domingo, 13 de janeiro de 2013

Arola

Um dos restaurantes que mais tínhamos curiosidade em experimentar fez-nos deixar o "eixo Príncipe Real-Rato-Marquês de Pombal" e rumar a Sintra, mais precisamente ao Penha Longa Hotel & Golf Resort. Neste cenário fantástico, na misteriosa serra de Sintra, localiza-se o restaurante Arola. 

(imagem do site)

Haverá melhor cenário para o "jantar de despedida" de um dos nossos bloggers que decidiu aventurar-se por novas paragens? Talvez... se em vez de jantar tivesse sido almoço, ou se estivéssemos no Verão e fosse dia até mais tarde, de certeza aproveitaríamos muito melhor a paisagem.

Para quem não sabe, o restaurante Arola é dirigido pelo prestigiado chef catalão Sergi Arola, conhecido por ser um dos discípulos favoritos de Ferran Adriá (de acordo com o próprio Ferran Adriá) e pelas suas duas estrelas Michelin (alcançadas no seu restaurante em Madrid). Sergi Arola possui 5 restaurantes, sendo o Arola o seu primeiro restaurante fora de Espanha.

Introduções à parte, lá fomos nós cheios de expectativas. 

Chegar ao resort é fácil, mas encontrar o restaurante não é. Após passarmos a entrada, não existem indicações claras... ou pelo menos nós não vimos. Depois de andarmos ligeiramente perdidos, no meio do verde e do escuro, optámos por nos dirigir à recepção do hotel. Felizmente, o restaurante não é longe, situando-se num edifício anexo ao principal... deixámos o carro e fizemos o resto do percurso a pé, aguentando o clima característico da serra de Sintra. 

(imagem do site - o Arola localiza-se no edifício que está no centro da imagem, em baixo)

A decoração do restaurante correspondeu as nossas expectativas oferecendo um ambiente calmo, muito elegante e ao mesmo tempo descontraído, que respira glamour e bem estar. A cor predominante é o branco, com uns apontamentos de luz colorida. Destacam-se a enorme e reconhecida garrafeira e a bonita vista para o campo de golfe e para a serra de Sintra. Tudo convida a uma refeição sem pressas, ao convívio e à partilha (a partilha era o conceito inicial deste restaurante, mas, de acordo com  Sergi Arola numa entrevista à Time Out, o mesmo não tem sido bem percebido pelo público português). No que a nós diz respeito, viva a partilha... de experiências e de comida.

(imagem daqui)

Optámos, mais uma vez, pelo menu de degustação, escolhendo o Arola Classic (que, no mínimo, tem de ser escolhido por duas pessoas). Sendo o restaurante dirigido por um chef espanhol, o menu apresenta, como seria de esperar, claras influências dos nuestros hermanos, quer na forma de cozinhar os alimentos, quer nos ingredientes. 

Antes de entrarmos na refeição, um apontamento para os entretens de boca... foram servidos na mesa um cesto com pão torrado, tomates-cereja e alhos (inteiros) e uma garrafa de azeite. A ideia é esfregar o alho  no pão, colocar o tomate (de preferência cortado) por cima, temperar com um pouco de sal e pimenta e regar com azeite. A ideia é boa, até fantástica... para fazer em casa - se calhar somos um pouco esquisitos, é verdade, mas ficar com o cheiro de alho nas mãos não nos pareceu uma boa opção.

O menu de degustação começou com quatro entradas para partilhar...

Beringela assada na brasa, temperada com azeite, redução de vinagre balsâmico e pinhões.
Entre nós, f. foi o único que gostou desta entrada, pelo seu contraste de sabores... para os restantes, tanto o sabor como a textura eram estranhos e pouco agradáveis.

Lascas de porco ibérico com maçã, pistácios e queijo parmesão.
Uma leve e fresca combinação de sabores fez com que esta entrada fosse, por nós, eleita como a melhor das quatro. Quem é fã de enchidos sabe que há poucas coisas melhores que porco preto ibérico e estas fatias confirmaram-no. A maçã deu a doçura ao prato, o parmesão o tempero e os pistácios a textura.

Batatas bravas, com molho de tomate picante e aioli.
As batatas bravas são um dos pratos tradicionalmente servidos como tapas. Para explicar, as batatas bravas são normalmente batatas fritas envoltas num molho de azeite, malagueta,  pimentão doce e vinagre, sendo, por vezes, acompanhadas por um aioli de azeite e alho (não verificámos a receita "mais tradicional", mas é mais ou menos isto). São "bravas" por serem picantes. Nesta entrada, o picante não era muito, o que tornou os sabores bastante mais equilibrados e adaptados aos nossos paladares, tornando a típica tapa espanhola bastante mais apetecível.

Calamares com aioli.
Esta entrada também não foi do agrado de todos, pois o sabor "a frito" sobrepôs-se, por vezes, a tudo o resto. Em alguns pedaços, os calamares estavam cortados demasiado finos, pelo que o seu sabor era praticamente anulado pelo sabor da "massa frita". Pelo lado positivo, nos melhores pedaços, sentia-se o sabor pretendido, com uma textura estaladiça irresistível. O molho talvez pudesse ser um pouco mais forte.

Os pratos principais foram dois, igualmente saborosos, mas pouco memoráveis.

Fideuà com bacalhau salteado e coentros frescos.
O fideuà é uma variação da famosa paella espanhola. As principais diferenças são a substituição do arroz por massa e a utilização exclusiva de peixe e marisco como ingredientes. O prato tinha um excelente textura e tempero, mas não surpreende, porque não deixa de ser uma "massada de marisco" (ainda que muito bem confeccionada). Para quem já provou este prato em Espanha, em qualquer café de esquina, a comparação é inevitável e o prato do Arola não se distingue assim tanto. Destaca-se o bacalhau (fresco) que estava no ponto.

Entrecôte de vitela, com "bombetas" de tomate cherry e texturas de milho.
A carne estava tenra e saborosa e as texturas de milho (puré e pequenas tiras fritas) trazem alguma graça ao prato. Porém, à semelhança do prato anterior, apesar de extremamente bem confeccionado, não surpreendeu.

Para terminar foi servida uma copa catalana com creme de bolacha e sorbet de laranja, esta sim, merecedora de um grande elogio. Esta mistura que, à partida, pode parecer inusitada ou até enjoativa, revelou-se inesperada, sendo uma sobremesa doce e refrescante ao mesmo tempo. Sem dúvida, final perfeito para o jantar.

Como já referimos, a garrafeira do Arola é extensa, reconhecida e (muito) cara... talvez por isso seja apresentada às mesas num iPad. A ideia é gira, mas a escolha do vinho acaba por se tornar mais demorada uma vez que todos os vinhos contêm uma pequena descrição que se acaba por ler. Optámos por um Marquês de Borba (branco) de 2011. Era fresco, mas nada mais do que isso, não sendo uma boa relação qualidade-preço.

Quanto ao atendimento, nada de extraordinário a referir... sem nenhuma falha a assinalar e sempre com o nível de atenção e simpatia que se espera de um restaurante como o Arola. O serviço teria suplantado as expectativas, caso nos tivessem sugerido um vinho para acompanhar o menu de degustação, especialmente tendo em consideração a extensa carta de vinhos (mas é verdade que nós também não perguntámos).

O Arola merece a visita por toda paisagem idílica envolvente e por todo o ambiente do próprio espaço. A comida é boa, muito bem confeccionada, mas não surpreendente. Mais uma vez, no que à comida diz respeito, as expectativas foram superiores à realidade, mas nada de grave.
Recomendamos a ida durante o dia, com luz natural, para que possam tirar todo o partido do cenário da serra (provavelmente voltaremos nesta condição) e relembramos que deverão reservar o devido espaço para a sobremesa.

data da visita: 01.setembro.2012
preço por pessoa: 29 € (com o desconto dois por um)

Restaurante Arola
Penha Longa Hotel Spa & Golf Resort
Estrada da Lagoa Azul, Sintra

domingo, 25 de novembro de 2012

Pastelaria Versailles

A Versailles é uma daquelas grandes e elegantes pastelarias/cafés/restaurantes, que durante décadas marcaram o ritmo social das grandes cidades europeias, à nossa escala, Lisboa e Porto. A evolução dos tempos fez com que em Portugal, alguns destes estabelecimentos fechassem, mas outros, como a Versailles não só resistiram, como ficaram mais fortes. E ainda bem que assim foi. A beleza da sua decoração estilo Arte Nova, os seus mármores, a classe e bom estado das suas madeiras nobres, o seu relógio ao centro de um móvel (clássico, muito clássico) de exposição de bebidas e um balcão comprido que expõem uma oferta de doces de pastelaria tentadores, tudo isto encontra-se disponível a qualquer um que lá queira entrar. Seria uma pena, que este património da cidade de Lisboa se perdesse num qualquer estabelecimento de fast food.
Para aqueles que como eu, ainda não aderiram ao tupperware ao almoço (veremos em 2013...) e por acaso trabalham em Lisboa, na zona do Saldanha, a Versailles pode não ser uma opção diária, mas é certamente uma opção a considerar. É certo que na Versailles não existem menus de almoço a 5 €, com sacrifício das margens de lucro e principalmente para a qualidade das refeições, pelo que a opção diária por este estabelecimento, obriga a uma situação financeira cómoda. Para mim, não há grandes problemas, pois sou parcimonioso nos meus almoços. Uma sopa/sandes, uma água 0,33cl e (ah malucooo!) um salgado/pastel e pronto, fico satisfeito para o resto da tarde.

Assim, com esta rotina e proximidade do meu trabalho à Versailles, resolvi aplicar nesta famosa pastelaria de Lisboa os meus hábitos alimentares diários e partilhar mais esta experiência.

À hora de almoço, a Versailles costuma estar entre a meia-casa e casa cheia, pelo menos no que diz respeito às mesas. O seu público-alvo são as pessoas que trabalham naquela zona, desde os bancários lá do sítio, aos consultores seniores das proximidades e até presidentes de bancos ou juízes mais mediáticos. Ao balcão, encontram-se aqueles que apenas se querem despachar ao almoço, sem contudo comer mal. Qualquer um destes clientes é sempre servido de forma rápida, simpática q.b. e com alguns pormenores que diferenciam este estabelecimento de outros. Por exemplo, quantas vezes vos foi servido num pires à parte, um garfo próprio para comer um croquete ou uma colher de café para comer um pastel de nata?

Por falar em croquete, este salgado é um ícone da Versailles. Segundo eles, é feito da melhor carne de lombo de vitela. Não sei se é verdade, mas na gíria diplomática costuma-se dizer que existe uma forma de fazer diplomacia, é a chamada "diplomacia do croquete". Posso-vos garantir que se nesta forma de diplomacia, se servissem os croquetes da Versailles, Portugal não teria metade dos problemas que tem na "frente" europeia. Eu não sou grande apreciador de croquetes, mas os da Versailles são muito bons. São normalmente maiores que os da concorrência, a carne é uma massa suave e uniforme, bem temperada e sempre servidos quentes.

Mas não é só pelos croquetes que a Versailles é famosa, a sua pastelaria é muito afamada, em particular os eclairs, cuja visão ao balcão deve ser muito tentadora para os mais gulosos. Experimentei o de café, por pensar que seria o menos doce. Comparado a outros eclairs, acredito que não seja doce, mas para o meu gosto, pareceu-me um bocado, contudo, a sua massa era boa e como os olhos também comem, tinha um óptimo aspecto. Por sua vez, o seu pastel de nata é óptimo. Uma massa folhada delicada e um creme suave e doce (sem ser enjoativo) óptimo. Poderia-vos falar da sopa, mas sopa é sopa e não vi grande diferença para as servidas em qualquer café do país.

Não poderia terminar este post, sem falar das refeições servidas nesta pastelaria. São um pouco caras para o dia-a-dia, porém, pelo que pude ver são muito bem servidas, têm um óptimo aspecto e os ingredientes parecem ter uma qualidade condizente com o nome que vem no prato. Aquela feijoada à transmontana ainda me faz salivar, mesmo sabendo que por motivos de saúde não deveria sequer olhar para ela...

preço: 4,00 € - 5,00 € (almoço à f.)

Pastelaria Versailles
Av. da República, nº 15-A, Lisboa

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cantina da Estrela

Este post é uma prenda de aniversário à minha Avó pelos seus 85 anos ricos em memória e experiência e, também, por nos ter proporcionado esta experiência no Cantina da Estrela. Moradora veterana de Campo de Ourique, e por isso bem conhecedora dos cantos deste bairro lisboeta, sugeriu-me que fossemos à Cantina da Estrela pelo seu aniversário. Ao invés de outras (boas) escolhas que Campo de Ourique proporciona e às quais já estaria mais habituada, resolveu surpreender o seu neto e disse que faria reserva neste restaurante. Ainda a avisei que entre o conceito e o preço praticado, esta opção talvez não fosse do seu agrado, mas quando me diz que já conhecia a Cantina da Estrela e que queria lá voltar, pois "uma vez  não são vezes", o que posso eu fazer?! Ir de bom grado e munido do meu cartão "TimeOut 2por1", pronto para desfrutar de uma boa refeição, num espaço que há muito tinha curiosidade em experimentar.

Antes de mais, e agora via web, os meus parabéns à minha Avó.

(ver imagem aqui)

Bem, passando agora ao que interessa, o Cantina da Estrela está inserido no Hotel da Estrela (uma antiga escola), ao lado da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (o antigo Liceu Machado de Castro), daí o seu ambiente nos remeter para as antigas escolas portuguesas. De realçar que na Cantina (e Hotel) da Estrela a proximidade com a Escola de Hotelaria resultou no aproveitamento de alguns dos jovens valores desta academia, que enquanto estudam, também trabalham neste espaço, para assim obterem uma experiência profissional que lhes trará uma mais-valia importante no mercado de trabalho. Aparentemente, existe nas traseiras do restaurante um jardim com uma vista magnífica para a cúpula da Basílica da Estrela, mas não pude confirmá-lo, pois a noite estava desagradável para estar lá fora. Fica para uma próxima...

(ver imagem aqui)

O conceito deste restaurante, para além da decoração, também se manifesta nos pratos que compõem a sua oferta e nos preços que praticam. A ementa é essencialmente portuguesa, não existindo muitas influências estrangeiras, à excepção de um ou outro ingrediente, ao qual já estamos muito familiarizados. Os pratos confeccionados e o atendimento (simpático), tal como já  referi anteriormente, são garantidos essencialmente pelos estudantes da Escola de Hotelaria. Assim, como pode haver a possibilidade das coisas não saírem assim tão bem, o preço de cada prato e o serviço do restaurante são estabelecidos pelo cliente, dentro de um determinado intervalo, claro está.

A refeição foi composta por uma amuse bouche, oferta da casa, constituída por uma espécie de rissol de camarão e molho de manga, cuja textura e sabores eram excelentes. O pormenor do cebolinho cortado no molho deu-lhe um toque único. Como entrada, experimentei um tachinho (uma cataplaninha para ser mais correcto) de camarão em molho de manga. Estava bem servida, com o camarão muito bem confeccionado, tanto na sua consistência como no seu sabor. Acho que o molho teria sido melhor se fosse como o da amuse bouche, mas como estava, mais aguado, com a manga cortada em pequenos cubos, também estava bom.

j. e a minha Avó deliciaram-se com um, muito bem servido, creme de ervilhas, com croutons, presunto crocante e espuma de nata. Como não aprecio ervilhas, não provei, mas garantiram-me que estava bom. Como prato principal, provei o bife do lombo com molho de dobrada e batata doce, e j. e a minha Avó optaram pelo salmão com puré de chouriço. Se em relação ao meu prato nada tenho a apontar, à excepção do sabor do molho, pois de facto não me apercebi do sabor da dobrada, já o salmão... O puré de chouriço estava bom, porém, se questionam sempre se o bife é bem/mal passado, deviam experimentar fazer o mesmo com o peixe. Resultado, para um prato que é suposto ser cozinhado, o salmão estava demasiado cru. Não foi totalmente do agrado de quem o provou e no caso de j., estamos a falar de alguém que "devora" sushi desalmadamente. As sobremesas estavam óptimas, comigo e j. a experimentarmos um bom leite creme, com uma bola de gelado de caramelo, que lhe dava uma frescura agradável. A minha Avó optou por umas farófias, aparentemente boas, principalmente por não estarem decoradas com fio de gema do ovo, mas apenas por pó de canela.

Para concluir, considero o Cantina da Estrela uma opção agradável e a repetir. Os pratos são bem servidos, o espaço é agradável e o serviço é competente, apesar de algumas falhas pontuais, mas nada comprometedoras. Caramba, são miúdos que estão a aprender! No do chefe ao chef já relatámos experiências cujo serviço foi muito mais comprometedor, e supostamente executado por profissionais. Assim, estes miúdos estão de parabéns, tal como este projecto.

data da visita: 20.novembro.2012
preço por pessoa: XX,XX € (variável, de cliente para cliente, ver ementa)

Cantina da Estrela
Rua Saraiva de Carvalho, nº 35

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Rubro Avenida

"Eh pá, tenho uns amigos por cá, conheces algum sítio onde os possa levar a jantar?"

E invariavelmente, entre as primeiras sugestões para jantares com amigos, lá surge o restaurante Rubro, neste caso o Rubro Avenida, pois o do Campo Pequeno não conheço.

(imagem daqui)

O Rubro é um daqueles restaurantes onde podemos ir sozinhos, a dois ou em grupo e é certo e sabido que é sempre uma aposta ganha. Bom serviço, boa comida e inseridos num ambiente e conceito, cuja ideia central consiste na partilha de refeições. Atenção, não considero o Rubro uma destas tabernas que existem actualmente, já descritas anteriormente (ver Taberna Ideal e 1300 Taberna), cuja ideia central, também consiste na partilha de refeições. O Rubro tem algo de diferente, talvez pelas influências espanholas que existem na maioria dos pratos ou as iguarias francesas disponíveis no seu menu, mas de facto é diferente. Que fique claro, não é melhor, nem pior, apenas diferente.

(imagem daqui)

Quanto ao espaço, o Rubro é amplo e com uma entrada de luz natural igualmente grande. À noite, se não fosse a luz forte que incide sobre cada mesa, certamente que o seu ambiente seria mais soturno, pois o tom escuro das paredes e o seu mobiliário rústico, favorecem este tipo de ambientes.

O serviço é rápido, não afectando com isso a qualidade das refeições, pois estas, apesar dos seus ingredientes, são pratos de confecção relativamente rápida. Admito que a simpatia não é o ponto mais forte do serviço, mas caramba, são profissionais e isto é muito importante. Avisarem-nos que os ingredientes de uma das nossas escolhas não estavam em condições, é algo simples e não é mais do que cumprir com a sua função e responsabilidade, mas quantas vezes não vivemos situações opostas?... Adicionalmente, quando na carta temos algumas dúvidas sobre algum prato, explicam detalhadamente como este é preparado e consoante o nosso gosto, qual será a melhor opção para experimentar ingrediente a) ou b). Contudo,  nem tudo é perfeito...

Já tive a oportunidade de ir mais do que uma vez ao Rubro e entre os principais petiscos, destaco os Revueltos de Farinheira e o Foie Gras. O Foie Gras está presente em alguns pratos, mas se querem um conselho, comam-no simples. O Foie Gras disponível no Rubro é excelente, não é como uma imitação barata, como tantas vezes se vê aí à venda. Os Revueltos de Farinheira são a versão castelhana dos nossos Ovos Mexidos com Farineira, sendo que os do Rubro têm a Farinheira espalhada de modo mais uniforme, nuns ovos mexidos mal passados e com isto mais moles e gulosos.

Existem outras opções, como o Chèvre na Chapa com Azeite de Alecrim, cujo contraste de sabores é excelente, a alternar entre o sabor forte do Queijo, a gordura deste com o Azeite e o sabor suave do Alecrim. O cogumelo Portobello com Presunto e Ovo de Codorniz, também é uma opção interessante, devido ao ovo estrelado que é óptimo. Como complemento, para tornar a refeição menos pesada, sugiro a excelente Salada Verde, composta por Rúcula, Queijo Brie, Maçã Verde, Emulsão de Mostarda e Mel. Tem uma combinação excelente de sabores, pois estes são correctamente doseados, de modo a que nenhum sabor se sobreponha ao outro, conseguindo mesmo assim, um prato fresco e leve. Para doces, sugiro um Crème Brûlée de Pêra, muito suave e saboroso, mas que dispensava o galicismo do seu nome. Leite Creme Queimado de Pêra, serviria perfeitamente...

Para acompanhar esta refeição, bebi um Alvarinho 2010 a copo, que na ardósia que servia de menu informava ser da colheita 2009. Não sou enólogo, mas entre 2000 e 2010, há a ideia corrente de que os vinhos foram bons nos anos ímpares. Não sei se é verdade, mas já tenho constatado esta diferença e o facto é que este Alvarinho não era mau, mas em comparação com outros que bebi da colheita 2009, 2007 e 2005, não era excepcional. Em todo o caso, o problema não está aí, mas sim no seguinte: se o Alvarinho disponível para beber a copo é de 2010, a ardósia devia ter esta informação!

Para terminar, o melhor de tudo foi o preço! Não quero fazer publicidade à revista Time Out, o seu conteúdo nem sempre interessa muito, mas os vales 2por1 compensam. Duas pessoas, e à excepção do foie gras que não tinham, pagaram apenas 26,90 €! Compensa e muito...

data da visita: algures em Setembro de 2012
preço por pessoa: 13,50 € (com o desconto dois por um)

Restaurante Rubro Avenida
Rua Rodrigues Sampaio, nº 35 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

La Lateral | Madrid

Se estiverem por Madrid e com vontade de tapas, bocadillos ou outra comida tradicional Espanhola, mas servida num ambiente moderno, elegante e sem ser out of the budget, a La Lateral deve ser incluída no vosso tour.

A La Lateral é uma cadeia de restaurantes que pode ser encontrada em diversos locais de Madrid (Fuencarral, Velázquez, Arturo Soria). O restaurante que mais visitei e portanto conheço melhor, é a La Lateral do Paseo de la Castellana, não por ser o mais recente restaurante da cadeia, mas por uma questão de logística.  Assim sendo, este post baseia-se neste restaurante, mas como o menu é igual nos restantes restaurantes da cadeia poderão ficar com uma ideia do que encontrar em qualquer La Lateral.

Este espaço como é recente apresenta ainda o brilho de um restaurante novo, quer pela decoração, quer pelo ambiente, nota-se que é novo e fresco. Em todo o caso, qualquer La Lateral tem muito bom gosto, primando pela sofisticação. Por outro lado, o La Lateral do Paseo da Castellana pode apresentar algumas desvantagens por ser novo... Se forem almoçar em “hora de ponta” correm o risco de esperar muito tempo pelos pratos pedidos, ou mesmo ter que lembrar os empregados que continuam à espera de determinada refeição! Não sei se revela inexperiência por parte dos desempregados ou desorganizaçao da cozinha, mas fica a nota. Portanto o melhor é evitar a hora de almoço das 14.30 às 15.30.

(imagem do site)
A La Lateral do Paseo de la Castellana oferece a possibilidade de tomarem a refeição numa das duas esplanadas, o que pode ser muito agradável naqueles dias de sol (sem o calor tórrido de Madrid). Mas mesmo que não consigam mesa na esplanada, como as janelas do restaurante são grandes e costumam estar abertas, permitem a entrada de ar e muita luz, tornando o ambiente do restaurante leve e agradável.

De uma forma geral o atendimento no La Lateral é acolhedor, eficiente e agradável, sem ser muito pessoal nem formal, encontra-se adequado ao tipo de restaurante. O que marca mesmo no La Lateral é a comida, e por falar em La Lateral e comida tenho de começar com a Tortilla. Na minha opinião, a melhor tortilla que encontrei em Madrid, até agora, é sem duvida a da La Lateral. É com batata e cebola (como manda a tradição) e não está demasiado cozida, ou seja, por dentro é suave e húmida! Portanto este é um must have!
(imagem do site)
Também a não perder é o solomillo con brie  e o solomillo con cebolla confitada. Ambos, são tostas de pão com lombo de porco (suave e saboroso), mas acompanhados com o doce e quente sabor do queijo brie ou com o sabor doce e forte da cebola confitada. Naturalmente, não podiam faltar as croquetas. Quer as croquetas de bacalhau, quer as de presunto são muito boas, sendo diferente dos croquetes Portugueses, uma vez que em Espanha são feitos com molho bechamel (cada racion traz seis croquetas). Para terminar, algo diferente dos típicos pratos espanhóis: Pizzaiola de mozzarella, burrata, pesto y tomate. Trata-se de uma fatia de pão tostado com tomate, queijo mozzarella derretido, coberto com molho pesto e botões de burrata (queijo fresco italiano de barrar). É uma óptima alternativa principalmente para o Verão, por ser fresco, leve e não ser frito! 

A minha sugestão é três pratos por pessoa, mas claro que depende do apetite de cada um, mas como referência considerem este número. De qualquer forma, caso ainda tenham apetite (ou gula) para mais alguns pratos, podem sempre pedir novamente o menu ao camarero e continuar com a vossa experiência degustativa. 

Para acompanhar, o La Lateral tem vários vinhos à escolha, mas tenho ficado sempre pela água ou cerveja (o que pode ter um forte impacto no preço). Como estamos em Espanha pode-se sempre optar por pedir vinho ao copo, o que é muito normal aqui.
data da visita: 10.outubro.2012
preço por pessoa: 13,00 €

Restaurante La Lateral
Pº de La Castellana, 89
28046 Madrid
www.lateral.com