sexta-feira, 27 de julho de 2012

Em Viagem... Roma

Fomos recentemente visitar Roma e, naturalmente, aproveitámos para apreciar a cozinha italiana na sua origem. Não sendo este um blog de viagens, deixamos apenas aqui um breve resumo do que se pode encontrar por lá a nível de refeições.

Como já seria de esperar, em Itália é praticamente certo que não se vai passar fome (ao contrário de outros países europeus, onde, regra geral, ninguém sabe bem o que é cozinhar). Um primeiro comentário para o custo das refeições - estávamos à espera que fosse muito mais caro! Falando de refeições em restaurantes que não eram fast-food (ou seja, sentados e com serviço de mesa), o almoço nunca ultrapassou os 15€/pessoa e o jantar mais caro não chegou nem a 25€/pessoa. Em fast-food, chegámos a almoçar por menos de 4€ (sim, quatro euros), numa pequena loja de pizza a peso (e comemos bem).

A viagem exigiu várias refeições "fora de casa", onde foi possível experimentar um pouco de tudo, sempre à volta das pizzas, pastas e risottos.

A destacar, pela positiva, três restaurantes...

Pizzeria da Vittorio (zona: Trastevere)
Na visita à zona boémia do Trastevere, seguimos a recomendação do guia Top10 da American Express, e visitámos esta pizzaria. Com um ar muito tradicional e de dimensão muito reduzida, tem um ambiente muito acolhedor e sem grandes confusões ou barulho.
As pizzas que pedimos, todas de massa muito fininha e estaladiça, eram fantásticas! Modeladas em forma de coração, só com a quantidade de ingredientes necessária e não em excesso, estavam muito próximas do perfeito. O panna cotta (sobremesa de nata cozida que eu adoro), coberto com molho de frutos vermelhos ou de caramelo, era artesanal e com um sabor inesquecível. O tiramisú, que eu pessoalmente não aprecio, parece que também estava espectacular. O preço foi de uns simpáticos 18€/pessoa. Informação online sobre o restaurante só encontrámos no Trip Advisor, aqui.


al Piccolo Arancio (zona: Fontana di Trevi)
Como queríamos ver a Fontana di Trevi de dia e de noite, fomos ao final da tarde até lá, depois jantámos por perto e regressámos para ver o efeito nocturno. Tendo em conta a zona turística, pensámos em afastar-nos um pouco das ruas principais e procurámos uma rua com menos movimento, numa tentativa de fugir aos menus turísticos com os quais é preciso ter algum cuidado.
Encontrámos então este restaurante, que tinha esplanada e sombra (estavam 40º C às 20h00!). Ficámos um momento a pensar se ficaríamos por lá porque já não havia lugares na esplanada, mas em menos de um piscar de olhos o empregado (sempre simpático e atencioso sem se tornar chato) fez aparecer uma mesa, cadeiras e todo o material necessário (pratos, copos, toalha...). De notar que a esplanada era na rua, e, de vez em quando passava um carro ou uma mota muito perto das mesas, o que é um pouco estranho, mas que acabou por não incomodar assim tanto.
Desta vez, fomos pelas pastas e aí sim, podemos dizer, com muita certeza, que nunca comemos pastas iguais por terras lusas. Há algo no tempero, na utilização das ervas aromáticas e do azeite, que lhes dá um sabor apurado e, ao mesmo tempo, no ponto certo. Não me recordo já de tudo o que pedimos, mas aqui destacou-se o Spaghetti alle Vongole, com amêijoas, cujo fabuloso paladar a mar nos ficará para sempre na memória. Também o panna cotta, genial! Fico sem perceber como se faz mau panna cotta por aqui, parece-me que deve ser algo muito simples de fazer... não comemos nenhum que fosse mau! O preço foi de 20€ por pessoa e podem conhecer melhor o local, aqui.

La Rosa (zona: Fontana di Trevi)
Na última noite em Roma, e por ser de fácil deslocação, quisemos repetir o al Piccolo Arancio, mas... era 2ª feira e estava fechado (coisa que nunca nos lembramos de verificar quando vamos de férias). Andámos um pouco mais para a frente na mesma rua e encontrámos o La Rosa, cuja análise ao menu que estava à porta nos pareceu muito bem.
Desta vez optámos pelo interior, que tinha ar condicionado (essa maravilha da humanidade!). A primeira sensação ao entrarmos é que estamos a jantar na sala da casa de uma família italiana - praticamente só havia espaço para a nossa mesa de 5 pessoas. Essa sensação confirma-se quando percebemos que é de facto uma família (pai, mãe e filho) que estão a dar apoio às mesas e à cozinha.
A destacar, o Rigatoni (um tipo de massa) com molho de tomate (só e chegava) e o Risotto de Cogumelos (frescos, claro está!). Novamente, o panna cotta e o tiramisu a terminar a refeição em beleza. O preço foi o mais alto, 23€/pessoa, e também só encontramos informação online no Trip Advisor, aqui.

A evitar...

Pasqualino al Colosseo (zona: Coliseu) - recomendaram-nos este restaurante perto do Coliseu, dizendo que era muito bom e barato. Fomos mal recebidos - a empregada que nos atendeu era mesmo mal educada; mal servidos - um ravioli que pedimos foi bom para passar fome; e o preço não foi nada barato - quando somos mal servidos até 1€ é demais. Não nos fomos embora sem deixar claro que o atendimento era péssimo e as doses eram ridículas, e temos a obrigação de deixar o alerta - não se deixem encantar pelo aspecto tradicional e vão a outro sítio qualquer se andarem por ali perto.

...
Como notas gerais, saliento apenas que, à primeira vista, as quantidades podem parecer pequenas, quer seja nas pizzas (pelo facto da massa ser fininha) quer seja nas pastas. Mas é só ilusão de óptica - só uma vez fomos mal servidos no que às quantidades diz respeito - é sempre a quantidade certa, e não em excesso, como estamos habituados a ver por cá.
Sobre os ingredientes nas pizzas, nunca são mais de dois ou três variedades, os italianos não gostam de demasiadas misturas neste prato (e têm razão). Mas as quantidades desses ingredientes são as certas e não apenas uns míseros sete pedaços de um cogumelo como já tivemos o azar de ver por cá, o que desmistifica um pouco a polémica gerada quando falámos do Mezzogiorno. As pizzas deste restaurante são boas, mas deviam ter mais atenção a este aspecto.
Por falar em cogumelos, eu ia convicta de que não ia encontrar cogumelos de lata, mas encontrei e fiquei de coração partido. Na verdade, foi num restaurante (Baccanale Trastevere) em que acabámos por ficar apenas por ser praticamente o único a transmitir o jogo de Portugal no EURO2012 com a Holanda, e  por ser barato (12€), portanto lá me resignei a aceitar o menu turístico de qualidade mediana...

Caso visitem Roma, aconselhamos a não perder estes três restaurantes (ou, no mínimo, um deles) e a fugir dos mais turísticos que só servem para enganar. E boas férias, que estamos na altura delas!

sábado, 14 de julho de 2012

Casa Vidal | Águeda

Numa breve incursão pelo (ainda) próspero distrito de Aveiro, do chefe ao chef teve a oportunidade de conhecer um daqueles restaurantes tipicamente familiares perdidos no meio do nada, mas que todos conhecem. O restaurante em causa é o Casa Vidal e o motivo pelo qual todas as pessoas nesta região o conhecem é o seu afamado Leitão. Tão afamada é esta casa, que ainda hoje é referido o facto histórico de em 1996 terem servido três Leitões, num banquete, à Sua Majestade a Rainha Isabel II. Para uma casa situada em Aguada de Cima, Águeda, é certamente um motivo de orgulho, mas principalmente uma excelente forma de obter publicidade boa e gratuita. Porém, uma mensagem tem que ter um suporte e dizer que se serviu Leitão à Rainha de Inglaterra não me diz muito. Importante é que o Leitão lá servido seja realmente bom e não sendo eu um fanático por este prato, tipo de sair da A1 e parar na Mealhada para o provar, fiquei rendido ao que por lá se serve.

(ver imagem aqui)

Antes de passar ao prato principal, no que diz respeito ao espaço e serviço da Casa Vidal não há muito a descrever. Interior simples, sem motivos decorativos por aí além, à excepção de um painel de azulejos cujo tema está relacionado com a prática de assar Leitões e por alguma razão as janelas tapadas, eis o Casa Vidal. De realçar que estão a realizar obras à entrada e que a casa de banho (sim, a casa de banho!) tem uma decoração mais moderna, pelo que é expectável que, com o tempo, haja alguma alteração neste aspecto. Para ser franco, julgo não haver grande necessidade para tal, pois quem vai à Casa Vidal apenas quer comer um bom Leitão. Quanto ao serviço, não há muito a acrescentar, simpático e eficaz. Quando já se sabe ao que a clientela vai, não é preciso dispender tempo com muitas explicações. Reforço, é para comer Leitão que lá se vai. 

Quanto ao tal Leitão, não há muito a dizer, excepto que é realmente excelente. Pele tostada, quase tipo crosta, carne mole, muito suculenta e bem temperada. Sente-se o sabor de citrinos (talvez limão), alguma erva aromática, sal e talvez uma pequena pitada de pimenta. Consigo descrever o que o meu paladar sentiu, mas sem grandes certezas, pois um dos segredos da Casa Vidal a assar Leitões é o seu tempero, o outro é o seu tempo de assadura. Antes do Leitão ser posto realmente a assar no espeto, dão-lhe algumas voltas rápidas, de modo a que a pele frite, tornando-a uma verdadeira crosta e assim isolando o resto do corpo. O Leitão estará assim a assar sobre si mesmo, não sendo necessário muito tempero. A ser verdade, não sei, não percebo muito de assar Leitões, seja como for, o resultado é muito bom. Relativamente aos acompanhamentos, nada há a dizer, batata frita, salada e laranjas, o que conta é o Leitão. A Casa Vidal destaca-se por servir vinhos espumantes da região para acompanhar o prato principal. Pela primeira vez provei vinho espumante Tinto, neste caso o da casa, e apesar de o achar muito doce, não acompanhava mal o Leitão. 

Por fim e em jeito de conclusão, é uma óptima opção local, a um preço simpático (15 € - 20 € por pessoa) e onde se pode provar um prato mais do que tradicional e extremamente bem confeccionado. Ao preço indicado é preciso ter em consideração que se juntou ao Leitão o tal vinho espumante tinto, água, sobremesas e cafés. Parece-me um preço perfeitamente acessível para se comer o melhor Leitão da zona.

data da visita: 10.julho.2012
preço por pessoa: 20 €

Casa Vidal
Rua das Almas, Almas Areosa
Aguada de Cima, Águeda

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Estado Líquido - Fusion Sushi

Depois de um daqueles dias para esquecer, no trabalho, estava a precisar de qualquer coisa para descomprimir. Por isso, j. sacou de uma promoção 2por1, da revista TimeOut, para o Estado Líquido - Fusion Sushi e lá fomos nós.

http://www.sabordoano.com/rwlisboa/logofusionsushi.jpg
(ver imagem aqui)

O espaço e ambiente do Estado Líquido - Fusion Sushi é o que se pode designar de "fashion", sofisticado, estilo bar, com música (bem audível, diga-se...) a condizer. É aquele tipo de restaurante que fica bem dizer que já se esteve lá. Não sendo propriamente um pormenor de decoração, o aquário que serve de chão ao restaurante tem um grande impacto neste espaço. O serviço não foi o extremo da simpatia, nem da atenção, mas cumpriu, apesar de se notar alguma falta de organização. O facto de estarmos numa sexta-feira à noite, com uma promoção 2por1 da TimeOut pelo meio, provavelmente originou a confusão com as reservas das mesas, bem como o ser atendido por três ou quatro empregados diferentes. Seja como for, não deixa de ser estranho este tipo de falhas existir numa casa com a reputação que esta tem. Outro aspecto a rever é o vinho... Sim, vinho! Há quem beba vinho com sushi e já que é vendido, ao menos que as garrafas estejam em condições de serem abertas. Em diferentes mesas vizinhas, 2 ou 3 rolhas partiram-se, com empregados diferentes a abrirem as garrafas! Não é que lamente a perda de garrafas de Rosés, ou de Quintas da Aveleda, mas aqueles que pagam por tal néctar, têm o direito de o beber.


(ver imagem aqui)

Na panóplia de espaços tradicionais e modernos que há em Lisboa, cada um tem o seu lugar e sentido, mas, no final, o que normalmente fica na memória é se a refeição foi boa e se o preço foi justo. No que diz respeito ao preço, acho que este é um aspecto a ser, claramente, repensado. Começámos com um Escabeche Japonês como entrada. O sabor era bom, ácido e ao mesmo tempo com um ligeiro toque agridoce, que, contudo, não eliminava o sabor activo do peixe. O problema é que não consigo considerar aquilo uma entrada, mas sim um Amuse Bouche, pois era realmente pequeno. O preço, por outro lado, era inversamente proporcional: 8,88 €! Para aqueles que valorizam a carteira, aconselho a não pedirem as Gyosas... O prato principal foi um Sushi to Sashimi tradicional, de 20 peças de Sashimi e 16 de Sushi. O Sushi era composto por Uramakis e Hosomakis de Salmão, além de Nigirizushis de Salmão e Robalo. Os Sashimis eram de Atum, Salmão, Robalo e Peixe Branco. As peças eram de peixe de óptima qualidade (em particular o Atum) e de bom corte, mas foram surpreendentes? Não! São as peças base desta gastronomia, pelo que surpreender torna-se difícil. Assim, parece-me excessivo cobrar-se 45,82 € por este prato, especialmente sabendo os preços praticados pela concorrência de qualidade. Talvez preços deste género, ou superiores, se justifiquem nos pratos de fusão, mas neste caso em particular, não. A sobremesa foi uma Sopa de Morango, cujas expectativas foram completamente defraudadas... era demasiado líquida, com natas a mais e morangos a menos. Salva-se o Chá Verde fresco que foi elaborado e apresentado como um Cocktail e que estava mesmo muito bom.

Enfim, em jeito de conclusão, o espaço ficou famoso nos tempos de Agnaldo Ferreira (ver post do Yakuza) e a qualidade mantém-se, isto não está em causa. Também não se pode deixar de pagar por isso, porém, o Estado Líquido não faz mais do que outros restaurantes de Sushi já descritos neste blog. Se não fosse a dita promoção, duas pessoas pagariam quase 70 € por uma "entrada", um Sushi to Sashimi de 36 peças, uma sobremesa e dois chás, apenas porque antigamente tiveram um grande chef e pelo facto do espaço ser realmente apelativo (tal como o site de Internet). Qualquer guia de restauração de Lisboa indica meia dúzia de restaurantes de Sushi que fazem igual por menos dinheiro, ou, melhor pelo mesmo valor. Atenção, nem sequer estou a considerar os "sushineses" que infestam a cidade, por isso, o valor que o Estado Líquido cobra é um pouco excessivo. Em tempos de crise, em que jantar fora é um luxo e em que as pessoas "contam os tostões", estes preços são superiores aos da oferta. Faz sentido ir ao Estado Líquido para aqueles que querem ser vistos, ou, para quem quer aproveitar uma promoção e assim experimentar o restaurante. Mais do que isto, sinceramente, não justifica.

data da visita: 25.maio.2012
preço por pessoa: 18,17 € (com o dois por um)

Estado Líquido - Fusion Sushi
Largo de Santos, 5A, Lisboa

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Lisboa Restaurant Week - Tertúlia do Paço

Sem perder mais uma edição da Lisboa Restaurant Week (LRW), decidimos experimentar o Tertúlia do Paço. Este restaurante sempre seguiu o do chefe ao chef, pelo menos no Facebook, tendo sugerido, nesta rede social, que os visitássemos a propósito deste evento. Como a curiosidade falou mais alto, lá fomos nós em mais uma expedição gastronómica que agora partilhamos.

Desenganem-se os que (como alguns de nós) pensam que este restaurante fica no Terreiro do Paço - fica sim, algures,  entre Telheiras e o Lumiar. Situado num bairro típico desta zona de Lisboa, i.e., prédios de habitação com áreas consideráveis, espaço para estacionamento, árvores e parques infantis q.b. e um comércio local insípido, o Tertúlia do Paço oferece uma pequena entrada coberta com um toldo (um estilo que nos faz lembrar os restaurantes franceses).

(foto daqui)

Lá dentro, destaca-se à entrada, o enorme aquário de marisco vivo, com a sala de refeições ao fundo do restaurante. À média luz, uma sala de tamanho razoável, com uma decoração que se pretende clássica, mobiliário e soalho em madeira e alguns detalhes em dourado. A vista para as barreiras de som do Eixo Norte-Sul não é estonteante, mas o Tertúlia do Paço é um restaurante e não o miradouro de São Pedro de Alcântara. A música ambiente também não era, de certeza, a que mais se adequava aos nossos gostos pessoais.

(foto daqui)

O facto de apenas duas mesas estarem ocupadas (além da nossa), e também o silêncio, por momentos sepulcral, que se fazia sentir não tornou o ambiente de todo descontraído. A impressão de que não podíamos falar para além do volume do sussurro é algo desconfortável. O ambiente ajudou a que um atendimento que se pretendia atencioso, por vezes, se tornasse intrusivo. Talvez com mais mesas por servir, o atendimento prestado pelos empregados (trajados com um colete e laço excessivamente formais) pudesse ser mais discreto e algumas falhas que se verificaram passassem despercebidas, como, por exemplo, a hesitação sobre a ordem em que se serviram os pratos, ou, o uso excessivo de diminutivos. Certamente que com meia casa ocupada não nos teria sido possível ouvir a conversa vinda da cozinha (desenquadrada do estilo do restaurante).

O menu, como é habitual neste evento, foi criado especialmente para a LRW e tem opções limitadas (menu completo aqui), no entanto, no Tertúlia do Paço até nos pareceram bastante adequadas e apelativas.

Para entrada, todos escolhemos os Cogumelos Frescos Recheados com Presunto e Queijo Gratinado. Eram bons, mas nada de especial... no geral, tinham um sabor pouco apurado. O que os tornava bons era, mesmo, o facto de todos gostarmos muito de cogumelos.

Nos pratos principais, embora por acaso, escolhemos opções diferentes...

d. experimentou os Filetes de Polvo com Migas de Feijão Frade, e gostou muito. O polvo estava extremamente macio e bem confeccionado. As migas, apesar de boas e de serem um acompanhamento que ligava bastante bem com o polvo, tinham dois "senãos" - pedras de sal pelo meio, o que não facilitou a degustação (não eram muitas, mas existiam), e a quantidade, que devia ser ligeiramente menor (o feijão enche muito).

g. pediu o Medalhão de Cherne com Molho de Camarão e Batata Dourada. O prato era saboroso, estando o cherne macio e o molho de camarão com um sabor apurado. No entanto, não houve nada de novo nem original neste prato, ficando a sensação que podia ser facilmente replicado em casa.

j. escolheu o Lombinho de Porco Preto à Bulhão Pato e não se arrependeu. O sabor era bom, a carne macia, as ameijoas sem areia e os acompanhamentos adequados e bem confeccionados. A única questão a apontar, é mesmo a quantidade de molho, que, por ser bastante, tornava o prato pesado.

f. decidiu-se pelo Tornedó à Terra e Mar (com Cogumelos Frescos e Camarões). Destacou-se a carne, que era de boa qualidade e bem confeccionada (mal passada como se esperava, ainda que não tão mal passada como f. gosta). Os acompanhamentos, por outro lado, não estavam à altura da carne servida. O folhado e o esparregado não pareciam home made e os cogumelos não pareciam frescos.

Para sobremesa...

j. e g. provaram o Apfelstrudel, o Gelado de Baunilha e a Canela. Estava à altura das expectativas. Talvez não tenha sido o melhor Apfelstrudel que já comemos, mas era bom.

d. e f. optaram por O Pudim de Maracujá... que, na verdade, não era mais do que uma tira de pudim (com uma textura de pudim instantâneo indiscutível) regado com um molho de maracujá. Podemos dizer que o molho era interessante... quanto ao pudim, não há muito mais a acrescentar.

O Tertúlia do Paço tem aspectos positivos e negativos, uns, obviamente, mais importantes que outros.

Em primeiro lugar, no geral, a comida é boa, o que é um ponto fundamental. É verdade que a qualidade de alguns acompanhamentos dos pratos principais foi discutível, mas compreendemos que pode resultar da ideia partilhada por alguns restaurantes de que a qualidade pode ser diminuída em eventos tipo LRW, uma vez que os preços são mais reduzidos. Damos o benefício da dúvida a um normal período de funcionamento, e por isso consideramos a comida um aspecto positivo.

Por outro lado, consideramos que o restaurante está desenquadrado... no ambiente, no serviço e no preço, ou, melhor dizendo, na conjugação de todos estes factores. Num bairro residencial como aquele onde o Tertúlia do Paço está localizado, as pessoas procuram um ambiente descontraído, onde podem apreciar boa comida, uma saborosa Sapateira ou um suculento Bife na Pedra, na companhia da família ou amigos, a um preço acessível. Temos dúvidas se o ambiente formal é "a praia" do Tertúlia do Paço. Os empregados estarão assim tão à vontade para o tipo de serviço que pretendem prestar? Os pratos estarão todos ao nível do tipo de cozinha que pretendem servir? A decoração do restaurante é coerente no seu conjunto? Focando-nos no aspecto preço, e tendo em conta que na Lisboa Restaurant Week os menus são mais acessíveis, 31 € / pessoa (bebidas não incluídas no menu LRW) não será um valor demasiado dispendioso?

Sem querermos pretender ser algo que não somos, na nossa opinião, talvez o Tertúlia do Paço pudesse apostar num "downgrading", que é como quem diz - apostar naquilo em que são bons (qualidade da comida), e deixarem-se de formalismos excessivos e acessórios.

Não valerá a pena repensarem o que são e o que podem ser, ao invés do que sonhavam ser?  

data da visita: 17.maio.2012
preço por pessoa: 31 € (LRW)

Tertúlia do Paço
Rua Fernando Lopes Graça, 13 A, Lisboa

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pedro e o Lobo

Em mais um jantar do chefe ao chef comigo, f., j. e d. reunidos para um belo serão de amena cavaqueira desfrutando de um bom jantar escolhemos um restaurante que todos queríamos visitar: Pedro e o Lobo.

(imagem do site)

Eu gosto do nome do restaurante (até porque gosto da sinfonia do Sr. Prokofiev) e só por isso já o queria experimentar.

Fui o primeiro a chegar e fui logo abordado por uma empregada (responsável de sala?) que me perguntou se eu tinha reserva e se poderia guardar o meu casaco. Como cheguei primeiro fui convidado a esperar no bar acompanhado por uma bebida. Até aqui tudo bem e como eu acho que deve ser. Quando os restantes bloggers chegaram fomos acompanhados à mesa, do outro lado da sala do restaurante, para iniciarmos a nossa experiência. A decoração revela muito bom gosto, sendo simples e sofisticada (mais um ponto a favor).

Depois de uma olhadela à carta, optámos pelo menu de degustação, o que já vem sendo hábito para os nossos encontros. O menu começou bastante bem, com um amuse bouche que cumpriu o seu objectivo: entreteve a boca. Esta entrada foi leve, fresca e fácil de gostar.

De seguida um prato original, que nos surpreendeu quer pela mistura quer pela forma como foi confeccionado e apresentado: ovo verde, alho francês e pipoca de salsa, uma ideia original e muito bem concretizada (gostámos da utilização das pipocas).

Após o primeiro prato foi servida uma Terrina de Porco, com maionese de aipo, confit de rábano e maçã osmotizada. Este prato foi, provavelmente, o melhor dos pratos principais.

O prato seguinte foi um Pargo de Linha, concentrado dos seus sucos, mandioca, tapioca e funcho do mar, o que se concretizou numa grande mistura e gerou um conjunto de caras a espelhar um “o que é isto?”. Reconhecemos que mandioca é um alimento difícil de preparar, pois, apesar de muito nutritivo, não tem um grande sabor,  mas, na nossa opinião, esta mistura é um pouco estranha e poderia ser trabalhada.

Por último foi servido Rabo de Boi Meloso com salsifi glaceado e rúcula, que tal como o nome indica estava bastante meloso, tornando-se um pouco enjoativo e pesado.

Para terminar, foi servida uma pré-sobremesa e o momento alto da noite: a sobremesa! Para quem não é muito guloso está feito! Mas para quem é (como eu), fica muito contente: mousse e sablé de chocolate, caramelo e doce de leite!

(ver foto aqui)

A mousse de chocolate é espessa e forte, mas não enjoa porque a quantidade não o permite. No ponto! 

O jantar foi acompanhado por um Cartuxa 2009, tinto, a copo, cerveja, um cocktail (Lovely Jubbely) e água.

Ficam duas notas:
O serviço é cinco estrelas com empregados simpáticos e atenciosos, no entanto, o tempo de espera entre os pratos foi excessivo, ao ponto de um dos empregados pedir desculpa pelo tempo que o prato estava a demorar.
Na generalidade os pratos são bons, mas não foram fantásticos, sendo que alguns deles são mesmo estranhos, quer pelo sabor quer pela consistência da comida.

Ou a nossa expectativa era muito alta, ou o menu de degustação não esteve à altura. É diversificado, tal como deve ser, mas nenhum prato ficou na memória como sendo fantástico e como sendo um must do em Lisboa, e, sinceramente, eu pensava que iria encontrar um prato que me iria arrematar! É de louvar a novidade e a diversidade oferecida, mas “faltou-lhe um bocadinho assim”…

De qualquer forma, a experiência tem um saldo positivo, e congratulamos o Pedro e o Lobo pela sua existência e pela experiência que oferece a quem o visita.

data da visita: 04.maio.2012
preço por pessoa: 29,84 € (com o dois por um)
preço por pessoa: 52,49 € (sem o dois por um)

Pedro e o Lobo
Rua do Salitre, 169, Lisboa