quinta-feira, 9 de abril de 2015

Taverna dos Conjurados | Vila Viçosa

Conhecido de há vários anos. Daqueles que quando reencontramos dizemos: "Estás na mesma! Não envelheces". Aninhado junto ao Paço Ducal, em Vila Viçosa, o Taverna dos Conjurados é daquelas casas que se mantém fiel aos seus princípios: simpatia no atendimento, comida de excelência, ambiente tranquilo.
A fórmula de sucesso mantém-se e a comida tradicional alentejana continua a pautar os manjares que encontramos no restaurante.

O restaurante
Localizado numa antiga cavalariça, a sala do restaurante apresenta uma decoração sóbria, onde a traça antiga se destaca. Uma nota especial para os WC que exibem lavatórios em pedra maciça que são muito raros no país. Com iluminação artificial e morna, o ambiente é tranquilo, dando espaço para conversas demoradas e para uma degustação pormenorizada das iguarias escolhidas para a refeição.

Sala de refeições

A carta
Gastronomia alentejana. Sabores clássicos. Sopas, Peixe e Carne. Alguma caça. Pratos por encomenda que nos convidam aos banquetes em frente da lareira da casa de família. Começar pelas entradas é entrar pelo mundo de queijos e de enchidos que combinados com o pão alentejano abrem o apetite para as açordas ou sopas tradicionais. No peixe realça-se o bacalhau e o cação. As estrelas estão na carne. Migas ou borrego são algumas das sugestões que podem ser encontradas no menu. Escolha à vontade. Desta vez optei pela combinação da mostra de enchidos de porco preto para entrada e para as costeletinhas de borrego. Tudo divinal. Como sobremesa um toucinho do céu para culminar o pecado em beleza. Não há dieta que resista.
No que diz respeito aos vinhos a abordagem é diferente da clássica. A recomendação recai num tinto ou num branco que são os eleitos pelo anfitrião. Pode ser consumido em jarros que vão desde os 0,25lts até ao 1lt. O tinto é sublime. Uma edição produzida apenas para o restaurante. Se ainda assim for céptico a esta abordagem existe uma oferta mais selectiva mas onde o preço é naturalmente mais elevado.

Costeletinhas de Borrego

O serviço
O serviço é muito bom. Sereno e que convida à exploração. Tudo leva o seu tempo. A honestidade e a transparência são fruto da certeza da qualidade que é servida. A cada momento é explicado o que se tem pela frente, não deixando espaço para que hajam dúvidas em relação ao que é servido. Arrisco até que num dia nos sentemos e se diga: escolha, eu confio em si.

Veredicto
O Taverna dos Conjurados é uma das referências do alentejo. Para conseguir mesa recomendo vivamente que se efectue reserva. O restaurante combina uma óptima carta com um serviço dedicado e um nível de preços que está perfeitamente ajustado. Uma refeição completa e que inclui vinho cifra-se em cerca de 25 euros por pessoa. Seja num passeio ou numa ida propositada para conhecer, o Taverna dos Conjurados é um dos restaurantes portugueses que merecem uma visita.

preço por pessoa: entre 20 € e os 25 €

Taverna dos Conjurados
Largo 25 de Abril, 12, Vila Viçosa

domingo, 5 de abril de 2015

Chouriçaria da Praça | Évora

Évora está diferente. Reinventou-se. Vibra. O fim-de-semana da Páscoa trouxe uma invasão turística à capital de distrito alentejana. Percorrer as ruas da cidade com a brisa quente de verão que perfumou a primavera foi o tónico perfeito para conhecer uma das novidades que Évora tem para descobrir, a Chouriçaria da Praça.

O restaurante
Localizado na Praça 1º de Maio, em frente ao mercado, o restaurante faz-se anunciar com uma pequena esplanada e um cartaz à porta que nos confessa quais as sugestões do dia. Lá dentro descobrimos que o minimalismo também combina com a planície alentejana. O Chouriçaria é de gente jovem, onde trabalha gente jovem, mas é frequentado por todos: novos, menos novos, portugueses, estrangeiros. É democrático.
A decoração é sóbria e fresca, juvenil. Bem iluminado, combina as linhas rectas da mobília com os tectos arqueados e alvos da arquitectura tradicional.

Sala do restaurante

A carta
Diversidade é um eufemismo para a multiplicidade de opções da carta do Chouriçaria. Tostas, bifes, petiscos, saltadas. Tudo é possível. Entrámos com a esperança de comer os muito bem reputados pães com chouriço de porco preto ou de farinheira. Estavam esgotados.
Gorada a expectativa, enveredámos pelos petiscos. O pão alentejano acompanhado pelo azeite aromatizado com orégãos, azeitonas com alho, ovos mexidos com farinheira de porco preto, tábua de queijo com compota de tomate. Tudo 5 estrelas. Bem servido, bem confeccionado. Com espaço ainda para mais, pedimos o chouriço de porco pretos assado e as batatas maltesas (até aqui totalmente desconhecidas). A qualidade manteve-se.
A oferta de vinhos deixa a desejar. Embora existam opções a copo ou em garrafa, a filosofia do restaurante permite claramente a evolução deste aspecto. O tinto servido a copo está longe da qualidade da comida.

Tábua de queijo com compota de tomate | Ovos mexidos com farinheira de porco preto

O serviço
Com uma simpatia e uma disponibilidade totais, todos os empregados foram impecáveis. Mesmo quando desafiados com perguntas mais complicadas responderam de forma descomplexada. Jovens e com dinâmica, contrariam a frase que está escrita por cima do relógio parado e que nos diz para não termos pressa.

Veredicto
Descobrir o Chouriçaria na Praça foi uma agradável surpresa. Longe do reboliço da Praça do Giraldo, o restaurante é uma alternativa mais que aconselhável para os restaurantes tradicionais e que permitem ter contacto com os sabores alentejanos sem a carga da tradição, muitas vezes demasiado pesada para um jantar, como foi o caso. Os preços são mais que justos para a qualidade das propostas. Cada petisco ronda os 4 a 7 euros. Sempre que se proporcionar uma ida a Évora, o Chouriçaria estará na minha lista de locais a revisitar. A ir. Definitivamente.

preço por pessoa: entre os 10 € e os 15 €

Chouriçaria da Praça
Praça 1º de Maio, 27, Évora

terça-feira, 31 de março de 2015

Restaurante Gonçalo's

O restaurante
Localizado junto à Avenida de Berna, quem passar à porta ficará com a impressão que o Gonçalo's é um café/pastelaria. Localizada ao fundo, a sala de refeições serve de espaço espartano para repastos que fazem inveja ao tempo medieval. Com uma sala simples mas bem iluminada, o muito ruído que se faz sentir é sinónimo de almoços de colegas que partilham ali as suas peripécias laborais ou então o futuro do país que se mistura com o rescaldo futebolístico do fim-de-semana.

A carta
A carta é curta e as estrelas são os pratos do dia que contam sempre com doses generosas de boa comida. Sou habitué no Gonçalo's e sempre que o visito divido-me entre a Posta de Vitela ou o Entrecote à Cortador. Ambas as doses são mais que suficientes para duas pessoas. A carne, tenra e muito bem temperada, é a rainha de um almoço que apenas deixa espaço para o café.
Se o objectivo for comer algo mais leve, os restantes pratos do dia oferecem soluções como os filetes ou as febras. A minha recomendação é ir para provar os nacos de carne sobre os quais recaem sempre as minhas escolhas. Para comer os outros pratos só mesmo se estiver de dieta. Apesar de nunca ter provado as outras ofertas gastronómicas, acredito que a qualidade se mantenha.

Relação qualidade/preço
A relação qualidade/preço é surpreendente. Uma Posta de Vitela é um naco de carne que alimenta duas pessoas tranquilamente e que vem acompanhada de uma travessa com esparregado, arroz branco e batatas fritas (caseiras) que são um regalo e pelo qual se paga 12€. Vinhos nunca explorei. Fiquei-me sempre pela imperial que combina bem com a densidade da carne e convida ao refresco do palato saturado pela quantidade da carne ingerida.

Veredicto
O Gonçalo's é um restaurante simples, de serviço simpático e eficaz, que faz parte do mapa diário dos lisboetas que trabalham nas imediações da Avenida de Berna.
O estacionamento, apesar de pago, fica numa zona verde e é fácil de conseguir.
Deve-se chegar cedo. O número de mesas é reduzido e quem chegar após às 12h30 arrisca-se a esperar um bom bocado.
Para quem gostar de carne e se quiser gastar pouco, o Gonçalo's é o restaurante a visitar.

preço por pessoa: 10€

Restaurante Gonçalo's
Rua Tenente Espanca 36-B, Lisboa


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Bombordo | Aveiro


Adenda

Em agosto.2014:

Recebemos um e-mail por parte da nova gerência do Bombordo que nos informa que, actualmente, este restaurante em Aveiro tem cozinha e staff renovados, a par com uma remodelação do espaço. Informa também que a nova gerência não se revê "na atitude descrita e praticada pela antiga gerência."
Se tivermos oportunidade, faremos uma nova visita ao renovado Bombordo.
Caso algum dos leitores passe por lá, agradecemos que nos deixe a sua opinião.

Em julho.2013:

Normalmente escrevemos relatos das nossas visitas com princípio, meio e fim... mas esta é uma história diferente...

Em Aveiro com a família, à procura de um restaurante com esplanada onde pudéssemos estar com o cão, encontrámos o Bombordo, na Praça do Mercado do Peixe.
Sentámo-nos, ainda antes das 13h00, esperámos uns 5 minutos pela ementa, outros 10 para que viessem recolher o pedido e lá pedimos 5 doses do prato do dia (filetes de pescada), porque precisávamos que a refeição não demorasse muito tempo. Entendemos a demora inicial porque o empregado que nos calhou era claramente um estudante a ocupar o tempo de férias com um trabalhito de verão e não nos preocupámos mais. Meia hora depois, o empregado regressa à nossa mesa, para dizer que, lamentavelmente, os filetes de pescada já tinham acabado. À nossa volta, nenhuma mesa tinha filetes e não vimos sair uma dose dos ditos durante todo o tempo que lá estivemos. Em seguida,  à pergunta "então e agora o que é que têm que seja rápido de sair?", a resposta (depois de ir verificar com a cozinha) foi "carne assada". Relembro que estávamos em Aveiro, junto ao mercado do Peixe. Desistimos, pagámos as bebibas (porque já as tínhamos bebido) e fomos em busca de uma qualquer outra alternativa... o que às 13h45 não se adivinhava fácil.

Em casa fui espreitar o Trip Advisor onde verifiquei que existiam vários relatos de situações semelhantes ou igualmente más. Pena que nem sempre haja tempo para ir à internet antes de escolher um restaurante.

Para o Bombordo em Aveiro fica um aviso... escolham outro!

data da visita: 21.julho.2013

O Bombordo
Praça do Mercado do Peixe, Aveiro

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Taberna Rua das Flores

Mais uma taberna em Lisboa... desta vez, a Taberna da Rua das Flores, situada na dita rua. Devido ao letreiro que tem à porta, à primeira vista, pode passar por uma mercearia. Esta taberna, das muitas que agora existem pela cidade, é aquela cujo espaço (talvez) mais se aproxima das antigas e originais tabernas.


O seu espaço exíguo, estreito, soturno (pelo menos à noite), com uma decoração e mobiliário mais do que rústicos, remete-nos para o antigamente, onde almas penadas bebem o seu copo de vinho tinto enquanto pesticam umas petingas ou uns peixinhos da horta. É um restaurante carregado de nostalgia e romantismo, de uma Lisboa que já não existe, mas que, com melhores condições, se tenta reavivar. Atenção, este esforço retro, sendo louvável, pode tornar-se inconveniente para o cliente mais desprevenido, não se aceitam reservas de mesa e o único meio de pagamento disponível é o dinheiro.

(imagem do facebook)

Sobre a comida (a ementa escrita numa ardósia pode mudar diariamente, de acordo com os ingredientes do dia) a Taberna da Rua das Flores serve, principalmente, petiscos. Pratos de rápida, mas excelente, confecção. Alguns exemplos são as Lamejinhas à Bulhão Pato, os Fígados de Aves com Maçã Verde e a Trouxa de Alheira com Ovo Cremoso, que tive a oportunidade de experimentar.

Sucintamente, e para quem não conhece, as Lamejinhas são semelhantes às Ameijoas, apenas menores e menos saborosas, porém, neste prato em particular, o molho, estava excelente o que obrigou a que se pedisse mais um ou dois cestos de pão. Os Fígados de Aves foram o meu petisco exclusivo, pois quem me acompanhava não aprecia o que de mais rústico e saboroso a natureza nos oferece. Melhor para mim, pois aquele sabor do fígado, ligeiramente mal passado (ok, talvez não seja a coisa mais segura...), equilibrado com a acidez da maçã verde, foi a combinação perfeita. Por fim, a Trouxa de Alheira com Ovo Cremoso foi o "peso pesado" da refeição, uma autêntica e saborosa dose de calorias, onde o forte sabor da Alheira foi suavizado pela gema cremosa do ovo.
Ainda no capítulo da comida, para desenjoar, destaca-se a dose de Romeu e Julieta. Não, não se tratava de um gelado de uma qualquer marca, mas sim de queijo de ovelha meio curado acompanhado de marmelada caseira. O queijo era muito bom, sem dúvida, sendo um daqueles queijos que mais facilmente encontramos nas cidades mais pequenas e não em Lisboa. A marmelada também era boa, parecendo genuinamente caseira... não vou entrar em grandes comentários pois não tenho conhecimentos suficientes para tal.

Quanto às bebidas, foi pedida uma Limonada, simples, boa e com um sabor autêntico (nada a ver com as limonadas industriais que se encontram por aí) e experimentado o vinho branco da casa. Não há grandes mistérios, era fresco e leve como se espera de um vinho de mesa que acompanha petiscos. Não era um Colares ou um Sauvignon Blanc, mas cumpriu com competência a sua função, especialmente se considerarmos que estava uma noite agradável que pedia uma bebida fresca. Já li algures que a Taberna da Rua das Flores serve uma cerveja artesanal chamada "Sovina". Há que confirmar esta informação numa próxima visita.

O serviço é ligeiramente atabalhoado, porém sempre simpático e prestável, além de rápido a servir. Assim, no que diz respeito à relação qualidade/serviço/preço, um valor de, aproximadamente, 40 euros para duas pessoas, por três excelentes petiscos, sobremesas, mais bebidas (com dois jarros de vinho) e cafés, parece-me aceitável nos dias de hoje.

Em jeito de recomendação final, a Taberna da Rua das Flores é uma excelente opção a ter em conta para aqueles jantares de grupos pequenos em que o objectivo é partilhar e provar um pouco dos vários petiscos pedidos.

...

Este texto descreve a minha primeira visita à Taberna da Rua das Flores, em Abril de 2013, e foi partilhado, sensivelmente, há um ano atrás. Desde aí, este espaço tornou-se um dos meus restaurantes favoritos onde já fui por diversas vezes.

Já tive a oportunidade de experimentar muitos e diferentes petiscos, e recomendo, se tiverem a sorte de os encontrar na ementa: salada desfeita de bacalhau (bacalhau desfiado, puré de grão, cebola e pimentos - infelizmente só comi este prato uma vez, mas é memorável), lagartos de porco preto (tiras de porco preto grelhadas com cebola e salsa - simples, mas delicioso), queijo de cabra panado (3 "rodelas" de queijo de cabra de sabor bastante forte acompanhadas por compotas doces e salada - este é um prato que está muitas vezes presente na ementa e que, desde que provei, é sempre escolhido) e massa japonesa com choco (massa japonesa, choco, tinta de choco, cebola e salsa - provei este prato na minha última visita à Taberna da Rua das Flores há cerca de duas semanas... nunca o tinha encontrado na ementa, mas espero que por lá se mantenha).

(os nomes não são, exactamente, estes, mas fica a ideia geral do prato)

Referi, anteriormente, que iria provar a cerveja artesanal "Sovina" numa próxima visita. Pois bem, entretanto provei e, posteriormente, comprei numa loja retro da moda duas “Sovinas” de diferentes sabores (versão litrosa), pois de facto é um produto muito interessante. Não estando ainda ao nível de uma cerveja trapista belga, é um produto realmente diferente no panorama cervejeiro nacional. Não tendo experimentado a “preta”, todas as suas diferentes versões caracterizam-se por serem leves e delicadas, com um ligeiro sabor amargo/doce, dependendo do tipo de cerveja escolhido. Um ponto a melhorar? O facto de “morrer” muito rapidamente, sendo que o facto de ser uma cerveja artesanal não é desculpa.

Continuo a recomendar a Taberna da Rua das Flores, por tudo o que já descrevi, mas, agora, também, pela consistência… ao longo das várias visitas a qualidade é constante e as expectativas alcançadas.

preço por pessoa: entre os 20 € e os 25 €

Taberna da Rua das Flores
Rua das Flores, 103, Lisboa