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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

490 Taberna | Setúbal

Nem só de peixe fresco e de choco frito se faz a oferta gastronómica da cidade de Setúbal. A uns meros cinquenta quilómetros da capital existe um restaurante que faz parte dos meus sítios de eleição.

O restaurante
Situado em plena Avenida Luísa Todi o 490 Taberna possui uma esplanada de dimensão generosa e uma sala acolhedora, mas de dimensão reduzida. No interior o ar rústico de uma taberna recuperada. Mesas com tampo de pedra e cadeiras de madeira compõem a decoração.
(foto retirada do Facebook)
A ementa
A ementa tem, para mim, três grandes elementos: petiscos, pratos e vinhos. A minha escolha recai sempre pela combinação petiscos + vinhos. Diria que os pratos também serão boas opções onde sobressaem os bifes.
No que diz respeito aos petiscos, todos são de eleição. Esqueçamos dietas e alimentação saudável. Cedamos ao pecado da gula. Croquetes de alheira, ovos mexidos com farinheira, chouriço de porco preto assado com compota de pimento, amêijoas à bulhão pato. Tudo petiscos que compõem uma oferta variada. Se sentir que não foi suficiente para saciar a fome, nada como pedir um prego. A carne tenra é servida em fatias de pão da região sem côdea.
Não me esqueci da terceira componente que referi atrás: os vinhos. O foco recai sobre o alentejo. Marcas não tão conhecidas podem requerer que se peça um conselho. Dados os petiscos, os tintos serão sempre uma óptima opção.
Sobremesa? São capazes de ter. Nunca pedi.
Croquetes de Alheira (foto retirada do Facebook)
O serviço
Equipa jovem e simpática. Sempre disponíveis para aconselhar e para servir da melhor forma. Espere sempre um gesto de delicadeza de quem gosta do que faz e sabe receber.

Veredicto
Bem sei que existem muitas tabernas e tascas. Espaços que tentam recuperar memórias antigas que outrora eram dominantes. Naturalmente existem espaços que prefiro ao invés de outros. No entanto, depois de ter visitado vários, não tenho reservas em dizer que a 490 Taberna é um dos melhores restaurantes deste tipo que conheço. A visitar sem dúvidas.

preço por pessoa: 20€

490 Taberna
Avenida Luísa Todi 490, Setúbal

domingo, 5 de abril de 2015

Chouriçaria da Praça | Évora

Évora está diferente. Reinventou-se. Vibra. O fim-de-semana da Páscoa trouxe uma invasão turística à capital de distrito alentejana. Percorrer as ruas da cidade com a brisa quente de verão que perfumou a primavera foi o tónico perfeito para conhecer uma das novidades que Évora tem para descobrir, a Chouriçaria da Praça.

O restaurante
Localizado na Praça 1º de Maio, em frente ao mercado, o restaurante faz-se anunciar com uma pequena esplanada e um cartaz à porta que nos confessa quais as sugestões do dia. Lá dentro descobrimos que o minimalismo também combina com a planície alentejana. O Chouriçaria é de gente jovem, onde trabalha gente jovem, mas é frequentado por todos: novos, menos novos, portugueses, estrangeiros. É democrático.
A decoração é sóbria e fresca, juvenil. Bem iluminado, combina as linhas rectas da mobília com os tectos arqueados e alvos da arquitectura tradicional.

Sala do restaurante

A carta
Diversidade é um eufemismo para a multiplicidade de opções da carta do Chouriçaria. Tostas, bifes, petiscos, saltadas. Tudo é possível. Entrámos com a esperança de comer os muito bem reputados pães com chouriço de porco preto ou de farinheira. Estavam esgotados.
Gorada a expectativa, enveredámos pelos petiscos. O pão alentejano acompanhado pelo azeite aromatizado com orégãos, azeitonas com alho, ovos mexidos com farinheira de porco preto, tábua de queijo com compota de tomate. Tudo 5 estrelas. Bem servido, bem confeccionado. Com espaço ainda para mais, pedimos o chouriço de porco pretos assado e as batatas maltesas (até aqui totalmente desconhecidas). A qualidade manteve-se.
A oferta de vinhos deixa a desejar. Embora existam opções a copo ou em garrafa, a filosofia do restaurante permite claramente a evolução deste aspecto. O tinto servido a copo está longe da qualidade da comida.

Tábua de queijo com compota de tomate | Ovos mexidos com farinheira de porco preto

O serviço
Com uma simpatia e uma disponibilidade totais, todos os empregados foram impecáveis. Mesmo quando desafiados com perguntas mais complicadas responderam de forma descomplexada. Jovens e com dinâmica, contrariam a frase que está escrita por cima do relógio parado e que nos diz para não termos pressa.

Veredicto
Descobrir o Chouriçaria na Praça foi uma agradável surpresa. Longe do reboliço da Praça do Giraldo, o restaurante é uma alternativa mais que aconselhável para os restaurantes tradicionais e que permitem ter contacto com os sabores alentejanos sem a carga da tradição, muitas vezes demasiado pesada para um jantar, como foi o caso. Os preços são mais que justos para a qualidade das propostas. Cada petisco ronda os 4 a 7 euros. Sempre que se proporcionar uma ida a Évora, o Chouriçaria estará na minha lista de locais a revisitar. A ir. Definitivamente.

preço por pessoa: entre os 10 € e os 15 €

Chouriçaria da Praça
Praça 1º de Maio, 27, Évora

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Taberna Rua das Flores

Mais uma taberna em Lisboa... desta vez, a Taberna da Rua das Flores, situada na dita rua. Devido ao letreiro que tem à porta, à primeira vista, pode passar por uma mercearia. Esta taberna, das muitas que agora existem pela cidade, é aquela cujo espaço (talvez) mais se aproxima das antigas e originais tabernas.


O seu espaço exíguo, estreito, soturno (pelo menos à noite), com uma decoração e mobiliário mais do que rústicos, remete-nos para o antigamente, onde almas penadas bebem o seu copo de vinho tinto enquanto pesticam umas petingas ou uns peixinhos da horta. É um restaurante carregado de nostalgia e romantismo, de uma Lisboa que já não existe, mas que, com melhores condições, se tenta reavivar. Atenção, este esforço retro, sendo louvável, pode tornar-se inconveniente para o cliente mais desprevenido, não se aceitam reservas de mesa e o único meio de pagamento disponível é o dinheiro.

(imagem do facebook)

Sobre a comida (a ementa escrita numa ardósia pode mudar diariamente, de acordo com os ingredientes do dia) a Taberna da Rua das Flores serve, principalmente, petiscos. Pratos de rápida, mas excelente, confecção. Alguns exemplos são as Lamejinhas à Bulhão Pato, os Fígados de Aves com Maçã Verde e a Trouxa de Alheira com Ovo Cremoso, que tive a oportunidade de experimentar.

Sucintamente, e para quem não conhece, as Lamejinhas são semelhantes às Ameijoas, apenas menores e menos saborosas, porém, neste prato em particular, o molho, estava excelente o que obrigou a que se pedisse mais um ou dois cestos de pão. Os Fígados de Aves foram o meu petisco exclusivo, pois quem me acompanhava não aprecia o que de mais rústico e saboroso a natureza nos oferece. Melhor para mim, pois aquele sabor do fígado, ligeiramente mal passado (ok, talvez não seja a coisa mais segura...), equilibrado com a acidez da maçã verde, foi a combinação perfeita. Por fim, a Trouxa de Alheira com Ovo Cremoso foi o "peso pesado" da refeição, uma autêntica e saborosa dose de calorias, onde o forte sabor da Alheira foi suavizado pela gema cremosa do ovo.
Ainda no capítulo da comida, para desenjoar, destaca-se a dose de Romeu e Julieta. Não, não se tratava de um gelado de uma qualquer marca, mas sim de queijo de ovelha meio curado acompanhado de marmelada caseira. O queijo era muito bom, sem dúvida, sendo um daqueles queijos que mais facilmente encontramos nas cidades mais pequenas e não em Lisboa. A marmelada também era boa, parecendo genuinamente caseira... não vou entrar em grandes comentários pois não tenho conhecimentos suficientes para tal.

Quanto às bebidas, foi pedida uma Limonada, simples, boa e com um sabor autêntico (nada a ver com as limonadas industriais que se encontram por aí) e experimentado o vinho branco da casa. Não há grandes mistérios, era fresco e leve como se espera de um vinho de mesa que acompanha petiscos. Não era um Colares ou um Sauvignon Blanc, mas cumpriu com competência a sua função, especialmente se considerarmos que estava uma noite agradável que pedia uma bebida fresca. Já li algures que a Taberna da Rua das Flores serve uma cerveja artesanal chamada "Sovina". Há que confirmar esta informação numa próxima visita.

O serviço é ligeiramente atabalhoado, porém sempre simpático e prestável, além de rápido a servir. Assim, no que diz respeito à relação qualidade/serviço/preço, um valor de, aproximadamente, 40 euros para duas pessoas, por três excelentes petiscos, sobremesas, mais bebidas (com dois jarros de vinho) e cafés, parece-me aceitável nos dias de hoje.

Em jeito de recomendação final, a Taberna da Rua das Flores é uma excelente opção a ter em conta para aqueles jantares de grupos pequenos em que o objectivo é partilhar e provar um pouco dos vários petiscos pedidos.

...

Este texto descreve a minha primeira visita à Taberna da Rua das Flores, em Abril de 2013, e foi partilhado, sensivelmente, há um ano atrás. Desde aí, este espaço tornou-se um dos meus restaurantes favoritos onde já fui por diversas vezes.

Já tive a oportunidade de experimentar muitos e diferentes petiscos, e recomendo, se tiverem a sorte de os encontrar na ementa: salada desfeita de bacalhau (bacalhau desfiado, puré de grão, cebola e pimentos - infelizmente só comi este prato uma vez, mas é memorável), lagartos de porco preto (tiras de porco preto grelhadas com cebola e salsa - simples, mas delicioso), queijo de cabra panado (3 "rodelas" de queijo de cabra de sabor bastante forte acompanhadas por compotas doces e salada - este é um prato que está muitas vezes presente na ementa e que, desde que provei, é sempre escolhido) e massa japonesa com choco (massa japonesa, choco, tinta de choco, cebola e salsa - provei este prato na minha última visita à Taberna da Rua das Flores há cerca de duas semanas... nunca o tinha encontrado na ementa, mas espero que por lá se mantenha).

(os nomes não são, exactamente, estes, mas fica a ideia geral do prato)

Referi, anteriormente, que iria provar a cerveja artesanal "Sovina" numa próxima visita. Pois bem, entretanto provei e, posteriormente, comprei numa loja retro da moda duas “Sovinas” de diferentes sabores (versão litrosa), pois de facto é um produto muito interessante. Não estando ainda ao nível de uma cerveja trapista belga, é um produto realmente diferente no panorama cervejeiro nacional. Não tendo experimentado a “preta”, todas as suas diferentes versões caracterizam-se por serem leves e delicadas, com um ligeiro sabor amargo/doce, dependendo do tipo de cerveja escolhido. Um ponto a melhorar? O facto de “morrer” muito rapidamente, sendo que o facto de ser uma cerveja artesanal não é desculpa.

Continuo a recomendar a Taberna da Rua das Flores, por tudo o que já descrevi, mas, agora, também, pela consistência… ao longo das várias visitas a qualidade é constante e as expectativas alcançadas.

preço por pessoa: entre os 20 € e os 25 €

Taberna da Rua das Flores
Rua das Flores, 103, Lisboa

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Rubro Avenida

"Eh pá, tenho uns amigos por cá, conheces algum sítio onde os possa levar a jantar?"

E invariavelmente, entre as primeiras sugestões para jantares com amigos, lá surge o restaurante Rubro, neste caso o Rubro Avenida, pois o do Campo Pequeno não conheço.

(imagem daqui)

O Rubro é um daqueles restaurantes onde podemos ir sozinhos, a dois ou em grupo e é certo e sabido que é sempre uma aposta ganha. Bom serviço, boa comida e inseridos num ambiente e conceito, cuja ideia central consiste na partilha de refeições. Atenção, não considero o Rubro uma destas tabernas que existem actualmente, já descritas anteriormente (ver Taberna Ideal e 1300 Taberna), cuja ideia central, também consiste na partilha de refeições. O Rubro tem algo de diferente, talvez pelas influências espanholas que existem na maioria dos pratos ou as iguarias francesas disponíveis no seu menu, mas de facto é diferente. Que fique claro, não é melhor, nem pior, apenas diferente.

(imagem daqui)

Quanto ao espaço, o Rubro é amplo e com uma entrada de luz natural igualmente grande. À noite, se não fosse a luz forte que incide sobre cada mesa, certamente que o seu ambiente seria mais soturno, pois o tom escuro das paredes e o seu mobiliário rústico, favorecem este tipo de ambientes.

O serviço é rápido, não afectando com isso a qualidade das refeições, pois estas, apesar dos seus ingredientes, são pratos de confecção relativamente rápida. Admito que a simpatia não é o ponto mais forte do serviço, mas caramba, são profissionais e isto é muito importante. Avisarem-nos que os ingredientes de uma das nossas escolhas não estavam em condições, é algo simples e não é mais do que cumprir com a sua função e responsabilidade, mas quantas vezes não vivemos situações opostas?... Adicionalmente, quando na carta temos algumas dúvidas sobre algum prato, explicam detalhadamente como este é preparado e consoante o nosso gosto, qual será a melhor opção para experimentar ingrediente a) ou b). Contudo,  nem tudo é perfeito...

Já tive a oportunidade de ir mais do que uma vez ao Rubro e entre os principais petiscos, destaco os Revueltos de Farinheira e o Foie Gras. O Foie Gras está presente em alguns pratos, mas se querem um conselho, comam-no simples. O Foie Gras disponível no Rubro é excelente, não é como uma imitação barata, como tantas vezes se vê aí à venda. Os Revueltos de Farinheira são a versão castelhana dos nossos Ovos Mexidos com Farineira, sendo que os do Rubro têm a Farinheira espalhada de modo mais uniforme, nuns ovos mexidos mal passados e com isto mais moles e gulosos.

Existem outras opções, como o Chèvre na Chapa com Azeite de Alecrim, cujo contraste de sabores é excelente, a alternar entre o sabor forte do Queijo, a gordura deste com o Azeite e o sabor suave do Alecrim. O cogumelo Portobello com Presunto e Ovo de Codorniz, também é uma opção interessante, devido ao ovo estrelado que é óptimo. Como complemento, para tornar a refeição menos pesada, sugiro a excelente Salada Verde, composta por Rúcula, Queijo Brie, Maçã Verde, Emulsão de Mostarda e Mel. Tem uma combinação excelente de sabores, pois estes são correctamente doseados, de modo a que nenhum sabor se sobreponha ao outro, conseguindo mesmo assim, um prato fresco e leve. Para doces, sugiro um Crème Brûlée de Pêra, muito suave e saboroso, mas que dispensava o galicismo do seu nome. Leite Creme Queimado de Pêra, serviria perfeitamente...

Para acompanhar esta refeição, bebi um Alvarinho 2010 a copo, que na ardósia que servia de menu informava ser da colheita 2009. Não sou enólogo, mas entre 2000 e 2010, há a ideia corrente de que os vinhos foram bons nos anos ímpares. Não sei se é verdade, mas já tenho constatado esta diferença e o facto é que este Alvarinho não era mau, mas em comparação com outros que bebi da colheita 2009, 2007 e 2005, não era excepcional. Em todo o caso, o problema não está aí, mas sim no seguinte: se o Alvarinho disponível para beber a copo é de 2010, a ardósia devia ter esta informação!

Para terminar, o melhor de tudo foi o preço! Não quero fazer publicidade à revista Time Out, o seu conteúdo nem sempre interessa muito, mas os vales 2por1 compensam. Duas pessoas, e à excepção do foie gras que não tinham, pagaram apenas 26,90 €! Compensa e muito...

data da visita: algures em Setembro de 2012
preço por pessoa: 13,50 € (com o desconto dois por um)

Restaurante Rubro Avenida
Rua Rodrigues Sampaio, nº 35 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Taberna Ideal

As tabernas estão na moda... mas não, não são aquelas do tempo dos nossos avós, com o balcão de pedra e o cheiro a vinho... as novas tabernas são modernas, originais e descontraídas, têm bons petiscos e pessoas de todas as idades. Existem várias, para todos os gostos e para todos os preços. Já escrevi sobre a Taberna Tosca, que foi uma surpresa para mim, o f. já escreveu sobre a 1300 Taberna, mais recente e inovadora, e hoje escrevo sobre a minha favorita (até agora).
A Taberna Ideal foi uma das pioneiras deste conceito reinventado. Existe desde Outubro de 2008 e é o espaço perfeito para um jantar de amigos, sendo por isso a escolha óbvia para apresentar aos meus amigos brasileiros de visita a Lisboa de forma a tentar “competir" com o que eles me apresentaram no Rio de Janeiro. 

Sendo esta a minha terceira visita à Taberna Ideal, sabia que tinha que fazer a reserva com antecedência, sabia que tinha que escolher entre um dos dois horários disponíveis para jantar (20h00 ou 22h30) e sabia que tinha que levar dinheiro por não existir multibanco. Parece estranho? É um bocadinho, mas são regras explicadas, de imediato, no momento em que telefonamos para reservar a mesa. Só aceita quem quer e quem não quer não vai. Confesso que o que mais me irrita são os horários fixos e, principalmente, porque se reservarmos o horário das 20h00, temos que deixar a mesa às 22h15. Dá mais do que tempo para um jantar a dois, mas quando o jantar é a 3, 4 ou 5, a pressão existe. Não por culpa do restaurante, pois o serviço é muito rápido e organizado, mas porque as conversas são como as cerejas e quando estamos entre amigos, mais do que jantar, queremos conviver. Anyway… o meu conselho é que não se atrasem, por isso, às 20h em ponto lá estávamos nós. Eventualmente, se escolherem o horário das 22h30, a pressão é menor. Nunca experimentei, porque me parece muito tarde para jantar.

Fomos recebidos pelo João, que se apresentou, nos tratou por tu e nos pediu para o chamarmos pelo nome. De seguida, apresentou-nos o menu, que está escrito numa das paredes e cujos pratos (alguns) podem variar, orientando-nos nas quantidades que deveríamos pedir (recomendo que sigam as sugestões, porque são acertadas). Esta forma de tratamento é “regra” na Taberna Ideal... das três vezes foi assim e fui sempre atendida por pessoas diferentes.

O espaço é acolhedor e a decoração original. Cada elemento do restaurante é diferente dos restantes... cadeiras, mesas, pratos, copos, talheres, todos parecem comprados 1 a 1, sem relação aparente e saídos directamente de antiquários. O resultado é agradável e descontraído.
(imagem daqui)

A comida na Taberna Ideal pode ser considerada tradicional, com algumas alterações, mas é, principalmente, consistente. Em todas as vezes que visitei a Taberna Ideal e entre os vários pratos que provei, os ingredientes utilizados, a forma como a comida é cozinhada, servida e apresentada, seguem sempre os mesmos princípios. Bem confeccionada e de sabores equilibrados, muito bem servida e sempre como se fosse um (grande) petisco. Os ingredientes e as técnicas utilizadas são tradicionais, no entanto, na minha opinião, não considero que os pratos apresentados o sejam. Um petisco tradicional é uma tábua de enchidos, uma patanisca de bacalhau ou um prato de pica-pau… na Taberna Ideal existe bife tártaro, bacalhau servido em massa folhada e tibornas modernas (por exemplo). Claro que o que torna a Taberna Ideal diferente é, exactamente, isto… o saber trabalhar bem e de forma diferente, os nossos ingredientes nacionais e tradicionais. 

Pegando no exemplo das tibornas (talvez os pratos mais famosos deste espaço) estas são tradicionalmente fatias de pão alentejano acabado de sair do forno, regadas com azeite de qualidade, polvilhadas com sal ou açúcar… na Taberna Ideal, são servidas com outros ingredientes, sendo a minha favorita com queijo de cabra, mel e alecrim. Deliciosa.

Na lista dos favoritos, destacam-se ainda os ovos mexidos com alheira de caça, os picos da matança e os cogumelos selvagens com castanhas. Os ovos mexidos com farinheira são já um petisco bastante conhecido, neste caso, a opção pela alheira de caça, é bastante mais feliz, uma vez que a carne “selvagem” é bastante mais saborosa. Os picos da matança são um prato “pesado”, pois a carne de porco é consideravelmente condimentada, no entanto, o sabor é muito agradável. Por fim, sugiro que experimentem os cogumelos selvagens com castanhas, pois apesar desta não ser uma forma habitual de se comerem castanhas, e não sendo eu grande fã, é uma excelente forma de se comerem cogumelos.

Na Taberna Ideal, a minha opção foi quase sempre (apenas) para as tibornas e para os petiscos, no entanto, também existem saladas e pratos principais. Seja qual for a opção, o objectivo é partilhar.

Eu gosto deste sítio. Talvez seja dos poucos restaurantes onde eu sou capaz de voltar vezes sem conta. A comida é óptima, o preço é ajustado e o ambiente é agradável. Adoro o conceito da partilha e do convívio à mesa, ainda que, neste caso, seja um pouco “à pressa”.

data da visita: última visita em maio.2012
preço por pessoa: 15 € (em média)

Taberna Ideal
Rua da Esperança, 112-114
Santos, Lisboa

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

1300 Taberna

De acordo com a Wikipedia, o conceito de taberna consiste e passo a citar, "Em Portugal (onde eram muitas vezes designadas pejorativamente como tascas), a par dos cafés e das casas de pasto, as tabernas vingaram até aos anos 1980 do século XX, tanto nas áreas rurais, onde eram o centro por excelência da vida social das pequenas localidades, como nas urbanas." Lamento, mas a definição de taberna para Portugal, no meu entendimento, está incompleta. É verdade que já provei grandes refeições em tascas humildes, mas, também sei que nestes mesmos espaços, quando tinha os meus 14-15 anos (para não dizer menos), se pedisse uma cerveja, ou, dois dedos de aguardente para acompanhar os demais clientes, ninguém me dizia nada e punham-me o copo à frente... Hoje em dia, o conceito de taberna foi reinventado, sendo mais um espaço onde se podem experimentar excelentes petiscos, ou, refeições completas, num ambiente normalmente mais descontraído e em que pela decoração, se nota uma certa nostalgia por outros tempos. Tive esta percepção quando conheci a Taberna Tosca, nesta experiência que agora partilho e noutras que irão ser partilhadas no do chefe ao chef.  

Como o título indica, a experiência que agora partilho foi vivida no 1300 Taberna, um restaurante situado na Lx Factory, um autêntico viveiro experimental da gastronomia lisboeta. Como não poderia deixar de ser, o espaço do 1300 Taberna foi provavelmente uma fábrica, daquelas que funcionaram em pleno nos finais do século XIX, até meados do séc. XX, quando o país de forma incipiente tentou fazer a sua Revolução Industrial. Actualmente, o 1300 Taberna é um open space muito amplo, com vista para a cozinha e cuja decoração recorre, talvez, a peças de casas da antiga burguesia lisboeta. Existem pormenores interessantes, como os candelabros, ou, os relógios antigos (alguns pareceram-me de antigas estações de comboio/fábricas) fixos à parede. Sendo um espaço muito bem iluminado ao centro, nas mesas mais ao fundo pode ter-se pouca luz, que foi o que se verificou comigo, o que criou alguma dificuldade ao ler a ementa.

(ver imagem aqui)

Quanto ao serviço, acho que este é certamente o "Calcanhar de Aquiles" deste restaurante. Não correu de forma brilhante e em conversas com outras pessoas que já foram ao 1300 Taberna, também se verificaram aspectos a melhorar. Aquando da minha visita, numa sexta-feira à noite, o restaurante estava cheio, o que pode ter originado alguma demora na entrega dos pedidos. Porém, não é normal que, numa casa que se posiciona para uma clientela urbana cada vez mais exigente, os pratos das entradas não tenham sido retirados da mesa quando estavam a ser servidos os pratos principais. Enfim, um pequeno embaraço para quem servia, prontamente ultrapassado. Com esta situação posso eu bem, contudo, quando pedimos uma garrafa de água, deviam-nos ter questionado se queríamos a água da casa (que eu acredito ser filtrada), ou, engarrafada. Já foram partilhadas duas experiências distintas acerca deste tema, sendo que num caso, cobrou-se "couro e cabelo" e noutro a água foi de graça (ou um preço simbólico, já não me recordo). Neste caso, verificou-se uma situação intermédia a tender para o caro. Por motivos ambientais e até qualitativos, sou perfeitamente a favor da disponibilização de água canalizada (filtrada) e até a que se cobre um preço por ela, mas, por favor, tenham em atenção os preços que cobram e quando os clientes pedem uma água, pelo menos, perguntem de que tipo é, se da casa, ou de garrafa.

Last but not least, a refeição. Definitivamente não é o ponto forte do 1300 Taberna... É antes o momento em que o restaurante nos deixa literalmente K.O.! Como couvert, um conjunto de manteigas e pães home made, surpreendentemente bons. Para entrada, uma Tábua de Enchidos e Queijos soberbamente servida, quer em quantidade, quer em qualidade. Os enchidos são de uma qualidade superior aos queijos (apesar dos disponíveis serem bons) e muito variados, porém, destaco três: o presunto, o salpicão e a alheira. Os dois primeiros tinham um óptimo sabor, além de terem um corte fino, perfeito para este tipo de refeição. A alheira, não sendo um enchido que aprecie em particular, estava muito boa, com um sabor suave e sem ser demasiado gordurosa. Presentes ainda nesta tábua, estavam um doce de abóbora muito agradável e uma uvas cortadas e descaroçadas que refrescavam o palato. Alerto apenas para o seguinte, a quantidade servida não é para duas pessoas, é à vontade para três, ou até quatro pessoas. Os pratos principais foram um Prego de Carne Mirandesa e um Arroz de Pato. A minha Posta Mirandesa estava óptima, muitíssimo mal passada, como eu pedi e gosto, destacando-se nos acompanhamentos uma batata doce muito bem confeccionada. O outro prato principal foi um Arroz de Pato, sobre o qual não me pronuncio muito, pois apenas "roubei" um bocadinho. Quem o comeu adorou, quanto a mim, pareceu-me bom, porém, o prato incluía um molho agridoce que a mim em particular não me agradou. Ambos os pratos foram muito bem servidos. Por fim, para acompanhar a refeição, um Douro Negreiros 2008, cristalino, quente, porém, ao mesmo tempo suave.

Como nota final, o 1300 Taberna é um espaço que vale a pena conhecer e revisitar. Não sendo barato como uma taberna "à antiga", por um excelente couvert, entrada e pratos principais igualmente óptimos e muitíssimo bem servidos, mais bebidas, o preço cobrado (cerca de 30 € / pessoa) parece-me perfeitamente aceitável. À parte algumas falhas de serviço, o 1300 Taberna foi, sem dúvida, uma óptima experiência.

data da visita: 29.junho.2012
preço por pessoa: 31,50 €

1300 Taberna - Lx Factory
Rua Rodrigues Faria 103, Lisboa

quinta-feira, 15 de março de 2012

Taberna Tosca

Era Sábado e apetecia-me jantar fora. A minha lista de restaurantes por experimentar é extensa, mas nenhum se enquadrava no que eu procurava nesse dia. Comida boa, simples e acessível... petiscos, de preferência. Se o Jardim do Petisco ainda existisse, a escolha era fácil, mas como encerrou, estava sem ideias. Numa rápida pesquisa na Internet surgiu a Taberna Tosca, que pareceu enquadrar-se nos meus critérios, e lá fomos nós.

A Taberna Tosca fica na Praça de São Paulo, num edifício antigo de traça pombalina onde já se situou uma leitaria. O espaço foi totalmente remodelado, apresentando uma decoração moderna, perfeitamente enquadrada, onde se destacam o preto e o branco. É agradável e informal, e resulta, não só, para um jantar a dois, como para um jantar de amigos.

(fotos daqui)

Como tínhamos reserva não precisámos de esperar, no entanto, reparei na existência de um balcão/bar, com cadeiras altas, onde é possível tomar uma bebida enquanto se aguarda pela mesa ou por um amigo que esteja atrasado. Já referi num post anterior, que considero a existência de um bar, quase, obrigatória.

Entretanto, na mesa, foram servidas azeitonas, um cesto de pão guloso e dois saborosos azeites. Um pormenor interessante... o azeite não veio para a mesa já nos "pratos". Primeiro, a empregada de mesa trouxe um prato (com dois espaços). Depois, voltou com duas garrafas de azeite, apresentou os respectivos azeites como se de um vinho se tratasse e verteu-os para o prato. Achei curioso, porque nunca vi um azeite ser servido desta forma, e uma boa ideia, pois ficámos a saber, e a conhecer, o que estávamos a provar.

A comida chegou... Toscas (que são uma espécie de tostas de atum, fritas), Carne de Porco da Matança, Farinheira de Porco Preto e uma Salada Algarvia para acompanhar. No geral estava tudo saboroso, bem confeccionado, bem apresentado e na quantidade ideal. Destaco a Carne de Porco, pois era verdadeiramente deliciosa... tenra e suculenta, bem temperada com toque de pimenta rosa que lhe dava um aspecto exótico. Por outro lado, na minha opinião (e entendam este comentário como uma sugestão) as Toscas, sendo boas, estavam um pouco gordurosas. Como já referi, são uma espécie de tostas com recheio de atum, que vai a fritar... acho que teriam a ganhar se o pão fosse de outro tipo, que não de forma, ou se, por exemplo, fossem feitas no forno. Para sobremesa, abacaxi e requeijão com doce de abóbora.

Um restaurante que me era desconhecido, e sobre o qual encontrei poucas referências, revelou-se um local a considerar para jantares futuros. Desde o atendimento simpático e prestável, aos diversos petiscos existentes no menu para experimentar, este restaurante merece uma visita. Considero o valor pago pela refeição ligeiramente elevado para este tipo de espaços, mas a verdade é que a qualidade se paga.

data da visita: 25.fevereiro.2012
preço por pessoa:  22 €

Taberna Tosca
Praça de São Paulo, 21, Lisboa

domingo, 2 de outubro de 2011

Taberna do Chiado

Quando passava na Rua Nova do Almada e via as mesas junto das varandas de um primeiro andar, com as janelas abertas para a rua, confesso que ficava cheio de vontade de experimentar aquele restaurante…

Numa sexta-feira à noite de fim de verão, daquelas em que apetece qualquer coisa diferente, decidimos experimentar um restaurante novo. Claro que no topo da lista me surgiu a “Taberna do Chiado”.

Quando cheguei ao restaurante fiquei bastante surpreendido. Eram cerca de 20.30 de uma sexta-feira e a sala do restaurante somente tinha uma mesa ocupada! Depois fomos informados que o restaurante também tinha uma esplanada nas traseiras, que foi por onde optámos jantar. Aí o cenário era mais composto e, apesar de a esplanada não ser nada de especial (estamos encurralados entre duas paredes, num corredor estreito), o local era agradável (numa noite de verão comer na rua é sempre bom!).

A localização do restaurante é excelente. Mesmo no coração da cidade e num pulo estamos bairro alto, para um copo depois de jantar, caso se esteja na mood. E o facto de haver muitas mesas disponíveis e ser relativamente sossegado faz com que o restaurante ganhe pontos em relação a outros que por ali existam.

Começámos com uma entrada que aprecio muito, e é muito popular nos dias que correm na generalidade dos restaurantes: ovos mexidos com farinheira. E foi uma boa escolha. O prato de entrada estava bem apresentado (simples e sem ser folclórico) e muito saboroso.

Para jantar escolhi Tiroleto vegetariano (um prato vegetariano, tal como o nome indica). Os vegetais eram diversificados (milho, cogumelos, courgette, pepino e cebola - podem existir mais legumes, mas a sua presença passou-me despercebida) e o molho de queijo muito bom (pelo menos na primeira garfada). O prato somente acompanhava com arroz branco, o que pode ser um minus quando estamos a meio da refeição. O molho de queijo que no início era muito interessante ao longo do jantar pode revelar-se muito forte e mesmo enjoativo. Fica uma sugestão, se existisse um outro elemento no prato, que corte o sabor forte do queijo, o prato seria mais “fácil”.

A comida foi boa. A decoração dos pratos é bastante simpática e apelativa (até adiciono uma foto “à turista” para poderem visualizar o que escrevi).

A acompanhar bebemos sangria branca. O que se revelou uma verdadeira desilusão! Tendo em conta que o jarro de um litro custa treze euros, esperava muito mais do que sumo de laranja, que era o que na verdade estávamos a beber. Aliás, por duas vezes e a empregados diferentes, demonstrámos a nossa opinião em relação à sangria, sem, no entanto, obter qualquer efeito (aliás, até poderia entrar em mais pormenores e contar a história engraçada que tivemos com o gerente/responsável do restaurante, mas não me quero alongar).

O menu das sobremesas deixa um pouco a desejar. Não houve nenhuma sobremesa que nos tenha despertado a curiosidade e o interesse, por isso a refeição terminou sem um fecho doce (ainda por cima tinha ficado BEM cheio depois de todo aquele molho de queijo…).

De uma forma geral o restaurante, a comida e o serviço é bom. No entanto fica a sensação que, para o preço que foi cobrado, a experiência deveria ser melhor (tenho que admitir que considero que paguei demais pelo jantar, mas bem, é um restaurante no Chiado).


data da visita: 09.set.2011
preço por pessoa: 20,50 €

Taberna do Chiado
Calçada Nova de São Francisco 2 - A
1200-300 Lisboa
www.tabernadochiado.com

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Jardim do Petisco

Um espaço onde a refeição é um petisco...

Para quem conhecia e apreciava o restaurante lisboeta Paixão dos Petiscos, provavelmente ainda não “digeriu” o encerramento deste espaço. Ao Paixão dos Petiscos de Lisboa deu lugar o Jardim do Petisco, situado no concelho de Sintra, mais precisamente na “aldeia em verso” de Gouveia. Este novo espaço mantém o essencial do conceito do anterior restaurante, ou seja, só são servidos petiscos (mais de 100...) a um preço convidativo, sendo o seu ambiente informal, descontraído e muito familiar. Ao nível das instalações, quando comparado com o antigo Paixão dos Petiscos, houve uma melhoria no novo Jardim do Petisco. Esta melhoria deve-se ao estilo rústico do interior deste novo espaço, mais em linha com o conceito de um restaurante de petiscos feitos à base de produtos portugueses tradicionais. Quando comparado com o espaço anterior, este novo restaurante apresente uma área maior e um jardim à sua volta, cujo potencial ainda não está explorado.

Em mais de 100 petiscos e apesar de muitas visitas a este restaurante, ainda não consegui provar mais de 20, sendo impossível descrever nestas linhas todos aqueles que já comi. Por este motivo, irei fazer a seguir um resumo daqueles que considero serem os melhores petiscos deste restaurante.

Queijo Assado
Este prato foi talvez o único para o qual senti diferença na mudança do Paixão dos Petiscos para o Jardim do Petisco. Esta mudança está relacionada com a mudança de queijos que foi feita. Os queijos agora utilizados, apesar de serem curados, não são tão secos como os anteriores, conferindo assim uma textura menos granulada, mantendo porém o mesmo sabor. O queijo de ovelha assado em azeite e ervas aromáticas, acompanhado por pão, confere a este petisco um sabor forte e ao mesmo tempo reconfortante para o estômago.

Ovos Mexidos com Farinheira
Esta “bomba calórica” é um petisco de uma simplicidade única: ovos mexidos mal passados misturados com farinheira! A receita deste petisco será certamente mais complexa, a sensação ao prová-lo é simples, é de pura gula. A mistura da textura do ovo mal passado, com o sabor da farinheira, provoca a vontade de comer mais e mais. Um dos ingredientes mais básicos da nossa culinária, combinado com um dos mais tradicionais enchidos portugueses, dificilmente daria mal resultado, por isso o segredo deste petisco tem de estar na sua confecção.

Cogumelos Portobello Assados com Queijo de Cabra Gratinado
Considero que este petisco é daqueles em que o contraste do sabor é dos mais acentuados. Os cogumelos portobello, quando assados apresentam uma mistura de sabores ácidos e amargos, o que combinados com uma pequena porção de queijo de cabra gratinado, confere o tal contraste que referi anteriormente. Não sendo um petisco único é certamente diferente dos restantes petiscos feitos à base de cogumelos.

Queijo de Cabra Panado com Doce de Frutos Silvestres
O queijo é uma componente central da maioria dos petiscos seleccionados, sendo que tal se deve à subjectividade do meu paladar. Porém, não referir este petisco, julgo que seria uma enorme falha, pois este petisco ao nível da sua confecção e contraste de sabores é realmente único. Um queijo panado, só por si, é uma forma diferente de trabalhar o queijo para a qual estamos habituados. Cobrir o queijo com doce de frutos silvestres, permite que ao cortá-lo haja uma mistura imediata do queijo derretido com o doce, o que lhe dá O verdadeiro contraste de sabores.
Este petisco não é “popular” entre aqueles que me acompanham normalmente nestas andanças, j. por exemplo não o aprecia. Porém, aconselho-o a quem quer experimentar algo de realmente diferente.

Salada de Polvo com Alho e Coentros
Polvo, alho e coentros, misturados com vinagre, dão origem a uma salada que quando servida fresca é um excelente petisco para fim de refeição. É um petisco leve, com a textura e sabor do polvo a ser bem combinado com o do alho e dos coentros, dando o vinagre apenas um toque final. É um petisco simples, sem contrastes de sabores muito fortes, ideal para desenjoar após ter provado uma série de petiscos muito mais calóricos.

Para além destes petiscos, existem outros igualmente bons, como por exemplo as Tiras de Porco Preto, o Chouriço Assado, a Tábua de Enchidos, o Queijo Camembert com Mel, os Coraçõezinhos Fritos, as Ameijoas e as Pernas de Rã (este último ainda não provei). Variedade não falta neste restaurante, sendo que o conselho que dou a quem ainda não lá foi, é ir com um grupo pequeno (duas a seis pessoas), de modo a pedir quatro ou cinco pratos e ir petiscando aos bocados. Este restaurante não é isento de falhas, pois tem uma carta de vinhos reduzida, especialmente nos brancos, que sendo vinhos mais leves e normalmente frescos, acompanham melhor alguns destes petiscos no Verão. Um bom vinho tinto acompanha bem a maioria dos petiscos que descrevi, um vinho branco mediano (desde que fresco) é sempre um bom acompanhamento para estes pratos. A imperial, desde que bem tirada, é um “valor seguro”. No Inverno sugiro que terminem a refeição com uma aguardente velha.

Outra falha deste restaurante é a falta de sobremesas, fruta em particular. Que não haja grande variedade de sobremesas compreende-se por não ser a especialidade da casa e provavelmente não é o seu objectivo, porém a leveza e doçura natural da fruta é um elemento essencial para finalizar uma refeição composta por pratos tão calóricos.

O espaço ainda é algo a ser trabalhado, porém como a mudança para estas novas instalações foi recente e repentina, dá-se o devido desconto.

Por fim, o preço é competitivo quando se vai em grupo e a conta é dividida "irmamente", ficando entre os 15 e os 20 euros, consoante o que se tenha consumido. 


data da última visita: princípios de julho.2011
preço por pessoa: 15 € - 25 €

Jardim do Petisco
Av. Nossa Senhora da Esperança, 62
São João das Lampas, Sintra