segunda-feira, 11 de março de 2013

Block House

Sábado à noite, Centro Comercial das Amoreiras... Enquanto fazia tempo para a sessão de cinema, havia que jantar qualquer coisa. As opções de restauração neste centro comercial são limitadas, além de já as conhecer, à excepção de uma: a Block House. A imagem de um bife gigante e suculento era algo que se fazia sentir na minha mente e pelo qual, à semelhança do Homer Simpson com os donuts, salivava compulsivamente. No fear! Não há franchising que me meta medo e há que experimentar de tudo, por isso, fui a este espaço e recomendo-o, porém, não vivamente.
(imagem daqui)

Vamos por partes, para os que estão mais a leste do Centro Comercial das Amoreiras e que tendo estado no no estrangeiro, não se depararam com uma Block House, torna-se necessária uma breve explicação. A Block House é uma steak house alemã, com fortes influências alemãs na decoração e na escolha das cervejas, mas com uma ementa mais americana. Confuso? Sim, mas quando se vai a uma steak house, o que realmente conta é se o bife é bom e não se a culinária é americana, os empregados brasileiros e a decoração um mix de influências germânicas e texanas. Quanto à qualidade das refeições ali servidas, a Block House tem provas dadas, caso contrário, seria impossível na Europa e com os preços que pratica possuir mais de 40 restaurantes em sistema de franchising.

Em todo o caso, que fique claro que nada tenho contra restaurantes em franchising. Apenas considero o sistema de gestão mais difícil para uma cadeia de restaurantes, pois quando corre bem, é tudo excelente, mas quando corre mal, lentamente, corrói todo um trabalho de marketing

Como primeira experiência, por cautela e tendo em consideração a disponibilidade de massa monetária na carteira, optei por uma solução mais básica, o menú Mr. Rumpsteak. Assim, como entrada, experimentei a salada Block House, com alface, tomate, pimento, pepino, cebola e cogumelos, regada com um dito Molho Italiano, que por sua vez era composto por aromático (seja lá isso o que for...), ervas e vinagre balsâmico. Os vegetais eram frescos, isso é um facto, porém não foi a melhor salada que comi na vida, mas como aprecio muito saladas, soube-me bem e é isso que importa. Como prato principal, pedi um mal passado  bife de vitela, de boa qualidade e que incluía a necessária tira de gordura para dar sabor à carne e alimentar o pecado da gula. 250 gramas de um pedaço de carne gorduroso q.b, bem grelhado, mas escassamente condimentado. No mínimo, pedia-se um pouco mais de sal! Já basta o pão hoje em dia ser comprado insosso, quanto mais um bife, mas enfim, é preciso compreender o conceito habitual das steak house americanas, em que o tempero é ao gosto do cliente. Por incrível que pareça, o que sobressaiu nesta refeição não foi o bife, mas sim o acompanhamento que consistiu numa batata assada, confeccionada de uma maneira muito própria. Esta batata, a chamada Baked Potato com Sour Cream, tinha uma textura macia e suave que literalmente se desfazia na boca e que em conjunto com o sabor das ervas do seu molho era realmente apelativa. Na falta de tempero na carne, uma garfada de bife com um pedaço desta batata era o suficiente para estar satisfeito.

Como sobremesa, comi um gelado de baunilha com molho de chocolate quente e chantilly, sem história e pré-fabricado. Para beber, cometi o erro de pedir uma banal imperial portuguesa. Não que a combinação com o prato não resultasse, mas neste restaurante há outras opções a considerar no que diz respeito a sumos de cevada.

Enfim, tudo isto combinado com um serviço célere e um preço próximo dos 25 €, considero que há opções melhores e eventualmente mais económicas. Contudo, se estiverem no Centro Comercial das Amoreiras, a carteira o permitir e a vontade de comer um bife a sério for grande, parece-me ser uma opção melhor que a Portugália, que também existe nas Amoreiras e que hoje em dia, para mim, é apenas um enorme embuste.

data da visita: 16.janeiro.2013
preço por pessoa: 25 €

Block House
Amoreiras Shopping Center
Piso 2, loja 2044
www.block-house.pt

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Largo

Uns dias antes do Natal não resistimos em gastar o último dos nossos cartões 2por1 da Time Out e fomos até ao restaurante Largo.

(imagem do site)

O Largo fica ao lado do Teatro São Carlos, num espaço antigo, onde antigamente se situavam os antigos claustros do Convento da Igreja dos Mártires. Mais do que um excelente trabalho de restauração, todo o espaço foi convertido num restaurante amplo e moderno, cuja decoração é sóbria e com muito bom gosto. Numa das paredes existe um aquário com medusas, iluminado a LED colorido, que traz um excelente pormenor à decoração. É um restaurante em que se conjuga o design com aspectos da construção original  como as clássicas abóbadas de pedra.

(imagem do site)

Ao analisar a carta percebe-se que o Largo é um restaurante que, apesar do seu posicionamento de preços elevados, permite uma opção mais "económica" através da escolha de um menu de entrada e prato principal, escolhidos entre os vários disponíveis. Ao invés dos típicos menus de degustação, que normalmente não admitem escolhas ou trocas de pratos, ou dos menus "à escolha do chef", que são surpresa, este tipo de menus é bastante mais simples, mas, ao mesmo tempo, mais adequado à realidade da restauração portuguesa.

Claro que tanta flexibilidade resultou numa maior demora para decidirmos sobre o que queríamos jantar, mas aqui notou-se logo a boa qualidade do serviço, pela simpatia e profissionalismo demonstrados pelos empregados junto de uma mesa indecisa.

Assim, depois de muito pensar, g. escolheu como entrada Trio de Peixes, composto por Robalo, Salmão Curado e Tártaro de Carapau. Esta entrada de influência oriental é fresca e é uma óptima forma de iniciar uma refeição, uma vez que os três peixes são servidos crus, o que é uma surpresa muito agradável, em especial, o tártaro de carapau (que normalmente não é servido cru)d. e j., foram incapazes de resistir às Trouxas de Chêvre com Tomate, Mel e Alfaces, o que foi uma excelente decisão. As trouxas, feitas com uma massa muito fina e estaladiça, estavam tentadoras e a já conhecida ligação entre o queijo chévre com tomate e mel como seria de esperar, equilibrada e deliciosa. Infelizmente, nem tudo foi excelente no capítulo das entradas e o muito ansiado Soufflé de Lavagante e Espargos Verdes com Bisque, escolhido por f. revelou-se uma desilusão. Um soufflé é um desafio para qualquer cozinheiro, pois, com os melhores ingredientes ou com as sobras do dia anterior, é possível fazer um grande prato ou uma grande papa. Neste caso, o sabor era bom, porém a consistência não foi a melhor, uma vez que o interior do soufflé parecia, demasiado, uma sopa.

Nos pratos principais, j. experimentou um Bife do Lombo Charolês com molho Queijo de Azeitão sobre Espinafres. Só o nome já nos deixa com água na boca. A carne estava tenra e bem temperada, ainda um pouco mais mal passada que o pedido. O molho era forte (é só mesmo para quem gosta muito de queijo, que é o caso de j.), mas não se sobrepunha ao sabor da carne, sendo, talvez, este o aspecto que mais beneficiou o prato. Os espinafres, simples, salteados, desenjoavam, sendo um acompanhamento adequado.
d. escolheu um Cachaço do Porco Ibérico com Migas de Batata-Doce e Espinafre, tendo algumas dúvidas sobre se gostava desta peça de carne. Porém, as migas de batata-doce e espinafre é que a levaram a decidir por este prato. Estava muito bem confeccionado, a carne estava muito tenra e as migas com os sabores da batata-doce e do espinafre muito bem equilibrados. O problema desta peça de carne está na sua gordura, o que leva d. a pensar duas vezes sobre se voltava a repetir o prato.
O Risotto de Sapateira com Camarão Salteado foi a escolha de g. que surpreendeu pelo positiva. Por norma g. não pede Risottos por os considerar enjoativo e demasiado fortes, mas este prato, apesar de o intenso sabor a marisco, estava muito equilibrado não sendo difícil terminar o prato. O Camarão salteado estava no ponto certo, sendo o acompanhamento ideal para este risotto.
f. resolveu optar por experimentalismos e escolheu um prato de carne de Veado, pois nunca tinha provado. A carne estava mal passada como f. gosta, muito bem temperada e o seu sabor assemelhava-se à de vaca, porém a sua consistência era totalmente diferente e perceptível à vista. Não era certamente o pedaço de carne mais tenro que havia na mesa, mas era consistente e muito bom, algo a repetir para tirar quaisquer dúvidas que ainda existam.

A carta de sobremesas, apesar de mais curta, também não permitiu uma escolha simples... à excepção de f., que escolheu o seu adorado Pudim Abade Priscos, feito da maneira correcta, ou seja, com banha de porco. Esta sobremesa não é consensual, porém f. considera-a, simplesmente, divinal e, neste caso, o pudim estava melhor do que alguns que provou no Minho (de onde este doce é proveniente). Para terminar a sua refeição, e conhecendo o seu gosto por chocolate, g. não teve dificuldade em optar pela Mousse de Chocolate a Zero Graus, com Creme de Avelã. Esta sobremesa, tal como o nome indica, é uma mousse de chocolate, suave e deliciosa servida a uma temperatura muito baixa (mas não é um gelado), com um muito saboroso creme de avelã, criando a combinação perfeita para fechar a refeição. d. e j. optaram pelo Gratinado de Maçã e Creme de Baunilha, uma sobremesa "simples mas eficaz", com um bom equilíbrio entre o estaladiço crumble de maçã e a textura suave do creme, que, apesar de não surpreender, encerrou bem a refeição. 

Para acompanhar, escolhemos o vinho da casa a copo, um tinto do lote Miguel Castro e Silva (chef do restaurante). Bom e intenso, sem ser agressivo. A carta de vinhos pareceu-nos um tanto ou quanto curta... Uma nota negativa, mais uma vez, para a questão da água. O Largo é mais um dos restaurantes que optou por vender água da torneira filtrada, em garrafas de marca Largo, sem oferecer a opção de escolha entre esta água e a água mineral engarrafada. Enfim, é uma estratégia comercial, mas 6,80 € por duas garrafas de água é abusivo e uma opção que nos custa a compreender. Definitivamente, temos que passar a perguntar qual o tipo de água que nos vão servir, porque já começámos a perceber que se não o fizermos, ninguém nos vai dizer...

Para terminar, a experiência foi muito positiva, sendo o Largo um restaurante que marcamos como uma sugestão para quem procura uma refeição num ambiente de classe, com um bom serviço e muito boa comida.

data da visita: 21.dez.2012
preço por pessoa: 23,70 € (com o desconto dois por um)
preço por pessoa: 42,70 € (sem o desconto dois por um)

Restaurante Largo
Rua Serpa Pinto, 10, Lisboa

domingo, 13 de janeiro de 2013

Arola

Um dos restaurantes que mais tínhamos curiosidade em experimentar fez-nos deixar o "eixo Príncipe Real-Rato-Marquês de Pombal" e rumar a Sintra, mais precisamente ao Penha Longa Hotel & Golf Resort. Neste cenário fantástico, na misteriosa serra de Sintra, localiza-se o restaurante Arola. 

(imagem do site)

Haverá melhor cenário para o "jantar de despedida" de um dos nossos bloggers que decidiu aventurar-se por novas paragens? Talvez... se em vez de jantar tivesse sido almoço, ou se estivéssemos no Verão e fosse dia até mais tarde, de certeza aproveitaríamos muito melhor a paisagem.

Para quem não sabe, o restaurante Arola é dirigido pelo prestigiado chef catalão Sergi Arola, conhecido por ser um dos discípulos favoritos de Ferran Adriá (de acordo com o próprio Ferran Adriá) e pelas suas duas estrelas Michelin (alcançadas no seu restaurante em Madrid). Sergi Arola possui 5 restaurantes, sendo o Arola o seu primeiro restaurante fora de Espanha.

Introduções à parte, lá fomos nós cheios de expectativas. 

Chegar ao resort é fácil, mas encontrar o restaurante não é. Após passarmos a entrada, não existem indicações claras... ou pelo menos nós não vimos. Depois de andarmos ligeiramente perdidos, no meio do verde e do escuro, optámos por nos dirigir à recepção do hotel. Felizmente, o restaurante não é longe, situando-se num edifício anexo ao principal... deixámos o carro e fizemos o resto do percurso a pé, aguentando o clima característico da serra de Sintra. 

(imagem do site - o Arola localiza-se no edifício que está no centro da imagem, em baixo)

A decoração do restaurante correspondeu as nossas expectativas oferecendo um ambiente calmo, muito elegante e ao mesmo tempo descontraído, que respira glamour e bem estar. A cor predominante é o branco, com uns apontamentos de luz colorida. Destacam-se a enorme e reconhecida garrafeira e a bonita vista para o campo de golfe e para a serra de Sintra. Tudo convida a uma refeição sem pressas, ao convívio e à partilha (a partilha era o conceito inicial deste restaurante, mas, de acordo com  Sergi Arola numa entrevista à Time Out, o mesmo não tem sido bem percebido pelo público português). No que a nós diz respeito, viva a partilha... de experiências e de comida.

(imagem daqui)

Optámos, mais uma vez, pelo menu de degustação, escolhendo o Arola Classic (que, no mínimo, tem de ser escolhido por duas pessoas). Sendo o restaurante dirigido por um chef espanhol, o menu apresenta, como seria de esperar, claras influências dos nuestros hermanos, quer na forma de cozinhar os alimentos, quer nos ingredientes. 

Antes de entrarmos na refeição, um apontamento para os entretens de boca... foram servidos na mesa um cesto com pão torrado, tomates-cereja e alhos (inteiros) e uma garrafa de azeite. A ideia é esfregar o alho  no pão, colocar o tomate (de preferência cortado) por cima, temperar com um pouco de sal e pimenta e regar com azeite. A ideia é boa, até fantástica... para fazer em casa - se calhar somos um pouco esquisitos, é verdade, mas ficar com o cheiro de alho nas mãos não nos pareceu uma boa opção.

O menu de degustação começou com quatro entradas para partilhar...

Beringela assada na brasa, temperada com azeite, redução de vinagre balsâmico e pinhões.
Entre nós, f. foi o único que gostou desta entrada, pelo seu contraste de sabores... para os restantes, tanto o sabor como a textura eram estranhos e pouco agradáveis.

Lascas de porco ibérico com maçã, pistácios e queijo parmesão.
Uma leve e fresca combinação de sabores fez com que esta entrada fosse, por nós, eleita como a melhor das quatro. Quem é fã de enchidos sabe que há poucas coisas melhores que porco preto ibérico e estas fatias confirmaram-no. A maçã deu a doçura ao prato, o parmesão o tempero e os pistácios a textura.

Batatas bravas, com molho de tomate picante e aioli.
As batatas bravas são um dos pratos tradicionalmente servidos como tapas. Para explicar, as batatas bravas são normalmente batatas fritas envoltas num molho de azeite, malagueta,  pimentão doce e vinagre, sendo, por vezes, acompanhadas por um aioli de azeite e alho (não verificámos a receita "mais tradicional", mas é mais ou menos isto). São "bravas" por serem picantes. Nesta entrada, o picante não era muito, o que tornou os sabores bastante mais equilibrados e adaptados aos nossos paladares, tornando a típica tapa espanhola bastante mais apetecível.

Calamares com aioli.
Esta entrada também não foi do agrado de todos, pois o sabor "a frito" sobrepôs-se, por vezes, a tudo o resto. Em alguns pedaços, os calamares estavam cortados demasiado finos, pelo que o seu sabor era praticamente anulado pelo sabor da "massa frita". Pelo lado positivo, nos melhores pedaços, sentia-se o sabor pretendido, com uma textura estaladiça irresistível. O molho talvez pudesse ser um pouco mais forte.

Os pratos principais foram dois, igualmente saborosos, mas pouco memoráveis.

Fideuà com bacalhau salteado e coentros frescos.
O fideuà é uma variação da famosa paella espanhola. As principais diferenças são a substituição do arroz por massa e a utilização exclusiva de peixe e marisco como ingredientes. O prato tinha um excelente textura e tempero, mas não surpreende, porque não deixa de ser uma "massada de marisco" (ainda que muito bem confeccionada). Para quem já provou este prato em Espanha, em qualquer café de esquina, a comparação é inevitável e o prato do Arola não se distingue assim tanto. Destaca-se o bacalhau (fresco) que estava no ponto.

Entrecôte de vitela, com "bombetas" de tomate cherry e texturas de milho.
A carne estava tenra e saborosa e as texturas de milho (puré e pequenas tiras fritas) trazem alguma graça ao prato. Porém, à semelhança do prato anterior, apesar de extremamente bem confeccionado, não surpreendeu.

Para terminar foi servida uma copa catalana com creme de bolacha e sorbet de laranja, esta sim, merecedora de um grande elogio. Esta mistura que, à partida, pode parecer inusitada ou até enjoativa, revelou-se inesperada, sendo uma sobremesa doce e refrescante ao mesmo tempo. Sem dúvida, final perfeito para o jantar.

Como já referimos, a garrafeira do Arola é extensa, reconhecida e (muito) cara... talvez por isso seja apresentada às mesas num iPad. A ideia é gira, mas a escolha do vinho acaba por se tornar mais demorada uma vez que todos os vinhos contêm uma pequena descrição que se acaba por ler. Optámos por um Marquês de Borba (branco) de 2011. Era fresco, mas nada mais do que isso, não sendo uma boa relação qualidade-preço.

Quanto ao atendimento, nada de extraordinário a referir... sem nenhuma falha a assinalar e sempre com o nível de atenção e simpatia que se espera de um restaurante como o Arola. O serviço teria suplantado as expectativas, caso nos tivessem sugerido um vinho para acompanhar o menu de degustação, especialmente tendo em consideração a extensa carta de vinhos (mas é verdade que nós também não perguntámos).

O Arola merece a visita por toda paisagem idílica envolvente e por todo o ambiente do próprio espaço. A comida é boa, muito bem confeccionada, mas não surpreendente. Mais uma vez, no que à comida diz respeito, as expectativas foram superiores à realidade, mas nada de grave.
Recomendamos a ida durante o dia, com luz natural, para que possam tirar todo o partido do cenário da serra (provavelmente voltaremos nesta condição) e relembramos que deverão reservar o devido espaço para a sobremesa.

data da visita: 01.setembro.2012
preço por pessoa: 29 € (com o desconto dois por um)

Restaurante Arola
Penha Longa Hotel Spa & Golf Resort
Estrada da Lagoa Azul, Sintra

domingo, 25 de novembro de 2012

Pastelaria Versailles

A Versailles é uma daquelas grandes e elegantes pastelarias/cafés/restaurantes, que durante décadas marcaram o ritmo social das grandes cidades europeias, à nossa escala, Lisboa e Porto. A evolução dos tempos fez com que em Portugal, alguns destes estabelecimentos fechassem, mas outros, como a Versailles não só resistiram, como ficaram mais fortes. E ainda bem que assim foi. A beleza da sua decoração estilo Arte Nova, os seus mármores, a classe e bom estado das suas madeiras nobres, o seu relógio ao centro de um móvel (clássico, muito clássico) de exposição de bebidas e um balcão comprido que expõem uma oferta de doces de pastelaria tentadores, tudo isto encontra-se disponível a qualquer um que lá queira entrar. Seria uma pena, que este património da cidade de Lisboa se perdesse num qualquer estabelecimento de fast food.
Para aqueles que como eu, ainda não aderiram ao tupperware ao almoço (veremos em 2013...) e por acaso trabalham em Lisboa, na zona do Saldanha, a Versailles pode não ser uma opção diária, mas é certamente uma opção a considerar. É certo que na Versailles não existem menus de almoço a 5 €, com sacrifício das margens de lucro e principalmente para a qualidade das refeições, pelo que a opção diária por este estabelecimento, obriga a uma situação financeira cómoda. Para mim, não há grandes problemas, pois sou parcimonioso nos meus almoços. Uma sopa/sandes, uma água 0,33cl e (ah malucooo!) um salgado/pastel e pronto, fico satisfeito para o resto da tarde.

Assim, com esta rotina e proximidade do meu trabalho à Versailles, resolvi aplicar nesta famosa pastelaria de Lisboa os meus hábitos alimentares diários e partilhar mais esta experiência.

À hora de almoço, a Versailles costuma estar entre a meia-casa e casa cheia, pelo menos no que diz respeito às mesas. O seu público-alvo são as pessoas que trabalham naquela zona, desde os bancários lá do sítio, aos consultores seniores das proximidades e até presidentes de bancos ou juízes mais mediáticos. Ao balcão, encontram-se aqueles que apenas se querem despachar ao almoço, sem contudo comer mal. Qualquer um destes clientes é sempre servido de forma rápida, simpática q.b. e com alguns pormenores que diferenciam este estabelecimento de outros. Por exemplo, quantas vezes vos foi servido num pires à parte, um garfo próprio para comer um croquete ou uma colher de café para comer um pastel de nata?

Por falar em croquete, este salgado é um ícone da Versailles. Segundo eles, é feito da melhor carne de lombo de vitela. Não sei se é verdade, mas na gíria diplomática costuma-se dizer que existe uma forma de fazer diplomacia, é a chamada "diplomacia do croquete". Posso-vos garantir que se nesta forma de diplomacia, se servissem os croquetes da Versailles, Portugal não teria metade dos problemas que tem na "frente" europeia. Eu não sou grande apreciador de croquetes, mas os da Versailles são muito bons. São normalmente maiores que os da concorrência, a carne é uma massa suave e uniforme, bem temperada e sempre servidos quentes.

Mas não é só pelos croquetes que a Versailles é famosa, a sua pastelaria é muito afamada, em particular os eclairs, cuja visão ao balcão deve ser muito tentadora para os mais gulosos. Experimentei o de café, por pensar que seria o menos doce. Comparado a outros eclairs, acredito que não seja doce, mas para o meu gosto, pareceu-me um bocado, contudo, a sua massa era boa e como os olhos também comem, tinha um óptimo aspecto. Por sua vez, o seu pastel de nata é óptimo. Uma massa folhada delicada e um creme suave e doce (sem ser enjoativo) óptimo. Poderia-vos falar da sopa, mas sopa é sopa e não vi grande diferença para as servidas em qualquer café do país.

Não poderia terminar este post, sem falar das refeições servidas nesta pastelaria. São um pouco caras para o dia-a-dia, porém, pelo que pude ver são muito bem servidas, têm um óptimo aspecto e os ingredientes parecem ter uma qualidade condizente com o nome que vem no prato. Aquela feijoada à transmontana ainda me faz salivar, mesmo sabendo que por motivos de saúde não deveria sequer olhar para ela...

preço: 4,00 € - 5,00 € (almoço à f.)

Pastelaria Versailles
Av. da República, nº 15-A, Lisboa

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cantina da Estrela

Este post é uma prenda de aniversário à minha Avó pelos seus 85 anos ricos em memória e experiência e, também, por nos ter proporcionado esta experiência no Cantina da Estrela. Moradora veterana de Campo de Ourique, e por isso bem conhecedora dos cantos deste bairro lisboeta, sugeriu-me que fossemos à Cantina da Estrela pelo seu aniversário. Ao invés de outras (boas) escolhas que Campo de Ourique proporciona e às quais já estaria mais habituada, resolveu surpreender o seu neto e disse que faria reserva neste restaurante. Ainda a avisei que entre o conceito e o preço praticado, esta opção talvez não fosse do seu agrado, mas quando me diz que já conhecia a Cantina da Estrela e que queria lá voltar, pois "uma vez  não são vezes", o que posso eu fazer?! Ir de bom grado e munido do meu cartão "TimeOut 2por1", pronto para desfrutar de uma boa refeição, num espaço que há muito tinha curiosidade em experimentar.

Antes de mais, e agora via web, os meus parabéns à minha Avó.

(ver imagem aqui)

Bem, passando agora ao que interessa, o Cantina da Estrela está inserido no Hotel da Estrela (uma antiga escola), ao lado da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (o antigo Liceu Machado de Castro), daí o seu ambiente nos remeter para as antigas escolas portuguesas. De realçar que na Cantina (e Hotel) da Estrela a proximidade com a Escola de Hotelaria resultou no aproveitamento de alguns dos jovens valores desta academia, que enquanto estudam, também trabalham neste espaço, para assim obterem uma experiência profissional que lhes trará uma mais-valia importante no mercado de trabalho. Aparentemente, existe nas traseiras do restaurante um jardim com uma vista magnífica para a cúpula da Basílica da Estrela, mas não pude confirmá-lo, pois a noite estava desagradável para estar lá fora. Fica para uma próxima...

(ver imagem aqui)

O conceito deste restaurante, para além da decoração, também se manifesta nos pratos que compõem a sua oferta e nos preços que praticam. A ementa é essencialmente portuguesa, não existindo muitas influências estrangeiras, à excepção de um ou outro ingrediente, ao qual já estamos muito familiarizados. Os pratos confeccionados e o atendimento (simpático), tal como já  referi anteriormente, são garantidos essencialmente pelos estudantes da Escola de Hotelaria. Assim, como pode haver a possibilidade das coisas não saírem assim tão bem, o preço de cada prato e o serviço do restaurante são estabelecidos pelo cliente, dentro de um determinado intervalo, claro está.

A refeição foi composta por uma amuse bouche, oferta da casa, constituída por uma espécie de rissol de camarão e molho de manga, cuja textura e sabores eram excelentes. O pormenor do cebolinho cortado no molho deu-lhe um toque único. Como entrada, experimentei um tachinho (uma cataplaninha para ser mais correcto) de camarão em molho de manga. Estava bem servida, com o camarão muito bem confeccionado, tanto na sua consistência como no seu sabor. Acho que o molho teria sido melhor se fosse como o da amuse bouche, mas como estava, mais aguado, com a manga cortada em pequenos cubos, também estava bom.

j. e a minha Avó deliciaram-se com um, muito bem servido, creme de ervilhas, com croutons, presunto crocante e espuma de nata. Como não aprecio ervilhas, não provei, mas garantiram-me que estava bom. Como prato principal, provei o bife do lombo com molho de dobrada e batata doce, e j. e a minha Avó optaram pelo salmão com puré de chouriço. Se em relação ao meu prato nada tenho a apontar, à excepção do sabor do molho, pois de facto não me apercebi do sabor da dobrada, já o salmão... O puré de chouriço estava bom, porém, se questionam sempre se o bife é bem/mal passado, deviam experimentar fazer o mesmo com o peixe. Resultado, para um prato que é suposto ser cozinhado, o salmão estava demasiado cru. Não foi totalmente do agrado de quem o provou e no caso de j., estamos a falar de alguém que "devora" sushi desalmadamente. As sobremesas estavam óptimas, comigo e j. a experimentarmos um bom leite creme, com uma bola de gelado de caramelo, que lhe dava uma frescura agradável. A minha Avó optou por umas farófias, aparentemente boas, principalmente por não estarem decoradas com fio de gema do ovo, mas apenas por pó de canela.

Para concluir, considero o Cantina da Estrela uma opção agradável e a repetir. Os pratos são bem servidos, o espaço é agradável e o serviço é competente, apesar de algumas falhas pontuais, mas nada comprometedoras. Caramba, são miúdos que estão a aprender! No do chefe ao chef já relatámos experiências cujo serviço foi muito mais comprometedor, e supostamente executado por profissionais. Assim, estes miúdos estão de parabéns, tal como este projecto.

data da visita: 20.novembro.2012
preço por pessoa: XX,XX € (variável, de cliente para cliente, ver ementa)

Cantina da Estrela
Rua Saraiva de Carvalho, nº 35