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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Popolo

Ideias para o almoço eram bem-vindas. TimeOut em cima da mesa. Numa das páginas a referência ao Popolo. Boa pinta. Vamos lá.
Existe uma nova vida na zona do Cais do Sodré e da Avenida 24 de Julho. O plano de revitalização da Câmara Municipal de Lisboa para a zona está a dar frutos. Novos espaços começam a brotar e existe agora mais um polo de atração para onde vale a pena irmos.

O restaurante
O Popolo situa-se em plena Avenida 24 de Julho, na esquina em frente ao IADE. As letras inspiradas nos anos 50 anunciam um restaurante de decoração cuidada que nos remonta a espaços industriais. Sala ampla, com uma mezzanine que convida a refeições descontraídas. A música ambiente, no volume ideal, aconchega.

A carta
O Popolo serve pratos descontraídos de inspiração italiana e americana. Os hamburgers misturam-se com as pizzas. A grande inovação deles chama-se Burguesa é uma pizzeta. Para ajudar à compreensão, trata-se de uma calzone que envolve o hamburger. A combinação dos ingredientes resulta num hamburger suculento que se mistura com o molho de tomate, o queijo e o salame.
A acompanhar uma pequena salada com rúcula e tomate cherry e um cesto de batatas fritas. Os preços fixam-se entre os 7 e os 10 euros.
Servidos em tábuas de madeira, os hamburgers ou as pizzas, tudo tinha um óptimo ar. A escolha da Burguesa revelou-se acertada, embora a cobiça pelos pratos das mesas ao lado deixe a vontade em regressar para conhecer a restante oferta.
Pizzeta Burguesa
O serviço
Dada a azáfama que Lisboa começa a revelar em descobrir novos espaços optámos por reservar mesa. Acredito que é aconselhável. Embora existam muitas mesas, a reserva garante que se evitam filas de espera. Todo o staff foi eficiente e educado. Não é um serviço extraordinário, mas não cumpre bem o que é esperado. Destaque para a simpatia com que fomos recebidos.

Veredicto
O Popolo é mais que "yet another burger restaurant". Tem uma atmosfera cosmopolita e mais adulta que as outras hamburgerias. Para quem estiver por aquela zona é uma alternativa mais que recomendável ao Mercado da Ribeira. A relação preço-qualidade é justa. Vale a pena conhecer.

preço por pessoa: entre os 12 € e os 15 €

Popolo
Av. 24 de Julho, 50, Lisboa

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Guilty by Olivier

Visitámos o Guilty, a nova coqueluche do Chef Olivier. Situado na zona nobre da cidade, como aliás, a maior parte dos restaurantes assinados por este Chef, o Guilty tem mais de bar do que de restaurante. E tudo faz crer que é essa componente mais nocturna que lhe vale os 2.000 fãs com que já conta no facebook.
O Jantar
O tema do menu, à volta dos pecados capitais, enquadra-se que nem uma luva, neste restaurante cujo forte são as pizzas, hamburguers e pastas. A descrição de cada prato não deixa dúvidas de que pelo menos o pecado da gula vamos cometer daí a nada. Uma estratégia de marca bem consolidada.

Para entrada, pedimos uma Tábua Mediterrânica, "composta de rúcula, tomate cereja de rama, com queijos parmesão e mozzarela, e presunto de Parma, fuet, saucisson e foië-gras", e também uma focaccia. Embora tenha cumprido o seu dever, não deslumbrou, em particular a focaccia, bastante fraquinha. O foië-gras que também estava presente deixou muito a desejar, especialmente quando comparado com o do quase vizinho Rubro Avenida.

Para o prato principal, decidimo-nos pelas pizzas, tendo cada um escolhido o seu pecado - Luxúria, Gula, Vaidade e Preguiça. São todas de massa fininha e de aspecto prometedor. A minha, em particular, uma calzone recheada com alheira e grelos, desiludiu porque o equilíbrio entre o recheio e a massa não foi bem feito. Tinha muita massa para o que era suposto ser uma pizza fininha e a mistura de sabores que se esperava do recheio não surpreendeu. A única que reuniu maior consenso como sendo boa e diferente, embora merecesse que lhe retirassem o pepperoni/chourição para ser ainda melhor (não seria enjoativa), era a Luxúria, que contém trufas pretas pelo meio da selecção de queijos. Quando comparadas, por exemplo, com as da Pizzaria Casanova, percebemos que ainda têm muito que caminhar.

A sobremesa foi o chamado "flop". Uma mistura de sabores incompreensível e quase intragável num chamado "nems de maçã". Tinha maçã e uma mistura de limão e hortelã e foi um dos momentos em que senti compaixão pelo Chef Gordon Ramsay quando tem de provar coisas estranhas. E podia ser só de mim, mas não, ninguém apreciou. O coulant de chocolate (ainda bem que pedimos duas sobremesas) salvou o momento, mas não por ser extraordinário - simplesmente porque chocolate resulta sempre, especialmente depois de um flop...

Ambiente, Serviço e Outros Pormenores
À chegada, logo algo que me causa uma urticária profunda - pouca iluminação. Eu odeio comer às escuras, e a iluminação do Guilty, à hora do jantar, é a mesma que servirá o espaço quando este se "transforma" em bar numa hora mais tardia. Ainda tentei pedir à empregada de mesa que acendesse os focos (que existiam, mas aparentemente, só para enfeitar), ao que ela me respondeu que não podia e que tínhamos a vela na mesa. Uma vela, daquelas bem pequeninas, para iluminar uma mesa de quatro. Senhores - é pouca iluminação e não venham com o argumento do estilo, porque não é suficiente. No mínimo, estabeleçam uma hora para se alterar a iluminação do momento restaurante para o momento bar e informem os clientes devidamente.

A decoração é simples e tenta tocar o rústico, sem exageros. Embora não deslumbre (afinal muitas das coisas são IKEA), é acolhedora. No entanto, é pouco funcional - a nossa mesa, em vez de cadeiras, tinha dois cadeirões de 2 lugares, de pele, pesadões, que exigiam que se arrastasse a custo a mesa ou os cadeirões para se conseguir sair - e isto aplicava-se até ao mais elegante de nós os quatro... Ficávamos literalmente "trancados" quando nos sentávamos, o que é pouco agradável.

Infelizmente, sentimos também que há que investir na formação do pessoal de mesa. Ficar de cara fechada face a um pedido que lhe possa parecer incomum não é de bom tom. Tal como não é estender o prato a um dos clientes para que seja ele próprio a colocá-lo na mesa. É verdade, não são erros gravíssimos, mas vamos lembrar-nos que se trata de um restaurante do Chef Olivier, e julgo que não é preciso acrescentar mais.

Ao lado do Sushi Café Avenida, partilha com este alguns dos pormenores - o sinalizador electrónico para chamar os empregados ou pedir a conta, as casas de banho (que ficam loooooonge), e também o facto de não se conseguir perceber se há ou não espaço de não fumadores. Sinalização a respeito de se poder fumar ou não, não está à vista de ninguém. Ficámos sem saber o que nos diriam se pedíssemos uma mesa para não fumadores, mas também ninguém se deu ao trabalho de nos perguntar. Eu sou pouco tolerante a comer com o fumo dos outros, e acho que não sofremos muito com isso, mas estou em crer que algo devia estar mais explícito por ali...

Outro ponto incompreensível é a questão da água. O Guilty anuncia no seu facebook, com muito orgulho e atitude pseudo-ecológica que a água que utilizam é obtida a partir da rede pública, sendo filtrada e purificada para servir aos clientes. E seria tudo muito bonito se eu, como cliente, pudesse optar por uma água engarrafada (não servem!). Porque cobrar 2,00 € por uma garrafa de água da torneira, não disponibilizando outras opções, não é caro, nem é barato, é um assalto à mão armada. E o sabor é simplesmente terrível.

Em termos de preço, é adequado e o expectável para aquilo que se dizia ser uma opção low-cost do Chef Olivier. Em comparação com algumas pizzarias da cidade, porém, há a certeza que por um preço menor se obtém muito melhor qualidade.

Ficámos com vontade de voltar apenas para experimentar o ambiente bar que toda a gente elogia. Para almoçar ou jantar, novamente, não dá muita vontade de regressar. Não é o melhor cartão de visita que o Chef Olivier poderia oferecer. No entanto, não perdi ainda a curiosidade de experimentar, um dia, as especialidades de Olivier no seu habitat natural (Restaurante ou Avenida) ou na sua experiência oriental, o Yakuza.

data da última visita: 18.julho.2011
preço por pessoa: 25 €
referente a: tábua mediterrânica, focaccia, 4 pizzas, 2 sobremesas
eau Gilty, cola, imperial e 1 café

Guilty By Olivier
Rua Barata Salgueiro, 28, Lisboa