quarta-feira, 24 de agosto de 2016

490 Taberna | Setúbal

Nem só de peixe fresco e de choco frito se faz a oferta gastronómica da cidade de Setúbal. A uns meros cinquenta quilómetros da capital existe um restaurante que faz parte dos meus sítios de eleição.

O restaurante
Situado em plena Avenida Luísa Todi o 490 Taberna possui uma esplanada de dimensão generosa e uma sala acolhedora, mas de dimensão reduzida. No interior o ar rústico de uma taberna recuperada. Mesas com tampo de pedra e cadeiras de madeira compõem a decoração.
(foto retirada do Facebook)
A ementa
A ementa tem, para mim, três grandes elementos: petiscos, pratos e vinhos. A minha escolha recai sempre pela combinação petiscos + vinhos. Diria que os pratos também serão boas opções onde sobressaem os bifes.
No que diz respeito aos petiscos, todos são de eleição. Esqueçamos dietas e alimentação saudável. Cedamos ao pecado da gula. Croquetes de alheira, ovos mexidos com farinheira, chouriço de porco preto assado com compota de pimento, amêijoas à bulhão pato. Tudo petiscos que compõem uma oferta variada. Se sentir que não foi suficiente para saciar a fome, nada como pedir um prego. A carne tenra é servida em fatias de pão da região sem côdea.
Não me esqueci da terceira componente que referi atrás: os vinhos. O foco recai sobre o alentejo. Marcas não tão conhecidas podem requerer que se peça um conselho. Dados os petiscos, os tintos serão sempre uma óptima opção.
Sobremesa? São capazes de ter. Nunca pedi.
Croquetes de Alheira (foto retirada do Facebook)
O serviço
Equipa jovem e simpática. Sempre disponíveis para aconselhar e para servir da melhor forma. Espere sempre um gesto de delicadeza de quem gosta do que faz e sabe receber.

Veredicto
Bem sei que existem muitas tabernas e tascas. Espaços que tentam recuperar memórias antigas que outrora eram dominantes. Naturalmente existem espaços que prefiro ao invés de outros. No entanto, depois de ter visitado vários, não tenho reservas em dizer que a 490 Taberna é um dos melhores restaurantes deste tipo que conheço. A visitar sem dúvidas.

preço por pessoa: 20€

490 Taberna
Avenida Luísa Todi 490, Setúbal

domingo, 21 de agosto de 2016

A Tasca do Celso

Como tantos, fugimos de Lisboa nesta silly season. De volta das terras quentes do Algarve, passamos pela pitoresca Vila Nova de Milfontes, com rumo à Tasca do Celso.

O restaurante
Chegámos cedo, ainda toda a equipa estava a aproveitar os últimos momentos antes da hora do lodo para um cigarro à porta. A entrada pequena não deixa adivinhar a dimensão do restaurante. Lá dentro, duas salas (que tenhamos visto), uma de decoração mais moderna e colorida, e outra mais rústica e acolhedora.
A ementa
Escrita à mão em duas lousas, a ementa divide-se entre os pratos e os petiscos. Hesitantes entre tantas opções para provar e o facto de sermos só dois, fomos bem aconselhados e optámos por duas entradas e um prato para partilhar.
Começámos pelos clássicos ovos mexidos com espargos, que trazem uma ou outra rodela de linguiça para apurar o sabor. Os ovos no ponto, os espargos de certeza selvagens, nada a apontar.
De seguida, os percebes. Andava há que tempos para provar, parece impossível que só agora tenha conseguido. Passado o momento inicial de "como raio é que isto se come?", foi difícil conter-me para não ficar com todos só para mim. Que sabor a mar incrível! Servidos simplesmente cozidos, vieram quentes para a mesa. dv prefere-os frios, eu cá gostei muito assim, mas há claramente que experimentar mais vezes.
Como prato, optámos por uma açorda de camarão, que vem com a tradicional gema de ovo que é batida à nossa frente na mesa.  Uma vez mais, nada a apontar - tempero no ponto, camarões (descascados como se quer) com fartura, e nós deliciados.
Para sobremesa, fomos para um leite creme queimado na hora e um cheesecake com muitos frutos vermelhos, ambos também muito bem confeccionados.
O serviço
A equipa é muito jovem - não se deixe enganar pelo ar de "miúdos" a aproveitar as férias para ganhar uns trocos. Mesmo que seja esse o caso, são muito profissionais, simpáticos e eficientes.

Veredicto
É, sem dúvida, um local a não perder. A qualidade da comida é muito boa e a visita vale a pena. Não espere encontrar nenhuma pechincha - o nível de preço é próximo dos de Lisboa.
Nós chegámos cedo e rapidamente nos apercebemos que é muito ajuizado reservar mesa, porque a procura é elevada e pode ser difícil haver mesa.

preço por pessoa: 25€

A Tasca do Celso 
Rua dos Aviadores, Vila Nova de Milfontes

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Pizzaria Luzzo

Em tempos de hamburguerias há que procurar alternativas. As pizzas são sempre uma escolha segura e, felizmente, existem em Lisboa múltiplas alternativas que valem a pena conhecer. Em plena Rua de Santa Marta abriu em 2014 a Luzzo. Depois de várias visitas, eis a minha opinião.

O restaurante
Decoração industrial. Combina a madeira com a simplicidade de um ambiente acolhedor. A luz é média e convida à conversa. Seja num almoço a dois, ou num jantar de grupo, a Luzzo sabe receber-nos. Na Primavera ou no Verão o pátio interior é bastante simpático, porém costuma estar lotado.
No arranque o pedido era feito em tablets. Uma solução que se deve ter mostrado pouco eficaz. Em boa hora foram adoptadas as ementas em papel. Neste caso, a tradição vingou perante uma evolução pouco vantajosa.
A ementa
As pizzas são estrelas de uma ementa simples. Não confundamos a simplicidade com limitação. As opções são variadas e diferenciam-se de outros restaurantes. Nas entradas, a focaccia é a estrela. O tempero combina na perfeição com o azeite que vem para a mesa e que abre o apetite para as pizzas de generosa dimensão que se lhe seguem.
Como disse, as pizzas da Luzzo têm combinações diferentes das tradicionais. Sempre que lá vou costumo ficar-me pela Comandante Cousteau que combina os lombos de atum braseado com as azeitonas verdes. É possível pedir para combinar pizzas entre vários pedidos ou dividir. Ideal para viajar pelas várias opções disponíveis.
A sobremesa é uma etapa sempre dispensada. O espaço disponível apenas serve para a bolacha de canela que costuma acompanhar o café delta que pode ser servido on the rocks.
O serviço
Staff jovem e eficaz. Simpático, está perfeitamente enquadrado com o ambiente da Luzzo. Nunca tive nada a apontar ao serviço. Mesmo em alturas mais movimentadas, com os almoços de semana, apesar da demora na entrega das pizzas, não existe qualquer defeito que tenha sido relevante.

Veredicto
A Luzzo é uma pizzaria diferente. Está no meu top 10 do género em Lisboa e se não conhece vale a pena a visita. A relação preço/qualidade é bastante boa e vale sobretudo pela oferta diferenciada das pizzas. Por costumar estar cheia, recomendo reserva antecipada. Se não o fizer arrisca-se a esperar para conseguir mesa.

preço por pessoa: 15€

Pizzaria Luzzo
Rua de Santa Marta, n.º 37 e 37 A, Lisboa

terça-feira, 21 de junho de 2016

Forninho Saloio

O Forninho Saloio está no meu Top 5 de restaurantes em Lisboa. É daquelas jóias escondidas onde se levam os amigos que queremos por perto. Ser um habitué tem as suas vantagens. O tratamento VIP faz-me sempre sentir em casa. Cheguei a frequentar praticamente diariamente e assim continuaria se não tivesse mudado de emprego.

O restaurante
Escondido numa pequena travessa junto à Rua de Santa Marta, chegados à porta, podem duvidar das minhas palavras. Será o Forninho tudo o que eu digo? É. Ao almoço, sobretudo durante a semana, após às 13h00 existe fila de espera. Há que ter paciência e tempo para esperar.
As duas salas do restaurante são apertadas. Como espaço popular que é, o barulho dos comensais pode ser demasiado. Um preço a pagar pelos muitos grupos de amigos que ali se juntam e pela má acústica de um espaço construído sem os cuidados do presente.

A ementa
A ementa é formada por pratos fixos e uma vasta selecção diária onde se destacam os grelhados de peixe ou de carne. Tudo o que comi é de excelente qualidade. Sejam os bifes de atum ou de espadarte ou as tirinhas de porco preto. Batata frita à mão, comida saborosa e sem outra pretensão que não a de servir bem quem lá come.
A carta de vinhos é uma surpresa para o tipo de restaurante. Com boas referências de gama baixa ou média, eu prefiro ficar-me pela imperial. Sempre bem tirada. Gelada e que acompanha na perfeição as carnes grelhadas com mestria.
Se as doses generosas do Forninho ainda deixarem espaço para a sobremesa, é escolher de olhos fechados. A tarte de gila e pinhão é deliciosa. Mas a selecção de outras tartes e doces de taça é extensa, e vale a pena provar as várias opções.

O serviço
O serviço pode ser caótico. Apesar de eficaz e simpático, é muitas vezes condicionado pelo espaço apertado do restaurante e pela azáfama de clientes que entram e saem. A mim não me incomoda. Conheço bem todos os empregados e sou, por isso, mais tolerante. Acredito que quem procure um serviço mais profissional se possa sentir desagradado.

Veredicto
Em Lisboa é dos melhores restaurantes ao nível da relação qualidade/preço. A comida é excelente e com um preço que começa a ser raro no presente. A ir sem reservas.

preço por pessoa: 10€

Forninho Saloio
Travessa das Parreiras, 39, Lisboa

domingo, 6 de setembro de 2015

Cufra | Porto

Vamos ao Porto em trabalho e queremos aproveitar para comer uma Francesinha, sugestões?
Diversos amigos responderam e vários referiram o restaurante Cufra na Avenida da Boavista. Como era perto do hotel, aceitámos a sugestão e lá fomos nós...
(foto do facebook)

O Cufra existe desde 1974 e é uma referência na gastronomia da cidade do Porto. À boa maneira tradicional portuguesa, é restaurante, marisqueira, cervejaria e snack-bar... nos dias hoje, onde a simplicidade é um fator-chave, parece um conceito confuso, mas, para um espaço emblemático como este, não podia ser de outra forma.

Chegámos já perto das 22h, de uma quarta-feira, e posso dizer que a casa estava composta. Pareceu-me um bom sinal - ainda que não saiba se é habitual ou se foi por ser dia de meia final da Liga dos Campeões. O espaço é composto por duas salas, ambas com uma decoração antiquada - paredes de madeira, mesas com toalhas brancas, sofás vermelhos e cadeiras escuras - e com um ambiente que faz lembrar os antigos cafés/restaurantes dos anos 70/80. Não sei se é propositado, mas, a mim, parece-me é que nada mudou desde que este restaurante abriu.

Sobre o atendimento, posso dizer que está de acordo com o que se espera. Empregados com experiência que tratam os seus clientes de uma forma educada e profissional. Sem serem excessivamente simpáticos, são disponíveis e sempre preocupados.

Passando ao que verdadeiramente interessa: a comida! Ou melhor, as Francesinhas, porque é este o tema deste texto. Numa palavra, são óptimas. Não sei se são as melhores do Porto, como alguns dizem, mas são as melhores que já provei (nota: o meu conhecimento sobre Francesinhas não é muito vasto).
Optei pela Francesinha Especial com Bife, pois a Francesinha Especial (a dita "normal") é servida com lombo assado. É um pouco mais cara, mas, na minha opinião, o Bife é um ingrediente fundamental numa Francesinha.
Quando chegou à mesa, reparei que não era servida com batatas fritas. Pessoalmente, não me fez grande diferença, mas notei o espanto das pessoas que me acompanhavam que acabaram por pedir uma dose (cobrada à parte). Deixem-me, no entanto, clarificar que foi apenas porque sim, pois a quantidade da Francesinha é generosa e mais do que adequada para não se ficar com fome.
Destacando o molho, enquanto elemento mais importante e diferenciador, posso dizer que tem o equilíbrio certo para não ser excessivamente picante. Relativamente aos restante ingredientes, a qualidade é notória e encontravam-se muito bem confeccionados. Para quem gosta do bife mais mal passado, talvez seja necessário reforçar a ideia no momento do pedido.

No geral, saí satisfeita. É verdade que as expectativas não estavam muitos altas, pois, apesar de todas as recomendações, tive a oportunidade de ler alguns comentários menos positivos, mas digo que foram totalmente superadas.
Talvez este restaurante seja mais caro que outras opções de qualidade semelhante? É possível.
Talvez eu tenha tido sorte na única vez que lá fui? Também é possível.
Agora, acho, definitivamente, que o Cufra merece uma visita.

data da visita: 13.maio.2015
preço por pessoa: 21 €
(o valor inclui bebidas: cervejas, refrigerantes ou águas, sobremesas e cafés)

Cufra
Av. da Boavista 2504, Porto

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Darwin's Cafe

Já estava na to do list há algum tempo, e finalmente lá fomos. Descobri há pouco no site que é gerido pela equipa do LA CAFFÉ, marca de restauração da LANIDOR. 

O espaço
Uma decoração única, desenvolvida à volta da Origem das Espécies de Charles Darwin (o que já se faria adivinhar). É um espaço muito amplo (um enorme pé direito), e, ainda assim, muito confortável. Sendo um restaurante grande (capacidade para 116 pessoas na sala interior e 40 na esplanada), na sala interior a arrumação do espaço está feita com muito espaço entre as mesas.
Uma das coisas que mais me espantou foi o controlo acústico - restaurante absolutamente cheio e a conversa fluía sem qualquer incómodo das mesas vizinhas ou ruído de fundo.
Aconselha-se a reserva prévia de mesa - a maître d' recusou mesas uma vez que já tinham o restaurante completo com reservas naquele dia (uma sexta feira à hora de almoço a meio do mês).
A ementa
A ementa de almoço (que pode consultar aqui) apresenta uma série de opções que não nos permite identificar um estilo único - encontramos pastas, risottos, pratos tradicionais portugueses, saladas, carpaccio, tataki... É uma opção de versatilidade que permite servir uma série de apetites/gostos diferentes e que nos parece pragmática.
Decidimo-nos por um Tagliatelline com frango grelhado, legumes chineses, pesto e natas e um Brás de frango com alheira e rúcula, ambos muito bons, que acompanhámos com um Monte da Raposinha.
Da carta de sobremesas, optámos por um Creme brûlée Darwin e pelo Pudim Abade de Priscos. O creme brûlée estava óptimo, tinha uma pêra cozida escondida no creme, e era coberto com açúcar mascavado queimado na hora, o que lhe conferia um crocante delicioso. O pudim, era um pudim de ovos muito bom, mas não tinha a consistência ou textura de um verdadeiro "Abade de Priscos".

O serviço
Nota-se que existe uma forte aposta na formação da equipa de sala, pois existe cuidado e muita atenção no serviço. Melhor que isso, conseguem ao mesmo tempo ser descontraídos e simpáticos, o que só acrescenta ao conforto do restaurante.

Em resumo
Sendo um restaurante de preço mais elevado, poderá reservar a visita para uma ocasião mais especial, mas não deixe de o fazer. Tente apontar para um dia solarengo, para tirar o máximo partido do espaço e da localização junto ao rio.

data da visita: 17.abril.2015
preço por pessoa: 30 €

Darwin's Café
Champalimaud Centre for the Unknown
Av. Brasília, Ala B, Lisboa

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Popolo

Ideias para o almoço eram bem-vindas. TimeOut em cima da mesa. Numa das páginas a referência ao Popolo. Boa pinta. Vamos lá.
Existe uma nova vida na zona do Cais do Sodré e da Avenida 24 de Julho. O plano de revitalização da Câmara Municipal de Lisboa para a zona está a dar frutos. Novos espaços começam a brotar e existe agora mais um polo de atração para onde vale a pena irmos.

O restaurante
O Popolo situa-se em plena Avenida 24 de Julho, na esquina em frente ao IADE. As letras inspiradas nos anos 50 anunciam um restaurante de decoração cuidada que nos remonta a espaços industriais. Sala ampla, com uma mezzanine que convida a refeições descontraídas. A música ambiente, no volume ideal, aconchega.

A carta
O Popolo serve pratos descontraídos de inspiração italiana e americana. Os hamburgers misturam-se com as pizzas. A grande inovação deles chama-se Burguesa é uma pizzeta. Para ajudar à compreensão, trata-se de uma calzone que envolve o hamburger. A combinação dos ingredientes resulta num hamburger suculento que se mistura com o molho de tomate, o queijo e o salame.
A acompanhar uma pequena salada com rúcula e tomate cherry e um cesto de batatas fritas. Os preços fixam-se entre os 7 e os 10 euros.
Servidos em tábuas de madeira, os hamburgers ou as pizzas, tudo tinha um óptimo ar. A escolha da Burguesa revelou-se acertada, embora a cobiça pelos pratos das mesas ao lado deixe a vontade em regressar para conhecer a restante oferta.
Pizzeta Burguesa
O serviço
Dada a azáfama que Lisboa começa a revelar em descobrir novos espaços optámos por reservar mesa. Acredito que é aconselhável. Embora existam muitas mesas, a reserva garante que se evitam filas de espera. Todo o staff foi eficiente e educado. Não é um serviço extraordinário, mas não cumpre bem o que é esperado. Destaque para a simpatia com que fomos recebidos.

Veredicto
O Popolo é mais que "yet another burger restaurant". Tem uma atmosfera cosmopolita e mais adulta que as outras hamburgerias. Para quem estiver por aquela zona é uma alternativa mais que recomendável ao Mercado da Ribeira. A relação preço-qualidade é justa. Vale a pena conhecer.

preço por pessoa: entre os 12 € e os 15 €

Popolo
Av. 24 de Julho, 50, Lisboa

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Velhos Tempos Taberna | Braga

Viajar em trabalho permite-nos descobrir locais únicos. Quem habita nos sítios conhece os recantos secretos onde se levam apenas os amigos ou quem se quer impressionar. Depois de uma longa viagem de carro até Braga e terminada a reunião eis que o anfitrião nos diz: "Vou levar-vos ali a um sítio."
Esta afirmação vinda de alguém natural de Braga só pode significar que iremos descobrir um recanto de amigos. Onde as conversas fazem esquecer o tempo e a comida acompanhada do vinho, que se quer tinto, é a cereja em cima do bolo.
O Velhos Tempos Taberna diz tudo no seu nome e na porta. A madeira que se combina com a pedra transporta-nos para os tempos onde o minimalismo era coisa de gente moderna e sem gosto. No Velhos Tempos Taberna a decoração é de coisas velhas do tempo, não do desgaste. Daquelas coisas que a avó tem lá por casa e que pintam de laivos de memória alguns momentos que permanecem.

O restaurante
O espaço é intricado. Com escadas e várias salas ligadas entre si, é com se entrássemos num labirinto. À mesa, as generosas doses fazem-se destacar por entre a decoração de velharias e coisas típicas das casas dos avós. Esqueça-se por momentos os tectos altos e a mobília de linhas rectas. Abracemos as madeiras escuras e toscas que combinam na perfeição com os grandes móveis - louceiros e armários - e com a média luz que ilumina o espaço. Tivemos o privilégio de ficar na sala mais recatada do restaurante onde apenas mais duas mesas faziam companhia à nossa.
A ementa
A ementa combina os pratos do dia e Os pratos. Esqueçamos os do dia que estão ali para quem tem pressa. Nós não temos. Estamos em trabalho. Pois então, diga-nos lá o que tem para impressionar estes lisboetas esfomeados.
Ah ele é isso? Então venha de lá de entrada uns rissóis de camarão feitos de massa de pastel de massa tenra. Que delícia. O pão que é massudo e denso acompanha em beleza as azeitonas. Mas esperem, tenho ali uma alheira de caça que vão gostar. E gostámos. Muito.
Entradas - Pão, Azeitas e Alheira
Agora que o estômago já acamou que venha o rei da refeição. Rojões. Temos direito a tudo. Tripas enfarinhadas, papas de sarrabulho. Tudo serviço em doses mais que generosas como apenas alguém que gosta de impressionar faz. Algum reparo? Nem pensar! Tudo óptimo.

Rojões à Minhota (inclui tripas enfarinhadas)
Ainda há espaço? Ora pois bem, para acompanhar o café, que venha um pudim de abade de priscos que é caseiro. O melhor que já comi. Denso, de sabor intenso e rico. Não fosse o colesterol e os diabetes e ainda hoje estaria a comer fatias dele.
O vinho é uma peça chave para equilibrar tudo isto. Escolhemos de olhos fechados e confiámos na recomendação: jarro de vinho tinto da casa. Lá está. Vinho recheado em touriga nacional e tinta roriz tal as notas de frutos vermelhos. Não há madeira, mas as notas de especiarias foram muito bem com o que foi consumido.

O serviço
O serviço é impecável. Preocupado e disponível. Não foi possível avaliar a rapidez porque fomos sem pressa, mas a solicitude é digna de referência. Nada a apontar.

Veredicto
Sempre que voltar a Braga farei para ir ao Velhos Tempos Taberna. O restaurante é daquelas pérolas que surpreendem e deixam saudade.A qualidade é muito boa e os preços mais que justificados. Numa refeição que combine entradas, prato, sobremesa e vinho estaremos a falar de um valor que se situa entre os 20 e os 25 euros. A ir, sem dúvida.

preço por pessoa: entre os 20 € e os 25 €

Velhos Tempos Taberna
Rua do Carmo, 7, Braga

domingo, 19 de abril de 2015

Máfia das Pizzas

A propósito do jantar de aniversário da dc fomos à Máfia das Pizzas. Li algures, quando pesquisava sobre este restaurante, que era um espaço que trazia para Cacilhas um pouco do Trastevere.

[O Trastevere é uma zona de Roma, famosa porque ainda mantém o seu aspecto original, mas também pela sua agitada vida nocturna, com diversos bares e restaurantes fantásticos e muita animação.]

Fiquei logo entusiasmada, pois foi uma das zonas do Roma que mais gostei e onde encontrei as melhores pizzas que já provei, e posso dizer-vos já que não me senti enganada.
A Máfia das Pizzas localiza-se no centro histórico de Cacilhas, na reabilitada Rua Cândido dos Reis. Para quem, como eu, conhecia esta rua há muitos e muitos anos, foi uma boa surpresa ver o seu estado actual, com vários espaços novos para experimentar e muitas pessoas na rua.

O espaço
O restaurante é grande e tem muitas mesas, mas não se iludam, costuma estar cheio e ter fila à porta. É, também, um local de eleição para jantares de grupo (como era o nosso caso) por isso calculo que seja conveniente fazer reserva para jantar. Num sábado à noite, em que o espaço estava completamente lotado, pareceu-me ser um pouco confuso e barulhento, mas faz parte do ambiente.
Destaco ainda, à entrada, os fornos de lenha, cujo calor e o cheiro nos abrem o apetite e nos transportam para uma qualquer pizzaria tradicional italiana.

A ementa
Como seria de esperar, a oferta de pizzas é vasta. Há pizzas para todos os gostos, mais ou menos tradicionais, mais ou menos italianas, e ainda outras bem portuguesas com ingredientes como farinheira e morcela. São pizzas de massa fina e estaladiça, recheadas com dois ou três ingredientes principais, à semelhança do que se faz em Itália.
Eu sou fã deste tipo de pizzas... já tive a oportunidade de provar várias em diversos restaurantes e, por isso, é com certeza que digo que estas são fantásticas. Gostei mesmo muito. São saborosas, gulosas e de comer e chorar por mais (mas basta uma, que a quantidade é mais do que suficiente).

O serviço
Apesar do restaurante estar cheio, o serviço foi rápido e eficiente. Não posso dizer que tenha sido extremamente simpático, mas foi, sobretudo, profissional.
A nossa mesa era de 12, e, muito pouco tempo após o pedido, as pizzas chegaram, quentes e sem enganos. Pareceu-me que estão habituados a ter "a casa cheia" (e ainda bem).

Em resumo
Recomendo! É o sítio ideal para um jantar de amigos. Tem uma óptima relação qualidade/preço. A zona é agradável e está na moda.
Espero, no entanto, que não seja uma moda passageira e que as pessoas saibam que há vida para além de Lisboa. Em Almada, começa a existir uma oferta gastronómica mais moderna e apelativa... as mudanças são evidentes.
Sim, vale a pena atravessar a ponte.

data da visita: 18.abril.2015
preço por pessoa: 13,50 € (varia entre os 12 € e os 15 €)

Máfia das Pizzas
Rua Cândido dos Reis 81, Cacilhas, Almada

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sabores de Monsaraz | Monsaraz

Passámos novamente pelo Sabores de Monsaraz e não resistimos em dar-lhe novo destaque.

O restaurante
No que parece ser uma casinha tradicional da vila de Monsaraz, encontramos um restaurante de cozinha aberta para a sala de refeições, onde é possível assistir ao reboliço da chegada, confecção e saída de todos os pedidos. Se ficar à janela, ou na esplanada, poderá apreciar a vista.
Do lado de lá do balcão, as duas cozinheiras que podiam ser as nossas avós - um pouco rezinzas, mas com umas mãos de ouro. Do lado de cá, a equipa de sala, atenciosa e disponível para nos explicar todas as ofertas disponíveis na carta para esse dia.

Entrada

Sala de refeições

Vista
A carta
Com uma oferta tradicional alentejana, é difícil escolher por entre os pratos apresentados. Deixem-se guiar pelo que vos apetecer, certamente que não irá desiludir.
Neste dia, começámos pelo couvert de pão alentejano e azeitonas (clássicos e sempre bons), e uma salada de queijo fresco com agrião que nos ofereceu sabores frescos e leves como entrada.
Para o prato principal, optámos pelos (mais-que) famosos Medalhões de Porco Preto com Cebolinhas, sendo que pedimos que o acompanhamento fossem batatas fritas. A carne, fantástica, a desfazer-se ao toque do talher; as batatas, fritas em azeite, mais caseiras não poderiam ser. Acompanhámos com um Monsaraz tinto - não sabendo dar notas detalhadas sobre vinho, digo apenas que acompanhou muito bem.
Não resistimos às sobremesas, que nos esperam em cima do balcão e nos observam mal entramos na sala. Um bolo de bolacha tradicional, com aquele sabor que só as coisas feitas em casa costumam ter.

Medalhões de Porco Preto com Cebolinhas (acompanhado de batata frita)

Podem ver a carta completa aqui.

Relação qualidade/preço
Muito equilibrada. As doses são generosas, pelo que é preciso ter em atenção este ponto quando se faz o pedido (deitar fora comida tão boa é feio!). A nossa opção passou por tentarmos um equilíbrio que nos permitisse experimentar entradas, prato e sobremesa, e ficámos mesmo muito bem servidos.

Veredicto
A não perder, sem dúvida. Merece até uma visita propositada à vila de Monsaraz - porém, aconselhamos fortemente a reserva prévia.  O restaurante é muito procurado, com boas críticas no TripAdvisor, e são recusadas mesas caso as reservas já tenham lotado a sala.


preço por pessoa: 20 €

Sabores de Monsaraz
Largo de S. Bartolomeu, Monsaraz
www.saboresdemonsaraz.com | facebook

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Pastelaria Conventual - Pão de Rala | Évora

À procura de um local para o pequeno almoço, aceitámos a recomendação do Trip Advisor e visitámos a Pastelaria Conventual, em Évora, que, apesar de não ser um restaurante, merece uma nota de especial destaque.

O espaço
Num ambiente típico de uma casa de chá, a Pastelaria Conventual situa-se num pequeno largo que, apesar de estar dentro da muralha da cidade, está afastado do bulício da praça do Giraldo.
Lá dentro, mesas espaçosas de madeira escura, decoração com objectos do campo e fotografias das celebridades com a Dona Ercília, responsável pela montra de doces de aspecto irresistível que nos complica as escolhas para o pequeno-almoço. Cá fora, uma pequena esplanada que permite receber mais clientes em dias de clima ameno como os que encontrámos.

Entrada

O que nos oferece
O Pão de Rala, o doce conventual que dá o nome à casa, é a estrela, como seria de esperar. Na montra é possível também encontrar muitos mais doces do tipo conventual e também típicos da gastronomia alentejana.
No meu caso, por preferir salgados aos doces pela manhã, pedi uma simples torrada de pão alentejano e um galão, que, embora simples, me souberam à casa da avó.
No final, não resisti a provar o famoso Pão de Rala, que no fundo é um pão recheado com fios de ovos, amêndoa (e talvez gila, não sei bem). Doce, muito doce, mas a massa que envolve este recheio tem um sabor neutro que equilibra os sabores e eu, que normalmente não gosto de doces conventuais, gostei muito deste Pão de Rala. Sucesso garantido como um bom souvenir de Évora!

Montra

O serviço
Familiar, muito simpático e muito eficiente. A conjugação perfeita!

Veredicto
Claramente, paragem obrigatória numa visita a Évora! De certeza que não vai conseguir resistir àquela montra.

preço por pessoa: entre 5 € e os 10 € (peq. almoço)
pão de rala: 25 € / kg

Pastelaria Conventual - Pão de Rala
Rua do Cicioso, 47, Évora

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Taverna dos Conjurados | Vila Viçosa

Conhecido de há vários anos. Daqueles que quando reencontramos dizemos: "Estás na mesma! Não envelheces". Aninhado junto ao Paço Ducal, em Vila Viçosa, o Taverna dos Conjurados é daquelas casas que se mantém fiel aos seus princípios: simpatia no atendimento, comida de excelência, ambiente tranquilo.
A fórmula de sucesso mantém-se e a comida tradicional alentejana continua a pautar os manjares que encontramos no restaurante.

O restaurante
Localizado numa antiga cavalariça, a sala do restaurante apresenta uma decoração sóbria, onde a traça antiga se destaca. Uma nota especial para os WC que exibem lavatórios em pedra maciça que são muito raros no país. Com iluminação artificial e morna, o ambiente é tranquilo, dando espaço para conversas demoradas e para uma degustação pormenorizada das iguarias escolhidas para a refeição.

Sala de refeições

A carta
Gastronomia alentejana. Sabores clássicos. Sopas, Peixe e Carne. Alguma caça. Pratos por encomenda que nos convidam aos banquetes em frente da lareira da casa de família. Começar pelas entradas é entrar pelo mundo de queijos e de enchidos que combinados com o pão alentejano abrem o apetite para as açordas ou sopas tradicionais. No peixe realça-se o bacalhau e o cação. As estrelas estão na carne. Migas ou borrego são algumas das sugestões que podem ser encontradas no menu. Escolha à vontade. Desta vez optei pela combinação da mostra de enchidos de porco preto para entrada e para as costeletinhas de borrego. Tudo divinal. Como sobremesa um toucinho do céu para culminar o pecado em beleza. Não há dieta que resista.
No que diz respeito aos vinhos a abordagem é diferente da clássica. A recomendação recai num tinto ou num branco que são os eleitos pelo anfitrião. Pode ser consumido em jarros que vão desde os 0,25lts até ao 1lt. O tinto é sublime. Uma edição produzida apenas para o restaurante. Se ainda assim for céptico a esta abordagem existe uma oferta mais selectiva mas onde o preço é naturalmente mais elevado.

Costeletinhas de Borrego

O serviço
O serviço é muito bom. Sereno e que convida à exploração. Tudo leva o seu tempo. A honestidade e a transparência são fruto da certeza da qualidade que é servida. A cada momento é explicado o que se tem pela frente, não deixando espaço para que hajam dúvidas em relação ao que é servido. Arrisco até que num dia nos sentemos e se diga: escolha, eu confio em si.

Veredicto
O Taverna dos Conjurados é uma das referências do alentejo. Para conseguir mesa recomendo vivamente que se efectue reserva. O restaurante combina uma óptima carta com um serviço dedicado e um nível de preços que está perfeitamente ajustado. Uma refeição completa e que inclui vinho cifra-se em cerca de 25 euros por pessoa. Seja num passeio ou numa ida propositada para conhecer, o Taverna dos Conjurados é um dos restaurantes portugueses que merecem uma visita.

preço por pessoa: entre 20 € e os 25 €

Taverna dos Conjurados
Largo 25 de Abril, 12, Vila Viçosa

domingo, 5 de abril de 2015

Chouriçaria da Praça | Évora

Évora está diferente. Reinventou-se. Vibra. O fim-de-semana da Páscoa trouxe uma invasão turística à capital de distrito alentejana. Percorrer as ruas da cidade com a brisa quente de verão que perfumou a primavera foi o tónico perfeito para conhecer uma das novidades que Évora tem para descobrir, a Chouriçaria da Praça.

O restaurante
Localizado na Praça 1º de Maio, em frente ao mercado, o restaurante faz-se anunciar com uma pequena esplanada e um cartaz à porta que nos confessa quais as sugestões do dia. Lá dentro descobrimos que o minimalismo também combina com a planície alentejana. O Chouriçaria é de gente jovem, onde trabalha gente jovem, mas é frequentado por todos: novos, menos novos, portugueses, estrangeiros. É democrático.
A decoração é sóbria e fresca, juvenil. Bem iluminado, combina as linhas rectas da mobília com os tectos arqueados e alvos da arquitectura tradicional.

Sala do restaurante

A carta
Diversidade é um eufemismo para a multiplicidade de opções da carta do Chouriçaria. Tostas, bifes, petiscos, saltadas. Tudo é possível. Entrámos com a esperança de comer os muito bem reputados pães com chouriço de porco preto ou de farinheira. Estavam esgotados.
Gorada a expectativa, enveredámos pelos petiscos. O pão alentejano acompanhado pelo azeite aromatizado com orégãos, azeitonas com alho, ovos mexidos com farinheira de porco preto, tábua de queijo com compota de tomate. Tudo 5 estrelas. Bem servido, bem confeccionado. Com espaço ainda para mais, pedimos o chouriço de porco pretos assado e as batatas maltesas (até aqui totalmente desconhecidas). A qualidade manteve-se.
A oferta de vinhos deixa a desejar. Embora existam opções a copo ou em garrafa, a filosofia do restaurante permite claramente a evolução deste aspecto. O tinto servido a copo está longe da qualidade da comida.

Tábua de queijo com compota de tomate | Ovos mexidos com farinheira de porco preto

O serviço
Com uma simpatia e uma disponibilidade totais, todos os empregados foram impecáveis. Mesmo quando desafiados com perguntas mais complicadas responderam de forma descomplexada. Jovens e com dinâmica, contrariam a frase que está escrita por cima do relógio parado e que nos diz para não termos pressa.

Veredicto
Descobrir o Chouriçaria na Praça foi uma agradável surpresa. Longe do reboliço da Praça do Giraldo, o restaurante é uma alternativa mais que aconselhável para os restaurantes tradicionais e que permitem ter contacto com os sabores alentejanos sem a carga da tradição, muitas vezes demasiado pesada para um jantar, como foi o caso. Os preços são mais que justos para a qualidade das propostas. Cada petisco ronda os 4 a 7 euros. Sempre que se proporcionar uma ida a Évora, o Chouriçaria estará na minha lista de locais a revisitar. A ir. Definitivamente.

preço por pessoa: entre os 10 € e os 15 €

Chouriçaria da Praça
Praça 1º de Maio, 27, Évora

terça-feira, 31 de março de 2015

Restaurante Gonçalo's

O restaurante
Localizado junto à Avenida de Berna, quem passar à porta ficará com a impressão que o Gonçalo's é um café/pastelaria. Localizada ao fundo, a sala de refeições serve de espaço espartano para repastos que fazem inveja ao tempo medieval. Com uma sala simples mas bem iluminada, o muito ruído que se faz sentir é sinónimo de almoços de colegas que partilham ali as suas peripécias laborais ou então o futuro do país que se mistura com o rescaldo futebolístico do fim-de-semana.

A carta
A carta é curta e as estrelas são os pratos do dia que contam sempre com doses generosas de boa comida. Sou habitué no Gonçalo's e sempre que o visito divido-me entre a Posta de Vitela ou o Entrecote à Cortador. Ambas as doses são mais que suficientes para duas pessoas. A carne, tenra e muito bem temperada, é a rainha de um almoço que apenas deixa espaço para o café.
Se o objectivo for comer algo mais leve, os restantes pratos do dia oferecem soluções como os filetes ou as febras. A minha recomendação é ir para provar os nacos de carne sobre os quais recaem sempre as minhas escolhas. Para comer os outros pratos só mesmo se estiver de dieta. Apesar de nunca ter provado as outras ofertas gastronómicas, acredito que a qualidade se mantenha.

Relação qualidade/preço
A relação qualidade/preço é surpreendente. Uma Posta de Vitela é um naco de carne que alimenta duas pessoas tranquilamente e que vem acompanhada de uma travessa com esparregado, arroz branco e batatas fritas (caseiras) que são um regalo e pelo qual se paga 12€. Vinhos nunca explorei. Fiquei-me sempre pela imperial que combina bem com a densidade da carne e convida ao refresco do palato saturado pela quantidade da carne ingerida.

Veredicto
O Gonçalo's é um restaurante simples, de serviço simpático e eficaz, que faz parte do mapa diário dos lisboetas que trabalham nas imediações da Avenida de Berna.
O estacionamento, apesar de pago, fica numa zona verde e é fácil de conseguir.
Deve-se chegar cedo. O número de mesas é reduzido e quem chegar após às 12h30 arrisca-se a esperar um bom bocado.
Para quem gostar de carne e se quiser gastar pouco, o Gonçalo's é o restaurante a visitar.

preço por pessoa: 10€

Restaurante Gonçalo's
Rua Tenente Espanca 36-B, Lisboa


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Bombordo | Aveiro


Adenda

Em agosto.2014:

Recebemos um e-mail por parte da nova gerência do Bombordo que nos informa que, actualmente, este restaurante em Aveiro tem cozinha e staff renovados, a par com uma remodelação do espaço. Informa também que a nova gerência não se revê "na atitude descrita e praticada pela antiga gerência."
Se tivermos oportunidade, faremos uma nova visita ao renovado Bombordo.
Caso algum dos leitores passe por lá, agradecemos que nos deixe a sua opinião.

Em julho.2013:

Normalmente escrevemos relatos das nossas visitas com princípio, meio e fim... mas esta é uma história diferente...

Em Aveiro com a família, à procura de um restaurante com esplanada onde pudéssemos estar com o cão, encontrámos o Bombordo, na Praça do Mercado do Peixe.
Sentámo-nos, ainda antes das 13h00, esperámos uns 5 minutos pela ementa, outros 10 para que viessem recolher o pedido e lá pedimos 5 doses do prato do dia (filetes de pescada), porque precisávamos que a refeição não demorasse muito tempo. Entendemos a demora inicial porque o empregado que nos calhou era claramente um estudante a ocupar o tempo de férias com um trabalhito de verão e não nos preocupámos mais. Meia hora depois, o empregado regressa à nossa mesa, para dizer que, lamentavelmente, os filetes de pescada já tinham acabado. À nossa volta, nenhuma mesa tinha filetes e não vimos sair uma dose dos ditos durante todo o tempo que lá estivemos. Em seguida,  à pergunta "então e agora o que é que têm que seja rápido de sair?", a resposta (depois de ir verificar com a cozinha) foi "carne assada". Relembro que estávamos em Aveiro, junto ao mercado do Peixe. Desistimos, pagámos as bebibas (porque já as tínhamos bebido) e fomos em busca de uma qualquer outra alternativa... o que às 13h45 não se adivinhava fácil.

Em casa fui espreitar o Trip Advisor onde verifiquei que existiam vários relatos de situações semelhantes ou igualmente más. Pena que nem sempre haja tempo para ir à internet antes de escolher um restaurante.

Para o Bombordo em Aveiro fica um aviso... escolham outro!

data da visita: 21.julho.2013

O Bombordo
Praça do Mercado do Peixe, Aveiro

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Taberna Rua das Flores

Mais uma taberna em Lisboa... desta vez, a Taberna da Rua das Flores, situada na dita rua. Devido ao letreiro que tem à porta, à primeira vista, pode passar por uma mercearia. Esta taberna, das muitas que agora existem pela cidade, é aquela cujo espaço (talvez) mais se aproxima das antigas e originais tabernas.


O seu espaço exíguo, estreito, soturno (pelo menos à noite), com uma decoração e mobiliário mais do que rústicos, remete-nos para o antigamente, onde almas penadas bebem o seu copo de vinho tinto enquanto pesticam umas petingas ou uns peixinhos da horta. É um restaurante carregado de nostalgia e romantismo, de uma Lisboa que já não existe, mas que, com melhores condições, se tenta reavivar. Atenção, este esforço retro, sendo louvável, pode tornar-se inconveniente para o cliente mais desprevenido, não se aceitam reservas de mesa e o único meio de pagamento disponível é o dinheiro.

(imagem do facebook)

Sobre a comida (a ementa escrita numa ardósia pode mudar diariamente, de acordo com os ingredientes do dia) a Taberna da Rua das Flores serve, principalmente, petiscos. Pratos de rápida, mas excelente, confecção. Alguns exemplos são as Lamejinhas à Bulhão Pato, os Fígados de Aves com Maçã Verde e a Trouxa de Alheira com Ovo Cremoso, que tive a oportunidade de experimentar.

Sucintamente, e para quem não conhece, as Lamejinhas são semelhantes às Ameijoas, apenas menores e menos saborosas, porém, neste prato em particular, o molho, estava excelente o que obrigou a que se pedisse mais um ou dois cestos de pão. Os Fígados de Aves foram o meu petisco exclusivo, pois quem me acompanhava não aprecia o que de mais rústico e saboroso a natureza nos oferece. Melhor para mim, pois aquele sabor do fígado, ligeiramente mal passado (ok, talvez não seja a coisa mais segura...), equilibrado com a acidez da maçã verde, foi a combinação perfeita. Por fim, a Trouxa de Alheira com Ovo Cremoso foi o "peso pesado" da refeição, uma autêntica e saborosa dose de calorias, onde o forte sabor da Alheira foi suavizado pela gema cremosa do ovo.
Ainda no capítulo da comida, para desenjoar, destaca-se a dose de Romeu e Julieta. Não, não se tratava de um gelado de uma qualquer marca, mas sim de queijo de ovelha meio curado acompanhado de marmelada caseira. O queijo era muito bom, sem dúvida, sendo um daqueles queijos que mais facilmente encontramos nas cidades mais pequenas e não em Lisboa. A marmelada também era boa, parecendo genuinamente caseira... não vou entrar em grandes comentários pois não tenho conhecimentos suficientes para tal.

Quanto às bebidas, foi pedida uma Limonada, simples, boa e com um sabor autêntico (nada a ver com as limonadas industriais que se encontram por aí) e experimentado o vinho branco da casa. Não há grandes mistérios, era fresco e leve como se espera de um vinho de mesa que acompanha petiscos. Não era um Colares ou um Sauvignon Blanc, mas cumpriu com competência a sua função, especialmente se considerarmos que estava uma noite agradável que pedia uma bebida fresca. Já li algures que a Taberna da Rua das Flores serve uma cerveja artesanal chamada "Sovina". Há que confirmar esta informação numa próxima visita.

O serviço é ligeiramente atabalhoado, porém sempre simpático e prestável, além de rápido a servir. Assim, no que diz respeito à relação qualidade/serviço/preço, um valor de, aproximadamente, 40 euros para duas pessoas, por três excelentes petiscos, sobremesas, mais bebidas (com dois jarros de vinho) e cafés, parece-me aceitável nos dias de hoje.

Em jeito de recomendação final, a Taberna da Rua das Flores é uma excelente opção a ter em conta para aqueles jantares de grupos pequenos em que o objectivo é partilhar e provar um pouco dos vários petiscos pedidos.

...

Este texto descreve a minha primeira visita à Taberna da Rua das Flores, em Abril de 2013, e foi partilhado, sensivelmente, há um ano atrás. Desde aí, este espaço tornou-se um dos meus restaurantes favoritos onde já fui por diversas vezes.

Já tive a oportunidade de experimentar muitos e diferentes petiscos, e recomendo, se tiverem a sorte de os encontrar na ementa: salada desfeita de bacalhau (bacalhau desfiado, puré de grão, cebola e pimentos - infelizmente só comi este prato uma vez, mas é memorável), lagartos de porco preto (tiras de porco preto grelhadas com cebola e salsa - simples, mas delicioso), queijo de cabra panado (3 "rodelas" de queijo de cabra de sabor bastante forte acompanhadas por compotas doces e salada - este é um prato que está muitas vezes presente na ementa e que, desde que provei, é sempre escolhido) e massa japonesa com choco (massa japonesa, choco, tinta de choco, cebola e salsa - provei este prato na minha última visita à Taberna da Rua das Flores há cerca de duas semanas... nunca o tinha encontrado na ementa, mas espero que por lá se mantenha).

(os nomes não são, exactamente, estes, mas fica a ideia geral do prato)

Referi, anteriormente, que iria provar a cerveja artesanal "Sovina" numa próxima visita. Pois bem, entretanto provei e, posteriormente, comprei numa loja retro da moda duas “Sovinas” de diferentes sabores (versão litrosa), pois de facto é um produto muito interessante. Não estando ainda ao nível de uma cerveja trapista belga, é um produto realmente diferente no panorama cervejeiro nacional. Não tendo experimentado a “preta”, todas as suas diferentes versões caracterizam-se por serem leves e delicadas, com um ligeiro sabor amargo/doce, dependendo do tipo de cerveja escolhido. Um ponto a melhorar? O facto de “morrer” muito rapidamente, sendo que o facto de ser uma cerveja artesanal não é desculpa.

Continuo a recomendar a Taberna da Rua das Flores, por tudo o que já descrevi, mas, agora, também, pela consistência… ao longo das várias visitas a qualidade é constante e as expectativas alcançadas.

preço por pessoa: entre os 20 € e os 25 €

Taberna da Rua das Flores
Rua das Flores, 103, Lisboa

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Kampai - Sushi dos Açores

No que diz respeito a restaurantes de sushi, aqui no "do chefe ao chef" já descrevemos um conjunto considerável de experiências, talvez, em detrimento de outros géneros de gastronomia. É um facto que os bloggers deste espaço gostam muito de sushi, logo, se um bom restaurante deste género de comida nos proporciona uma boa experiência, penso que a devemos partilhar. 
(ver imagem aqui)

A última boa experiência de sushi que tive foi no Kampai, um pequeno restaurante, situado na Calçada da Estrela (próximo da Assembleia da República), com motivos decorativos relacionados com a pesca, em particular, a do Atum. O ambiente é descontraído, sendo que no caso desta experiência, o atendimento foi para além de profissional. Foi excepcional, mas apenas o foi, a partir do momento em que eu e a minha companhia demonstrámos alguns conhecimentos sobre a matéria e questionámos se o sushiman não teria passado no saudoso Aya. Touché! Começou todo um serviço fora do comum, com explicações importantes sobre o funcionamento do restaurante, o seu relacionamento com os fornecedores, a qualidade que exigem, a sazonalidade com que servem alguns peixes, bem como, as novidades que tinham na sua carta, entre outros temas. Tudo isto de um modo descontraído, sem ser intrusivo, nem "graxista", apenas um conjunto de conversas entre apreciadores de sushi.
(ver imagem aqui)

Relativamente ao sushi, ainda a propósito do serviço do Kampai, o sushiman teve de facto a sua formação no Aya, o que se tornou evidente no corte das peças, na apresentação de alguns pratos e na qualidade do peixe servido. Felizmente, o que então foi previsto nas últimas linhas do post do Aya, está a verificar-se...

Mas o que torna este restaurante de sushi assim tão diferente? As peças têm boas proporções? Sim. O peixe é fresco e de óptima qualidade? Sim. Os pratos tradicionais de sushi são muito bons? Sim. Poderia descrever outras qualidades neste restaurante, mas o que realmente distingue o Kampai de outros excelentes restaurantes de sushi locais é a sua oferta, sem dúvida, diferenciadora. À excepção do Salmão, todos os restantes peixes são provenientes dos Açores, inclusive o Atum, que, diga-se de passagem, é muito bom, dos melhores que já comi em Lisboa. Contudo, após provar o Lírio, cujo sabor e consistência, na minha opinião, são melhores que os do Atum, nada mais será o mesmo para mim em termos de sushi. Atingi um outro nível de exigência, talvez o equivalente ao alcançar do Nirvana para os budistas. Da próxima vez que voltar ao Kampai, arrisco-me a sair de lá desiludido, pois nem sempre este peixe está disponível, mesmo quando estamos na sua época de pesca. O seu sabor, o bom corte e proporção das suas peças serão difíceis de suplantar nos próximos tempos, isso é garantido. Também nos foi servido o Chicharro, um peixe cuja consistência é áspera e o sabor é ácido, mas que não deixa de ser diferente do que estou habituado nos restaurantes de sushi em Portugal.
(ver imagem aqui)

Para finalizar, tem que ser feita uma menção à entrada e sobremesa provadas. As Gyosas foram feitas na hora, o que, naturalmente, lhes deu um sabor melhor. Quanto à sobremesa, provei um bom e cremoso bolo de chocolate, acompanhado por uma bola de gelado de Chá Verde e ainda uma bola de gelado de Sésamo, oferta da casa. Admito que não apreciei muito este último sabor.

Toda esta experiência, certamente única e nos próximos tempos difícil de igualar, teve como preço final o valor de 68 €, ao que incluo as habituais águas, chás verdes e cafés. Por duas pessoas, sushi a este nível a  34 € / pessoa, certamente, verificarão que não é caro. Basta lerem e compararem o que está escrito neste post com outras experiências de sushi que anteriormente partilhámos...

data da visita: 19.julho.2013
preço por pessoa: 34 €

Kampai
Calçada da Estrela, 35-37, Lisboa

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Doce Infusão | Aveiro

No seguimento do relato sobre o restaurante Bombordo, merece uma referência muito positiva, a casa de chá que nos salvou o almoço...

Pois claro que às quase 14h00 de um dia de sol todos os restaurantes da baixa de Aveiro com esplanada estavam mais do que cheios.

Depois de umas voltas, lá encontrámos a Doce Infusão que servia umas tostas e umas saladas. O serviço destacou-se, de imediato, pela simpatia do empregado - também ele estudante a ocupar o tempo de férias, mas com toda uma outra atitude positiva perante o trabalho e os clientes. Explicámos-lhe antecipadamente o episódio anterior e porque já estávamos a ficar sem tempo, pedimos o favor de acelerarem o nosso pedido.
E assim foi... um serviço impecável e rápido, dentro das possibilidades porque afinal a casa é pequena, com (ainda) alguma variedade dentro dos almoços rápidos. Tanto as saladas como as tostas que pedimos e o wrap que ainda veio para o lanche, estavam óptimos! 

A Doce Infusão aposta, claramente, numa oferta caseira com opções saudáveis e num serviço acolhedor. Tem tudo o que precisa para ser um sucesso, basta que se mantenham como estão!

Se estiverem por Aveiro, à procura de um sítio para um almoço leve e rápido, ou mesmo para lanchar, não deixem de passar por lá!

data da visita: 21.julho.2013

Doce Infusão
Largo da Apresentação, 3A, Aveiro

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Estoril Mandarim

Tínhamos este cartão Time Out 2por1 para gastar, mas estávamos hesitantes... Será o Estoril Mandarim um restaurante chinês assim tão diferente que compense a viagem até ao Estoril e o facto de ser mais caro? Fomos à descoberta!

O Estoril Mandarim pretende trazer para Portugal a alta cozinha da região de Kuong Tong, sendo muito famoso o seu pato à Pequim (recomendado pela Time Out). 
Ora, se este é o prato estrela, decidimos pedi-lo. Composto por um animal de cerca de 2,400 kg, é dividido em duas partes: a primeira onde é servida a pele estaladiça do pato para ser degustada envolvida em massa fresca (e molho agridoce para quem quiser). A seguir, a carne é servida como segundo prato, fatiada ou enrolada em alface. 

Não deixando de ser um restaurante chinês (com o centro da mesa rotativo) pedimos outros pratos para partilhar:
- chao min de vaca: estava bastante saboroso e com tudo o que se espera que seja um chao min de vaca;
- porco panado com castanha de água: um prato que nenhum de nós conhecia e que pedimos para experimentar. Foi uma pequena decepção porque não tinha sabor nenhum;
- gambas com ovos: se era suposto ser um prato chinês, para nós não passou de uns ovos mexidos banais, sendo possível encontrar melhores opções noutros locais;
- arroz chau chau com clara de ovo e espargos: decidimos inovar, também, no pedido do arroz, mas, mais uma vez, esta mistura não tinha nada de extraordinário nos sabores;
- galinha frita com sésamo e molho de limão: um prato de sabor muito suave (para alguns quase sem sabor), mas não era mau.

Em resumo, nenhum dos pratos nos surpreendeu, nenhum dos pratos nos pareceu de qualidade muito superior aos encontrados em outros restaurantes chineses e, obviamente, nenhum dos pratos mereceu o dinheiro que por eles pedem.

Para sobremesa, optámos pelos típicos banana e ananás fa-si. Estavam ambos bons e muito bem confeccionados. f. pediu, ainda, um pudim de manga, cuja consistência se assemelhava a um pudim instantâneo, mas cujo sabor genuíno a manga e os pedaços desta fruta lá no meio, o fizeram acreditar ser um pudim a sério.  

A acompanhar a refeição esteve o vinho tinto Duas Quintas 2008, consistente e intenso - bom, muito bom. Quem não bebeu álcool ficou-se pela água porque a coca-cola, pedida por duas vezes, nunca chegou ao seu destino.

O serviço, cordial desde o momento em que chegámos, perdeu o brilho (e o brio) no final da refeição, onde até ouvimos uma "boca" foleira por causa de usarmos o cartão Time Out, tendo mesmo sido pressionados para sair rapidamente. Ficamos sem perceber porque é que um restaurante que adere a estas promoções depois trata desta forma inferior os clientes que a elas aderem (nunca antes nos tinha acontecido, felizmente).

Considerando a qualidade nada extraordinária e este triste final de refeição, para nós, o Estoril Mandarim não passa de um restaurante chinês (mesmo) muito caro, até para quem decide usar alguma promoção. Um conselho... guardem o investimento para outros restaurantes que façam por merecer o dinheiro pago pelos clientes.

data da visita: 13.abril.2013
preço por pessoa: 22,35 € (com desconto 2por1)
preço por pessoa: 35,00 € (sem desconto 2por1)

Estoril Mandarim

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cá-Te-Espero | Santo Tirso

" - Ai estão no Norte e querem ir a um sítio tradicional?" - questionou um dos meus pares.
" - Sim..." - respondeu o outro, já com receio do que aí poderia vir.
" - Então vamos ao "Cá-Te-Espero" que já vão ver." - retorquiu o primeiro com um sorriso malicioso.

(ver imagem aqui)

Com uma forte probabilidade deste diálogo ter sido aligeirado, a verdade é que algo de impressionante nos esperava no "Cá-Te-Espero", um restaurante ultra-tradicional de Santo Tirso. Situado à beira da N-105, actual Av. da Boavista, em Rebordões, Sto. Tirso, o "Cá-Te-Espero" é um espaço muito frequentado pela população local, sempre com boas casas, mesmo a meio da semana. É daqueles sítios em que a família toda vai jantar ou então, os patrões (empresários?) locais juntam-se para discutir o último negócio do mês.

O restaurante está situado numa cave com um pé direito baixo, que combinado com uma casa cheia, proporciona um ambiente barulhento, mas sempre animado. Óbvio que para esta animação, contribuem a decoração do espaço, entre o rústico e o muito familiar, pois o espaço assemelha-se às salas de jantar das casas antigas daquela zona. O serviço também contribui para este ambiente descontraído, pois neste espaço dispensam-se certo tipo de formalismos.

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(ver imagem aqui)

Mas o que realmente faz a fama do "Cá-Te-Espero" não é o seu espaço e natural simpatia do seu serviço, mas sim o que ali se serve. No "Cá-Te-Espero", o menu eventualmente pode auxiliar a escolha da comida, mas quem lá trabalha é quem indica o que naquele momento compensa ser servido, consoante a quantidade de pessoas à mesa. Falar numa refeição para duas ou três pessoas é inútil, pois apenas as entradas fariam o jantar de muitas pessoas. 

Não tendo sido escolhida qualquer entrada, foram servidas à mesa um Pernil de Porco gigante, bem cozido e muito saboroso, acompanhado por uma Morcela que fez as delícias de quem a provou, bem como, de um Chouriço de Sangue fantástico. Para além do Pernil, uma tigelinha de Favas com Chouriço, que pelo aspecto, para quem aprecia favas, deveriam ser óptimas. Também foi servido um prato de Rojões à Minhota, que acabaram comigo de tão deliciosos que eram. Por fim, para além de um Queijo de Cabra Curado que cumpriu a sua tarefa, havia um Presunto com Melão óptimo. As fatias eram finas e com a tira de gordura necessária para lhe dar sabor, sem que com isso o Presunto fosse uma daquelas coisas todas gordurosas que por aí se vendem actualmente. O Melão, mesmo fora de época, era fresco e doce, o que naquele ambiente abafado, caiu mesmo bem.

Quanto ao prato principal, não sei como, mas ainda consegui arranjar espaço para um Cabrito Assado no forno, com Legumes e Batata. A acompanhar um Arroz no forno, servido numa terrina própria de barro, mas que eu pessoalmente não apreciei, pois achei-o demasiado seco. O que importa destacar é o Cabrito, que normalmente é apelidado de "a vergonha da cozinheira", por causa da quantidade de ossos que ficam no prato e da pouca carne que se come, mas este não era certamente o caso. Bons pedaços de carne, suculenta, com um sabor intenso e diferente de tudo o que estamos habituados, mesmo quando comparado ao Borrego, estava excelente. Os acompanhamentos estavam também bons, em particular a batata, mas ao contrário do que, por vezes, sucedeu nestas voltas que dei pelo Norte de Portugal, desta vez, os acompanhamentos não eram melhores que o prato principal.

Quanto às sobremesas, que me recorde, ninguém teve coragem de as experimentar, mas dizem que o Leite Creme Queimado é qualquer coisa... Fica para uma próxima, bem como, um vinho tinto local para acompanhar a refeição, ao invés do espumante tinto que nos garantiram que seria a melhor opção. 

No que diz respeito ao preço, quero acreditar naquilo que diversas fontes indicam, que o preço médio por pessoa é de 15€, o que convenhamos, fazendo a relação quantidade/qualidade/preço, é uma excelente relação. 

data da visita: 20.março.2013
preço por pessoa: 15 €

Restaurante Cá-Te-Espero
Av. Boavista, 113, Rebordões
Santo Tirso