domingo, 25 de novembro de 2012

Pastelaria Versailles

A Versailles é uma daquelas grandes e elegantes pastelarias/cafés/restaurantes, que durante décadas marcaram o ritmo social das grandes cidades europeias, à nossa escala, Lisboa e Porto. A evolução dos tempos fez com que em Portugal, alguns destes estabelecimentos fechassem, mas outros, como a Versailles não só resistiram, como ficaram mais fortes. E ainda bem que assim foi. A beleza da sua decoração estilo Arte Nova, os seus mármores, a classe e bom estado das suas madeiras nobres, o seu relógio ao centro de um móvel (clássico, muito clássico) de exposição de bebidas e um balcão comprido que expõem uma oferta de doces de pastelaria tentadores, tudo isto encontra-se disponível a qualquer um que lá queira entrar. Seria uma pena, que este património da cidade de Lisboa se perdesse num qualquer estabelecimento de fast food.
Para aqueles que como eu, ainda não aderiram ao tupperware ao almoço (veremos em 2013...) e por acaso trabalham em Lisboa, na zona do Saldanha, a Versailles pode não ser uma opção diária, mas é certamente uma opção a considerar. É certo que na Versailles não existem menus de almoço a 5 €, com sacrifício das margens de lucro e principalmente para a qualidade das refeições, pelo que a opção diária por este estabelecimento, obriga a uma situação financeira cómoda. Para mim, não há grandes problemas, pois sou parcimonioso nos meus almoços. Uma sopa/sandes, uma água 0,33cl e (ah malucooo!) um salgado/pastel e pronto, fico satisfeito para o resto da tarde.

Assim, com esta rotina e proximidade do meu trabalho à Versailles, resolvi aplicar nesta famosa pastelaria de Lisboa os meus hábitos alimentares diários e partilhar mais esta experiência.

À hora de almoço, a Versailles costuma estar entre a meia-casa e casa cheia, pelo menos no que diz respeito às mesas. O seu público-alvo são as pessoas que trabalham naquela zona, desde os bancários lá do sítio, aos consultores seniores das proximidades e até presidentes de bancos ou juízes mais mediáticos. Ao balcão, encontram-se aqueles que apenas se querem despachar ao almoço, sem contudo comer mal. Qualquer um destes clientes é sempre servido de forma rápida, simpática q.b. e com alguns pormenores que diferenciam este estabelecimento de outros. Por exemplo, quantas vezes vos foi servido num pires à parte, um garfo próprio para comer um croquete ou uma colher de café para comer um pastel de nata?

Por falar em croquete, este salgado é um ícone da Versailles. Segundo eles, é feito da melhor carne de lombo de vitela. Não sei se é verdade, mas na gíria diplomática costuma-se dizer que existe uma forma de fazer diplomacia, é a chamada "diplomacia do croquete". Posso-vos garantir que se nesta forma de diplomacia, se servissem os croquetes da Versailles, Portugal não teria metade dos problemas que tem na "frente" europeia. Eu não sou grande apreciador de croquetes, mas os da Versailles são muito bons. São normalmente maiores que os da concorrência, a carne é uma massa suave e uniforme, bem temperada e sempre servidos quentes.

Mas não é só pelos croquetes que a Versailles é famosa, a sua pastelaria é muito afamada, em particular os eclairs, cuja visão ao balcão deve ser muito tentadora para os mais gulosos. Experimentei o de café, por pensar que seria o menos doce. Comparado a outros eclairs, acredito que não seja doce, mas para o meu gosto, pareceu-me um bocado, contudo, a sua massa era boa e como os olhos também comem, tinha um óptimo aspecto. Por sua vez, o seu pastel de nata é óptimo. Uma massa folhada delicada e um creme suave e doce (sem ser enjoativo) óptimo. Poderia-vos falar da sopa, mas sopa é sopa e não vi grande diferença para as servidas em qualquer café do país.

Não poderia terminar este post, sem falar das refeições servidas nesta pastelaria. São um pouco caras para o dia-a-dia, porém, pelo que pude ver são muito bem servidas, têm um óptimo aspecto e os ingredientes parecem ter uma qualidade condizente com o nome que vem no prato. Aquela feijoada à transmontana ainda me faz salivar, mesmo sabendo que por motivos de saúde não deveria sequer olhar para ela...

preço: 4,00 € - 5,00 € (almoço à f.)

Pastelaria Versailles
Av. da República, nº 15-A, Lisboa

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cantina da Estrela

Este post é uma prenda de aniversário à minha Avó pelos seus 85 anos ricos em memória e experiência e, também, por nos ter proporcionado esta experiência no Cantina da Estrela. Moradora veterana de Campo de Ourique, e por isso bem conhecedora dos cantos deste bairro lisboeta, sugeriu-me que fossemos à Cantina da Estrela pelo seu aniversário. Ao invés de outras (boas) escolhas que Campo de Ourique proporciona e às quais já estaria mais habituada, resolveu surpreender o seu neto e disse que faria reserva neste restaurante. Ainda a avisei que entre o conceito e o preço praticado, esta opção talvez não fosse do seu agrado, mas quando me diz que já conhecia a Cantina da Estrela e que queria lá voltar, pois "uma vez  não são vezes", o que posso eu fazer?! Ir de bom grado e munido do meu cartão "TimeOut 2por1", pronto para desfrutar de uma boa refeição, num espaço que há muito tinha curiosidade em experimentar.

Antes de mais, e agora via web, os meus parabéns à minha Avó.

(ver imagem aqui)

Bem, passando agora ao que interessa, o Cantina da Estrela está inserido no Hotel da Estrela (uma antiga escola), ao lado da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (o antigo Liceu Machado de Castro), daí o seu ambiente nos remeter para as antigas escolas portuguesas. De realçar que na Cantina (e Hotel) da Estrela a proximidade com a Escola de Hotelaria resultou no aproveitamento de alguns dos jovens valores desta academia, que enquanto estudam, também trabalham neste espaço, para assim obterem uma experiência profissional que lhes trará uma mais-valia importante no mercado de trabalho. Aparentemente, existe nas traseiras do restaurante um jardim com uma vista magnífica para a cúpula da Basílica da Estrela, mas não pude confirmá-lo, pois a noite estava desagradável para estar lá fora. Fica para uma próxima...

(ver imagem aqui)

O conceito deste restaurante, para além da decoração, também se manifesta nos pratos que compõem a sua oferta e nos preços que praticam. A ementa é essencialmente portuguesa, não existindo muitas influências estrangeiras, à excepção de um ou outro ingrediente, ao qual já estamos muito familiarizados. Os pratos confeccionados e o atendimento (simpático), tal como já  referi anteriormente, são garantidos essencialmente pelos estudantes da Escola de Hotelaria. Assim, como pode haver a possibilidade das coisas não saírem assim tão bem, o preço de cada prato e o serviço do restaurante são estabelecidos pelo cliente, dentro de um determinado intervalo, claro está.

A refeição foi composta por uma amuse bouche, oferta da casa, constituída por uma espécie de rissol de camarão e molho de manga, cuja textura e sabores eram excelentes. O pormenor do cebolinho cortado no molho deu-lhe um toque único. Como entrada, experimentei um tachinho (uma cataplaninha para ser mais correcto) de camarão em molho de manga. Estava bem servida, com o camarão muito bem confeccionado, tanto na sua consistência como no seu sabor. Acho que o molho teria sido melhor se fosse como o da amuse bouche, mas como estava, mais aguado, com a manga cortada em pequenos cubos, também estava bom.

j. e a minha Avó deliciaram-se com um, muito bem servido, creme de ervilhas, com croutons, presunto crocante e espuma de nata. Como não aprecio ervilhas, não provei, mas garantiram-me que estava bom. Como prato principal, provei o bife do lombo com molho de dobrada e batata doce, e j. e a minha Avó optaram pelo salmão com puré de chouriço. Se em relação ao meu prato nada tenho a apontar, à excepção do sabor do molho, pois de facto não me apercebi do sabor da dobrada, já o salmão... O puré de chouriço estava bom, porém, se questionam sempre se o bife é bem/mal passado, deviam experimentar fazer o mesmo com o peixe. Resultado, para um prato que é suposto ser cozinhado, o salmão estava demasiado cru. Não foi totalmente do agrado de quem o provou e no caso de j., estamos a falar de alguém que "devora" sushi desalmadamente. As sobremesas estavam óptimas, comigo e j. a experimentarmos um bom leite creme, com uma bola de gelado de caramelo, que lhe dava uma frescura agradável. A minha Avó optou por umas farófias, aparentemente boas, principalmente por não estarem decoradas com fio de gema do ovo, mas apenas por pó de canela.

Para concluir, considero o Cantina da Estrela uma opção agradável e a repetir. Os pratos são bem servidos, o espaço é agradável e o serviço é competente, apesar de algumas falhas pontuais, mas nada comprometedoras. Caramba, são miúdos que estão a aprender! No do chefe ao chef já relatámos experiências cujo serviço foi muito mais comprometedor, e supostamente executado por profissionais. Assim, estes miúdos estão de parabéns, tal como este projecto.

data da visita: 20.novembro.2012
preço por pessoa: XX,XX € (variável, de cliente para cliente, ver ementa)

Cantina da Estrela
Rua Saraiva de Carvalho, nº 35

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Rubro Avenida

"Eh pá, tenho uns amigos por cá, conheces algum sítio onde os possa levar a jantar?"

E invariavelmente, entre as primeiras sugestões para jantares com amigos, lá surge o restaurante Rubro, neste caso o Rubro Avenida, pois o do Campo Pequeno não conheço.

(imagem daqui)

O Rubro é um daqueles restaurantes onde podemos ir sozinhos, a dois ou em grupo e é certo e sabido que é sempre uma aposta ganha. Bom serviço, boa comida e inseridos num ambiente e conceito, cuja ideia central consiste na partilha de refeições. Atenção, não considero o Rubro uma destas tabernas que existem actualmente, já descritas anteriormente (ver Taberna Ideal e 1300 Taberna), cuja ideia central, também consiste na partilha de refeições. O Rubro tem algo de diferente, talvez pelas influências espanholas que existem na maioria dos pratos ou as iguarias francesas disponíveis no seu menu, mas de facto é diferente. Que fique claro, não é melhor, nem pior, apenas diferente.

(imagem daqui)

Quanto ao espaço, o Rubro é amplo e com uma entrada de luz natural igualmente grande. À noite, se não fosse a luz forte que incide sobre cada mesa, certamente que o seu ambiente seria mais soturno, pois o tom escuro das paredes e o seu mobiliário rústico, favorecem este tipo de ambientes.

O serviço é rápido, não afectando com isso a qualidade das refeições, pois estas, apesar dos seus ingredientes, são pratos de confecção relativamente rápida. Admito que a simpatia não é o ponto mais forte do serviço, mas caramba, são profissionais e isto é muito importante. Avisarem-nos que os ingredientes de uma das nossas escolhas não estavam em condições, é algo simples e não é mais do que cumprir com a sua função e responsabilidade, mas quantas vezes não vivemos situações opostas?... Adicionalmente, quando na carta temos algumas dúvidas sobre algum prato, explicam detalhadamente como este é preparado e consoante o nosso gosto, qual será a melhor opção para experimentar ingrediente a) ou b). Contudo,  nem tudo é perfeito...

Já tive a oportunidade de ir mais do que uma vez ao Rubro e entre os principais petiscos, destaco os Revueltos de Farinheira e o Foie Gras. O Foie Gras está presente em alguns pratos, mas se querem um conselho, comam-no simples. O Foie Gras disponível no Rubro é excelente, não é como uma imitação barata, como tantas vezes se vê aí à venda. Os Revueltos de Farinheira são a versão castelhana dos nossos Ovos Mexidos com Farineira, sendo que os do Rubro têm a Farinheira espalhada de modo mais uniforme, nuns ovos mexidos mal passados e com isto mais moles e gulosos.

Existem outras opções, como o Chèvre na Chapa com Azeite de Alecrim, cujo contraste de sabores é excelente, a alternar entre o sabor forte do Queijo, a gordura deste com o Azeite e o sabor suave do Alecrim. O cogumelo Portobello com Presunto e Ovo de Codorniz, também é uma opção interessante, devido ao ovo estrelado que é óptimo. Como complemento, para tornar a refeição menos pesada, sugiro a excelente Salada Verde, composta por Rúcula, Queijo Brie, Maçã Verde, Emulsão de Mostarda e Mel. Tem uma combinação excelente de sabores, pois estes são correctamente doseados, de modo a que nenhum sabor se sobreponha ao outro, conseguindo mesmo assim, um prato fresco e leve. Para doces, sugiro um Crème Brûlée de Pêra, muito suave e saboroso, mas que dispensava o galicismo do seu nome. Leite Creme Queimado de Pêra, serviria perfeitamente...

Para acompanhar esta refeição, bebi um Alvarinho 2010 a copo, que na ardósia que servia de menu informava ser da colheita 2009. Não sou enólogo, mas entre 2000 e 2010, há a ideia corrente de que os vinhos foram bons nos anos ímpares. Não sei se é verdade, mas já tenho constatado esta diferença e o facto é que este Alvarinho não era mau, mas em comparação com outros que bebi da colheita 2009, 2007 e 2005, não era excepcional. Em todo o caso, o problema não está aí, mas sim no seguinte: se o Alvarinho disponível para beber a copo é de 2010, a ardósia devia ter esta informação!

Para terminar, o melhor de tudo foi o preço! Não quero fazer publicidade à revista Time Out, o seu conteúdo nem sempre interessa muito, mas os vales 2por1 compensam. Duas pessoas, e à excepção do foie gras que não tinham, pagaram apenas 26,90 €! Compensa e muito...

data da visita: algures em Setembro de 2012
preço por pessoa: 13,50 € (com o desconto dois por um)

Restaurante Rubro Avenida
Rua Rodrigues Sampaio, nº 35 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

La Lateral | Madrid

Se estiverem por Madrid e com vontade de tapas, bocadillos ou outra comida tradicional Espanhola, mas servida num ambiente moderno, elegante e sem ser out of the budget, a La Lateral deve ser incluída no vosso tour.

A La Lateral é uma cadeia de restaurantes que pode ser encontrada em diversos locais de Madrid (Fuencarral, Velázquez, Arturo Soria). O restaurante que mais visitei e portanto conheço melhor, é a La Lateral do Paseo de la Castellana, não por ser o mais recente restaurante da cadeia, mas por uma questão de logística.  Assim sendo, este post baseia-se neste restaurante, mas como o menu é igual nos restantes restaurantes da cadeia poderão ficar com uma ideia do que encontrar em qualquer La Lateral.

Este espaço como é recente apresenta ainda o brilho de um restaurante novo, quer pela decoração, quer pelo ambiente, nota-se que é novo e fresco. Em todo o caso, qualquer La Lateral tem muito bom gosto, primando pela sofisticação. Por outro lado, o La Lateral do Paseo da Castellana pode apresentar algumas desvantagens por ser novo... Se forem almoçar em “hora de ponta” correm o risco de esperar muito tempo pelos pratos pedidos, ou mesmo ter que lembrar os empregados que continuam à espera de determinada refeição! Não sei se revela inexperiência por parte dos desempregados ou desorganizaçao da cozinha, mas fica a nota. Portanto o melhor é evitar a hora de almoço das 14.30 às 15.30.

(imagem do site)
A La Lateral do Paseo de la Castellana oferece a possibilidade de tomarem a refeição numa das duas esplanadas, o que pode ser muito agradável naqueles dias de sol (sem o calor tórrido de Madrid). Mas mesmo que não consigam mesa na esplanada, como as janelas do restaurante são grandes e costumam estar abertas, permitem a entrada de ar e muita luz, tornando o ambiente do restaurante leve e agradável.

De uma forma geral o atendimento no La Lateral é acolhedor, eficiente e agradável, sem ser muito pessoal nem formal, encontra-se adequado ao tipo de restaurante. O que marca mesmo no La Lateral é a comida, e por falar em La Lateral e comida tenho de começar com a Tortilla. Na minha opinião, a melhor tortilla que encontrei em Madrid, até agora, é sem duvida a da La Lateral. É com batata e cebola (como manda a tradição) e não está demasiado cozida, ou seja, por dentro é suave e húmida! Portanto este é um must have!
(imagem do site)
Também a não perder é o solomillo con brie  e o solomillo con cebolla confitada. Ambos, são tostas de pão com lombo de porco (suave e saboroso), mas acompanhados com o doce e quente sabor do queijo brie ou com o sabor doce e forte da cebola confitada. Naturalmente, não podiam faltar as croquetas. Quer as croquetas de bacalhau, quer as de presunto são muito boas, sendo diferente dos croquetes Portugueses, uma vez que em Espanha são feitos com molho bechamel (cada racion traz seis croquetas). Para terminar, algo diferente dos típicos pratos espanhóis: Pizzaiola de mozzarella, burrata, pesto y tomate. Trata-se de uma fatia de pão tostado com tomate, queijo mozzarella derretido, coberto com molho pesto e botões de burrata (queijo fresco italiano de barrar). É uma óptima alternativa principalmente para o Verão, por ser fresco, leve e não ser frito! 

A minha sugestão é três pratos por pessoa, mas claro que depende do apetite de cada um, mas como referência considerem este número. De qualquer forma, caso ainda tenham apetite (ou gula) para mais alguns pratos, podem sempre pedir novamente o menu ao camarero e continuar com a vossa experiência degustativa. 

Para acompanhar, o La Lateral tem vários vinhos à escolha, mas tenho ficado sempre pela água ou cerveja (o que pode ter um forte impacto no preço). Como estamos em Espanha pode-se sempre optar por pedir vinho ao copo, o que é muito normal aqui.
data da visita: 10.outubro.2012
preço por pessoa: 13,00 €

Restaurante La Lateral
Pº de La Castellana, 89
28046 Madrid
www.lateral.com

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Assinatura

Em jeito de inconfidência, entre nós, no do chefe ao chef, costumamos dizer que existe em Lisboa um eixo gastronómico principal. É o chamado "eixo Príncipe Real – Rato – Marquês de Pombal", pois, nas imediações deste trajecto, situam-se alguns dos melhores restaurantes de Lisboa. 

(imagem do site)

O Assinatura tem fama de ser um dos melhores restaurantes da cidade e coincidência das coincidências, está localizado bem no centro deste percurso. Assim sendo, não nos restava outra hipótese senão ir conhecer o restaurante do Chef Henrique Mouro e verificar se este espaço e gastronomia se enquadravam na qualidade de alguns dos outros restaurantes desta zona da cidade.

Enquanto espaço, o Assinatura é sóbrio e elegante. As cores predominantes são o vermelho e o branco, as mesas são grandes e as cadeiras confortáveis. Ao fundo da sala, uma enorme fotografia de importantes símbolos lisboetas domina o ambiente e do tecto pende um enorme lustre. O ambiente é agradável, ainda que um pouco vazio… as paredes são desprovidas de qualquer decoração, e não existem outros apontamentos decorativos além dos já referidos. Talvez queiram que as pessoas se concentrem unicamente na comida, sem distracções.

(imagem do site)

Em contraste, ou não, o serviço foi atencioso, profissional e sem falhas, sendo a equipa composta por empregados jovens e descontraídos, que nos explicaram “entre dois dedos de conversa” todos os pratos que nos foram servidos, o que, neste caso, assumiu uma importância maior devido ao menu que escolhemos. Sem dúvida que se o serviço fosse mais formal, dado o tipo de restaurante que o Assinatura é, nos iriamos sentir muito menos à vontade.

Quando nos sentámos, reparámos que num dos cantos da sala, por cima da escada que desce para o piso de baixo, existe uma mesa no tecto (presa no tecto, de pernas para o ar), reflectida num espelho. Este pormenor, diferente e original, contrasta com a sobriedade do resto do espaço. Seria esta mais uma pista para o conceito do restaurante? Tradicional, mas diferente?

Uma nota para a sala do piso inferior… tem apenas uma mesa, para 15 pessoas, com vista directa para a cozinha aberta, onde é possível ter um contacto mais directo com os Chefs e observar o trabalho de backstage.

Optámos, como quase sempre, pelo menu de degustação, na sua versão de 5 pratos. Ficamos nas mãos do Chef, uma vez que, neste menu, os pratos são "surpresa" até chegarem à mesa (é apenas garantido que não há limitações ou intolerâncias alimentares por parte de alguém – no nosso caso existe uma, pelo que um dos pratos foi “à medida”). Como o menu não está descrito em nenhum local, não nos é fácil recordar todos os pormenores, mas vamos tentar…

Em primeiro lugar, um amuse bouche diferente: flor de courgette frita recheada com caviar de beringela e bacalhau desfiado, num creme de tomate. À partida pensámos que seria uma mistura difícil de combinar, mas a verdade é que os sabores ligavam-se perfeitamente. Começamos então com uma terrina de raia alhada, muito macia e com um molho fantástico.

Nos pratos principais, foi-nos servido polvo em vinho tinto, sardinha em xerém de bivalves e plumas de porco preto com feijoada de caracóis e puré de feijão (o feijão foi substituído por puré de grão num dos pratos, a nosso pedido). Todos os pratos eram saborosos, deixando a vontade de comer mais e mais. Talvez devessem repensar a questão da sardinha devido às espinhas. Sim, todos sabemos que a sardinha é um peixe mais que tradicional, português e que tem espinhas que se comem, mas num prato destes, não foi do nosso agrado.

A sobremesa era uma combinação de alperce, em leite-creme e em gelado, com um estaladiço de caramelo. Foi uma boa forma de terminar a refeição. O equilíbrio entre a acidez do alperce nas suas várias texturas e o doce dos restantes ingredientes estava perfeito.

O vinho que acompanhou a refeição foi o Conde D’Ervideira Branco, Reserva, 2011. Um alentejano branco fresco e suave.

No geral, o nosso sentimento sobre a refeição foi semelhante ao que sentimos sobre o espaço. Pratos sóbrios e elegantes na apresentação, mas demasiado seguros e conservadores. A verdade é: o que importa no Assinatura é a qualidade dos ingredientes e a complementaridade dos seus diferentes sabores. O objectivo é manter e realçar o sabor natural dos produtos (de acordo com o site). Estes pontos são indiscutíveis. A qualidade é evidente, os sabores são verdadeiros, a confecção é perfeita e a apresentação é cuidada ao pormenor.

As questões que se põem são:
Quantas pessoas estão dispostas a pagar um preço elevado por uma experiência gastronómica que, apesar de ter uma qualidade superior, é segura e não nos transporta para fora da nossa zona de conforto?
Quantas pessoas estão dispostas a pagar o mesmo preço elevado para repetir uma experiência gastronómica, que sendo consistente, é pouco surpreendente?

Enfim, não sabemos, mas sabemos neste contexto em que vivemos é difícil pagar 50 € / 60 € (por pessoa) por um jantar.

Recordamos que nas experiências gastronómicas é tudo muito subjectivo, o que algumas pessoas podem amar, outras podem odiar. Neste caso, amámos, mas estávamos à espera de algo diferente… não necessariamente melhor, mas, definitivamente, mais memorável.

Numa perfeita contradição de sentimentos, recomendamos o Assinatura, mas provavelmente não voltaremos.

data da visita: 26.julho.2012
preço por pessoa: 34,90 € (com o desconto dois por um)
preço por pessoa: 62,40 € (sem o desconto dois por um)

Restaurante Assinatura
Rua do Vale Pereiro, nº 19 
(na esquina com a Rua Alexandre Herculano)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Taberna Ideal

As tabernas estão na moda... mas não, não são aquelas do tempo dos nossos avós, com o balcão de pedra e o cheiro a vinho... as novas tabernas são modernas, originais e descontraídas, têm bons petiscos e pessoas de todas as idades. Existem várias, para todos os gostos e para todos os preços. Já escrevi sobre a Taberna Tosca, que foi uma surpresa para mim, o f. já escreveu sobre a 1300 Taberna, mais recente e inovadora, e hoje escrevo sobre a minha favorita (até agora).
A Taberna Ideal foi uma das pioneiras deste conceito reinventado. Existe desde Outubro de 2008 e é o espaço perfeito para um jantar de amigos, sendo por isso a escolha óbvia para apresentar aos meus amigos brasileiros de visita a Lisboa de forma a tentar “competir" com o que eles me apresentaram no Rio de Janeiro. 

Sendo esta a minha terceira visita à Taberna Ideal, sabia que tinha que fazer a reserva com antecedência, sabia que tinha que escolher entre um dos dois horários disponíveis para jantar (20h00 ou 22h30) e sabia que tinha que levar dinheiro por não existir multibanco. Parece estranho? É um bocadinho, mas são regras explicadas, de imediato, no momento em que telefonamos para reservar a mesa. Só aceita quem quer e quem não quer não vai. Confesso que o que mais me irrita são os horários fixos e, principalmente, porque se reservarmos o horário das 20h00, temos que deixar a mesa às 22h15. Dá mais do que tempo para um jantar a dois, mas quando o jantar é a 3, 4 ou 5, a pressão existe. Não por culpa do restaurante, pois o serviço é muito rápido e organizado, mas porque as conversas são como as cerejas e quando estamos entre amigos, mais do que jantar, queremos conviver. Anyway… o meu conselho é que não se atrasem, por isso, às 20h em ponto lá estávamos nós. Eventualmente, se escolherem o horário das 22h30, a pressão é menor. Nunca experimentei, porque me parece muito tarde para jantar.

Fomos recebidos pelo João, que se apresentou, nos tratou por tu e nos pediu para o chamarmos pelo nome. De seguida, apresentou-nos o menu, que está escrito numa das paredes e cujos pratos (alguns) podem variar, orientando-nos nas quantidades que deveríamos pedir (recomendo que sigam as sugestões, porque são acertadas). Esta forma de tratamento é “regra” na Taberna Ideal... das três vezes foi assim e fui sempre atendida por pessoas diferentes.

O espaço é acolhedor e a decoração original. Cada elemento do restaurante é diferente dos restantes... cadeiras, mesas, pratos, copos, talheres, todos parecem comprados 1 a 1, sem relação aparente e saídos directamente de antiquários. O resultado é agradável e descontraído.
(imagem daqui)

A comida na Taberna Ideal pode ser considerada tradicional, com algumas alterações, mas é, principalmente, consistente. Em todas as vezes que visitei a Taberna Ideal e entre os vários pratos que provei, os ingredientes utilizados, a forma como a comida é cozinhada, servida e apresentada, seguem sempre os mesmos princípios. Bem confeccionada e de sabores equilibrados, muito bem servida e sempre como se fosse um (grande) petisco. Os ingredientes e as técnicas utilizadas são tradicionais, no entanto, na minha opinião, não considero que os pratos apresentados o sejam. Um petisco tradicional é uma tábua de enchidos, uma patanisca de bacalhau ou um prato de pica-pau… na Taberna Ideal existe bife tártaro, bacalhau servido em massa folhada e tibornas modernas (por exemplo). Claro que o que torna a Taberna Ideal diferente é, exactamente, isto… o saber trabalhar bem e de forma diferente, os nossos ingredientes nacionais e tradicionais. 

Pegando no exemplo das tibornas (talvez os pratos mais famosos deste espaço) estas são tradicionalmente fatias de pão alentejano acabado de sair do forno, regadas com azeite de qualidade, polvilhadas com sal ou açúcar… na Taberna Ideal, são servidas com outros ingredientes, sendo a minha favorita com queijo de cabra, mel e alecrim. Deliciosa.

Na lista dos favoritos, destacam-se ainda os ovos mexidos com alheira de caça, os picos da matança e os cogumelos selvagens com castanhas. Os ovos mexidos com farinheira são já um petisco bastante conhecido, neste caso, a opção pela alheira de caça, é bastante mais feliz, uma vez que a carne “selvagem” é bastante mais saborosa. Os picos da matança são um prato “pesado”, pois a carne de porco é consideravelmente condimentada, no entanto, o sabor é muito agradável. Por fim, sugiro que experimentem os cogumelos selvagens com castanhas, pois apesar desta não ser uma forma habitual de se comerem castanhas, e não sendo eu grande fã, é uma excelente forma de se comerem cogumelos.

Na Taberna Ideal, a minha opção foi quase sempre (apenas) para as tibornas e para os petiscos, no entanto, também existem saladas e pratos principais. Seja qual for a opção, o objectivo é partilhar.

Eu gosto deste sítio. Talvez seja dos poucos restaurantes onde eu sou capaz de voltar vezes sem conta. A comida é óptima, o preço é ajustado e o ambiente é agradável. Adoro o conceito da partilha e do convívio à mesa, ainda que, neste caso, seja um pouco “à pressa”.

data da visita: última visita em maio.2012
preço por pessoa: 15 € (em média)

Taberna Ideal
Rua da Esperança, 112-114
Santos, Lisboa

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Grelha Peixe | Cabanas de Tavira

Na típica romaria a terras do Sul, desta feita, por Cabanas de Tavira, voltei a visitar aquele que deve ser o restaurante mais famoso da vila de Cabanas de Tavira - O Grelha Peixe.

Um restaurante simples, típico de uma aldeia de pescadores, decorado com motivos de pesca e com uma boa esplanada (a quem interesse, aceitam que se traga o cão, desde que se peça para reservar uma das mesas junto ao passeio, para que o animal possa ficar pelo lado de fora).

Foi um simples jantar em família, onde todos optámos pelos grelhados - douradas, chocos e um mix de peixes (espadarte, atum e salmão). De referir que os peixes foram todos confeccionados no ponto certo - não estava demasiado seco, nem crú, como por vezes acontece. Tive, no entanto, a certeza de que o atum cozinhado não é para mim - depois de provar atum no sushi, acho que dificilmente vou conseguir voltar a comer atum que não seja cru (a diferença de textura e sabor é mesmo grande). 
As doses são muito bem servidas, por isso recomendo que levem convosco algum apetite. Normalmente os peixes vêm acompanhados de batata cozida e salada. Porém, não levem pressa para vos acompanhar, pois, por se tratarem de grelhados, demoram sempre um pouco a servir.
De referir que para beber, acompanhámos com um branco da casa, bom, mas nada de extraordinário. 
Um ponto a melhorar é claramente o das sobremesas, onde apenas têm aquela carta típica com gelados da Olá e aqueles doces com ar demasiado pré-fabricado. Não lhes fazia mal terem uma ou duas sobremesas caseiras que sejam excepcionais, seriam a cereja no topo do bolo. 

Cabanas de Tavira, embora pequena, tem ainda bastante oferta de restauração para a sua dimensão, mas muita dela está altamente orientada para os turistas ingleses, oferecendo fish&chips e fast food em vários locais. Para apreciadores de boa comida portuguesa, simples, bem servida e bem confeccionada (e não muito cara), recomendo vivamente a visita a'O Grelha Peixe.

data da visita: 11.julho.2012
preço por pessoa: 19,30 €

O Grelha Peixe
 Rua Comandante Henrique Tenreiro, 41
Cabanas de Tavira
(não tem site, deixamos o link no TripAdvisor)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

1300 Taberna

De acordo com a Wikipedia, o conceito de taberna consiste e passo a citar, "Em Portugal (onde eram muitas vezes designadas pejorativamente como tascas), a par dos cafés e das casas de pasto, as tabernas vingaram até aos anos 1980 do século XX, tanto nas áreas rurais, onde eram o centro por excelência da vida social das pequenas localidades, como nas urbanas." Lamento, mas a definição de taberna para Portugal, no meu entendimento, está incompleta. É verdade que já provei grandes refeições em tascas humildes, mas, também sei que nestes mesmos espaços, quando tinha os meus 14-15 anos (para não dizer menos), se pedisse uma cerveja, ou, dois dedos de aguardente para acompanhar os demais clientes, ninguém me dizia nada e punham-me o copo à frente... Hoje em dia, o conceito de taberna foi reinventado, sendo mais um espaço onde se podem experimentar excelentes petiscos, ou, refeições completas, num ambiente normalmente mais descontraído e em que pela decoração, se nota uma certa nostalgia por outros tempos. Tive esta percepção quando conheci a Taberna Tosca, nesta experiência que agora partilho e noutras que irão ser partilhadas no do chefe ao chef.  

Como o título indica, a experiência que agora partilho foi vivida no 1300 Taberna, um restaurante situado na Lx Factory, um autêntico viveiro experimental da gastronomia lisboeta. Como não poderia deixar de ser, o espaço do 1300 Taberna foi provavelmente uma fábrica, daquelas que funcionaram em pleno nos finais do século XIX, até meados do séc. XX, quando o país de forma incipiente tentou fazer a sua Revolução Industrial. Actualmente, o 1300 Taberna é um open space muito amplo, com vista para a cozinha e cuja decoração recorre, talvez, a peças de casas da antiga burguesia lisboeta. Existem pormenores interessantes, como os candelabros, ou, os relógios antigos (alguns pareceram-me de antigas estações de comboio/fábricas) fixos à parede. Sendo um espaço muito bem iluminado ao centro, nas mesas mais ao fundo pode ter-se pouca luz, que foi o que se verificou comigo, o que criou alguma dificuldade ao ler a ementa.

(ver imagem aqui)

Quanto ao serviço, acho que este é certamente o "Calcanhar de Aquiles" deste restaurante. Não correu de forma brilhante e em conversas com outras pessoas que já foram ao 1300 Taberna, também se verificaram aspectos a melhorar. Aquando da minha visita, numa sexta-feira à noite, o restaurante estava cheio, o que pode ter originado alguma demora na entrega dos pedidos. Porém, não é normal que, numa casa que se posiciona para uma clientela urbana cada vez mais exigente, os pratos das entradas não tenham sido retirados da mesa quando estavam a ser servidos os pratos principais. Enfim, um pequeno embaraço para quem servia, prontamente ultrapassado. Com esta situação posso eu bem, contudo, quando pedimos uma garrafa de água, deviam-nos ter questionado se queríamos a água da casa (que eu acredito ser filtrada), ou, engarrafada. Já foram partilhadas duas experiências distintas acerca deste tema, sendo que num caso, cobrou-se "couro e cabelo" e noutro a água foi de graça (ou um preço simbólico, já não me recordo). Neste caso, verificou-se uma situação intermédia a tender para o caro. Por motivos ambientais e até qualitativos, sou perfeitamente a favor da disponibilização de água canalizada (filtrada) e até a que se cobre um preço por ela, mas, por favor, tenham em atenção os preços que cobram e quando os clientes pedem uma água, pelo menos, perguntem de que tipo é, se da casa, ou de garrafa.

Last but not least, a refeição. Definitivamente não é o ponto forte do 1300 Taberna... É antes o momento em que o restaurante nos deixa literalmente K.O.! Como couvert, um conjunto de manteigas e pães home made, surpreendentemente bons. Para entrada, uma Tábua de Enchidos e Queijos soberbamente servida, quer em quantidade, quer em qualidade. Os enchidos são de uma qualidade superior aos queijos (apesar dos disponíveis serem bons) e muito variados, porém, destaco três: o presunto, o salpicão e a alheira. Os dois primeiros tinham um óptimo sabor, além de terem um corte fino, perfeito para este tipo de refeição. A alheira, não sendo um enchido que aprecie em particular, estava muito boa, com um sabor suave e sem ser demasiado gordurosa. Presentes ainda nesta tábua, estavam um doce de abóbora muito agradável e uma uvas cortadas e descaroçadas que refrescavam o palato. Alerto apenas para o seguinte, a quantidade servida não é para duas pessoas, é à vontade para três, ou até quatro pessoas. Os pratos principais foram um Prego de Carne Mirandesa e um Arroz de Pato. A minha Posta Mirandesa estava óptima, muitíssimo mal passada, como eu pedi e gosto, destacando-se nos acompanhamentos uma batata doce muito bem confeccionada. O outro prato principal foi um Arroz de Pato, sobre o qual não me pronuncio muito, pois apenas "roubei" um bocadinho. Quem o comeu adorou, quanto a mim, pareceu-me bom, porém, o prato incluía um molho agridoce que a mim em particular não me agradou. Ambos os pratos foram muito bem servidos. Por fim, para acompanhar a refeição, um Douro Negreiros 2008, cristalino, quente, porém, ao mesmo tempo suave.

Como nota final, o 1300 Taberna é um espaço que vale a pena conhecer e revisitar. Não sendo barato como uma taberna "à antiga", por um excelente couvert, entrada e pratos principais igualmente óptimos e muitíssimo bem servidos, mais bebidas, o preço cobrado (cerca de 30 € / pessoa) parece-me perfeitamente aceitável. À parte algumas falhas de serviço, o 1300 Taberna foi, sem dúvida, uma óptima experiência.

data da visita: 29.junho.2012
preço por pessoa: 31,50 €

1300 Taberna - Lx Factory
Rua Rodrigues Faria 103, Lisboa

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Em Viagem... Roma

Fomos recentemente visitar Roma e, naturalmente, aproveitámos para apreciar a cozinha italiana na sua origem. Não sendo este um blog de viagens, deixamos apenas aqui um breve resumo do que se pode encontrar por lá a nível de refeições.

Como já seria de esperar, em Itália é praticamente certo que não se vai passar fome (ao contrário de outros países europeus, onde, regra geral, ninguém sabe bem o que é cozinhar). Um primeiro comentário para o custo das refeições - estávamos à espera que fosse muito mais caro! Falando de refeições em restaurantes que não eram fast-food (ou seja, sentados e com serviço de mesa), o almoço nunca ultrapassou os 15€/pessoa e o jantar mais caro não chegou nem a 25€/pessoa. Em fast-food, chegámos a almoçar por menos de 4€ (sim, quatro euros), numa pequena loja de pizza a peso (e comemos bem).

A viagem exigiu várias refeições "fora de casa", onde foi possível experimentar um pouco de tudo, sempre à volta das pizzas, pastas e risottos.

A destacar, pela positiva, três restaurantes...

Pizzeria da Vittorio (zona: Trastevere)
Na visita à zona boémia do Trastevere, seguimos a recomendação do guia Top10 da American Express, e visitámos esta pizzaria. Com um ar muito tradicional e de dimensão muito reduzida, tem um ambiente muito acolhedor e sem grandes confusões ou barulho.
As pizzas que pedimos, todas de massa muito fininha e estaladiça, eram fantásticas! Modeladas em forma de coração, só com a quantidade de ingredientes necessária e não em excesso, estavam muito próximas do perfeito. O panna cotta (sobremesa de nata cozida que eu adoro), coberto com molho de frutos vermelhos ou de caramelo, era artesanal e com um sabor inesquecível. O tiramisú, que eu pessoalmente não aprecio, parece que também estava espectacular. O preço foi de uns simpáticos 18€/pessoa. Informação online sobre o restaurante só encontrámos no Trip Advisor, aqui.


al Piccolo Arancio (zona: Fontana di Trevi)
Como queríamos ver a Fontana di Trevi de dia e de noite, fomos ao final da tarde até lá, depois jantámos por perto e regressámos para ver o efeito nocturno. Tendo em conta a zona turística, pensámos em afastar-nos um pouco das ruas principais e procurámos uma rua com menos movimento, numa tentativa de fugir aos menus turísticos com os quais é preciso ter algum cuidado.
Encontrámos então este restaurante, que tinha esplanada e sombra (estavam 40º C às 20h00!). Ficámos um momento a pensar se ficaríamos por lá porque já não havia lugares na esplanada, mas em menos de um piscar de olhos o empregado (sempre simpático e atencioso sem se tornar chato) fez aparecer uma mesa, cadeiras e todo o material necessário (pratos, copos, toalha...). De notar que a esplanada era na rua, e, de vez em quando passava um carro ou uma mota muito perto das mesas, o que é um pouco estranho, mas que acabou por não incomodar assim tanto.
Desta vez, fomos pelas pastas e aí sim, podemos dizer, com muita certeza, que nunca comemos pastas iguais por terras lusas. Há algo no tempero, na utilização das ervas aromáticas e do azeite, que lhes dá um sabor apurado e, ao mesmo tempo, no ponto certo. Não me recordo já de tudo o que pedimos, mas aqui destacou-se o Spaghetti alle Vongole, com amêijoas, cujo fabuloso paladar a mar nos ficará para sempre na memória. Também o panna cotta, genial! Fico sem perceber como se faz mau panna cotta por aqui, parece-me que deve ser algo muito simples de fazer... não comemos nenhum que fosse mau! O preço foi de 20€ por pessoa e podem conhecer melhor o local, aqui.

La Rosa (zona: Fontana di Trevi)
Na última noite em Roma, e por ser de fácil deslocação, quisemos repetir o al Piccolo Arancio, mas... era 2ª feira e estava fechado (coisa que nunca nos lembramos de verificar quando vamos de férias). Andámos um pouco mais para a frente na mesma rua e encontrámos o La Rosa, cuja análise ao menu que estava à porta nos pareceu muito bem.
Desta vez optámos pelo interior, que tinha ar condicionado (essa maravilha da humanidade!). A primeira sensação ao entrarmos é que estamos a jantar na sala da casa de uma família italiana - praticamente só havia espaço para a nossa mesa de 5 pessoas. Essa sensação confirma-se quando percebemos que é de facto uma família (pai, mãe e filho) que estão a dar apoio às mesas e à cozinha.
A destacar, o Rigatoni (um tipo de massa) com molho de tomate (só e chegava) e o Risotto de Cogumelos (frescos, claro está!). Novamente, o panna cotta e o tiramisu a terminar a refeição em beleza. O preço foi o mais alto, 23€/pessoa, e também só encontramos informação online no Trip Advisor, aqui.

A evitar...

Pasqualino al Colosseo (zona: Coliseu) - recomendaram-nos este restaurante perto do Coliseu, dizendo que era muito bom e barato. Fomos mal recebidos - a empregada que nos atendeu era mesmo mal educada; mal servidos - um ravioli que pedimos foi bom para passar fome; e o preço não foi nada barato - quando somos mal servidos até 1€ é demais. Não nos fomos embora sem deixar claro que o atendimento era péssimo e as doses eram ridículas, e temos a obrigação de deixar o alerta - não se deixem encantar pelo aspecto tradicional e vão a outro sítio qualquer se andarem por ali perto.

...
Como notas gerais, saliento apenas que, à primeira vista, as quantidades podem parecer pequenas, quer seja nas pizzas (pelo facto da massa ser fininha) quer seja nas pastas. Mas é só ilusão de óptica - só uma vez fomos mal servidos no que às quantidades diz respeito - é sempre a quantidade certa, e não em excesso, como estamos habituados a ver por cá.
Sobre os ingredientes nas pizzas, nunca são mais de dois ou três variedades, os italianos não gostam de demasiadas misturas neste prato (e têm razão). Mas as quantidades desses ingredientes são as certas e não apenas uns míseros sete pedaços de um cogumelo como já tivemos o azar de ver por cá, o que desmistifica um pouco a polémica gerada quando falámos do Mezzogiorno. As pizzas deste restaurante são boas, mas deviam ter mais atenção a este aspecto.
Por falar em cogumelos, eu ia convicta de que não ia encontrar cogumelos de lata, mas encontrei e fiquei de coração partido. Na verdade, foi num restaurante (Baccanale Trastevere) em que acabámos por ficar apenas por ser praticamente o único a transmitir o jogo de Portugal no EURO2012 com a Holanda, e  por ser barato (12€), portanto lá me resignei a aceitar o menu turístico de qualidade mediana...

Caso visitem Roma, aconselhamos a não perder estes três restaurantes (ou, no mínimo, um deles) e a fugir dos mais turísticos que só servem para enganar. E boas férias, que estamos na altura delas!

sábado, 14 de julho de 2012

Casa Vidal | Águeda

Numa breve incursão pelo (ainda) próspero distrito de Aveiro, do chefe ao chef teve a oportunidade de conhecer um daqueles restaurantes tipicamente familiares perdidos no meio do nada, mas que todos conhecem. O restaurante em causa é o Casa Vidal e o motivo pelo qual todas as pessoas nesta região o conhecem é o seu afamado Leitão. Tão afamada é esta casa, que ainda hoje é referido o facto histórico de em 1996 terem servido três Leitões, num banquete, à Sua Majestade a Rainha Isabel II. Para uma casa situada em Aguada de Cima, Águeda, é certamente um motivo de orgulho, mas principalmente uma excelente forma de obter publicidade boa e gratuita. Porém, uma mensagem tem que ter um suporte e dizer que se serviu Leitão à Rainha de Inglaterra não me diz muito. Importante é que o Leitão lá servido seja realmente bom e não sendo eu um fanático por este prato, tipo de sair da A1 e parar na Mealhada para o provar, fiquei rendido ao que por lá se serve.

(ver imagem aqui)

Antes de passar ao prato principal, no que diz respeito ao espaço e serviço da Casa Vidal não há muito a descrever. Interior simples, sem motivos decorativos por aí além, à excepção de um painel de azulejos cujo tema está relacionado com a prática de assar Leitões e por alguma razão as janelas tapadas, eis o Casa Vidal. De realçar que estão a realizar obras à entrada e que a casa de banho (sim, a casa de banho!) tem uma decoração mais moderna, pelo que é expectável que, com o tempo, haja alguma alteração neste aspecto. Para ser franco, julgo não haver grande necessidade para tal, pois quem vai à Casa Vidal apenas quer comer um bom Leitão. Quanto ao serviço, não há muito a acrescentar, simpático e eficaz. Quando já se sabe ao que a clientela vai, não é preciso dispender tempo com muitas explicações. Reforço, é para comer Leitão que lá se vai. 

Quanto ao tal Leitão, não há muito a dizer, excepto que é realmente excelente. Pele tostada, quase tipo crosta, carne mole, muito suculenta e bem temperada. Sente-se o sabor de citrinos (talvez limão), alguma erva aromática, sal e talvez uma pequena pitada de pimenta. Consigo descrever o que o meu paladar sentiu, mas sem grandes certezas, pois um dos segredos da Casa Vidal a assar Leitões é o seu tempero, o outro é o seu tempo de assadura. Antes do Leitão ser posto realmente a assar no espeto, dão-lhe algumas voltas rápidas, de modo a que a pele frite, tornando-a uma verdadeira crosta e assim isolando o resto do corpo. O Leitão estará assim a assar sobre si mesmo, não sendo necessário muito tempero. A ser verdade, não sei, não percebo muito de assar Leitões, seja como for, o resultado é muito bom. Relativamente aos acompanhamentos, nada há a dizer, batata frita, salada e laranjas, o que conta é o Leitão. A Casa Vidal destaca-se por servir vinhos espumantes da região para acompanhar o prato principal. Pela primeira vez provei vinho espumante Tinto, neste caso o da casa, e apesar de o achar muito doce, não acompanhava mal o Leitão. 

Por fim e em jeito de conclusão, é uma óptima opção local, a um preço simpático (15 € - 20 € por pessoa) e onde se pode provar um prato mais do que tradicional e extremamente bem confeccionado. Ao preço indicado é preciso ter em consideração que se juntou ao Leitão o tal vinho espumante tinto, água, sobremesas e cafés. Parece-me um preço perfeitamente acessível para se comer o melhor Leitão da zona.

data da visita: 10.julho.2012
preço por pessoa: 20 €

Casa Vidal
Rua das Almas, Almas Areosa
Aguada de Cima, Águeda

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Estado Líquido - Fusion Sushi

Depois de um daqueles dias para esquecer, no trabalho, estava a precisar de qualquer coisa para descomprimir. Por isso, j. sacou de uma promoção 2por1, da revista TimeOut, para o Estado Líquido - Fusion Sushi e lá fomos nós.

http://www.sabordoano.com/rwlisboa/logofusionsushi.jpg
(ver imagem aqui)

O espaço e ambiente do Estado Líquido - Fusion Sushi é o que se pode designar de "fashion", sofisticado, estilo bar, com música (bem audível, diga-se...) a condizer. É aquele tipo de restaurante que fica bem dizer que já se esteve lá. Não sendo propriamente um pormenor de decoração, o aquário que serve de chão ao restaurante tem um grande impacto neste espaço. O serviço não foi o extremo da simpatia, nem da atenção, mas cumpriu, apesar de se notar alguma falta de organização. O facto de estarmos numa sexta-feira à noite, com uma promoção 2por1 da TimeOut pelo meio, provavelmente originou a confusão com as reservas das mesas, bem como o ser atendido por três ou quatro empregados diferentes. Seja como for, não deixa de ser estranho este tipo de falhas existir numa casa com a reputação que esta tem. Outro aspecto a rever é o vinho... Sim, vinho! Há quem beba vinho com sushi e já que é vendido, ao menos que as garrafas estejam em condições de serem abertas. Em diferentes mesas vizinhas, 2 ou 3 rolhas partiram-se, com empregados diferentes a abrirem as garrafas! Não é que lamente a perda de garrafas de Rosés, ou de Quintas da Aveleda, mas aqueles que pagam por tal néctar, têm o direito de o beber.


(ver imagem aqui)

Na panóplia de espaços tradicionais e modernos que há em Lisboa, cada um tem o seu lugar e sentido, mas, no final, o que normalmente fica na memória é se a refeição foi boa e se o preço foi justo. No que diz respeito ao preço, acho que este é um aspecto a ser, claramente, repensado. Começámos com um Escabeche Japonês como entrada. O sabor era bom, ácido e ao mesmo tempo com um ligeiro toque agridoce, que, contudo, não eliminava o sabor activo do peixe. O problema é que não consigo considerar aquilo uma entrada, mas sim um Amuse Bouche, pois era realmente pequeno. O preço, por outro lado, era inversamente proporcional: 8,88 €! Para aqueles que valorizam a carteira, aconselho a não pedirem as Gyosas... O prato principal foi um Sushi to Sashimi tradicional, de 20 peças de Sashimi e 16 de Sushi. O Sushi era composto por Uramakis e Hosomakis de Salmão, além de Nigirizushis de Salmão e Robalo. Os Sashimis eram de Atum, Salmão, Robalo e Peixe Branco. As peças eram de peixe de óptima qualidade (em particular o Atum) e de bom corte, mas foram surpreendentes? Não! São as peças base desta gastronomia, pelo que surpreender torna-se difícil. Assim, parece-me excessivo cobrar-se 45,82 € por este prato, especialmente sabendo os preços praticados pela concorrência de qualidade. Talvez preços deste género, ou superiores, se justifiquem nos pratos de fusão, mas neste caso em particular, não. A sobremesa foi uma Sopa de Morango, cujas expectativas foram completamente defraudadas... era demasiado líquida, com natas a mais e morangos a menos. Salva-se o Chá Verde fresco que foi elaborado e apresentado como um Cocktail e que estava mesmo muito bom.

Enfim, em jeito de conclusão, o espaço ficou famoso nos tempos de Agnaldo Ferreira (ver post do Yakuza) e a qualidade mantém-se, isto não está em causa. Também não se pode deixar de pagar por isso, porém, o Estado Líquido não faz mais do que outros restaurantes de Sushi já descritos neste blog. Se não fosse a dita promoção, duas pessoas pagariam quase 70 € por uma "entrada", um Sushi to Sashimi de 36 peças, uma sobremesa e dois chás, apenas porque antigamente tiveram um grande chef e pelo facto do espaço ser realmente apelativo (tal como o site de Internet). Qualquer guia de restauração de Lisboa indica meia dúzia de restaurantes de Sushi que fazem igual por menos dinheiro, ou, melhor pelo mesmo valor. Atenção, nem sequer estou a considerar os "sushineses" que infestam a cidade, por isso, o valor que o Estado Líquido cobra é um pouco excessivo. Em tempos de crise, em que jantar fora é um luxo e em que as pessoas "contam os tostões", estes preços são superiores aos da oferta. Faz sentido ir ao Estado Líquido para aqueles que querem ser vistos, ou, para quem quer aproveitar uma promoção e assim experimentar o restaurante. Mais do que isto, sinceramente, não justifica.

data da visita: 25.maio.2012
preço por pessoa: 18,17 € (com o dois por um)

Estado Líquido - Fusion Sushi
Largo de Santos, 5A, Lisboa

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Lisboa Restaurant Week - Tertúlia do Paço

Sem perder mais uma edição da Lisboa Restaurant Week (LRW), decidimos experimentar o Tertúlia do Paço. Este restaurante sempre seguiu o do chefe ao chef, pelo menos no Facebook, tendo sugerido, nesta rede social, que os visitássemos a propósito deste evento. Como a curiosidade falou mais alto, lá fomos nós em mais uma expedição gastronómica que agora partilhamos.

Desenganem-se os que (como alguns de nós) pensam que este restaurante fica no Terreiro do Paço - fica sim, algures,  entre Telheiras e o Lumiar. Situado num bairro típico desta zona de Lisboa, i.e., prédios de habitação com áreas consideráveis, espaço para estacionamento, árvores e parques infantis q.b. e um comércio local insípido, o Tertúlia do Paço oferece uma pequena entrada coberta com um toldo (um estilo que nos faz lembrar os restaurantes franceses).

(foto daqui)

Lá dentro, destaca-se à entrada, o enorme aquário de marisco vivo, com a sala de refeições ao fundo do restaurante. À média luz, uma sala de tamanho razoável, com uma decoração que se pretende clássica, mobiliário e soalho em madeira e alguns detalhes em dourado. A vista para as barreiras de som do Eixo Norte-Sul não é estonteante, mas o Tertúlia do Paço é um restaurante e não o miradouro de São Pedro de Alcântara. A música ambiente também não era, de certeza, a que mais se adequava aos nossos gostos pessoais.

(foto daqui)

O facto de apenas duas mesas estarem ocupadas (além da nossa), e também o silêncio, por momentos sepulcral, que se fazia sentir não tornou o ambiente de todo descontraído. A impressão de que não podíamos falar para além do volume do sussurro é algo desconfortável. O ambiente ajudou a que um atendimento que se pretendia atencioso, por vezes, se tornasse intrusivo. Talvez com mais mesas por servir, o atendimento prestado pelos empregados (trajados com um colete e laço excessivamente formais) pudesse ser mais discreto e algumas falhas que se verificaram passassem despercebidas, como, por exemplo, a hesitação sobre a ordem em que se serviram os pratos, ou, o uso excessivo de diminutivos. Certamente que com meia casa ocupada não nos teria sido possível ouvir a conversa vinda da cozinha (desenquadrada do estilo do restaurante).

O menu, como é habitual neste evento, foi criado especialmente para a LRW e tem opções limitadas (menu completo aqui), no entanto, no Tertúlia do Paço até nos pareceram bastante adequadas e apelativas.

Para entrada, todos escolhemos os Cogumelos Frescos Recheados com Presunto e Queijo Gratinado. Eram bons, mas nada de especial... no geral, tinham um sabor pouco apurado. O que os tornava bons era, mesmo, o facto de todos gostarmos muito de cogumelos.

Nos pratos principais, embora por acaso, escolhemos opções diferentes...

d. experimentou os Filetes de Polvo com Migas de Feijão Frade, e gostou muito. O polvo estava extremamente macio e bem confeccionado. As migas, apesar de boas e de serem um acompanhamento que ligava bastante bem com o polvo, tinham dois "senãos" - pedras de sal pelo meio, o que não facilitou a degustação (não eram muitas, mas existiam), e a quantidade, que devia ser ligeiramente menor (o feijão enche muito).

g. pediu o Medalhão de Cherne com Molho de Camarão e Batata Dourada. O prato era saboroso, estando o cherne macio e o molho de camarão com um sabor apurado. No entanto, não houve nada de novo nem original neste prato, ficando a sensação que podia ser facilmente replicado em casa.

j. escolheu o Lombinho de Porco Preto à Bulhão Pato e não se arrependeu. O sabor era bom, a carne macia, as ameijoas sem areia e os acompanhamentos adequados e bem confeccionados. A única questão a apontar, é mesmo a quantidade de molho, que, por ser bastante, tornava o prato pesado.

f. decidiu-se pelo Tornedó à Terra e Mar (com Cogumelos Frescos e Camarões). Destacou-se a carne, que era de boa qualidade e bem confeccionada (mal passada como se esperava, ainda que não tão mal passada como f. gosta). Os acompanhamentos, por outro lado, não estavam à altura da carne servida. O folhado e o esparregado não pareciam home made e os cogumelos não pareciam frescos.

Para sobremesa...

j. e g. provaram o Apfelstrudel, o Gelado de Baunilha e a Canela. Estava à altura das expectativas. Talvez não tenha sido o melhor Apfelstrudel que já comemos, mas era bom.

d. e f. optaram por O Pudim de Maracujá... que, na verdade, não era mais do que uma tira de pudim (com uma textura de pudim instantâneo indiscutível) regado com um molho de maracujá. Podemos dizer que o molho era interessante... quanto ao pudim, não há muito mais a acrescentar.

O Tertúlia do Paço tem aspectos positivos e negativos, uns, obviamente, mais importantes que outros.

Em primeiro lugar, no geral, a comida é boa, o que é um ponto fundamental. É verdade que a qualidade de alguns acompanhamentos dos pratos principais foi discutível, mas compreendemos que pode resultar da ideia partilhada por alguns restaurantes de que a qualidade pode ser diminuída em eventos tipo LRW, uma vez que os preços são mais reduzidos. Damos o benefício da dúvida a um normal período de funcionamento, e por isso consideramos a comida um aspecto positivo.

Por outro lado, consideramos que o restaurante está desenquadrado... no ambiente, no serviço e no preço, ou, melhor dizendo, na conjugação de todos estes factores. Num bairro residencial como aquele onde o Tertúlia do Paço está localizado, as pessoas procuram um ambiente descontraído, onde podem apreciar boa comida, uma saborosa Sapateira ou um suculento Bife na Pedra, na companhia da família ou amigos, a um preço acessível. Temos dúvidas se o ambiente formal é "a praia" do Tertúlia do Paço. Os empregados estarão assim tão à vontade para o tipo de serviço que pretendem prestar? Os pratos estarão todos ao nível do tipo de cozinha que pretendem servir? A decoração do restaurante é coerente no seu conjunto? Focando-nos no aspecto preço, e tendo em conta que na Lisboa Restaurant Week os menus são mais acessíveis, 31 € / pessoa (bebidas não incluídas no menu LRW) não será um valor demasiado dispendioso?

Sem querermos pretender ser algo que não somos, na nossa opinião, talvez o Tertúlia do Paço pudesse apostar num "downgrading", que é como quem diz - apostar naquilo em que são bons (qualidade da comida), e deixarem-se de formalismos excessivos e acessórios.

Não valerá a pena repensarem o que são e o que podem ser, ao invés do que sonhavam ser?  

data da visita: 17.maio.2012
preço por pessoa: 31 € (LRW)

Tertúlia do Paço
Rua Fernando Lopes Graça, 13 A, Lisboa

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pedro e o Lobo

Em mais um jantar do chefe ao chef comigo, f., j. e d. reunidos para um belo serão de amena cavaqueira desfrutando de um bom jantar escolhemos um restaurante que todos queríamos visitar: Pedro e o Lobo.

(imagem do site)

Eu gosto do nome do restaurante (até porque gosto da sinfonia do Sr. Prokofiev) e só por isso já o queria experimentar.

Fui o primeiro a chegar e fui logo abordado por uma empregada (responsável de sala?) que me perguntou se eu tinha reserva e se poderia guardar o meu casaco. Como cheguei primeiro fui convidado a esperar no bar acompanhado por uma bebida. Até aqui tudo bem e como eu acho que deve ser. Quando os restantes bloggers chegaram fomos acompanhados à mesa, do outro lado da sala do restaurante, para iniciarmos a nossa experiência. A decoração revela muito bom gosto, sendo simples e sofisticada (mais um ponto a favor).

Depois de uma olhadela à carta, optámos pelo menu de degustação, o que já vem sendo hábito para os nossos encontros. O menu começou bastante bem, com um amuse bouche que cumpriu o seu objectivo: entreteve a boca. Esta entrada foi leve, fresca e fácil de gostar.

De seguida um prato original, que nos surpreendeu quer pela mistura quer pela forma como foi confeccionado e apresentado: ovo verde, alho francês e pipoca de salsa, uma ideia original e muito bem concretizada (gostámos da utilização das pipocas).

Após o primeiro prato foi servida uma Terrina de Porco, com maionese de aipo, confit de rábano e maçã osmotizada. Este prato foi, provavelmente, o melhor dos pratos principais.

O prato seguinte foi um Pargo de Linha, concentrado dos seus sucos, mandioca, tapioca e funcho do mar, o que se concretizou numa grande mistura e gerou um conjunto de caras a espelhar um “o que é isto?”. Reconhecemos que mandioca é um alimento difícil de preparar, pois, apesar de muito nutritivo, não tem um grande sabor,  mas, na nossa opinião, esta mistura é um pouco estranha e poderia ser trabalhada.

Por último foi servido Rabo de Boi Meloso com salsifi glaceado e rúcula, que tal como o nome indica estava bastante meloso, tornando-se um pouco enjoativo e pesado.

Para terminar, foi servida uma pré-sobremesa e o momento alto da noite: a sobremesa! Para quem não é muito guloso está feito! Mas para quem é (como eu), fica muito contente: mousse e sablé de chocolate, caramelo e doce de leite!

(ver foto aqui)

A mousse de chocolate é espessa e forte, mas não enjoa porque a quantidade não o permite. No ponto! 

O jantar foi acompanhado por um Cartuxa 2009, tinto, a copo, cerveja, um cocktail (Lovely Jubbely) e água.

Ficam duas notas:
O serviço é cinco estrelas com empregados simpáticos e atenciosos, no entanto, o tempo de espera entre os pratos foi excessivo, ao ponto de um dos empregados pedir desculpa pelo tempo que o prato estava a demorar.
Na generalidade os pratos são bons, mas não foram fantásticos, sendo que alguns deles são mesmo estranhos, quer pelo sabor quer pela consistência da comida.

Ou a nossa expectativa era muito alta, ou o menu de degustação não esteve à altura. É diversificado, tal como deve ser, mas nenhum prato ficou na memória como sendo fantástico e como sendo um must do em Lisboa, e, sinceramente, eu pensava que iria encontrar um prato que me iria arrematar! É de louvar a novidade e a diversidade oferecida, mas “faltou-lhe um bocadinho assim”…

De qualquer forma, a experiência tem um saldo positivo, e congratulamos o Pedro e o Lobo pela sua existência e pela experiência que oferece a quem o visita.

data da visita: 04.maio.2012
preço por pessoa: 29,84 € (com o dois por um)
preço por pessoa: 52,49 € (sem o dois por um)

Pedro e o Lobo
Rua do Salitre, 169, Lisboa

sábado, 12 de maio de 2012

Breves: Anthony Bourdain em Lisboa - A "Crítica"

Ok, temos de finalizar este capítulo... Primeiro anunciamos que o Bourdain vinha a Lisboa, depois publicamos o raio do programa, agora acho justo fazermos uma breve apreciação ao mesmo.

O programa centrou-se na Lisboa de hoje, como reflexo de um país em crise e a convivência na cidade entre o antigo e o moderno. A dualidade antigo/novo, ou tradicional/moderno, foi demonstrada através da culinária, da cena musical lisboeta, nas conversas sobre o Portugal do Estado Novo vs. actual, entre outros temas.

Fora do âmbito gastronómico, a principal mensagem que passou e julgo que aí o programa foi bastante positivo, é que Portugal está em mais uma mutação económica e social. O país constantemente ao longo da sua História ultrapassou crises económicas e sociais, algumas delas há uma ou duas gerações atrás. A grande diferença nesta crise quando comparada com outras, não está na capacidade de a superarmos, mas sim no facto do país estar mais dependente de factores económicos externos (os tais mercados...) sobre os quais não tem qualquer tipo de controle. Em todo o caso, as crises apesar de dolorosas são momentos de mudança e a maior mudança que podemos fazer é a da mentalidade. O consumo desenfreado e com isso a mania do "estrangeiro é que é bom" abrandaram consideravelmente. O consumo de produtos nacionais é muito mais promovido actualmente, a começar pela Grande Distribuição (apesar de algumas práticas...), não apenas pelo factor baixo preço, mas principalmente porque são nossos e são bons. Outra mudança de mentalidade é o largar do peso do passado. Há uma diferença entre o discurso do Lobo Antunes e o do José Diogo Quintela, ou os Dead Combo. O passado recente não pode ser esquecido, mas o discurso das agruras do Estado Novo e das conquistas de Abril já teve o seu tempo e as novas gerações pedem um futuro...


No âmbito gastronómico, o ponto forte do programa foram os chefs Sá Pessoa e José Avillez lambusarem-se numa marisqueira de culto de Lisboa, daquelas à antiga, com marisco de altíssima qualidade (desde percebes a lagostins) e um prego no final. Atenção, dois chefs da nova geração comerem um prego e beberem imperiais não é um contra-senso, é apenas gostar de comer e isso é importante que seja transmitido. A participação do chef Ljubomir Stanisic pareceu-me fraca, principalmente no seu restaurante. Sinceramente, pelo aspecto, os seus pratos ficaram atrás de outros que foram sendo mostrados ao longo do programa, como por exemplo, os pratos de atum e sardinha em lata. O tempo dado ao chinquilho pareceu-me excessivo, podendo ter sido aproveitado para comer uma valente sardinhada (há quem goste...), ou o ex-libris lisboeta, os pastéis de Belém. O momento no Alma com o José Diogo Quintela já foi um pouco mais do mesmo, mas pelo menos comeu-se um bom bacalhau. Por fim, a mensagem final é a relação que se estabelece entre as pessoas e a comida, sendo que uma bifana frita em óleo nojento pode simplesmente saber bem.

É impossível em 40 minutos de programa mostrar-se tudo o que há de bom e de mau em Lisboa, o que é totalmente moderno, ou tão tradicional que até parou no tempo. O importante é que Lisboa e consequentemente o país, tiveram 40 minutos de exposição a um público internacional ávido de conhecer novas realidades e de ter novas experiências. Há-que aproveitar, os Dead Combo que o digam...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Chili's

Já há algum tempo que andava a ser desafiado para ir ao Chili’s jantar e beber umas Margaritas (ou será o contrário? beber Margaritas e já que ali estava, jantar?). Quando organizei um jantar com uns amigos para uma sexta-feira surgiu a oportunidade de finalmente experimentar o restaurante. Parte do grupo era repetente e conhecedor das maravilhosas Margaritas e outra metade estreantes (como eu)!

O restaurante fica em telheiras, o que é um pouco chato... porque se bebermos muitas Margaritas temos que voltar para o centro da cidade de táxi... sim, sou adepto do “se beber não conduza”!

(foto do site)

O restaurante fica no primeiro andar, estando o rés-do-chão destinado ao bar. O espaço tem uma decoração muito original (original no sentido de diferente, pelo menos dos restaurantes de Lisboa), baseada em restaurantes do Texas, cultivando a cultura americana pop da restauração: sofás junto às mesas, hambúrgueres e comida mexicana, num espaço confortável e alegre. Enfim, pertence à cadeia do Chili’s, portanto o conceito é totalmente decalcado sendo muito semelhante aos restantes Chili’s do mundo.

Começo pelo mais importante: as Margaritas! São de facto muito boas! Eu bebi a Margarita presidente, e pedimos uma Margarita para dois copos. Foi servida num shaker e com dois copos de pé alto com sal (tal como a lei das Margaritas manda!), mas não são muito fortes, sendo mesmo bastante doces, por isso bebem-se como se fossem limonada.

Os pratos são os típicos e muito calóricos bifes, hambúrgueres, tacos, fajitas.

Cheio de inspiração mexicana pedi uma fajita de Cogumelos com Frango. E estava MUITO boa! Foi servido numa chapa quente onde foram salteados os cogumelos (frescos) com muita cebola, pimento, bacon, queijo e frango juntamente com um prato com guacamoles, pico de gallo e creme azedo, enfim, o típico. Mas muito bom!

As quantidades são grandes. Para três pessoas dois pratos chegam! Até porque depois há a sobremesa…

Como sobremesa pedimos um Molten chocolate cake, um queque de chocolate tipo fondant com gelado de baunilha coberto com chocolate! Hummm... e um chocolate chip Paradise pie. Ambas as sobremesas são bem grandes e só recomendáveis para pessoas muito gulosas com boa capacidade de resistência a muito açúcar!

O serviço é bom, com empregados simpáticos e prestáveis!

Apenas um ponto que convém salientar, para o tipo de restaurante e para o tipo de comida em questão... é um pouco “over the budget”.

Eu gostei desta experiência, e vou repetir! Nem que seja pelas Margaritas!

data da visita: 04.maio.2012
preço por pessoa (jantar grupo): 27,20 €

Chili’s
Rua Professor Francisco Gentil, Telheiras, Lisboa

domingo, 6 de maio de 2012

Sabor Mineiro

Na Antiguidade Clássica, a forma que os imperadores romanos tinham para controlar a população resumia-se ao lema "Panem et circenses". Actualmente, a população tem ao seu dispor diferentes formas de "circo", desde programas de televisão estupidificantes, ao Jorge Jesus, mantendo-se assim distraída dos problemas que hoje enfrenta. O "pão" é igualmente providenciado às massas através das mais diferentes formas, desde promoções ética e legalmente discutíveis de uma marca de supermercados de sabor azedo, passando pelos inúmeros estabelecimentos de junk food, que, por meia dúzia de tostões, saciam as nossas papilas gustativas. O post de hoje pretende dar a conhecer uma marca, cujos estabelecimentos providenciam o "pão" às massas de uma forma suculenta, calórica, mal-passada, saborosa, com música brasileira "brega" (e outras de elevada qualidade, porém quase sempre destruídas) e muita animação. É óbvio que falo dos restaurantes de rodízio brasileiro Sabor Mineiro.

(ver foto aqui)

Para começo de conversa fica o elogio ao Sabor Mineiro, pois entre uma mão cheia de marcas em Portugal (Lisboa em particular) que disponibilizam churrasco brasileiro, na forma de rodízios ou comida a peso, estes restaurantes apresentam na minha opinião a maior variedade de carnes e o buffet mais completo. Quando escrevo completo, é mesmo completo, contando com vários pratos/petiscos brasileiros típicos, como por exemplo a indispensável feijoada, farofa, arroz de carreteiro, couve mineira refogada, dobradinha, feijão tropeiro, palmito e o meu guloso pão de queijo (que eu já não como, simplesmente devoro). Infelizmente, a sorte foi-me madrasta, pois após uma vida inteira a comer arroz com feijão, "catrapum" adquiri uma alergia a este alimento...

O churrasco é mais composto que noutros restaurantes do género, que normalmente se limitam à picanha e à linguiça (em Portugal diz-se salsicha), sendo usual servirem-se no Sabor Mineiro partes de carne bovina como a maminha, fraldinha, cupim, costelão, alcatra e filé mignon (bife do lombo). Também são servidas carnes de porco (pernil, lombo e entrecosto), frango (coxa e coração de galinha) e até caprina (costeleta de cabrito). No decorrer do rodízio são servidos alguns acompanhamentos, dos quais destaco a banana frita e no fim de cada rodada por mesa um abacaxi no espeto. A qualidade da carne bovina é inquestionável, pelo menos nas diferentes vezes que fui ao Sabor Mineiro, nada tenho a apontar. O mesmo posso dizer relativamente à sua confecção, excelente, mesmo como eu gosto, entre o mal-passada e o muito mal-passada. Contudo, eu gosto da carne de vaca mal passada, já a carne de porco não... Amigos, sei que ao fim de semana o serviço é complicado, pois são centenas de clientes e a carne tem de sair para as mesas, mas carne de porco mal passada é perigosa para a saúde.

Tendo tido a oportunidade de ir a churrascarias no Brasil (São Paulo na infância, Nordeste e Rio de Janeiro já em adulto), posso afirmar que em qualidade, aquilo que nos é servido no Sabor Mineiro não difere muito do que é servido lá. Existem restaurantes como por exemplo o Marius no Rio de Janeiro, que são de elevada qualidade (tal como o preço), mas para o nível médio das churrascarias do Brasil, o Sabor Mineiro é equivalente quando não superior.

O sucesso do Sabor Mineiro é em parte justificado pela qualidade e diversidade da comida disponível, mas o preço também é outro factor a ter em conta. O preço é acessível, especialmente nos almoços onde existem umas promoções interessantes e nos jantares de grupo em que o rodízio, o buffet e as bebidas são à descrição. A única excepção é a típica caipirinha, que dizem ser excelente, mas como não sou grande apreciador dispenso. Os estabelecimentos da Charneca da Caparica (localidade onde já existiram dois restaurantes) e o da José Malhoa em Lisboa são amplos, ideais para grandes grupos e com um pormenor interessante para um ex-aquariofilista como eu, aquários de água doce grandes e lindos. Contudo, sugiro que evitem ir ao Sábado à noite, a não ser que tenham espírito para a "coisa". É que o sucesso do Sabor Mineiro não se justifica apenas pela qualidade da oferta e preços acessíveis, mas também pelo ambiente proporcionado nestes restaurantes que são semelhantes ao conceito dos seus congéneres brasileiros. Grandes grupos de clientes, os sucessos mais recentes da música brejeira brasileira (os "ai se eu te pego" da vida) "cantados" ao vivo e a animação dos próprios empregados que arrastam as mulheres mais afoitas para um pézinho de dança, são uma receita fatal para os nervos de quem apenas quer,  pacatamente, comer e conviver. Atenção, gosto muito de um bom pagode, a Bossa Nova e o Tropicalismo são marcos da música lusófona, mas desculpem-me por não gostar de comer com música "aos altos berros".

Por fim, uma menção honrosa aos empregados do Sabor Mineiro. Para todos aqueles que gostam de criticar e mandar piadas sobre a comunidade brasileira, gostaria de os ver a enfrentar o serviço do Sabor Mineiro. Eu não sei e ainda tenho a sorte de não ter que saber o que é aturar centenas de clientes por noite, com um espeto de carne gigante na mão, conseguir cortá-la na perfeição e ainda assim ter uma enorme dose de simpatia e boa disposição para com os clientes. Respeito as empregadas brasileiras do Sabor Mineiro que, volta e meia, têm de mandar alguns clientes "dar uma volta", sempre de forma simpática. Em época de crise, temos todos a aprender uns com os outros, a começar pelo respeito, pois se não, qualquer dia já não há brasileiros...

data da última visita: 05.maio.2012
preço por pessoa (jantar grupo): 20 €

Sabor Mineiro