Mostrar mensagens com a etiqueta sushi. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sushi. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Kampai - Sushi dos Açores

No que diz respeito a restaurantes de sushi, aqui no "do chefe ao chef" já descrevemos um conjunto considerável de experiências, talvez, em detrimento de outros géneros de gastronomia. É um facto que os bloggers deste espaço gostam muito de sushi, logo, se um bom restaurante deste género de comida nos proporciona uma boa experiência, penso que a devemos partilhar. 
(ver imagem aqui)

A última boa experiência de sushi que tive foi no Kampai, um pequeno restaurante, situado na Calçada da Estrela (próximo da Assembleia da República), com motivos decorativos relacionados com a pesca, em particular, a do Atum. O ambiente é descontraído, sendo que no caso desta experiência, o atendimento foi para além de profissional. Foi excepcional, mas apenas o foi, a partir do momento em que eu e a minha companhia demonstrámos alguns conhecimentos sobre a matéria e questionámos se o sushiman não teria passado no saudoso Aya. Touché! Começou todo um serviço fora do comum, com explicações importantes sobre o funcionamento do restaurante, o seu relacionamento com os fornecedores, a qualidade que exigem, a sazonalidade com que servem alguns peixes, bem como, as novidades que tinham na sua carta, entre outros temas. Tudo isto de um modo descontraído, sem ser intrusivo, nem "graxista", apenas um conjunto de conversas entre apreciadores de sushi.
(ver imagem aqui)

Relativamente ao sushi, ainda a propósito do serviço do Kampai, o sushiman teve de facto a sua formação no Aya, o que se tornou evidente no corte das peças, na apresentação de alguns pratos e na qualidade do peixe servido. Felizmente, o que então foi previsto nas últimas linhas do post do Aya, está a verificar-se...

Mas o que torna este restaurante de sushi assim tão diferente? As peças têm boas proporções? Sim. O peixe é fresco e de óptima qualidade? Sim. Os pratos tradicionais de sushi são muito bons? Sim. Poderia descrever outras qualidades neste restaurante, mas o que realmente distingue o Kampai de outros excelentes restaurantes de sushi locais é a sua oferta, sem dúvida, diferenciadora. À excepção do Salmão, todos os restantes peixes são provenientes dos Açores, inclusive o Atum, que, diga-se de passagem, é muito bom, dos melhores que já comi em Lisboa. Contudo, após provar o Lírio, cujo sabor e consistência, na minha opinião, são melhores que os do Atum, nada mais será o mesmo para mim em termos de sushi. Atingi um outro nível de exigência, talvez o equivalente ao alcançar do Nirvana para os budistas. Da próxima vez que voltar ao Kampai, arrisco-me a sair de lá desiludido, pois nem sempre este peixe está disponível, mesmo quando estamos na sua época de pesca. O seu sabor, o bom corte e proporção das suas peças serão difíceis de suplantar nos próximos tempos, isso é garantido. Também nos foi servido o Chicharro, um peixe cuja consistência é áspera e o sabor é ácido, mas que não deixa de ser diferente do que estou habituado nos restaurantes de sushi em Portugal.
(ver imagem aqui)

Para finalizar, tem que ser feita uma menção à entrada e sobremesa provadas. As Gyosas foram feitas na hora, o que, naturalmente, lhes deu um sabor melhor. Quanto à sobremesa, provei um bom e cremoso bolo de chocolate, acompanhado por uma bola de gelado de Chá Verde e ainda uma bola de gelado de Sésamo, oferta da casa. Admito que não apreciei muito este último sabor.

Toda esta experiência, certamente única e nos próximos tempos difícil de igualar, teve como preço final o valor de 68 €, ao que incluo as habituais águas, chás verdes e cafés. Por duas pessoas, sushi a este nível a  34 € / pessoa, certamente, verificarão que não é caro. Basta lerem e compararem o que está escrito neste post com outras experiências de sushi que anteriormente partilhámos...

data da visita: 19.julho.2013
preço por pessoa: 34 €

Kampai
Calçada da Estrela, 35-37, Lisboa

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Estado Líquido - Fusion Sushi

Depois de um daqueles dias para esquecer, no trabalho, estava a precisar de qualquer coisa para descomprimir. Por isso, j. sacou de uma promoção 2por1, da revista TimeOut, para o Estado Líquido - Fusion Sushi e lá fomos nós.

http://www.sabordoano.com/rwlisboa/logofusionsushi.jpg
(ver imagem aqui)

O espaço e ambiente do Estado Líquido - Fusion Sushi é o que se pode designar de "fashion", sofisticado, estilo bar, com música (bem audível, diga-se...) a condizer. É aquele tipo de restaurante que fica bem dizer que já se esteve lá. Não sendo propriamente um pormenor de decoração, o aquário que serve de chão ao restaurante tem um grande impacto neste espaço. O serviço não foi o extremo da simpatia, nem da atenção, mas cumpriu, apesar de se notar alguma falta de organização. O facto de estarmos numa sexta-feira à noite, com uma promoção 2por1 da TimeOut pelo meio, provavelmente originou a confusão com as reservas das mesas, bem como o ser atendido por três ou quatro empregados diferentes. Seja como for, não deixa de ser estranho este tipo de falhas existir numa casa com a reputação que esta tem. Outro aspecto a rever é o vinho... Sim, vinho! Há quem beba vinho com sushi e já que é vendido, ao menos que as garrafas estejam em condições de serem abertas. Em diferentes mesas vizinhas, 2 ou 3 rolhas partiram-se, com empregados diferentes a abrirem as garrafas! Não é que lamente a perda de garrafas de Rosés, ou de Quintas da Aveleda, mas aqueles que pagam por tal néctar, têm o direito de o beber.


(ver imagem aqui)

Na panóplia de espaços tradicionais e modernos que há em Lisboa, cada um tem o seu lugar e sentido, mas, no final, o que normalmente fica na memória é se a refeição foi boa e se o preço foi justo. No que diz respeito ao preço, acho que este é um aspecto a ser, claramente, repensado. Começámos com um Escabeche Japonês como entrada. O sabor era bom, ácido e ao mesmo tempo com um ligeiro toque agridoce, que, contudo, não eliminava o sabor activo do peixe. O problema é que não consigo considerar aquilo uma entrada, mas sim um Amuse Bouche, pois era realmente pequeno. O preço, por outro lado, era inversamente proporcional: 8,88 €! Para aqueles que valorizam a carteira, aconselho a não pedirem as Gyosas... O prato principal foi um Sushi to Sashimi tradicional, de 20 peças de Sashimi e 16 de Sushi. O Sushi era composto por Uramakis e Hosomakis de Salmão, além de Nigirizushis de Salmão e Robalo. Os Sashimis eram de Atum, Salmão, Robalo e Peixe Branco. As peças eram de peixe de óptima qualidade (em particular o Atum) e de bom corte, mas foram surpreendentes? Não! São as peças base desta gastronomia, pelo que surpreender torna-se difícil. Assim, parece-me excessivo cobrar-se 45,82 € por este prato, especialmente sabendo os preços praticados pela concorrência de qualidade. Talvez preços deste género, ou superiores, se justifiquem nos pratos de fusão, mas neste caso em particular, não. A sobremesa foi uma Sopa de Morango, cujas expectativas foram completamente defraudadas... era demasiado líquida, com natas a mais e morangos a menos. Salva-se o Chá Verde fresco que foi elaborado e apresentado como um Cocktail e que estava mesmo muito bom.

Enfim, em jeito de conclusão, o espaço ficou famoso nos tempos de Agnaldo Ferreira (ver post do Yakuza) e a qualidade mantém-se, isto não está em causa. Também não se pode deixar de pagar por isso, porém, o Estado Líquido não faz mais do que outros restaurantes de Sushi já descritos neste blog. Se não fosse a dita promoção, duas pessoas pagariam quase 70 € por uma "entrada", um Sushi to Sashimi de 36 peças, uma sobremesa e dois chás, apenas porque antigamente tiveram um grande chef e pelo facto do espaço ser realmente apelativo (tal como o site de Internet). Qualquer guia de restauração de Lisboa indica meia dúzia de restaurantes de Sushi que fazem igual por menos dinheiro, ou, melhor pelo mesmo valor. Atenção, nem sequer estou a considerar os "sushineses" que infestam a cidade, por isso, o valor que o Estado Líquido cobra é um pouco excessivo. Em tempos de crise, em que jantar fora é um luxo e em que as pessoas "contam os tostões", estes preços são superiores aos da oferta. Faz sentido ir ao Estado Líquido para aqueles que querem ser vistos, ou, para quem quer aproveitar uma promoção e assim experimentar o restaurante. Mais do que isto, sinceramente, não justifica.

data da visita: 25.maio.2012
preço por pessoa: 18,17 € (com o dois por um)

Estado Líquido - Fusion Sushi
Largo de Santos, 5A, Lisboa

domingo, 15 de abril de 2012

SushiCafé Avenida

Felizes possuidores das caixinhas-maravilha da Time Out 2por1, decidimos estrear o nosso primeiro desconto no SushiCafé Avenida. Dos quatro, apenas f. ainda não conhecia este restaurante, d. e j. tiveram uma boa experiência e g. nem por isso. Achámos então que seria o ideal para começar!

O Espaço
O SushiCafé Avenida "coexiste" com o Guilty, no n.º 28 da Rua Barata Salgueiro. E coexistir não é figura de estilo - estes dois restaurantes partilham alguns espaços em comum, como é o caso dos sanitários.
Em termos de decoração, o SushiCafé Avenida é inovador quando comparado com outros restaurantes da cidade de Lisboa. Por momentos, até parece que estamos dentro de um cenário de um episódio do Sexo e a Cidade. A cor principal é o branco, mas as paredes são revestidas a iluminação LED, que permite alterar a cor ambiente do restaurante sem qualquer dificuldade, com a possibilidade de adaptar o ambiente a dias especiais que se queiram celebrar. Nada melhor como uma foto para explicar:

(foto daqui)

Tem música ambiente, mas também conseguimos ouvir as pessoas com quem estamos a jantar. Parece algo que devia ser óbvio em qualquer restaurante, mas na verdade não é (basta visitar o vizinho).
Outro pormenor engraçado é o local onde está instalado o DJ - uma pequena varanda interior. Se não levantarmos o olhar quase não damos por ele. Não encontrei nenhuma foto, deixo a imagem onde se pode perceber um pouco melhor o conceito (ali em cima, do lado esquerdo):

(foto daqui)

O Menu
Com o desconto na mão, arriscámos o menu de degustação para dois, o Kitsetsu Kaiseksi. Assim que pedimos, a primeira pergunta que nos fazem é se estamos com muita fome. Como até estávamos mesmo, dissemos que sim, embora com ar surpreendido. O Miguel (quem acompanhou a nossa mesa), explicou-nos então que o menu era extenso e que gostam de avisar os clientes, porque se estiverem com pouco apetite, não irão aproveitá-lo como seria suposto. 

Explicaram-nos então que o menu foi elaborado de acordo com a ordem do menu imperial japonês. Não me vou alongar na descrição dos pratos, até porque não tenho memória fotográfica que me ajude (podem conhecer aqui a carta), mas o menu inclui desde o clássico sushi/sashimi até comida japonesa que não é peixe cru (também se cozinha por lá), como a sopa miso ou o magret de pato. 
Começámos por um amuse-bouche, um ceviche com peixe-manteiga e salmão, no ponto certo, sem ser demasiado avinagrada, como por vezes acontece com o ceviche (eu, pessoalmente, gosto de avinagrado, mas este estava mesmo no equilíbrio certo). 
De referir que o sushi/sashimi, como sempre, estava perfeito. Composto por atum, salmão, peixe-manteiga e carapau, uma mistura variada e de elevada qualidade. Nunca fui desiludida em nenhum SushiCafé onde fui - a frescura do peixe é inquestionável e o corte sempre exacto. g., no entanto, numa anterior experiência neste restaurante, teve o azar de encontrar uma espinha no meio de um sashimi. Esperamos que nunca tal se volte a repetir... 
A primeira sopa que nos serviram (cujo nome me escapa), tinha camarão, peixe, legumes e cogumelos shitake (que eu ADORO), e era excelente! Uma vez num workshop de sushi tive a tarefa de fazer uma sopa com cogumelos shitake, mas na altura nunca tinha provado outra antes. Neste dia percebi o quanto a sopa que fiz não tinha nada a ver com o que devia ter sido o resultado final... 
O prato de carne, um magret de pato, em que era notória a elevada qualidade da carne, incluía o pormenor inesperado de uma esfera de vinho do Porto, que tínhamos de rebentar por cima da carne para degustar correctamente o prato. Já todos tínhamos ouvido falar de cozinha molecular, mas ver e mexer é completamente diferente e dá vontade de brincar com a comida (coisa que nunca se deve fazer fora de casa, meninos!).
O prato mais "diferente" que provámos foi o de bacalhau... era cozinhado a baixa temperatura, mas a diferença era de que se tratava de bacalhau fresco - nós por cá, normalmente, só comemos bacalhau salgado seco.
A tempura de gambas, um dos últimos pratos, tinha uma textura suave e muito saborosa. Acho que até então só tinha provado uma vez tempura assim tão suave. Se estão a pensar naqueles fritos manhosos dos muitos "sushinêses" que por aí apareceram agora - tirem daí a ideia, não tem NADA a ver.
Para finalizar, uma sobremesa de frutas variadas e gelatina de iogurte (mais cozinha molecular). Foi opinião de todos que é uma opção essencial num menu tão extenso - se a sobremesa fosse "agressiva" faria toda a diferença, podendo "estragar" tudo no último momento.

O Serviço
Numa palavra: excelente. O Miguel, que não se cansou de responder às nossas perguntas, explicava-nos sempre a composição de cada prato, e também a sua origem ou forma de confeccionar, ou forma de o degustar. Pedimos desculpa ao Miguel se atrasámos o serviço porque ficámos com a impressão que ele passou imenso tempo a responder a todas as nossas dúvidas... 
À saída, também de salientar a atenção da conciérge, genuína (nem sempre acontece), perguntando se tudo tinha corrido bem e se tínhamos apreciado a refeição. Quando digo genuína, quero dizer que ficaram à espera da nossa resposta, e não perguntaram apenas por perguntar. Claro que não tivemos nada a reclamar, tudo correu na perfeição.

O SushiCafé Avenida é, actualmente, um dos melhores exemplos de restaurante de sushi da cidade de Lisboa. Embora nesta experiência tenhamos seguido uma das opções mais dispendiosas da carta, há que referir que, por norma, o preço médio ronda os 20 a 25 euros, e por este valor podemos comer uma boa refeição com excelente qualidade do peixe - a melhor que já provei em todas as minhas experiências de sushi.. Para os almoços, têm uma barra de sushi, onde é possível almoçar em pouco tempo (e por um preço mais reduzido), enquanto se observa o processo de preparação dos pratos que estão a sair para as mesas, preparados pelos sushimen. Recomendamos vivamente a visita!

data da visita: 02.março.2012
preço por pessoa:  51 € (com o desconto TimeOut ficou por 27 €)

SushiCafé Avenida
Rua Barata Salgueiro, 28, Lisboa

sábado, 14 de janeiro de 2012

Yakuza - Um "samurai" do sushi?

Nota Prévia
A publicação deste post foi propositadamente adiada para não coincidir com o momento difícil que o Chef Olivier estava a viver no seu restaurante Guilty, cuja experiência partilhada neste blog (ver post aqui) não foi a melhor. A experiência no Yakuza que ocorreu no "pico" mediático do já referido momento difícil, também não foi fantástica, pelo que em nome de toda a equipa do chefe ao chef, gostaria de esclarecer que nada nos move contra o Chef Olivier. Nada nos move, também, a seu favor, sendo o mesmo aplicado a qualquer restaurante, ou Chef. Recordo que o objectivo deste blog consiste em partilhar as nossas experiências gastronómicas. Nada ganhamos com isto e não pretendemos fazer concorrência a qualquer outro espaço semelhante.

d., j. e eu fomos felizes e contentes ao restaurante Yakuza, expectantes por provar o famoso sushi do chef Agnaldo Ferreira, cuja passagem no Estado Líquido ainda hoje é uma referência em Portugal. Não posso comentar este período aúreo de Agnaldo Ferreira, pois não o vivi, mas posso comentar o seu actual momento no Yakuza.

Espaço
Vamos por partes, o Yakuza ocupa hoje o mesmo espaço do Olivier Avenida, sendo apenas o seu prolongamento. O espaço foi adaptado ao Yakuza com uma decoração sofisticada e um Aquário de água salgada fabuloso que o diferencia, porém, e sabendo que esta opinião é muito subjectiva, o restaurante parece não ter uma identidade própria. Não há nada que o identifique como Yakuza, nem à entrada (que pode ser confusa), nem nos adereços do restaurante, que têm a inscrição do Olivier Avenida. Compreende-se que em momentos de crise e usando uma linguagem empresarial existam sinergias de custos e recursos entre divisões do mesmo grupo, mas convenhamos que entrar no Olivier Avenida para nos irmos sentar no Yakuza não ajuda muito o brand name.

(ver imagem aqui)

A falta de alguém que receba os clientes num restaurante que se posiciona como de alto nível, é no mínimo estranho, mas ter de pedir ao sushiman que chame alguém para nos indicar uma mesa que por acaso até estava reservada, já me parece ser um sinal de falta de organização.
A falta de simpatia no atendimento é algo com que eu posso viver, mas não gosto que me impinjam menus de degustação antes mesmo de me trazerem a carta, e que numa mesa de três pessoas só entreguem um menu. Isto é falta de profissionalismo.
A juntar a isto, uma mesa de vidro lascada é algo a ter em atenção, pois alguém pode cortar-se ou, na melhor das hipóteses, estragar uma peça de roupa.
Por fim, os membros deste blog gostariam que o Yakuza revisse a sua interpretação e aplicação das leis anti-tabágicas nos espaços públicos.

Refeição
Agnaldo Ferreira não desilude, o sushi é a sério. Com a massificação de restaurantes de sushi em Lisboa, a qualidade e frescura do peixe nem sempre é a melhor, porém Agnaldo não cede neste princípio e apresenta pratos com peixe de excelente qualidade. A confecção do sashimi e das diferentes peças de sushi confirmam os seus créditos, sendo bom o sabor dos Uramakis e dos Hossomakis, mas não tão tradicionais como no antigo Aya. Os Nigirizushi destacaram-se como sendo as melhores peças do sushi tradicional. O único reparo que faço, com o qual d. não concorda, é o tamanho destas peças que julgo não serem muito generosas. O mesmo não posso dizer do sashimi, cujo corte é elegante e bem proporcionado. 

Contudo, no sushi/sashimi tradicional, desde que o peixe seja de qualidade e os chefs saibam o que andam a fazer, torna-se difícil a alguém diferenciar-se da concorrência, visto tratar-se de uma gastronomia limitada nos ingredientes e rígida nos processos. O mesmo não se pode dizer noutros pratos, nos quais os conhecimentos e práticas estão lá, mas a criatividade é deixada à solta. O Tártaro de Atum para entrada foi o prato em que Agnaldo fez a diferença, seja na sua apresentação, seja na combinação de sabores, com as ovas pretas a darem um toque ácido sensacional. Será injusto não mencionar o couvert de Hossomakis tempura, pois a combinação de sabores era boa e equilibrada, i.e., conseguia sentir-se o sabor das duas técnicas, sem que uma se sobrepusesse à outra. O mesmo se verificou no Hossomaki com cebola confitada que eu adorei devido ao "confronto" de sabores. O Ceviche dividiu opiniões, comigo a não apreciar o seu excessivo sabor a vinagre, enquanto d. e j. gostaram

Não tendo provado qualquer sobremesa, relato apenas a opinião de quem me acompanhou. As opiniões foram ligeiramente divididas, com j. a considerar o cheesecake de banana enjoativo, enquanto que para d. a sobremesa foi salva pelo gelado de frutos silvestres que cortava bem o sabor.

Por fim, a bebida que acompanhou esta refeição foi água. Sim, não foi sake pois não estava "nessa onda" e não foi chá verde pois o Yakuza não tinha. Num restaurante de comida japonesa não existir chá verde é como numa tasca não haver bagaço e minis, mas pronto, avance-se... agora sugerirem chá de saqueta!? Estão a brincar com os clientes? Bem sei que o Yakuza é o espaço ideal para a presunção e exibicionismo de alguns, mas ofereçam isto a um japonês e verão como ele irá reagir. Queriam perder credibilidade? Conseguiram.

Preço
Aproximadamente 70 € para três pessoas que comeram uma boa e bem servida refeição de sushi. Face à qualidade e quantidade da refeição, aceita-se, apesar de ser puxado para as carteiras da esmiufrada classe média portuguesa. É um preço demasiado elevado por tudo o resto que aqui foi descrito.

Conclusão
Existe o Yakuza e existe uma estrela que brilhou, mas que hoje está ofuscada. Agnaldo Ferreira é capaz de ser muito superior ao actual Yakuza. Aliás, é certamente o seu nome que o sustenta, mas regressar ao Yakuza por sua causa não está certamente nos meus planos. Lisboa está repleta de espaços, como por exemplo o SushiCafé Avenida, ou o Origami no Príncipe Real, que se destacam pela sua qualidade, ou inovação/fusão, sem terem as falhas que o Yakuza apresentou. Quero acreditar que Olivier da Costa, o empresário, com a garra e empreendorismo que o caracterizam, há-de ultrapassar facilmente estes problemas, mas até lá...

data da visita: 12.dezembro.2011
preço por pessoa: 24 € 

Restaurante Yakuza
Tivoli Jardim
Rua César Machado, 7/9, Lisboa
www.restauranteyakuza.com