óptimos! 

A Doce Infusão aposta, claramente, numa oferta caseira com opções saudáveis e num serviço acolhedor. Tem tudo o que precisa para ser um sucesso, basta que se mantenham como estão!

Se estiverem por Aveiro, à procura de um sítio para um almoço leve e rápido, ou mesmo para lanchar, não deixem de passar por lá!

data da visita: 21.julho.2013

Doce Infusão
Largo da Apresentação, 3A, Aveiro

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cá-Te-Espero | Santo Tirso

" - Ai estão no Norte e querem ir a um sítio tradicional?" - questionou um dos meus pares.
" - Sim..." - respondeu o outro, já com receio do que aí poderia vir.
" - Então vamos ao "Cá-Te-Espero" que já vão ver." - retorquiu o primeiro com um sorriso malicioso.

(ver imagem aqui)

Com uma forte probabilidade deste diálogo ter sido aligeirado, a verdade é que algo de impressionante nos esperava no "Cá-Te-Espero", um restaurante ultra-tradicional de Santo Tirso. Situado à beira da N-105, actual Av. da Boavista, em Rebordões, Sto. Tirso, o "Cá-Te-Espero" é um espaço muito frequentado pela população local, sempre com boas casas, mesmo a meio da semana. É daqueles sítios em que a família toda vai jantar ou então, os patrões (empresários?) locais juntam-se para discutir o último negócio do mês.

O restaurante está situado numa cave com um pé direito baixo, que combinado com uma casa cheia, proporciona um ambiente barulhento, mas sempre animado. Óbvio que para esta animação, contribuem a decoração do espaço, entre o rústico e o muito familiar, pois o espaço assemelha-se às salas de jantar das casas antigas daquela zona. O serviço também contribui para este ambiente descontraído, pois neste espaço dispensam-se certo tipo de formalismos.

rs
(ver imagem aqui)

Mas o que realmente faz a fama do "Cá-Te-Espero" não é o seu espaço e natural simpatia do seu serviço, mas sim o que ali se serve. No "Cá-Te-Espero", o menu eventualmente pode auxiliar a escolha da comida, mas quem lá trabalha é quem indica o que naquele momento compensa ser servido, consoante a quantidade de pessoas à mesa. Falar numa refeição para duas ou três pessoas é inútil, pois apenas as entradas fariam o jantar de muitas pessoas. 

Não tendo sido escolhida qualquer entrada, foram servidas à mesa um Pernil de Porco gigante, bem cozido e muito saboroso, acompanhado por uma Morcela que fez as delícias de quem a provou, bem como, de um Chouriço de Sangue fantástico. Para além do Pernil, uma tigelinha de Favas com Chouriço, que pelo aspecto, para quem aprecia favas, deveriam ser óptimas. Também foi servido um prato de Rojões à Minhota, que acabaram comigo de tão deliciosos que eram. Por fim, para além de um Queijo de Cabra Curado que cumpriu a sua tarefa, havia um Presunto com Melão óptimo. As fatias eram finas e com a tira de gordura necessária para lhe dar sabor, sem que com isso o Presunto fosse uma daquelas coisas todas gordurosas que por aí se vendem actualmente. O Melão, mesmo fora de época, era fresco e doce, o que naquele ambiente abafado, caiu mesmo bem.

Quanto ao prato principal, não sei como, mas ainda consegui arranjar espaço para um Cabrito Assado no forno, com Legumes e Batata. A acompanhar um Arroz no forno, servido numa terrina própria de barro, mas que eu pessoalmente não apreciei, pois achei-o demasiado seco. O que importa destacar é o Cabrito, que normalmente é apelidado de "a vergonha da cozinheira", por causa da quantidade de ossos que ficam no prato e da pouca carne que se come, mas este não era certamente o caso. Bons pedaços de carne, suculenta, com um sabor intenso e diferente de tudo o que estamos habituados, mesmo quando comparado ao Borrego, estava excelente. Os acompanhamentos estavam também bons, em particular a batata, mas ao contrário do que, por vezes, sucedeu nestas voltas que dei pelo Norte de Portugal, desta vez, os acompanhamentos não eram melhores que o prato principal.

Quanto às sobremesas, que me recorde, ninguém teve coragem de as experimentar, mas dizem que o Leite Creme Queimado é qualquer coisa... Fica para uma próxima, bem como, um vinho tinto local para acompanhar a refeição, ao invés do espumante tinto que nos garantiram que seria a melhor opção. 

No que diz respeito ao preço, quero acreditar naquilo que diversas fontes indicam, que o preço médio por pessoa é de 15€, o que convenhamos, fazendo a relação quantidade/qualidade/preço, é uma excelente relação. 

data da visita: 20.março.2013
preço por pessoa: 15 €

Restaurante Cá-Te-Espero
Av. Boavista, 113, Rebordões
Santo Tirso

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Astória | Braga

Nas minhas andanças pelo norte de Portugal, fui parar àquela que para mim é a região com melhor gastronomia do país: o Minho. Infelizmente, nós, bloggers de "do chefe ao chef" não temos como dar ao Minho a atenção que esta região merece, motivo pelo qual, partilho este pequeno momento no restaurante "A Astoria".

Entre afazeres profissionais, foi no "A Astória" que fiz uma breve pausa para o almoço, mas quem me dera a mim poder almoçar assim mais vezes. O "A Astória" está bem localizada, na praça central de Braga, cidade ainda vibrante, num país cada vez mais paralisado. O seu espaço consiste num open space amplo de dois pisos, com uma excelente montra de garrafas de vinhos nacionais e estrangeiros, para além de outras bebidas, decoração simples e moderna, "encaixada" numa infraestrutura de pedras de granito maciças. Com bom tempo, a refeição no telhado, com vista para o centro de Braga, deve ser agradável.

A refeição foi relativamente simples, pois o tempo era escasso, além de não gostar de comer muito em dias de trabalho (recordar post da "Pastelaria Versailles"). Assim, o couvert fez de entrada, sendo composto por um patê de Atum fabuloso e um Azeite com Vinagre Balsâmico viciante. Como prato principal, optou-se pelo prato do dia, o afamado Bacalhau à Braga. O bacalhau que nos foi servido tinha proporções consideráveis (já comi bifes menores), estava muito bem confeccionado, nada seco e bem temperado, com as lascas a saírem na perfeição. A acompanhar o bacalhau uma cebolada q.b., que fez as minhas delícias, pois adoro uma boa cebolada. Para beber, fiquei-me por uma água do Luso, engarrafada em 2013, fresca e leve, só como uma água mineral pode ser...

O serviço apesar de simpático, pareceu-me um pouco lento, inclusive para pagar. Gostaria de testar o serviço ao jantar, mas tal não será possível, pelo que aguardo feedbacks dos nossos leitores a este propósito.

No que diz respeito ao preço da refeição, não tenho como entrar em grandes detalhes. Aparentemente estávamos numa promoção do Bacalhau à Braga, daí que o custo final foi aproximadamente de 15 €. Em dias normais ou ao jantar, certamente o preço será superior. 

data da visita: 20.março.2013
preço por pessoa: 15 €

Restaurante A Astoria
Praça da República, Braga
 www.facebook.com/AAstoria

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Largo

Uns dias antes do Natal não resistimos em gastar o último dos nossos cartões 2por1 da Time Out e fomos até ao restaurante Largo.

(imagem do site)

O Largo fica ao lado do Teatro São Carlos, num espaço antigo, onde antigamente se situavam os antigos claustros do Convento da Igreja dos Mártires. Mais do que um excelente trabalho de restauração, todo o espaço foi convertido num restaurante amplo e moderno, cuja decoração é sóbria e com muito bom gosto. Numa das paredes existe um aquário com medusas, iluminado a LED colorido, que traz um excelente pormenor à decoração. É um restaurante em que se conjuga o design com aspectos da construção original  como as clássicas abóbadas de pedra.

(imagem do site)

Ao analisar a carta percebe-se que o Largo é um restaurante que, apesar do seu posicionamento de preços elevados, permite uma opção mais "económica" através da escolha de um menu de entrada e prato principal, escolhidos entre os vários disponíveis. Ao invés dos típicos menus de degustação, que normalmente não admitem escolhas ou trocas de pratos, ou dos menus "à escolha do chef", que são surpresa, este tipo de menus é bastante mais simples, mas, ao mesmo tempo, mais adequado à realidade da restauração portuguesa.

Claro que tanta flexibilidade resultou numa maior demora para decidirmos sobre o que queríamos jantar, mas aqui notou-se logo a boa qualidade do serviço, pela simpatia e profissionalismo demonstrados pelos empregados junto de uma mesa indecisa.

Assim, depois de muito pensar, g. escolheu como entrada Trio de Peixes, composto por Robalo, Salmão Curado e Tártaro de Carapau. Esta entrada de influência oriental é fresca e é uma óptima forma de iniciar uma refeição, uma vez que os três peixes são servidos crus, o que é uma surpresa muito agradável, em especial, o tártaro de carapau (que normalmente não é servido cru)d. e j., foram incapazes de resistir às Trouxas de Chêvre com Tomate, Mel e Alfaces, o que foi uma excelente decisão. As trouxas, feitas com uma massa muito fina e estaladiça, estavam tentadoras e a já conhecida ligação entre o queijo chévre com tomate e mel como seria de esperar, equilibrada e deliciosa. Infelizmente, nem tudo foi excelente no capítulo das entradas e o muito ansiado Soufflé de Lavagante e Espargos Verdes com Bisque, escolhido por f. revelou-se uma desilusão. Um soufflé é um desafio para qualquer cozinheiro, pois, com os melhores ingredientes ou com as sobras do dia anterior, é possível fazer um grande prato ou uma grande papa. Neste caso, o sabor era bom, porém a consistência não foi a melhor, uma vez que o interior do soufflé parecia, demasiado, uma sopa.

Nos pratos principais, j. experimentou um Bife do Lombo Charolês com molho Queijo de Azeitão sobre Espinafres. Só o nome já nos deixa com água na boca. A carne estava tenra e bem temperada, ainda um pouco mais mal passada que o pedido. O molho era forte (é só mesmo para quem gosta muito de queijo, que é o caso de j.), mas não se sobrepunha ao sabor da carne, sendo, talvez, este o aspecto que mais beneficiou o prato. Os espinafres, simples, salteados, desenjoavam, sendo um acompanhamento adequado.
d. escolheu um Cachaço do Porco Ibérico com Migas de Batata-Doce e Espinafre, tendo algumas dúvidas sobre se gostava desta peça de carne. Porém, as migas de batata-doce e espinafre é que a levaram a decidir por este prato. Estava muito bem confeccionado, a carne estava muito tenra e as migas com os sabores da batata-doce e do espinafre muito bem equilibrados. O problema desta peça de carne está na sua gordura, o que leva d. a pensar duas vezes sobre se voltava a repetir o prato.
O Risotto de Sapateira com Camarão Salteado foi a escolha de g. que surpreendeu pelo positiva. Por norma g. não pede Risottos por os considerar enjoativo e demasiado fortes, mas este prato, apesar de o intenso sabor a marisco, estava muito equilibrado não sendo difícil terminar o prato. O Camarão salteado estava no ponto certo, sendo o acompanhamento ideal para este risotto.
f. resolveu optar por experimentalismos e escolheu um prato de carne de Veado, pois nunca tinha provado. A carne estava mal passada como f. gosta, muito bem temperada e o seu sabor assemelhava-se à de vaca, porém a sua consistência era totalmente diferente e perceptível à vista. Não era certamente o pedaço de carne mais tenro que havia na mesa, mas era consistente e muito bom, algo a repetir para tirar quaisquer dúvidas que ainda existam.

A carta de sobremesas, apesar de mais curta, também não permitiu uma escolha simples... à excepção de f., que escolheu o seu adorado Pudim Abade Priscos, feito da maneira correcta, ou seja, com banha de porco. Esta sobremesa não é consensual, porém f. considera-a, simplesmente, divinal e, neste caso, o pudim estava melhor do que alguns que provou no Minho (de onde este doce é proveniente). Para terminar a sua refeição, e conhecendo o seu gosto por chocolate, g. não teve dificuldade em optar pela Mousse de Chocolate a Zero Graus, com Creme de Avelã. Esta sobremesa, tal como o nome indica, é uma mousse de chocolate, suave e deliciosa servida a uma temperatura muito baixa (mas não é um gelado), com um muito saboroso creme de avelã, criando a combinação perfeita para fechar a refeição. d. e j. optaram pelo Gratinado de Maçã e Creme de Baunilha, uma sobremesa "simples mas eficaz", com um bom equilíbrio entre o estaladiço crumble de maçã e a textura suave do creme, que, apesar de não surpreender, encerrou bem a refeição. 

Para acompanhar, escolhemos o vinho da casa a copo, um tinto do lote Miguel Castro e Silva (chef do restaurante). Bom e intenso, sem ser agressivo. A carta de vinhos pareceu-nos um tanto ou quanto curta... Uma nota negativa, mais uma vez, para a questão da água. O Largo é mais um dos restaurantes que optou por vender água da torneira filtrada, em garrafas de marca Largo, sem oferecer a opção de escolha entre esta água e a água mineral engarrafada. Enfim, é uma estratégia comercial, mas 6,80 € por duas garrafas de água é abusivo e uma opção que nos custa a compreender. Definitivamente, temos que passar a perguntar qual o tipo de água que nos vão servir, porque já começámos a perceber que se não o fizermos, ninguém nos vai dizer...

Para terminar, a experiência foi muito positiva, sendo o Largo um restaurante que marcamos como uma sugestão para quem procura uma refeição num ambiente de classe, com um bom serviço e muito boa comida.

data da visita: 21.dez.2012
preço por pessoa: 23,70 € (com o desconto dois por um)
preço por pessoa: 42,70 € (sem o desconto dois por um)

Restaurante Largo
Rua Serpa Pinto, 10, Lisboa

domingo, 25 de novembro de 2012

Pastelaria Versailles

A Versailles é uma daquelas grandes e elegantes pastelarias/cafés/restaurantes, que durante décadas marcaram o ritmo social das grandes cidades europeias, à nossa escala, Lisboa e Porto. A evolução dos tempos fez com que em Portugal, alguns destes estabelecimentos fechassem, mas outros, como a Versailles não só resistiram, como ficaram mais fortes. E ainda bem que assim foi. A beleza da sua decoração estilo Arte Nova, os seus mármores, a classe e bom estado das suas madeiras nobres, o seu relógio ao centro de um móvel (clássico, muito clássico) de exposição de bebidas e um balcão comprido que expõem uma oferta de doces de pastelaria tentadores, tudo isto encontra-se disponível a qualquer um que lá queira entrar. Seria uma pena, que este património da cidade de Lisboa se perdesse num qualquer estabelecimento de fast food.
Para aqueles que como eu, ainda não aderiram ao tupperware ao almoço (veremos em 2013...) e por acaso trabalham em Lisboa, na zona do Saldanha, a Versailles pode não ser uma opção diária, mas é certamente uma opção a considerar. É certo que na Versailles não existem menus de almoço a 5 €, com sacrifício das margens de lucro e principalmente para a qualidade das refeições, pelo que a opção diária por este estabelecimento, obriga a uma situação financeira cómoda. Para mim, não há grandes problemas, pois sou parcimonioso nos meus almoços. Uma sopa/sandes, uma água 0,33cl e (ah malucooo!) um salgado/pastel e pronto, fico satisfeito para o resto da tarde.

Assim, com esta rotina e proximidade do meu trabalho à Versailles, resolvi aplicar nesta famosa pastelaria de Lisboa os meus hábitos alimentares diários e partilhar mais esta experiência.

À hora de almoço, a Versailles costuma estar entre a meia-casa e casa cheia, pelo menos no que diz respeito às mesas. O seu público-alvo são as pessoas que trabalham naquela zona, desde os bancários lá do sítio, aos consultores seniores das proximidades e até presidentes de bancos ou juízes mais mediáticos. Ao balcão, encontram-se aqueles que apenas se querem despachar ao almoço, sem contudo comer mal. Qualquer um destes clientes é sempre servido de forma rápida, simpática q.b. e com alguns pormenores que diferenciam este estabelecimento de outros. Por exemplo, quantas vezes vos foi servido num pires à parte, um garfo próprio para comer um croquete ou uma colher de café para comer um pastel de nata?

Por falar em croquete, este salgado é um ícone da Versailles. Segundo eles, é feito da melhor carne de lombo de vitela. Não sei se é verdade, mas na gíria diplomática costuma-se dizer que existe uma forma de fazer diplomacia, é a chamada "diplomacia do croquete". Posso-vos garantir que se nesta forma de diplomacia, se servissem os croquetes da Versailles, Portugal não teria metade dos problemas que tem na "frente" europeia. Eu não sou grande apreciador de croquetes, mas os da Versailles são muito bons. São normalmente maiores que os da concorrência, a carne é uma massa suave e uniforme, bem temperada e sempre servidos quentes.

Mas não é só pelos croquetes que a Versailles é famosa, a sua pastelaria é muito afamada, em particular os eclairs, cuja visão ao balcão deve ser muito tentadora para os mais gulosos. Experimentei o de café, por pensar que seria o menos doce. Comparado a outros eclairs, acredito que não seja doce, mas para o meu gosto, pareceu-me um bocado, contudo, a sua massa era boa e como os olhos também comem, tinha um óptimo aspecto. Por sua vez, o seu pastel de nata é óptimo. Uma massa folhada delicada e um creme suave e doce (sem ser enjoativo) óptimo. Poderia-vos falar da sopa, mas sopa é sopa e não vi grande diferença para as servidas em qualquer café do país.

Não poderia terminar este post, sem falar das refeições servidas nesta pastelaria. São um pouco caras para o dia-a-dia, porém, pelo que pude ver são muito bem servidas, têm um óptimo aspecto e os ingredientes parecem ter uma qualidade condizente com o nome que vem no prato. Aquela feijoada à transmontana ainda me faz salivar, mesmo sabendo que por motivos de saúde não deveria sequer olhar para ela...

preço: 4,00 € - 5,00 € (almoço à f.)

Pastelaria Versailles
Av. da República, nº 15-A, Lisboa

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cantina da Estrela

Este post é uma prenda de aniversário à minha Avó pelos seus 85 anos ricos em memória e experiência e, também, por nos ter proporcionado esta experiência no Cantina da Estrela. Moradora veterana de Campo de Ourique, e por isso bem conhecedora dos cantos deste bairro lisboeta, sugeriu-me que fossemos à Cantina da Estrela pelo seu aniversário. Ao invés de outras (boas) escolhas que Campo de Ourique proporciona e às quais já estaria mais habituada, resolveu surpreender o seu neto e disse que faria reserva neste restaurante. Ainda a avisei que entre o conceito e o preço praticado, esta opção talvez não fosse do seu agrado, mas quando me diz que já conhecia a Cantina da Estrela e que queria lá voltar, pois "uma vez  não são vezes", o que posso eu fazer?! Ir de bom grado e munido do meu cartão "TimeOut 2por1", pronto para desfrutar de uma boa refeição, num espaço que há muito tinha curiosidade em experimentar.

Antes de mais, e agora via web, os meus parabéns à minha Avó.

(ver imagem aqui)

Bem, passando agora ao que interessa, o Cantina da Estrela está inserido no Hotel da Estrela (uma antiga escola), ao lado da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (o antigo Liceu Machado de Castro), daí o seu ambiente nos remeter para as antigas escolas portuguesas. De realçar que na Cantina (e Hotel) da Estrela a proximidade com a Escola de Hotelaria resultou no aproveitamento de alguns dos jovens valores desta academia, que enquanto estudam, também trabalham neste espaço, para assim obterem uma experiência profissional que lhes trará uma mais-valia importante no mercado de trabalho. Aparentemente, existe nas traseiras do restaurante um jardim com uma vista magnífica para a cúpula da Basílica da Estrela, mas não pude confirmá-lo, pois a noite estava desagradável para estar lá fora. Fica para uma próxima...

(ver imagem aqui)

O conceito deste restaurante, para além da decoração, também se manifesta nos pratos que compõem a sua oferta e nos preços que praticam. A ementa é essencialmente portuguesa, não existindo muitas influências estrangeiras, à excepção de um ou outro ingrediente, ao qual já estamos muito familiarizados. Os pratos confeccionados e o atendimento (simpático), tal como já  referi anteriormente, são garantidos essencialmente pelos estudantes da Escola de Hotelaria. Assim, como pode haver a possibilidade das coisas não saírem assim tão bem, o preço de cada prato e o serviço do restaurante são estabelecidos pelo cliente, dentro de um determinado intervalo, claro está.

A refeição foi composta por uma amuse bouche, oferta da casa, constituída por uma espécie de rissol de camarão e molho de manga, cuja textura e sabores eram excelentes. O pormenor do cebolinho cortado no molho deu-lhe um toque único. Como entrada, experimentei um tachinho (uma cataplaninha para ser mais correcto) de camarão em molho de manga. Estava bem servida, com o camarão muito bem confeccionado, tanto na sua consistência como no seu sabor. Acho que o molho teria sido melhor se fosse como o da amuse bouche, mas como estava, mais aguado, com a manga cortada em pequenos cubos, também estava bom.

j. e a minha Avó deliciaram-se com um, muito bem servido, creme de ervilhas, com croutons, presunto crocante e espuma de nata. Como não aprecio ervilhas, não provei, mas garantiram-me que estava bom. Como prato principal, provei o bife do lombo com molho de dobrada e batata doce, e j. e a minha Avó optaram pelo salmão com puré de chouriço. Se em relação ao meu prato nada tenho a apontar, à excepção do sabor do molho, pois de facto não me apercebi do sabor da dobrada, já o salmão... O puré de chouriço estava bom, porém, se questionam sempre se o bife é bem/mal passado, deviam experimentar fazer o mesmo com o peixe. Resultado, para um prato que é suposto ser cozinhado, o salmão estava demasiado cru. Não foi totalmente do agrado de quem o provou e no caso de j., estamos a falar de alguém que "devora" sushi desalmadamente. As sobremesas estavam óptimas, comigo e j. a experimentarmos um bom leite creme, com uma bola de gelado de caramelo, que lhe dava uma frescura agradável. A minha Avó optou por umas farófias, aparentemente boas, principalmente por não estarem decoradas com fio de gema do ovo, mas apenas por pó de canela.

Para concluir, considero o Cantina da Estrela uma opção agradável e a repetir. Os pratos são bem servidos, o espaço é agradável e o serviço é competente, apesar de algumas falhas pontuais, mas nada comprometedoras. Caramba, são miúdos que estão a aprender! No do chefe ao chef já relatámos experiências cujo serviço foi muito mais comprometedor, e supostamente executado por profissionais. Assim, estes miúdos estão de parabéns, tal como este projecto.

data da visita: 20.novembro.2012
preço por pessoa: XX,XX € (variável, de cliente para cliente, ver ementa)

Cantina da Estrela
Rua Saraiva de Carvalho, nº 35

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Assinatura

Em jeito de inconfidência, entre nós, no do chefe ao chef, costumamos dizer que existe em Lisboa um eixo gastronómico principal. É o chamado "eixo Príncipe Real – Rato – Marquês de Pombal", pois, nas imediações deste trajecto, situam-se alguns dos melhores restaurantes de Lisboa. 

(imagem do site)

O Assinatura tem fama de ser um dos melhores restaurantes da cidade e coincidência das coincidências, está localizado bem no centro deste percurso. Assim sendo, não nos restava outra hipótese senão ir conhecer o restaurante do Chef Henrique Mouro e verificar se este espaço e gastronomia se enquadravam na qualidade de alguns dos outros restaurantes desta zona da cidade.

Enquanto espaço, o Assinatura é sóbrio e elegante. As cores predominantes são o vermelho e o branco, as mesas são grandes e as cadeiras confortáveis. Ao fundo da sala, uma enorme fotografia de importantes símbolos lisboetas domina o ambiente e do tecto pende um enorme lustre. O ambiente é agradável, ainda que um pouco vazio… as paredes são desprovidas de qualquer decoração, e não existem outros apontamentos decorativos além dos já referidos. Talvez queiram que as pessoas se concentrem unicamente na comida, sem distracções.

(imagem do site)

Em contraste, ou não, o serviço foi atencioso, profissional e sem falhas, sendo a equipa composta por empregados jovens e descontraídos, que nos explicaram “entre dois dedos de conversa” todos os pratos que nos foram servidos, o que, neste caso, assumiu uma importância maior devido ao menu que escolhemos. Sem dúvida que se o serviço fosse mais formal, dado o tipo de restaurante que o Assinatura é, nos iriamos sentir muito menos à vontade.

Quando nos sentámos, reparámos que num dos cantos da sala, por cima da escada que desce para o piso de baixo, existe uma mesa no tecto (presa no tecto, de pernas para o ar), reflectida num espelho. Este pormenor, diferente e original, contrasta com a sobriedade do resto do espaço. Seria esta mais uma pista para o conceito do restaurante? Tradicional, mas diferente?

Uma nota para a sala do piso inferior… tem apenas uma mesa, para 15 pessoas, com vista directa para a cozinha aberta, onde é possível ter um contacto mais directo com os Chefs e observar o trabalho de backstage.

Optámos, como quase sempre, pelo menu de degustação, na sua versão de 5 pratos. Ficamos nas mãos do Chef, uma vez que, neste menu, os pratos são "surpresa" até chegarem à mesa (é apenas garantido que não há limitações ou intolerâncias alimentares por parte de alguém – no nosso caso existe uma, pelo que um dos pratos foi “à medida”). Como o menu não está descrito em nenhum local, não nos é fácil recordar todos os pormenores, mas vamos tentar…

Em primeiro lugar, um amuse bouche diferente: flor de courgette frita recheada com caviar de beringela e bacalhau desfiado, num creme de tomate. À partida pensámos que seria uma mistura difícil de combinar, mas a verdade é que os sabores ligavam-se perfeitamente. Começamos então com uma terrina de raia alhada, muito macia e com um molho fantástico.

Nos pratos principais, foi-nos servido polvo em vinho tinto, sardinha em xerém de bivalves e plumas de porco preto com feijoada de caracóis e puré de feijão (o feijão foi substituído por puré de grão num dos pratos, a nosso pedido). Todos os pratos eram saborosos, deixando a vontade de comer mais e mais. Talvez devessem repensar a questão da sardinha devido às espinhas. Sim, todos sabemos que a sardinha é um peixe mais que tradicional, português e que tem espinhas que se comem, mas num prato destes, não foi do nosso agrado.

A sobremesa era uma combinação de alperce, em leite-creme e em gelado, com um estaladiço de caramelo. Foi uma boa forma de terminar a refeição. O equilíbrio entre a acidez do alperce nas suas várias texturas e o doce dos restantes ingredientes estava perfeito.

O vinho que acompanhou a refeição foi o Conde D’Ervideira Branco, Reserva, 2011. Um alentejano branco fresco e suave.

No geral, o nosso sentimento sobre a refeição foi semelhante ao que sentimos sobre o espaço. Pratos sóbrios e elegantes na apresentação, mas demasiado seguros e conservadores. A verdade é: o que importa no Assinatura é a qualidade dos ingredientes e a complementaridade dos seus diferentes sabores. O objectivo é manter e realçar o sabor natural dos produtos (de acordo com o site). Estes pontos são indiscutíveis. A qualidade é evidente, os sabores são verdadeiros, a confecção é perfeita e a apresentação é cuidada ao pormenor.

As questões que se põem são:
Quantas pessoas estão dispostas a pagar um preço elevado por uma experiência gastronómica que, apesar de ter uma qualidade superior, é segura e não nos transporta para fora da nossa zona de conforto?
Quantas pessoas estão dispostas a pagar o mesmo preço elevado para repetir uma experiência gastronómica, que sendo consistente, é pouco surpreendente?

Enfim, não sabemos, mas sabemos neste contexto em que vivemos é difícil pagar 50 € / 60 € (por pessoa) por um jantar.

Recordamos que nas experiências gastronómicas é tudo muito subjectivo, o que algumas pessoas podem amar, outras podem odiar. Neste caso, amámos, mas estávamos à espera de algo diferente… não necessariamente melhor, mas, definitivamente, mais memorável.

Numa perfeita contradição de sentimentos, recomendamos o Assinatura, mas provavelmente não voltaremos.

data da visita: 26.julho.2012
preço por pessoa: 34,90 € (com o desconto dois por um)
preço por pessoa: 62,40 € (sem o desconto dois por um)

Restaurante Assinatura
Rua do Vale Pereiro, nº 19 
(na esquina com a Rua Alexandre Herculano)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Grelha Peixe | Cabanas de Tavira

Na típica romaria a terras do Sul, desta feita, por Cabanas de Tavira, voltei a visitar aquele que deve ser o restaurante mais famoso da vila de Cabanas de Tavira - O Grelha Peixe.

Um restaurante simples, típico de uma aldeia de pescadores, decorado com motivos de pesca e com uma boa esplanada (a quem interesse, aceitam que se traga o cão, desde que se peça para reservar uma das mesas junto ao passeio, para que o animal possa ficar pelo lado de fora).

Foi um simples jantar em família, onde todos optámos pelos grelhados - douradas, chocos e um mix de peixes (espadarte, atum e salmão). De referir que os peixes foram todos confeccionados no ponto certo - não estava demasiado seco, nem crú, como por vezes acontece. Tive, no entanto, a certeza de que o atum cozinhado não é para mim - depois de provar atum no sushi, acho que dificilmente vou conseguir voltar a comer atum que não seja cru (a diferença de textura e sabor é mesmo grande). 
As doses são muito bem servidas, por isso recomendo que levem convosco algum apetite. Normalmente os peixes vêm acompanhados de batata cozida e salada. Porém, não levem pressa para vos acompanhar, pois, por se tratarem de grelhados, demoram sempre um pouco a servir.
De referir que para beber, acompanhámos com um branco da casa, bom, mas nada de extraordinário. 
Um ponto a melhorar é claramente o das sobremesas, onde apenas têm aquela carta típica com gelados da Olá e aqueles doces com ar demasiado pré-fabricado. Não lhes fazia mal terem uma ou duas sobremesas caseiras que sejam excepcionais, seriam a cereja no topo do bolo. 

Cabanas de Tavira, embora pequena, tem ainda bastante oferta de restauração para a sua dimensão, mas muita dela está altamente orientada para os turistas ingleses, oferecendo fish&chips e fast food em vários locais. Para apreciadores de boa comida portuguesa, simples, bem servida e bem confeccionada (e não muito cara), recomendo vivamente a visita a'O Grelha Peixe.

data da visita: 11.julho.2012
preço por pessoa: 19,30 €

O Grelha Peixe
 Rua Comandante Henrique Tenreiro, 41
Cabanas de Tavira
(não tem site, deixamos o link no TripAdvisor)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

1300 Taberna

De acordo com a Wikipedia, o conceito de taberna consiste e passo a citar, "Em Portugal (onde eram muitas vezes designadas pejorativamente como tascas), a par dos cafés e das casas de pasto, as tabernas vingaram até aos anos 1980 do século XX, tanto nas áreas rurais, onde eram o centro por excelência da vida social das pequenas localidades, como nas urbanas." Lamento, mas a definição de taberna para Portugal, no meu entendimento, está incompleta. É verdade que já provei grandes refeições em tascas humildes, mas, também sei que nestes mesmos espaços, quando tinha os meus 14-15 anos (para não dizer menos), se pedisse uma cerveja, ou, dois dedos de aguardente para acompanhar os demais clientes, ninguém me dizia nada e punham-me o copo à frente... Hoje em dia, o conceito de taberna foi reinventado, sendo mais um espaço onde se podem experimentar excelentes petiscos, ou, refeições completas, num ambiente normalmente mais descontraído e em que pela decoração, se nota uma certa nostalgia por outros tempos. Tive esta percepção quando conheci a Taberna Tosca, nesta experiência que agora partilho e noutras que irão ser partilhadas no do chefe ao chef.  

Como o título indica, a experiência que agora partilho foi vivida no 1300 Taberna, um restaurante situado na Lx Factory, um autêntico viveiro experimental da gastronomia lisboeta. Como não poderia deixar de ser, o espaço do 1300 Taberna foi provavelmente uma fábrica, daquelas que funcionaram em pleno nos finais do século XIX, até meados do séc. XX, quando o país de forma incipiente tentou fazer a sua Revolução Industrial. Actualmente, o 1300 Taberna é um open space muito amplo, com vista para a cozinha e cuja decoração recorre, talvez, a peças de casas da antiga burguesia lisboeta. Existem pormenores interessantes, como os candelabros, ou, os relógios antigos (alguns pareceram-me de antigas estações de comboio/fábricas) fixos à parede. Sendo um espaço muito bem iluminado ao centro, nas mesas mais ao fundo pode ter-se pouca luz, que foi o que se verificou comigo, o que criou alguma dificuldade ao ler a ementa.

(ver imagem aqui)

Quanto ao serviço, acho que este é certamente o "Calcanhar de Aquiles" deste restaurante. Não correu de forma brilhante e em conversas com outras pessoas que já foram ao 1300 Taberna, também se verificaram aspectos a melhorar. Aquando da minha visita, numa sexta-feira à noite, o restaurante estava cheio, o que pode ter originado alguma demora na entrega dos pedidos. Porém, não é normal que, numa casa que se posiciona para uma clientela urbana cada vez mais exigente, os pratos das entradas não tenham sido retirados da mesa quando estavam a ser servidos os pratos principais. Enfim, um pequeno embaraço para quem servia, prontamente ultrapassado. Com esta situação posso eu bem, contudo, quando pedimos uma garrafa de água, deviam-nos ter questionado se queríamos a água da casa (que eu acredito ser filtrada), ou, engarrafada. Já foram partilhadas duas experiências distintas acerca deste tema, sendo que num caso, cobrou-se "couro e cabelo" e noutro a água foi de graça (ou um preço simbólico, já não me recordo). Neste caso, verificou-se uma situação intermédia a tender para o caro. Por motivos ambientais e até qualitativos, sou perfeitamente a favor da disponibilização de água canalizada (filtrada) e até a que se cobre um preço por ela, mas, por favor, tenham em atenção os preços que cobram e quando os clientes pedem uma água, pelo menos, perguntem de que tipo é, se da casa, ou de garrafa.

Last but not least, a refeição. Definitivamente não é o ponto forte do 1300 Taberna... É antes o momento em que o restaurante nos deixa literalmente K.O.! Como couvert, um conjunto de manteigas e pães home made, surpreendentemente bons. Para entrada, uma Tábua de Enchidos e Queijos soberbamente servida, quer em quantidade, quer em qualidade. Os enchidos são de uma qualidade superior aos queijos (apesar dos disponíveis serem bons) e muito variados, porém, destaco três: o presunto, o salpicão e a alheira. Os dois primeiros tinham um óptimo sabor, além de terem um corte fino, perfeito para este tipo de refeição. A alheira, não sendo um enchido que aprecie em particular, estava muito boa, com um sabor suave e sem ser demasiado gordurosa. Presentes ainda nesta tábua, estavam um doce de abóbora muito agradável e uma uvas cortadas e descaroçadas que refrescavam o palato. Alerto apenas para o seguinte, a quantidade servida não é para duas pessoas, é à vontade para três, ou até quatro pessoas. Os pratos principais foram um Prego de Carne Mirandesa e um Arroz de Pato. A minha Posta Mirandesa estava óptima, muitíssimo mal passada, como eu pedi e gosto, destacando-se nos acompanhamentos uma batata doce muito bem confeccionada. O outro prato principal foi um Arroz de Pato, sobre o qual não me pronuncio muito, pois apenas "roubei" um bocadinho. Quem o comeu adorou, quanto a mim, pareceu-me bom, porém, o prato incluía um molho agridoce que a mim em particular não me agradou. Ambos os pratos foram muito bem servidos. Por fim, para acompanhar a refeição, um Douro Negreiros 2008, cristalino, quente, porém, ao mesmo tempo suave.

Como nota final, o 1300 Taberna é um espaço que vale a pena conhecer e revisitar. Não sendo barato como uma taberna "à antiga", por um excelente couvert, entrada e pratos principais igualmente óptimos e muitíssimo bem servidos, mais bebidas, o preço cobrado (cerca de 30 € / pessoa) parece-me perfeitamente aceitável. À parte algumas falhas de serviço, o 1300 Taberna foi, sem dúvida, uma óptima experiência.

data da visita: 29.junho.2012
preço por pessoa: 31,50 €

1300 Taberna - Lx Factory
Rua Rodrigues Faria 103, Lisboa

sábado, 14 de julho de 2012

Casa Vidal | Águeda

Numa breve incursão pelo (ainda) próspero distrito de Aveiro, do chefe ao chef teve a oportunidade de conhecer um daqueles restaurantes tipicamente familiares perdidos no meio do nada, mas que todos conhecem. O restaurante em causa é o Casa Vidal e o motivo pelo qual todas as pessoas nesta região o conhecem é o seu afamado Leitão. Tão afamada é esta casa, que ainda hoje é referido o facto histórico de em 1996 terem servido três Leitões, num banquete, à Sua Majestade a Rainha Isabel II. Para uma casa situada em Aguada de Cima, Águeda, é certamente um motivo de orgulho, mas principalmente uma excelente forma de obter publicidade boa e gratuita. Porém, uma mensagem tem que ter um suporte e dizer que se serviu Leitão à Rainha de Inglaterra não me diz muito. Importante é que o Leitão lá servido seja realmente bom e não sendo eu um fanático por este prato, tipo de sair da A1 e parar na Mealhada para o provar, fiquei rendido ao que por lá se serve.

(ver imagem aqui)

Antes de passar ao prato principal, no que diz respeito ao espaço e serviço da Casa Vidal não há muito a descrever. Interior simples, sem motivos decorativos por aí além, à excepção de um painel de azulejos cujo tema está relacionado com a prática de assar Leitões e por alguma razão as janelas tapadas, eis o Casa Vidal. De realçar que estão a realizar obras à entrada e que a casa de banho (sim, a casa de banho!) tem uma decoração mais moderna, pelo que é expectável que, com o tempo, haja alguma alteração neste aspecto. Para ser franco, julgo não haver grande necessidade para tal, pois quem vai à Casa Vidal apenas quer comer um bom Leitão. Quanto ao serviço, não há muito a acrescentar, simpático e eficaz. Quando já se sabe ao que a clientela vai, não é preciso dispender tempo com muitas explicações. Reforço, é para comer Leitão que lá se vai. 

Quanto ao tal Leitão, não há muito a dizer, excepto que é realmente excelente. Pele tostada, quase tipo crosta, carne mole, muito suculenta e bem temperada. Sente-se o sabor de citrinos (talvez limão), alguma erva aromática, sal e talvez uma pequena pitada de pimenta. Consigo descrever o que o meu paladar sentiu, mas sem grandes certezas, pois um dos segredos da Casa Vidal a assar Leitões é o seu tempero, o outro é o seu tempo de assadura. Antes do Leitão ser posto realmente a assar no espeto, dão-lhe algumas voltas rápidas, de modo a que a pele frite, tornando-a uma verdadeira crosta e assim isolando o resto do corpo. O Leitão estará assim a assar sobre si mesmo, não sendo necessário muito tempero. A ser verdade, não sei, não percebo muito de assar Leitões, seja como for, o resultado é muito bom. Relativamente aos acompanhamentos, nada há a dizer, batata frita, salada e laranjas, o que conta é o Leitão. A Casa Vidal destaca-se por servir vinhos espumantes da região para acompanhar o prato principal. Pela primeira vez provei vinho espumante Tinto, neste caso o da casa, e apesar de o achar muito doce, não acompanhava mal o Leitão. 

Por fim e em jeito de conclusão, é uma óptima opção local, a um preço simpático (15 € - 20 € por pessoa) e onde se pode provar um prato mais do que tradicional e extremamente bem confeccionado. Ao preço indicado é preciso ter em consideração que se juntou ao Leitão o tal vinho espumante tinto, água, sobremesas e cafés. Parece-me um preço perfeitamente acessível para se comer o melhor Leitão da zona.

data da visita: 10.julho.2012
preço por pessoa: 20 €

Casa Vidal
Rua das Almas, Almas Areosa
Aguada de Cima, Águeda

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

The Decadente Restaurante & Bar

Enquanto estávamos a discutir qual seria o nosso próximo restaurante a visitar, j. trouxe à discussão a ideia de visitarmos o "The Decadente" com dois argumentos muito pesados: boas referências de amigos e o desconto da TimeOut! Ora, em tempo de crise não convém desperdiçar este tipo de “oportunidades”, por isso, aliámos a curiosidade em conhecer um novo e badalado espaço de Lisboa, com a possibilidade de “poupar” uns trocos.

(ver imagem aqui)

O restaurante está inserido no hostel  "The Independente", um espaço com um conceito muito bem-vindo a Lisboa, localizado numa zona “prime" da capital, mesmo em frente ao miradouro S. Pedro de Alcântara. Este é daqueles prédios que, quando cruzamos, não conseguimos evitar olhar e passar indiferentes, tem um certo charme que encanta e apetece entrar! Quando entramos, deparamo-nos com um lobby retro-pop-chic, que aumenta a expectativa para o espaço do restaurante. Para chegarmos à sala do restaurante, passamos pelo pequeno bar e atravessamos um corredor que nos transporta para um bar vintage no coração da Europa.

A sala do restaurante está decorada com elementos de uma casa portuguesa rústica combinada com uma garrafeira, mas transitando por uma mercearia antiga. Gostámos do pormenor dos pratos “da avó” nas prateleiras na parede, do balcão da mercearia, como mesa de apoio aos empregados, bem como a balança antiga no centro do restaurante. A decoração é simples e com bom gosto. O espaço é agradável, acolhedor e apetece ficar.

(ver imagem aqui)

No entanto, o fascínio do lugar pode-se perder se tivermos demasiado tempo para o admirar… sem comida. É verdade que quando chegámos a sala estava cheia, e aceitamos que escolhemos pratos que exigem algum tempo a confeccionar, mas esperámos cerca de 45 minutos entre as entradas e o prato principal, um aspecto que confiamos não ser recorrente, para bem do restaurante, mas que não nos agradou.

O serviço, na generalidade é bom, com empregados simpáticos, jovens, descontraídos e atenciosos. Cometeram uma pequena falha que corrigiram sem hesitar e sem desculpas baratas, o que revela orientação para o cliente, um factor chave num restaurante novo na cidade. Importa ainda referir a existência de empregados que não sendo de origem lusófona se esforçaram por falar Português, apesar de terem de recorrer à língua Inglesa para se expressar mais rapidamente, o que até deu um colorido internacional à noite!

O que provámos...

O Q' Houver (todos) - Pão de Mafra com manteiga d'ervas. É a prova de que as fórmulas mais simples são também as que trazem sucesso. Nada a acrescentar aqui senão dizer que o pão era óptimo e a manteiga também. O nome, embora uma piada já mais que conhecida, não deixa de ser genial para colocar na ementa! O couvert tem de ser pedido, o que não costuma ser habitual, sendo que a dose servida para quatro nos pareceu pequena.

Salada de Inverno (g.) - Uma mistura de folhas de rúcula, raddichio e chicória sob abóbora assada com especiarias e cogumelos portobello, salpicadas com crumble de castanhas. Uma mistura de sabores inteligente, uma vez que o sabor quente da abóbora, cruzou muito bem com os cogumelos e a mistura dos verdes temperados com um vinagrete balsâmico.

The Pica-Pau (f.) - Uma entrada que se pode dividir em dois momentos, ambos na mesma travessa. O primeiro era composto por pedaços de picanha duros e com "nervos", o segundo com carne de melhor qualidade e que fazia jus ao nome picanha. A carne estava cortada em pequenos pedaços (como se quer no pica-pau), mas não mal-passada o suficiente (como se exige para a picanha). Salvou-se o tempero de alho e tomilho e, principalmente, o pão molhado no suave molho de mostarda antiga. O sabor da mostarda estava presente, sem contudo ser demasiado intenso, enfim, excelente.

Morcela & Chutney (d. / j.) - Basicamente adoramos enchidos, por isso esta entrada tinha que ser pedida. Quatro rodelas de morcela de cominhos grelhada com chutney de cebola-roxa e maçã verde com especiarias, acompanhada de mais umas fatias do delicioso pão de Mafra. Estava óptima e recomendamos a todos os que apreciem este enchido!

Secretos (f.) - O excesso de tempero na carne, antigamente, servia para disfarçar a sua fraca qualidade (quando não a sua má conservação), no caso deste prato, serviu para estragar uma carne de excelente qualidade e confecção. A carne estava tenra e suculenta, com as características únicas do porco preto a sobressaírem, porém, o excesso de limão tornou-a tão azeda que lhe retirou qualquer sabor. O acompanhamento deste prato eram umas migas de grelos e farinheira que estavam soberbas! Os grelos davam-lhe um sabor intenso q.b., com a farinheira a sobressair, numa mistura perfeita com o pão empapado.

O Melhor Bife do Miradouro (j.) - O melhor bife do Miradouro? Talvez seja verdade... mas parece-me que nem todas as pessoas concordariam com esta frase se lhes servissem um bife exactamente igual ao que me foi servido. Estamos a falar de um bife de picanha alto, que, por regra se quer suculento e mal passado. O meu não estava, e não foi porque pedi, porque essa questão não me foi colocada. Por regra, gosto da carne mais bem passada por isso gostei do bife que me foi servido, mas tenho a certeza que qualquer um dos meus "colegas de blog" mandaria o bife de volta para a cozinha. Não sei se normalmente o bife é servido bem passado, mas se for, acho que deveria ser repensado. Um dos acompanhamentos do bife é um ovo cozido (em longa cozedura a 65º C) que estava fantástico. Este tipo de cozedura faz com que o ovo cozido não fique duro, apenas mais espesso, o que o torna bastante suave. O bife é ainda acompanhado de batatas caseiras com molho e salada.

Bacalhau Confitado Com Mel & Amêndoas (d. / g.) - Lombo de bacalhau em longa cozedura a 56º C com mel e amêndoas, acompanhado de batata brava e espinafres salteados. Talvez tenha sido este o prato que fez demorar o nosso pedido, mas quero pensar que foi apenas um percalço na cozinha. Mas há que confessar - mesmo que tenha sido esta a razão da demora, valeu bem a pena a "seca". O bacalhau estava num ponto de cozedura perto da perfeição - as lascas saíam sozinhas ao mais ligeiro toque dos talheres. Embora se possa achar que mel e amêndoas não combinam com bacalhau, este prato vem provar o contrário - a mistura é algo inesperada, mas muito boa, não fica demasiado doce porque não há nenhum exagero na dose de mel. Os espinafres e as batatas são os acompanhamentos que fazem sentido, e, embora os espinafres estivessem no ponto, as batatas estavam um pouquinho duras.

De Seia Para Lisboa (d. / j.) - Esta sobremesa é um cheesecake de queijo cremoso da serra com gelatina de tomate... tínhamos que provar! Confesso que não sabemos bem o que pensar. A ideia geral que fica é a de uma boa sobremesa, mas ao mesmo tempo uma estranha combinação de sabores. Os sabores podiam ser mais equilibrados, pois o creme é salgado, a gelatina de tomate não é muito doce e a base do cheesecake é mesmo muito doce. A experimentar, sim. A repetir, não sabemos, talvez tenhamos de provar outra vez.

Brownie da Tia Lisa (g.) - Para quem gosta muito de chocolate, um brownie fecha sempre bem a refeição. Este pequeno brownie de chocolate Valrhona com praliné de amêndoas & nozes e pérolas crocantes, ganhava na intensidade de sabor o que não tinha em tamanho. De facto, é muito doce, mas como é pequeno, não é enjoativo, diria mesmo que termina no momento certo.

Vinho (f. e d./g.) - Foram experimentados dois vinhos, ambos a copo. f. bebeu um Quinta da Fata, áspero de sabor e cheiro intenso, como um Dão deve ser. O outro vinho foi um Montado (Alentejano), suave como qualquer alentejano costuma ser e um bom acompanhamento para o bacalhau.
O "The Decadente" serve vinho a copo, uma tendência cada vez mais visível nos restaurantes hoje em dia, e nunca será demais referir que muitos outros deveriam fazer o mesmo. Proporciona aos clientes uma maior variedade de escolha (pois cada um pode escolher o seu vinho) e não acreditamos que traga prejuízo aos empresários...
Outro pormenor simples mas feliz - servem um jarro água com gelo à mesa assim que as pessoas se sentam. Água da torneira. Sem pretensões de tentar cobrar preços exorbitantes por água da rede, como outros tentaram (sem sucesso, claro). É oferta da casa. Uma oferta que não pesa nos custos e ao mesmo tempo melhora o good will junto do cliente. Só lhes fica bem. Muito bem.

Preço e Considerações Finais
O preço final foi bastante simpático, até porque aproveitámos, uma vez mais, uma das promoções 2por1 da TimeOut! (o que seria de nós sem estas promoções?).

É uma excelente relação qualidade/ambiente/nível de serviço/preço, e é certamente um restaurante a repetir! Tendo em conta que fazem menus de almoço por 10 €, talvez seja uma boa ideia visitá-lo durante o dia!

Ficámos, também, curiosos em visitar o hostel, o "The Independente", e com vontade de fazer turismo dentro da nossa própria cidade!

data da visita: 13.fevereiro.2012
preço por pessoa:  13,65 €
(sem desconto TimeOut, teria sido 24 €)

The Decadente Restaurante&Bar
Rua São Pedro de Alcântara, 81, Lisboa