terça-feira, 21 de junho de 2016

Forninho Saloio

O Forninho Saloio está no meu Top 5 de restaurantes em Lisboa. É daquelas jóias escondidas onde se levam os amigos que queremos por perto. Ser um habitué tem as suas vantagens. O tratamento VIP faz-me sempre sentir em casa. Cheguei a frequentar praticamente diariamente e assim continuaria se não tivesse mudado de emprego.

O restaurante
Escondido numa pequena travessa junto à Rua de Santa Marta, chegados à porta, podem duvidar das minhas palavras. Será o Forninho tudo o que eu digo? É. Ao almoço, sobretudo durante a semana, após às 13h00 existe fila de espera. Há que ter paciência e tempo para esperar.
As duas salas do restaurante são apertadas. Como espaço popular que é, o barulho dos comensais pode ser demasiado. Um preço a pagar pelos muitos grupos de amigos que ali se juntam e pela má acústica de um espaço construído sem os cuidados do presente.

A ementa
A ementa é formada por pratos fixos e uma vasta selecção diária onde se destacam os grelhados de peixe ou de carne. Tudo o que comi é de excelente qualidade. Sejam os bifes de atum ou de espadarte ou as tirinhas de porco preto. Batata frita à mão, comida saborosa e sem outra pretensão que não a de servir bem quem lá come.
A carta de vinhos é uma surpresa para o tipo de restaurante. Com boas referências de gama baixa ou média, eu prefiro ficar-me pela imperial. Sempre bem tirada. Gelada e que acompanha na perfeição as carnes grelhadas com mestria.
Se as doses generosas do Forninho ainda deixarem espaço para a sobremesa, é escolher de olhos fechados. A tarte de gila e pinhão é deliciosa. Mas a selecção de outras tartes e doces de taça é extensa, e vale a pena provar as várias opções.

O serviço
O serviço pode ser caótico. Apesar de eficaz e simpático, é muitas vezes condicionado pelo espaço apertado do restaurante e pela azáfama de clientes que entram e saem. A mim não me incomoda. Conheço bem todos os empregados e sou, por isso, mais tolerante. Acredito que quem procure um serviço mais profissional se possa sentir desagradado.

Veredicto
Em Lisboa é dos melhores restaurantes ao nível da relação qualidade/preço. A comida é excelente e com um preço que começa a ser raro no presente. A ir sem reservas.

preço por pessoa: 10€

Forninho Saloio
Travessa das Parreiras, 39, Lisboa



domingo, 6 de setembro de 2015

Cufra | Porto

Vamos ao Porto em trabalho e queremos aproveitar para comer uma Francesinha, sugestões?
Diversos amigos responderam e vários referiram o restaurante Cufra na Avenida da Boavista. Como era perto do hotel, aceitámos a sugestão e lá fomos nós...

(foto do facebook)

O Cufra existe desde 1974 e é uma referência na gastronomia da cidade do Porto. À boa maneira tradicional portuguesa, é restaurante, marisqueira, cervejaria e snack-bar... nos dias hoje, onde a simplicidade é um fator-chave, parece um conceito confuso, mas, para um espaço emblemático como este, não podia ser de outra forma.

Chegámos já perto das 22h, de uma quarta-feira, e posso dizer que a casa estava composta. Pareceu-me um bom sinal - ainda que não saiba se é habitual ou se foi por ser dia de meia final da Liga dos Campeões. O espaço é composto por duas salas, ambas com uma decoração antiquada - paredes de madeira, mesas com toalhas brancas, sofás vermelhos e cadeiras escuras - e com um ambiente que faz lembrar os antigos cafés/restaurantes dos anos 70/80. Não sei se é propositado, mas, a mim, parece-me é que nada mudou desde que este restaurante abriu.

Sobre o atendimento, posso dizer que está de acordo com o que se espera. Empregados com experiência que tratam os seus clientes de uma forma educada e profissional. Sem serem excessivamente simpáticos, são disponíveis e sempre preocupados.

Passando ao que verdadeiramente interessa: a comida! Ou melhor, as Francesinhas, porque é este o tema deste texto. Numa palavra, são óptimas. Não sei se são as melhores do Porto, como alguns dizem, mas são as melhores que já provei (nota: o meu conhecimento sobre Francesinhas não é muito vasto).
Optei pela Francesinha Especial com Bife, pois a Francesinha Especial (a dita "normal") é servida com lombo assado. É um pouco mais cara, mas, na minha opinião, o Bife é um ingrediente fundamental numa Francesinha.
Quando chegou à mesa, reparei que não era servida com batatas fritas. Pessoalmente, não me fez grande diferença, mas notei o espanto das pessoas que me acompanhavam que acabaram por pedir uma dose (cobrada à parte). Deixem-me, no entanto, clarificar que foi apenas porque sim, pois a quantidade da Francesinha é generosa e mais do que adequada para não se ficar com fome.
Destacando o molho, enquanto elemento mais importante e diferenciador, posso dizer que tem o equilíbrio certo para não ser excessivamente picante. Relativamente aos restante ingredientes, a qualidade é notória e encontravam-se muito bem confeccionados. Para quem gosta do bife mais mal passado, talvez seja necessário reforçar a ideia no momento do pedido.

No geral, saí satisfeita. É verdade que as expectativas não estavam muitos altas, pois, apesar de todas as recomendações, tive a oportunidade de ler alguns comentários menos positivos, mas digo que foram totalmente superadas.
Talvez este restaurante seja mais caro que outras opções de qualidade semelhante? É possível.
Talvez eu tenha tido sorte na única vez que lá fui? Também é possível.
Agora, acho, definitivamente, que o Cufra merece uma visita.

data da visita: 13.maio.2015
preço por pessoa: 21 €
(o valor inclui bebidas: cervejas, refrigerantes ou águas, sobremesas e cafés)

Cufra
Av. da Boavista 2504, Porto

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Darwin's Cafe

Já estava na to do list há algum tempo, e finalmente lá fomos. Descobri há pouco no site que é gerido pela equipa do LA CAFFÉ, marca de restauração da LANIDOR. 

O espaço
Uma decoração única, desenvolvida à volta da Origem das Espécies de Charles Darwin (o que já se faria adivinhar). É um espaço muito amplo (um enorme pé direito), e, ainda assim, muito confortável. Sendo um restaurante grande (capacidade para 116 pessoas na sala interior e 40 na esplanada), na sala interior a arrumação do espaço está feita com muito espaço entre as mesas.
Uma das coisas que mais me espantou foi o controlo acústico - restaurante absolutamente cheio e a conversa fluía sem qualquer incómodo das mesas vizinhas ou ruído de fundo.
Aconselha-se a reserva prévia de mesa - a maître d' recusou mesas uma vez que já tinham o restaurante completo com reservas naquele dia (uma sexta feira à hora de almoço a meio do mês).

Decoração

A ementa
A ementa de almoço (que pode consultar aqui) apresenta uma série de opções que não nos permite identificar um estilo único - encontramos pastas, risottos, pratos tradicionais portugueses, saladas, carpaccio, tataki... É uma opção de versatilidade que permite servir uma série de apetites/gostos diferentes e que nos parece pragmática.
Decidimo-nos por um Tagliatelline com frango grelhado, legumes chineses, pesto e natas e um Brás de frango com alheira e rúcula, ambos muito bons, que acompanhámos com um Monte da Raposinha.
Da carta de sobremesas, optámos por um Creme brûlée Darwin e pelo Pudim Abade de Priscos. O creme brûlée estava óptimo, tinha uma pêra cozida escondida no creme, e era coberto com açúcar mascavado queimado na hora, o que lhe conferia um crocante delicioso. O pudim, era um pudim de ovos muito bom, mas não tinha a consistência ou textura de um verdadeiro "Abade de Priscos".

O serviço
Nota-se que existe uma forte aposta na formação da equipa de sala, pois existe cuidado e muita atenção no serviço. Melhor que isso, conseguem ao mesmo tempo ser descontraídos e simpáticos, o que só acrescenta ao conforto do restaurante.

Em resumo
Sendo um restaurante de preço mais elevado, poderá reservar a visita para uma ocasião mais especial, mas não deixe de o fazer. Tente apontar para um dia solarengo, para tirar o máximo partido do espaço e da localização junto ao rio.

data da visita: 17.abril.2015
preço por pessoa: 30 €

Darwin's Café
Champalimaud Centre for the Unknown
Av. Brasília, Ala B, Lisboa

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Popolo

Ideias para o almoço eram bem-vindas. TimeOut em cima da mesa. Numa das páginas a referência ao Popolo. Boa pinta. Vamos lá.
Existe uma nova vida na zona do Cais do Sodré e da Avenida 24 de Julho. O plano de revitalização da Câmara Municipal de Lisboa para a zona está a dar frutos. Novos espaços começam a brotar e existe agora mais um polo de atração para onde vale a pena irmos.

O restaurante
O Popolo situa-se em plena Avenida 24 de Julho, na esquina em frente ao IADE. As letras inspiradas nos anos 50 anunciam um restaurante de decoração cuidada que nos remonta a espaços industriais. Sala ampla, com uma mezzanine que convida a refeições descontraídas. A música ambiente, no volume ideal, aconchega.

A carta
O Popolo serve pratos descontraídos de inspiração italiana e americana. Os hamburgers misturam-se com as pizzas. A grande inovação deles chama-se Burguesa é uma pizzeta. Para ajudar à compreensão, trata-se de uma calzone que envolve o hamburger. A combinação dos ingredientes resulta num hamburger suculento que se mistura com o molho de tomate, o queijo e o salame.
A acompanhar uma pequena salada com rúcula e tomate cherry e um cesto de batatas fritas. Os preços fixam-se entre os 7 e os 10 euros.
Servidos em tábuas de madeira, os hamburgers ou as pizzas, tudo tinha um óptimo ar. A escolha da Burguesa revelou-se acertada, embora a cobiça pelos pratos das mesas ao lado deixe a vontade em regressar para conhecer a restante oferta.

Pizzeta Burguesa

O serviço
Dada a azáfama que Lisboa começa a revelar em descobrir novos espaços optámos por reservar mesa. Acredito que é aconselhável. Embora existam muitas mesas, a reserva garante que se evitam filas de espera. Todo o staff foi eficiente e educado. Não é um serviço extraordinário, mas não cumpre bem o que é esperado. Destaque para a simpatia com que fomos recebidos.

Veredicto
O Popolo é mais que "yet another burger restaurant". Tem uma atmosfera cosmopolita e mais adulta que as outras hamburgerias. Para quem estiver por aquela zona é uma alternativa mais que recomendável ao Mercado da Ribeira. A relação preço-qualidade é justa. Vale a pena conhecer.

preço por pessoa: entre os 12 € e os 15 €

Popolo
Av. 24 de Julho, 50, Lisboa